Socialismo libertário, eco-socialismo, para uma alternativa democrática, socialista e anti-capitalista com dimensão internacional!
sábado, outubro 29, 2005
JOSÉ SOCRATES E A "PACIÊNCIA DEMOCRÁTICA"...
Escolhe sempre o cenário para se lembrar das promessas eleitorais que quer cumprir e das que não quer cumprir ...
Quando cumpre as promessas, fala de "paciência democrática". Quando não as cumpre, fala de "interesse nacional" ... Mas é ele, José Sócrates, que sabe o que é uma coisa ou outra...
José Sócrates pede "paciência democrática" às mulheres que vão ter de esperar, pelo menos, até Setembro de 2006, para não verem os seus direitos quanto à interrupção voluntária da gravidez, molestados por decisões e normas administrativas ... Justifica-se com o cumprimento de compromissos eleitorais!
José Sócrates já não falou nos mesmos compromissos eleitorais, quando resolveu impor que as portuguesas e os portugueses apertassem o cinto com mais impostos e com os mais que discutíveis discutíveis nívelamentos por baixo da uniformização do direito à reforma dos trabalhadores. Falou, a este respeito, em "interesse nacional"!
Quem acaba por sofrer as consequências das políticas de José Sócrates, são sempre os mesmos! Os mesmos que em Fevereiro último acreditaram que Sócrates era alternativa à direita ... a paciência, até a democrática, começa, de facto, a perder-se!
terça-feira, outubro 25, 2005
Primeira reflexão ...
O Manifesto que Mário Soares acabou de divulgar, revela um candidato politicamente preso ao governo Sócrates e à direcção liberal do PS.
Mário Soares revela-se também como um candidato da Europa que foi derrotada com o “não” à Constituição liberal europeia em França.
Mário Soares é também, tal como Cavaco Silva, um candidato que não consegue mais nada para além da chamada “economia de mercado”. Com uma diferença, é verdade! Pertence ao grupo daqueles que querem “quadrar o circulo”, tentando “reformar” e “regulamentar” uma economia que será sempre gerida a partir das empresas e dos seus patrões.
A idade em Mário Soares tornou-o, afinal, mais distante do Mário Soares que participou duas vezes no Fórum Social Mundial e do que se bateu contra a guerra de Bush no Iraque. O candidato Soares 2006 revela-se mais próximo do Mário Soares primeiro-ministro ou do Mário Soares que, certo dia, resolveu por o socialismo na gaveta!
Tal como Cavaco Silva, a intervenção de hoje de Mário Soares revelou-se cheia de abstracções, tais como, “estabilidade” , “reforço das instituições democráticas”, “cidadania activa” … termos e grupos de termos que soam a fraseologia, depois de vermos o que os políticos do centrão fazem quando estão, à vez, no governo!!
A Europa de Mário Soares, ou seja, a mesma de Chirac ou de Blair ou de Barroso, é insustentável. A “economia de mercado” de Mário Soares, ou seja, a mesma de Cavaco Silva ou de Marques Mendes ou de Sócrates, é medonha, numa perspectiva social. A defesa do “rigor orçamental” na linha de Sócrates e também de Manuela Ferreira Leite, é aberrante!
Mário Soares não convence como candidato com a pretensão de “unir as esquerdas”. Com um Manifesto como aquele que hoje apresentou, só deverá ter pretensões a voltar a recriar o “bloco central”!
O assunto é sério! As esquerdas continuam num caminho perigoso. Ou seja, as presidenciais podem acentuar o clima de “parlamentarização” e de “clubite” que proliferando entre as esquerdas. E mesmo com diversas candidaturas, seria possível concertar uma estratégia COMUM!
sexta-feira, outubro 21, 2005
É SINTOMÁTICO!!!
(João Lobo Antunes mandatário de Cavaco Silva, Público de 21.10.2005)
É sintomático!
Quem o diz é o mandatário nacional de Cavaco Silva que também o foi de Jorge Sampaio.
Vai sendo, cada vez mais claro, que as diferenças entre todos os que defendem a "economia de mercado", são crescentemente ténues e impercétiveis.
A ditadura (não há outro termo mais adequado) da "economia de mercado" contra a "economia do trabalho", i.e. uma economia baseada na participação e na planificação democráticas, nos direitos e deveres dos trabalhadores, na cultura do pleno emprego, na cultura do direito à reforma e do direito à vida fora do trabalho, é algo que, mesmo com vestes "socialistas" e outras eventualmente mais "radicais", vai colocando no plano da semelhança e até da mais banal igualdade, todos aqueles, aparentemente diferentes mas afinal iguais, defensores dessa coisa chamada "economia de mercado", i.e. o liberalismo/capitalismo!
O mandatário nacional de Cavaco Silva acaba por ser o denominador comum dos defensores nacionais da "economia de mercado"...
quinta-feira, outubro 20, 2005
AÍ ESTÁ CAVACO SILVA...
Parece que não!!!
Cavaco Silva e os seus principais apoiantes lançarão a imagem de uma candidatura que vai da direita até à esquerda. Coincidentemente ou não, surgem na imprensa vozes clamando por mais presidencialismo!
Cavaco Silva parece um candidato a Bonaparte ... por cima e acima de tudo e todos!
Em vez do aprofundamento da democracia ouviremos falar, provavelmente, de algo como democracia forte, de mais ordem ... tudo sob o fundo da chamada economia de mercado!
Os tempos são de crise profunda. São também de profunda divisão à esquerda. De parlamentarização das esquerdas que teimam em não convergir na abordagem dos problemas sociais. Estas crises são uma autentica passadeira para o aparecimento de populismos (como já tivemos nas autarquicas) mas também de sebastianismos bonapartizantes, de homens considerados providenciais...
terça-feira, outubro 18, 2005
Manifesto de Apoio a Manuel Alegre
"Manuel Alegre, a abertura à cidadania"
Texto integral do Manifesto e subscritores
[18.10.05]
Na candidatura de Manuel Alegre à Presidência da República encontramos o espírito de renovação da democracia e a abertura à cidadania de que Portugal neste momento tanto necessita. A coragem, a frontalidade, a determinação e o combate em prol da liberdade que marcam o trajecto de Manuel Alegre parecem-nos qualidades essenciais neste momento de crise e de crispação democrática. Personalidade cosmopolita, de cultura, Manuel Alegre tem sido também sempre um empenhado homem de acção, uma voz firme contra a injustiça e as derivas autoritárias. A sua eleição para Presidente da República que tanto tem defendido, colocá-lo-á, não só como garante do bom funcionamento das instituições, mas sobretudo como a voz clara e rigorosa de que o País precisa contra os interesses instalados e os clientelismos. Figura prestigiada e internacionalmente reconhecida, Manuel Alegre está particularmente bem colocado para transmitir à Europa e ao Mundo a imagem de um Portugal de Futuro, solidário, eficiente, pujante e criativo. Estamos convictos de que esta candidatura é a única que pode unir Portugal em torno da ideia de uma participação cívica que se quer ampliada, porque a força da democracia reside na igualdade de oportunidades, na abertura a novos espaços de diálogo e de transformação e na regeneração dos cargos de poder. Manuel Alegre é um homem de valores e de valor no qual as portuguesas e portugueses podem, para lá de todas as diferenças, rever-se. Abílio Hernandez - Professor universitário Carlos Brito - Escritor e antigo deputado Carlos Reis - Professor universitário Clara Crabbé Rocha - Professora universitária Cristóvão de Aguiar - Escritor Diogo Dória - Actor Eduardo Prado Coelho - Escritor Espiga Pinto - Escultor Fausto Bordalo Dias - Compositor Fernando Pinto do Amaral – Escritor Flak – Cantor e compositor Francisco Fanhais - Músico Francisco Simões - Escultor Hélder Macedo - Escritor Hélia Correia - Escritora Inês Pedrosa - Escritora Jacinto Lucas Pires - Escritor Jaime Rocha - Escritor João Rodrigues - Editor Jorge Palma – Cantor e compositor José Jorge Letria - Escritor e jornalista José Manuel Mendes - Escritor José Niza - Compositor José Rebelo - Professor universitário Kelly Basílio - Professora universitária Leonor Areal - Realizadora Luís Moita - Professor universitário Mafalda Ivo Cruz - Escritora Manuel Alberto Valente - Editor Manuel Correia Fernandes - Arquitecto Manuel Faria - Músico Manuel Freire - Cantautor Manuel Vicente - Arquitecto Maria Augusta Babo - Professora universitária M.Fernanda de Abreu - Prof. universitária Mário Cláudio - Escritor Mário de Carvalho - Escritor Mário Zambujal - Escritor Nelson de Matos - Editor Nuno Félix da Costa - Fotógrafo Nuno Júdice - Escritor Paula Morão - Professora universitária Paulo de Carvalho - Músico Pedro Barroso - cantor e compositor Pedro Támen - Escritor Rui Lagartinho - Jornalista Rui Zink - Escritor Teresa Rita Lopes – Escritora Vasco Pereira da Costa - Escritor Vítor Belém - Pintor Yvette Centeno - Professora universitária
domingo, outubro 16, 2005
IGNACIO IGLESIAS FALECEU
IGNACIO IGLESIAS MORREU
No dia 15 de octubre de 2005 faleceu em París, com 93 anos de idade, o nosso querido companheiro e amigo Ignacio Iglesias (1912-2005). Militante do POUM durante a guerra civil e nos anos quarenta, Ignacio foi uma das personalidades mais activas e interessantes do exílio político e cultural republicano.
A Fundación Andreu Nin comparte a dor com todos os seus familiares e amigos. Queremos dedicar-lhe publicamente a nossa mais sincera homenagem à seu longo percurso na defesa da liberdade, do socialismo e da democracia.
Mais informação sobre a sua vida, a sua personalidade e a sua obra na página dedicada a Ignacio Iglesias em www.fundanin.org FUNDACIÓN ANDREU NIN. Recomendamos a todos os nossos amigos o seu livro Experiencias de la revolución española, uma obra clássica sobre a revolução espanhola e a perseguição ao POUM.
NA UNIÃO EUROPEIA...
A notícia merece ser transcrita, tal e qual, foi recebida. Com um único comentário: este é um exemplo das consequências do modelo liberal que a direita quer manter e que o Governo Sócrates não tem coragem para alterar … apesar de ter recebido claro apoio social para o fazer!
“Portugal é o país da União Europeia onde há mais desigualdade entre ricos e pobres. Os dados foram hoje revelados à agência Lusa pela associação Oikos.
Para assinalar o Dia Mundial para a Erradicação da Pobreza, segunda-feira, várias organizações portuguesas vão lançar um apelo para que o País coloque a pobreza e a desigualdade no debate público, deixando de se concentrar apenas na discussão sobre o crescimento económico e redução do défice do Estado.
Portugal é de longe o país da União Europeia (EU) onde os ricos são os mais ricos e os mais pobres são os mais pobres, declarou à Lusa João José Fernandes, responsável do conselho directivo da Oikos - Cooperação e Desenvolvimento. As 100 maiores fortunas portuguesas representam 17 por cento do Produto Interno Bruto e 20 por cento dos mais ricos controlam 45,9 por cento do rendimento nacional”
EUROPA: um tema importante para as Presidenciais!
Francisco Louçã tem razão: a Europa deve ser discutida pelos candidatos à Presidência.Depois dos NÃO francês e holandês, os governos europeus silenciaram qualquer debate sobre a construção europeia. O objectivo é claro: fazer esquecer o movimento europeu que disse NÃO ao modelo liberal de construção europeia. Mais uma vez, os governos comprometidos com o SIM à Constituição liberal, tal como os dirigentes da "Internacional Socialista" como Sócrates em Portugal, revelam não estar nada interessados em generalizar o debate, em democratizar a participação na discussão sobre qual a Europa que os povos europeus querem.
As eleições presidenciais são um momento por excelência para essa discussão. Será pois muito importante que Mário Soares e Manuel Alegre se definam claramente relativamente a este tema. Que digam como é possível uma Europa ser liberal e social ao mesmo tempo. Que expliquem, afinal, como é que esse modelo liberal pode ser viável no futuro, se, no passado e no presente, tem vindo, aos poucos a por em causa os direitos sociais em qualquer país europeu.
De Cavaco Silva, o tal "bom aluno" desta Europa liberal, já sabemos o que dirá!
Sobre a Europa, precisa-se urgentemente de mais debate para maior participação!
Dos principais candidatos que se afirmam de esquerda, espera-se clareza no que dirão sobre a Europa que defendem.
sábado, outubro 15, 2005
FAZER A REVOLUÇÃO É A FORMA MAIS ECONÓMICA DE SER FELIZ
Entrevista con Celia Hart Santamaría
Hacer la revoluciónes la manera más económica de ser feliz
Celia tiene 41 años y es hija de dos dirigentes históricos de la revolución cubana, Armando Hart y Haydée Santamaría. Celia es física, escritora y miembro del Partido Comunista de Cuba, impulsora actualmente del comité de solidaridad con Palestina. Se define como «trotskista por cuenta propia». Acaba de culminar una visita a Buenos Aires. La entrevistamos para que nos contara como llegó a Trotski desde la ciencia, buscando una explicación a la caricatura de socialismo impuesta por el stalinismo. Más allá de las lógicas diferencias políticas que tenemos con Celia, es apasionante conocer las opiniones de esta cubana internacionalista y enemiga mortal del «socialismo en un solo país»
Mercedes Petit y Guillermo Pacagnini Alternativa Socialista, Buenos Aires, octubre de 2004
-¿Cómo conociste la obra de Trotski, que tenemos entendido que se estudia y difunde muy poco en Cuba? -En 1982 fui a terminar la carrera de Física a la República Democrática Alemana. Yo tenía una formación muy fuerte desde niña con Martí y el Che. Y los compañeros me decían que ir a la RDA, sería como viajar en la máquina del tiempo, vería el futuro de mi revolución. Encontré un país muy desarrollado, con su economía planificada, con gente con alto nivel de vida, pero que era un país mustio, sin juventud, paralizado ideológicamente, no les interesaba las cosas del Che, lo que ocurría en Nicaragua... era un sistema triste... Y esa quietud me empezó a mortificar y creó una crisis en 1985 donde yo no entendía que ese fuera el sistema.
-Fue un cambio grande para vos... -Cuando volví a Cuba estaba en que me iba a ir del país o iba a promover una reforma... No conocía a Trotski. Me habían enseñado que era un desertor de la revolución rusa, un traidor. Yo me enganchaba con Martí y con el Che en el aspecto internacionalista. Mi papá me dio, sin decirme nada, los libros de Isaac Deustcher. Leí El profeta desarmado, Stalin y La revolución inconclusa. Fue un renacimiento, una felicidad, los entendí inmediatamente y me di cuenta que había habido una gran traición y que yo fui víctima también de esa traición. Se convirtió en mi profeta porque me salvó para la causa del proletariado. De allí en adelante fue una cosa muy lógica... Los libros de Trotsky que tuve oportunidad de conseguir los leí con gran facilidad. Me parecía una cosa que yo sabía, que intuía... Llegué a Trotski a partir del pensamiento de Martí y el Che. Yo pensaba que la única trotskista en el mundo era yo... En noviembre de 2003 escribí mi primer artículo sobre Trotski. Empecé a recibir cartas de todo el mundo, de Cuba ninguna. Allí no me publican... Soy algo así como trotskista por cuenta propia. Ahora me hicieron optar entre la Física y la política. Por eso me fui de la universidad. Milito en el comité nacional cubano de solidaridad con Palestina, que se está desarrollando.
-¿Cómo ves el panorama actual de América Latina? -Muy estimulante. Un reverdecimiento de todas las fuerzas que han estado apañadas por toda la década de globalización, caída del muro, fin de la historia. Se vive un momento diferente. Es muy importante lo que ocurre en Venezuela, el papel de Chávez, no se le extiende un cheque en blanco a nadie, pero sí creo que aunque no es un gobierno socialista clásico, creo que hay intención de reformas radicales y lo más importante, el movimiento de masas, los trabajadores, se ha fortalecido y ha crecido en meses tomando una cultura política impresionante, son los que podrán conducir a Chávez a tomar las mejores medidas. Por eso no tanto confiar en Chávez, sino en esas masas... el espíritu de los bolivarianos trasciende incluso lo que pueda decir el gobierno, que como todo gobierno tiene sus márgenes de conservador. ¡Lo que se ha generado! después del referéndum que convirtió una campaña en una lucha de clases, el NO fue de los obreros, de los humildes...
-¿Y la situación en Cuba hoy? -Somos una referencia más allá de las diferencias que se tengan con el gobierno, es una revolución que logró sobrevivir al derrumbe del campo socialista. Fidel dijo «socialismo o muerte»... Yo tengo una guerra total con el concepto de «socialismo en un solo país», en Cuba no existe el socialismo, lo que hay es revolución socialista. Esta se tiene que dar en muchos países para ir a un sistema socialista, pero no simultáneamente... Muchos se confunden... En Cuba existen los problemas del socialismo en un solo país, que no se puede hacer. Hay una revolución socialista que se está defendiendo en un medio hostil. Fidel no incorpora la revolución permanente a su discurso, no sé por qué, pero no me importa porque él lidera la revolución. Por supuesto hay sectores que han burocratizado muchas cosas del país. Y está el problema de la posibilidad de una restauración capitalista dada la dolarización. El burocratismo y la restauración tienden a hacer alianza, en la ex URSS fue así...
-Desde el punto de vista trotskista de la revolución permanente, ¿cómo ubicas el proceso revolucionario cubano? -La Revolución Permanente como yo la entendí es en dos sentidos. Hacia adentro de las fronteras, no para de cambiar. A mí me decían «ya triunfamos, tranquilícense» No, no hay tranquilidad, es a contracorriente, la revolución permanente es estar contra esa tendencia al status quo que hay. Y hacia fuera de las fronteras, eso que antes se decía de exportar la revolución, que ahora no se puede decir... Lo que hizo el Che, defender la revolución permanente, ya triunfamos aquí pero no es suficiente, hay que hacer muchos Vietnam. El Che es el paradigma de la revolución permanente. Fue el alumno más aventajado de Trotski por intuición, aún criticándolo... y murió con un libro de él en la mochila. Es lo contrario a lo que ahora nos dicen de «no injerencia en los asuntos internos de los países». Tomar el poder es un trámite hacia el socialismo, no es su triunfo, hay que seguir haciendo la revolución estando en el poder, revolucionando constantemente...
-Después de la caída del muro y la URSS, muchos hablaron de «muerte del socialismo». ¿Vos cómo lo ves? -La caída del Muro ojalá se hubiera dado antes. Porque el Muro, la URSS, el stalinismo, nos retrasaron mucho el camino, no sólo en el tiempo, también en la conciencia. Muchos se volvieron reformistas, otros burócratas. A los obreros les extirparon su conciencia de clase. Fue un engaño colosal. Pero la caída del muro permitió salir de la amnesia. Se liberaron las condiciones objetivas de la revolución. Se coloca la vigencia de Trotski, que empieza a ser muy necesario. Se demostró la claridad de Trotski: la revolución permanente, el internacionalismo y también la lucha contra la burocracia. Ahí está el problema de Cuba que tenemos que resolver, el de la burocracia, si no nos va a comer el problema de la dolarización. La revolución atorada es un problema. La revolución vivirá mientras se reproduzca.
-¿Qué opinas sobre los que dicen que no van más la toma del poder, el partido revolucionario y la lucha del proletariado? -Es una tontería. Sin lucha de clases no hay toma del poder. El poder nadie lo regala. Pero a los que decían que era el fin de la historia, hoy el desastre que es el mundo demuestra la incapacidad del capitalismo. No es que un mundo mejor es posible, es que si no cambiamos al mundo, el que hay hoy, el peor, no va a quedar, va al fin de la civilización. La única alternativa es el sistema socialista que aún no ha triunfado. Y los que dicen que el error no fue Stalin sino el propio Lenin se equivocan.
-Para ello es fundamental construir el partido revolucionario... -Es imposible que los movimientos sociales puedan sustituir el rol de las vanguardias políticas. Los partidos son fundamentales para que los movimientos sociales tengan una dirección, un rumbo. Es la gran tarea de la izquierda. Que no se resuelve sólo con este o aquél partido. Es necesaria la unidad de la izquierda comunista, es decir trotskista, para organizar.
-¿Y la necesidad de construir una internacional? -Ah... para mí eso es el sueño. Para lograr lo de «proletarios de todos los países uníos». Una Internacional. Hay que restablecer esa maravilla del marxismo. Empezando por unir alrededor de temas específicos, para movilizar, para juntar a América Latina, para ayudar a romper las fronteras. No sé cómo se puede hacer.
-¿Qué les dirías a los luchadores que buscan una alternativa para superar la miseria capitalista? -La revolución socialista es la única alternativa. Esto no quiere decir que no luchemos contra las injusticias concretas por las que tenemos que ser los primeros en dar la vida. Pero les digo a los jóvenes que la revolución no es solamente el fin más hermoso. Hacer la revolución es la manera más económica de ser feliz.
quinta-feira, outubro 13, 2005
VÊM AÍ NOVAS ELEIÇÕES: Presidenciais ou Legislativas???
O cenário pode ser este:
Mário Soares é o candidato oficial das direcções nacional e distritais do PS (não confundir a arvore com a floresta ou vice-versa...)
Jerónimo de Sousa é o candidato oficial do PCP (será também da CDU?). Os cartazes outdoor confirmam-no ...
Francisco Louçã é o candidato oficial do Bloco de Esquerda ...
Manuel Alegre é uma candidatura não-oficial ... o que é, para nós, uma vantagem política, um desafio político ...
Cavaco Silva será, provávelmente a partir do dia 20 do corrente, o candidato oficial do PSD/CDS e outros sectores da direita, com alguma ajuda de personalidades habitualmente afectas ao PS (não confundir com "de esquerda") . Cavaco Silva será uma espécie de candidato oficial / não oficial a apelar à "mão-de-ferro" populista ...
Pode ser que apareça mais uma candidatura não-oficial à direita ... a ver vamos!
Perante isto ... a pergunta é pertinente: em Janeiro de 2006 teremos novas legislativas???
quarta-feira, outubro 12, 2005
TRANVERSALIDADES À ESQUERDA: DOIS EXEMPLOS!
Bloco de Esquerda (BE) e Manuel Alegre: semelhantes em quê?Na nossa opinião são dois exemplos de acções trasnversais à esquerda. Acções que aproveitam experiências e percursos diferentes. Acções que convergem na pluralidade. Contribuem para uma nova cultura unitária de esquerda!
O BE é um exemplo conseguido. Manuel Alegre pode vir a ser um exemplo que se afirmará com as presidenciais.
O BE consegue afirmar-se a partir da união de esforços de partidos e grupos bem diferentes, como o PSR, a UDP, a Política XXI e a FUR/Ruptura. Foi possível, com frutos, organizar a discussão e a acção entre experiências políticas provenientes do trotskismo, do maoísmo e de dissidentes do PCP. A que se juntaram inúmeros militantes sem partido. O resultado tem sido uma plataforma claramente democrática na sua organização e de afirmação crescentemente socialista. Não discutimos, nem avaliamos eventuais discussões internas que possam existir no BE sobre mais ou menos democracia interna ou sobre este ou aquele aspecto político programático. O resultado, esse, tem sido positivo e com crescimento eleitoral reconhecido.
A candidatura de Manuel Alegre surge à margem do PS, sem o apoio explicito dos dirigentes socialistas mais mediáticos e com um apoio que tem sido espontâneo entre sectores das esquerdas que não se esgotam no PS. É uma candidatura que pode trazer organizar convergentemente experiências e percursos políticos diferentes, à esquerda. Pode ser também a afirmação de um movimento transversal à esquerda que contribuirá para uma nova cultura unitária das esquerdas.
A crítica ao liberalismo/capitalismo precisa, mais do que nunca, da afirmação de uma alternativa que se defina pela afirmação política e não só pela negativa, pela oposição. Afirmação num sentido democrático e socialista e global na sua capacidade de afirmação alternativa ao edíficio liberal/capitalista.
Há um movimento social, difuso é certo, mas também crescente que contesta o liberalismo, a sua forma globalizada de dominação e as suas políticas. Esse movimento é difuso porque é plural. Para passar da capacidade de sómente contestar para a capacidade de também afirmar, necessita de organização diferente daquela que oferecem os partidos tradicionais. Precisa de uma organização que nunca elimine a pluralidade, que nunca elimine a diversidade, que seja transversal no modo como organiza experiências e percursos muito diferentes, à esquerda!
O BE (sobretudo como surgiu e se afirmou) e a candidatura de Manuel Alegre são, na nossa opinião, dois exemplos para um debate sobre novas formas de organização para a afirmação de uma alternativa democrática e socialista ao liberalismo. Novas formas de organização onde a transversalidade dos percursos, das experiências e dos projectos é condição de afirmação de uma nova cultura unitária das esquerdas.
segunda-feira, outubro 10, 2005
Eleições Autarquicas 2005
Os mesmos que dificultaram a unidade das esquerdas nos principais centros urbanos, foram os mesmos que agora lamentaram a dispersão dos votos das esquerdas.
O PS (que sempre demonstrou tentações hegemónicas e de tentativas de subordinação doutras correntes às suas políticas liberais), a CDU e o Bloco de Esquerda (ambos em disputas fratricidas), têm responsabilidades no clima que se tem criado no relacionamento entre os partidos das esquerdas. Como temos dito, respira-se e sente-se, entre as esquerdas, um clima de permanente disputa, um clima de permanente crispação entre as direcções daqueles partidos, uma completa incapacidade para o debate político sereno e não sectário.
Ao contrário da direita, as esquerdas revelam não só incapacidade política, mas até receio para dialogarem, receio para tentarem convergências para a concretização de outra realidade política, social e económica.
As autárquicas mostraram, mais uma vez, isso mesmo! As presidenciais (que se seguem!) parece que repetirão o mesmo cenário.
Uma alternativa unitária das esquerdas com um programa democrático e socialista é hoje um enorme desafio em Portugal. Até porque, desde o 25 de Abril, nunca houve nenhuma solução política nacional desse tipo.
Será que a maioria social não aderiria? Será que não seria a melhor forma de combater todos os populismos que vão crescendo à sombra da crise da democracia liberal? Será que não seria uma forma de motivar maior participação popular e cidadã? Não será mais mobilizador uma alternativa unitária das esquerdas que o conformismo do chamado “voto útil”, sem utilidade para nada?
É óbvio que falamos de uma alternativa que não se fique pela mera soma de votos, e com a manutenção das políticas implementadas por quem não se sabe libertar/cortar com os mecanismos da chamada “economia de mercado”, i.e. o liberalismo.
A constituição de uma alternativa com um programa de mudança social, política e económica exige, claro está, capacidade de diálogo, de debate e de conclusão entre as diversas correntes e partidos das esquerdas.
O pluralismo à esquerda não é um problema. É salutar a divergência, o confronto de ideias e projectos. No entanto, tudo se complica quando, à esquerda, a diferença de opiniões é substituída pelo campeonato dos votos, com cada partido a querer ganhar o campeonato!
As esquerdas deveriam ter, antes de mais, uma visão social e a capacidade de uma resposta social aos problemas concretos. O excessivo parlamentarismo à esquerda, tem sido e continuará a ser, se persistir, um sério obstáculo a um melhor relacionamento político das esquerdas.
sábado, outubro 08, 2005
A propósito das autarquicas 2005 ...
De França chegam novamente notícias sobre o movimento social do NÃO à dita Constituição liberal europeia, desta vez, a recusar as políticas liberais do governo de direita de Villepan.
Notícias que mostram também como é possível fazer convergir a pluralidade das esquerdas e de todos os sectores sociais que recusam o liberalismo e as suas políticas, ao mesmo tempo que exigem a defesa dos serviços públicos, a defesa das conquistas sociais e afirmam possível outra realidade política, económica e social.
Em França, convergiu nas ruas a afirmação de uma cultura unitária social e das esquerdas!
A concretização de uma alternativa que emerge dessa cultura, é a única forma de se conquistar a maioria da população para o combate ao liberalismo e às suas políticas.
Quando as esquerdas adoptam a “clubite” típica do parlamentarismo liberal, muito pouco conseguem.
Esta é a lição que se deve tirar do exemplo francês e que interessa à reflexão sobre as eleições autárquicas em Portugal.
São eleições locais, é um facto! Mas são eleições locais em todo o território nacional com a intervenção activa de todos os líderes nacionais dos diversos partidos concorrentes. Acrescem ainda as declarações dos dirigentes e candidatos afectos ao partido do governo Sócrates que fazem questão de afirmar serem “amigos” do governo! Isto é, amigos das suas políticas!
Ou seja, para além da intervenção local, há sem dúvida, uma avaliação das políticas governamentais. E, sendo assim, estas eleições serão uma oportunidade para todas e todos avaliarem o impacto social das medidas do governo Sócrates.
E essas medidas vindas do principal partido das esquerdas em Portugal, prejudicam muito seriamente a possibilidade imediata de uma grande convergência unitária das esquerdas em Portugal.
A direcção do PS desbaratou completamente o efeito social e político dos resultados eleitorais de 21 de Fevereiro último!
O governo Sócrates, o governo da direcção liberal do PS, será também avaliado em 09 de Outubro pelas suas políticas liberais, como foi em Fevereiro último, o governo de direita de Santana Lopes e Paulo Portas.
Essa avaliação terá um peso determinante nas opções eleitorais em Lisboa e no Porto. Pelo peso desses concelhos, mas também pela dinâmica nacional que as direcções partidárias nacionais deram com as suas intervenções permanentes a nível local.
Mas ao mesmo tempo que se avaliam as políticas liberais do governo Sócrates, convém frisar que a alternativa a essas políticas não estão naqueles que foram derrotados em Fevereiro, como é o caso de Marques Mendes, de Carmona Rodrigues, de Rui Rio. Marques Mendes é o actual líder do PSD mas integrou o governo de Durão Barroso. Carmona Rodrigues, candidato do PSD à Câmara de Lisboa integrou o governo de Santana Lopes e foi seu número 2 na Câmara a que se candidata. Rui Rio colecciona lugares de número 2 de todos os últimos líderes do PSD. Não são alternativa a políticas que também defenderam (e defendem…) e praticaram.
As políticas de Sócrates não foram votadas em 21 de Fevereiro e, mais não são, que a continuação das políticas derrotadas nesse dia. Sócrates, tal como Durão Barroso, Santana Lopes e Marques Mendes, representa a Europa do “sim” à Constituição europeia liberal e, vem daí, a semelhança das políticas que defendem!
O grande drama, para uma alternativa de esquerda, reside na contradição de essa alternativa ter de rejeitar a actual direcção Sócrates do PS, mas não pode prescindir da participação, do contributo e da vontade dos militantes e eleitores socialistas! Por este motivo, o PS continuará a ser um partido imprescindível para a definição de uma alternativa de esquerda em Portugal.
As eleições autárquicas têm registado uma luta escusada e desgastante, numa perspectiva de esquerda, entre o Bloco de Esquerda e o PCP (CDU). É uma mera disputa eleitoral ditada pelos timings do parlamentarismo liberal (que as direcções desses dois partidos parece terem assimilado), mas que só adia a criação de uma cultura unitária das esquerdas que possibilite a definição de uma alternativa de esquerda. Diríamos que falta às esquerdas mais intervenção social e menos adaptação a guerrazinhas parlamentaristas.
Recuando ao inicio da campanha eleitoral autárquica, todos estaremos também recordados dos diversos episódios acontecidos em Lisboa e no Porto protagonizados pelo PS, pelo PCP e pelo BE quando parecia que todos queriam uma solução unitária de esquerda nas maiores Câmaras do país, mas que acabou por prevalecer a divisão. Pelo caminho ficou visível que a actual direcção do PS entende por “unidade” a submissão às suas políticas, enquanto entre o BE e o PCP mas não se passa que uma disputa para ver quem tem mais peso eleitoral que o outro. Afinal todos falavam em unidade, embalados pela lição política que os resultados eleitorais de 21 de Fevereiro revelaram: uma imensa derrota da direita, uma votação impressionante nos partidos de esquerda! Ou seja, mais uma vez, as direcções dos partidos de esquerda – todas elas! – foram ultrapassadas pelos movimentos sociais!
É num quadro de guerras partidárias entre as esquerdas e de crise das democracias liberais que vão ganhando expressão, correntes populistas claramente reaccionárias. Como as candidaturas de Fátima Felgueiras, em Felgueiras, de Isaltino Morais, em Oeiras, de Valentim Loureiro, em Gondomar, e de Ferreira Torres, em Amarante. Nada têm para oferecer em termos de programa, a não ser o aproveitamento da insatisfação de muitos sectores populares perante sinais de crise das democracias liberais: excessiva centralização do poder político, inexistência de mecanismos de participação popular fora do quadro parlamentar, excessiva partidocracia com partidos sem democracia interna.
A previsível vitória destas candidaturas nos concelhos em que se apresentam, é uma derrota dos que procuram respostas no quadro de um sistema que cria/tem criado as condições para o aparecimento de tais candidaturas. A incapacidade das esquerdas para se apresentarem de uma forma alternativa, é também responsável pela vitória dos populistas.
Mais uma vez, o exemplo francês que demos no inicio desta reflexão, prova que a concretização de uma outra cultura de relacionamento político entre as diversas correntes das esquerdas, pode criar as condições de maior credibilidade e apoio social para uma alternativa que possa emergir do que chamamos cultura unitária das esquerdas. Ou seja, a substituição de um relacionamento mais baseado na intervenção convergente junto de problemas concretos com capacidade de afirmação politica de alternativas.
Nas eleições de 09 de Outubro, o nosso apelo vai para os votos que rejeitem o liberalismo e as políticas liberais. Votos à esquerda, não obstante a postura lastimável e pouco apelativa das direcções das esquerdas.
Não é um apelo abstracto. É um apelo a todas as cidadãs e a todos os cidadãos que têm demonstrado, em muitos momentos, muito mais discernimento político que os jogos de aritmética parlamentar das diversas direcções das esquerdas.
A nível local ou a nível nacional, a emergência de uma alternativa das esquerdas com um programa democrático e socialista, fora do quadro político e económico do liberalismo, é o desafio que se coloca às esquerdas, é o desafio para o aprofundamento da própria democracia, é o desafio capaz de ganhar o apoio social maioritário.
João Pedro Freire
quarta-feira, setembro 28, 2005
MANUEL ALEGRE:
Por si só, uma candidatura é mais uma candidatura! Até já existem 6 e todos, formalmente, com origem nas esquerdas.
As candidaturas já existentes são candidaturas fechadas e que se afirmam contra (o previsível candidato da direita que ainda não o é!) representando somente os partidos de que são originárias! Há entre elas, uma espécie de competição do tipo “legislativas à esquerda”…
As candidaturas de esquerda que já existem comprometem qualquer tentativa de reafirmação de uma cultura unitária de esquerda que consiga também capacidade de afirmação política alternativa ao liberalismo dominante.
Uma cultura unitária de esquerda com capacidade de afirmação política é a melhor alternativa à direita e às políticas neo-liberais. É também a melhor forma para se conquistar para um projecto alternativo ao liberalismo, todas e todos os que ensaiam críticas às consequências do liberalismo no seu dia-a-dia.
Uma cultura unitária de esquerda é também o melhor caminho para a reafirmação do socialismo – expurgado de todas as suas caricaturas totalitárias e liberais – como a alternativa global ao liberalismo globalizado!
As eleições presidenciais, enquanto eleições que deveriam ter origem no direito e na afirmação de cidadania, são um acontecimento privilegiado para um debate lançado por uma candidatura que saiba afirmar a sua transversalidade política indo para além do(s) espaço(s) partidário(s).
MANUEL ALEGRE como homem de esquerda, como homem de e da cultura, como militante socialista, tem todas as condições políticas para confirmar a transversalidade de esquerda da sua candidatura, conquistando todas e todos os que querem mais e melhor democracia e buscam um projecto de justiça social contra os desmandos e as prepotências do liberalismo e das suas políticas.
TRIBUNA SOCIALISTA está e estará com uma candidatura deste tipo!
segunda-feira, setembro 26, 2005
A URGÊNCIA DE UMA ALTERNATIVA SOCIALISTA!
As democracias europeias estão ingovernáveis!
Este é o comentário mais ouvido e lido, pronunciado da direita à esquerda. As recentes eleições alemãs vieram acentuar o que os referendos francês e holandês sobre a chamada Constituição europeia já tinham mostrado: as soluções governativas no quadro do liberalismo e dos seus mecanismos de democracia parlamentarista formal são cada vez mais precárias e instáveis. Pura e simplesmente, não são soluções para nada!
Mas, da direita às esquerdas, todos constatam o referido facto, mas todos, também da direita às esquerdas, parecem persistir em soluções baseadas no mesmo quadro de formalismo democrático parlamentar.
O liberalismo, i.e., a democracia servida segundo os ditames da chamada economia de mercado, tende a criar, entre crescentes sectores populares, sentimentos contra a própria democracia, quase sempre, associada aos jogos parlamentaristas de políticos profissionalizados e desligados da realidade social e/ou a partidos que só conseguem sobreviver alimentando jogadas parlamentares.
O liberalismo, como temos repetido, é hoje um sistema muito próximo de um novo totalitarismo, ávido de ocupar a falência do parlamentarismo que foi alimentando, com soluções securitárias, totalmente desligadas da participação social e cidadã, mas ligado a “elites” ou a providenciais iluminados com pretensões a caudilhos.
Dentro do quando democrático do liberalismo vão coexistindo a própria direita (que sustenta o sistema) e as diversas esquerdas. Entre as esquerdas, não só os partidos da chamada “Internacional Socialista” (IS), mas também o que resta dos partidos comunistas e mesmo novos sectores da esquerda, como o Bloco de Esquerda em Portugal.
De um modo geral, as esquerdas têm-se parlamentarizado. Vai faltando, cada vez mais, uma cultura unitária de esquerda. Um deficit que é da responsabilidade quase exclusiva das diversas direcções partidárias das esquerdas. É confrangedor a obsessão que parece existir entre as direcções do PCP e do Bloco de Esquerda para aproveitarem todos os actos parlamentares para verificarem quem tem mais votos que o outro.
No plano das lutas laborais e sociais esse despique – entre PCP e BE – é constantemente alimentado pelos respectivos dirigentes, evitando, muitas vezes, unidades que já se tinham estabelecido de forma espontânea. Já ninguém reivindica o ser “vanguarda revolucionária” (apesar de ainda haver muitos dirigentes desses partidos com esses tiques sectários…), mas, em vez disso, os dirigentes comunistas e bloquistas rapidamente aprenderam e absorveram as disputas cultivadas pelo parlamentarismo.
À esquerda faz muito falta uma cultura unitária de esquerda que respeite e até cultive o pluralismo, mas que saiba, nos momentos decisivos, unir de forma afirmativa todos aqueles que criticam o liberalismo, enquanto sistema global e dominante. Mas é importante que essa unidade na diversidade se faça afirmando também uma alternativa global socialista.
As esquerdas, em geral, têm vindo a perder capacidade de definirem uma alternativa ao mesmo tempo que contestam o sistema dominante. Isso é também um sintoma da referida falta de cultura unitária de esquerda. Por exemplo, a critica ao capitalismo/liberalismo é reduzida sempre às receitas de cada partido ou grupo. Será impossível as esquerdas tentarem uma resposta comum ao capitalismo que se critica?
A forma de organização partidária como instrumento de mobilização anti-capitalista e socialista está condenada. A organização de todos os que buscam uma alternativa à globalização liberal/capitalista precisa de outro desenho para além da organização partidária. Porque as organizações partidárias têm vindo também a minar e a enfraquecer as lutas sociais, laborais e populares. Têm contribuído somente para uma absurda e mortífera parlamentarização da capacidade de resposta popular e socialista.
As próximas eleições presidenciais em Portugal são também um exemplo do que afirmamos. Há já 6 candidaturas à esquerda que se têm apresentado com um único projecto: derrotar um candidato de direita que ainda não se apresentou formalmente! Ou seja, esse candidato da direita poderá ser único para toda a direita, mas isso não impede de à esquerda, já existirem 6 (seis!!) … com o mesmo objectivo!!!
As esquerdas para essas eleições, que só serão em Janeiro de 2006, nunca pararam na sua corrida parlamentarista para pensarem, discutirem, dialogarem para uma candidatura conjunta contra a direita! Cada partido, desde o maior ao mais minúsculo, resolveram apresentar o seu candidato. Até o PS, com as responsabilidades de ser o maior partido e ser governo, arranjou uma solução … contra a direita que, de certeza, faria a mesma política que o PS tem feito no governo!
Todas as candidaturas à esquerda são candidaturas de partido. Todas menos a de Manuel Alegre que pode ter uma dinâmica transversal a todas as esquerda e a todas as estruturas partidárias à esquerda.
A candidatura de Manuel Alegre, se quiser, pode prolongar em Portugal o que se tem vindo a desenvolver na Europa quanto à reorganização do espaço da esquerda socialista em função da critica ao liberalismo e à cedência das direcções dos partidos e governos de partidos da “IS” à direita e a políticas neo-liberais.
A candidatura de Manuel Alegre tem de assumir uma dinâmica transversal à esquerda. Tem de se afirmar como uma candidatura de projecto democrático e socialista. Tem de ter a coragem de lançar debates sobre as políticas do governo PS que atentam contra os direitos democráticos e sociais, e, também, sobre tudo o que interesse a uma cidadania critica, interventiva e exigente. Tem de contribuir para a tal cultura unitária entre a diverdade das esquerdas!
terça-feira, setembro 13, 2005
MAIS UM ANO SOBRE O 11 DE SETEMBRO...
Para os liberais dos dias da globalização, tudo se resume a respostas securitárias ...
Mas ... este ano a imensa capacidade militar norte-americana foi ridicularizada por um acto natural. O furacão Katrina exibiu a todo o Planeta o que são os bastidores da única super-potência mundial com pretensões de gendarme planetário! E perante um acto natural, será que por um instante Bush não terá pensado em associar o furacão que devastou News Orleans a algum terrorista do tipo Bin Laden?!...
Mas muitos neste Planeta terão justamente pensado que as Administrações (no plural!) norte-americanas têm sérias responsabilidades nas alterações climatéricas na Terra ... lembram-se de Quioto?
Sem armas, sem o complexo militar industrial, a Administração Bush fica como que NUA perante os Povos deste Planeta ... E a cada minuto que passa milhares e milhares morrem de fome, enquanto outros morrem às mãos dos terroristas de todas as matizes! É este o Mundo perferido de Bush e dos seus amigos. É este Mundo que milhões e milhões querem e podem mudar!
sábado, setembro 10, 2005
PRIORIDADES ...
Os dois actos eleitorais ainda terão as respectivas campanhas eleitorais, mas, na prática, as pré-campanhas já iniciadas, têm vindo a exibir o grau máximo de parlamentarização e de partidarite a que chegou a democracia portuguesa. À direita e à esquerda, perante um cenário de crescente desacreditação do acto de participar politicamente, os protagonistas parece que se esquecem daqueles de quem querem o voto. Parece, isso sim, que o mais importante é o jogo partidário, qual partida de futebol ...
Os incêncios são esquecidos com as primeiras chuvas, os direitos democráticos (ex.: de manifestação por parte dos militares, por exemplo) são servidos como arma de arremesso à maneira do 24 de Abril, as consequências do furacão Katrina servem só para notícias bombásticas, para as presidenciais cada candidatura acaba por ser o próprio partido que a sustenta, seja ele de grande ou de minusculo dimensão ...
Os protagonistas do jogo parlamentar e partidário estabeleceram como prioridade esse jogo ...
O apelo à participação cidadã, a proposta de debate sobre temas concretos e do dia-a-dia, o direito de participação e organização a todos os níveis da sociedade ... são assuntos entre parentesis, não são prioridades!
terça-feira, agosto 30, 2005
REORGANIZAÇAO DA ESQUERDA SOCIALISTA (II)
Mas mais importante que a criaçao de novos partidos ou grupos, mais importante que a pulverizaçao no espaço das esquerdas, mais importante é a capacidade de se intensificar o debate entre todos os militantes das esquerdas para a definiçao de uma alternativa clara e objectiva de transformaçao democrática e socialista da sociedade FORA do quadro do capitalismo e do liberalismo, perante o qual as direcçoes dos partidos da "Internacional Socialista" há muito capitularam.
Fora do quadro do liberalismo, significa capacidade de se criarem alternativas económicas, mas também quanto à participaçao política. Por exemplo, é urgente repensar a participaçao cidada reduzida ao parlamentarismo e/ou à partidocracia.
A criaçao de novos partidos à esquerda, pode significar rupturas inevitáveis. Mas, repetimos, o importante é o debate entre tod@s e todos à(s) esquerda(s) e o retomar da discussao do socialismo (enriquecido com a discussao quanto ao seu património histórico, depurando-se todas as deformaçoes totalitárias e neo-liberais) como alternativa global ao liberalismo e ao capitalismo.
(NR.: texto escrito no Euzkadi, daí alguns erros...)
sábado, agosto 27, 2005
A ESQUERDA SOCIALISTA EUROPEIA REORGANIZA-SE...
O debate em torno da chamada Constituição Europeia, o posicionamento face à intervenção militar norte-americana no Iraque, a acção de governos ditos de esquerda, formados por partidos da “Internacional Socialista” (IS), mas situados à direita e no quadro do liberalismo … são questões que inevitavelmente produzem crise dentro dos partidos social-democratas, socialistas e trabalhistas da “IS”.
Como o PS em Portugal, os partidos da “IS” possuem bases sociais que buscam soluções fora do quadro do liberalismo. E o que acontece é que enquanto partidos de oposição, merecem o apoio e a confiança dos sectores sociais que querem mudança e buscam, para isso, alternativas fora do liberalismo. Mas, uma vez no governo, esses partidos em nada se diferenciam da direita a quem fizeram oposição .
Na Alemanha, o antigo líder dos social-democratas, Oskar Lafontaine, saiu do SPD, em ruptura com as políticas do governo de Schroeder. Mais, dá corpo de faz campanha por uma nova alternativa de esquerda, a "ALTERNATIVA ELEITORAL TRABALHO E JUSTIÇA SOCIAL", constituída por social-democratas de esquerda e pelo PDS (partido do socialismo democrático, ex-comunista).
Em Portugal, o PS também não escapará ao debate e à crise provocada pela sua direcção, claramente neo-liberal e afastada de qualquer tradição socialista. Nas Presidenciais ou no debate sobre a Europa, a esquerda socialista também se reorganizará em Portugal.
Em França, na sequência da vitória do “NÃO”, há um debate profundo no PSF. Está em causa também a afirmação do PSF como partido socialista ou como partido preso às políticas neo-liberais.
Uma reorganização necessária e urgente, a reorganização da esquerda socialista à escala europeia!
sexta-feira, agosto 26, 2005
MÁRIO SOARES: uma candidatura das esquerdas?
Quer, deste modo, afirmar-se “independente” e “acima” dos partidos.
A direcção do PS tem tentado passar a ideia de que Soares é o “melhor candidato” para “convergir as esquerdas” nas Presidenciais.
Mas, as seguintes questões, são legítimas:
- O aparecimento de Soares como candidato teve por detrás, algum movimento popular e cidadão? Ou foi antes uma decisão que envolveu exclusivamente a direcção do PS e o próprio Soares?
- Houve algum debate interno no Partido Socialista sobre qual o melhor candidato na opinião dos socialistas? Ou bastou, tão-só, uma declaração do secretário-geral do PS e depois, tipo reacção em cadeia, declarações de apoio das direcções de algumas Federações Distritais?
- Antes de Sócrates decretar (!) o apoio do (!) PS a Soares, quantas tinham sido as vezes que Mário Soares manifestou a sua indisponibilidade para ser candidato?
- Se Soares é um “candidato das esquerdas”, porque razão prepara a sua candidatura (tal como o previsível candidato da direita, Cavaco Silva) em segredo, fora da participação popular e cidadã e à margem dos outros partidos e movimentos das esquerdas?
Um candidato das esquerdas não tem de ser um “operário sindicalista” … mas tem de emergir do movimento popular, tem de estar em contacto com ele, tem de saber criar espaços de diálogo, pontes, com e entre os partidos e grupos das esquerdas … tem de se afirmar como uma candidatura que apela à participação popular e cidadã em ruptura com as práticas e as políticas do liberalismo.
Mário Soares não tem sido nada disto!
sábado, agosto 20, 2005
INCENDIOS & PRESIDENCIAIS: e o debate? e a participação cidadã?
Tem muito mais do que poderemos pensar, num primeiro momento! São temas que exibem a fragilidade/qualidade da democracia portuguesa, ou seja, são um termómetro do debate que não há e da participação cidadã que vai sendo, cada vez mais, subtraída.
Por vontade das direcções partidárias (principalmente das que têm deputados...) e/ou por vontade do governo (do de Sócrates ou de qualquer outro assegurado pela chamada alternância...), há temas - como os dois que elegemos - que parece que só devem ser debatidos por "quem sabe", pelas chamadas "elites" (tão do agrado de Sócrates) e/ou pelos "estados-maiores" dos partidos ...
Trata-se de um caminho de formalização/desqualificação da democracia, de afunilamento da participação cidadã, de deliberado esquecimento/branqueamento da História relativamente ao que foi e para que serviu o 25 de Abril de 1974 e os ventos de mudança e de participação social que se lhe seguiram!
Quanto aos incêndios: ano após ano, seja qual for o governo da hiper-repetida alternância, sucede-se a "receita" das prevenções que acabam por nunca prevenir nada de nada! As populações, aquelas e aqueles que vivem onde os incêndios se sucedem e martirizam, nunca são ouvidas quanto à sua opinião, quanto à sua proposta, quanto à sua vontade! Por entre o discurso e a lógica neo-liberal dominantes, o Estado (também dominado por liberais de todas as matrizes) vai-se demitindo das suas responsabilidades, nomeadamente quanto à necessidade de se criar uma força anti e de prevenção aos incêndios, capaz de responder ao concreto com total independência face aos interesses e lobbies privados (não só nacionais como já internacionais) ...
Quanto às presidências: a direita parece que chegou à conclusão que só tem de aguardar pela formalização da candidatura do seu Cavaco Silva! Nas esquerdas, o debate é nulo. Completamente nulo. Tanto no plano inter-partidário ou social, como no plano intra-partidário. O PS, como partido maioritário nas esquerdas, vai fazendo valer (impondo!) a visão e a lógica da sua direcção liberal: debate não há, e, parece que nem é preciso. Tudo é decidido, sem debate e sem participação dos militantes, pela direcção nacional e pelas direcções distritais (espécies de filtros da vontade democrática das bases!). Sócrates está a aproveitar as presidenciais para acabar, de vez, com Manuel Alegre. Ao ponto, de antigos apoiantes de Alegre, entretanto colocados em lugares de direcção (ex.: Augusto Santos Silva), já defenderem , sem pestanejarem , as posições da direcção liberal sócratica.
Mas no PCP e no BE, a discussão também é nula ou só para entreter os respectivos dirigentes. No BE, parece que, não obstante as decisões da última Convenção Nacional, ainda (!) não há consenso quanto ao apoio ou não apoio, na 1ª volta, a Mário Soares (se este for o candidato do PS imposto às esquerdas!). No PCP, parece que todos estão à espera da indicação pela direcção do seu candidato "mártir" (já que irá sempre desistir...)
Confrangedor é as esquerdas não discutirem entre si. Não só discussão entre as suas direcções partidárias, mas discussão entre os seus militantes, de uma forma livre, não sectária, sem clubismos e profundamente democrática.
TRIBUNA SOCIALISTA tem defendido e continuaremos a defender a bondade, numa lógica democrática, de esquerda e socialista, da candidatura de Manuel Alegre. Uma defesa para o debate, mas também para a afirmação de uma candidatura de esquerda que emerge de um sentir e de uma vontade sociais.
Incêndios & Presidenciais ... era isso que estavamos a abordar! Vejam como temas tão distintos exibem a desqualificação crescente de uma democracia que se afirmou através de rupturas e particapação social!
domingo, agosto 07, 2005
A LÓGICA LIBERAL É CONTRÁRIA A UM SISTEMA DE LIBERDADES!
Quando é rentável (seja lá o que isso for...) os poderes apoiam, quando não é rentável destroem, suprimem, acabam!
Um sistema de liberdades e de direitos é incompatível com o sistema do ser rentável...
Ser rentável tem um significado que é determinado por uns quantos em nome dos seus próprios interesses. O mais espantoso é que esses quantos que se regem pela mesma bitola e pelos mesmos conceitos, encontram-se à direita mas também nas esquerdas ...
O ser rentável acaba por se tornar, políticamente falando, numa espécie de dominação ideológica. Económicamente falando, ser rentável é o reino das empresas e dos empresários e o ignorar sistemático do trabalho e dos trabalhadores. Mas também dos consumidores.
Do lado da dominação política e ideológica, temos, como exemplo recente, as nomeações dos amigos de Sócrates para a Administração da CGD. Um exemplo que também se pode descobrir em todas as alternâncias que o parlamentarismo produz...
O fim de títulos como O COMÉRCIO DO PORTO e A CAPITAL determinado por um grupo espanhol, é outro exemplo da incompatibilidade do ser rentável com uma liberdade concreta, a liberdade de expressão e de comunicação. Foi determinado por um grupo espanhol, mas poderia também ter sido por um grupo português. Como já aconteceu!
O fim do BALLET GULBENKIAN determinado por um tipo de gestão baseado no ser rentável, é mais um exemplo da incompatibilidade desse sistema com uma outra liberdade concreta, a da criação artística!
É claro que um governo como o de Sócrates, também ele sujeito/subjugado ao sistema do ser rentável, limitou-se a gerir o silêncio para ... não perturbar o mercado!!!
No plano internacional, o que se passa com a luta anti-terrorista é outro exemplo que se poderia apontar: não tem prevenido e muito menos evitado o terrorismo. No entanto, perturba, restringe, atrofia as liberdades e os direitos civis!
O liberalismo dos dias da globalização capitalista assenta neste sistema do ser rentável e na ditadura dos interesses de uns quantos ... É uma nova forma de totalitarismo à escala planetária!
sábado, julho 30, 2005
MANUEL ALEGRE: não está sózinho!
É claro que Sócrates nunca poderia (nem conseguiria!) pôr o PS a apoiar o homem de quem gostaria para candidato da actual política governamental: Cavaco Silva! Também não se sentiria bem a apoiar quem lhe fez frente (com um claro programa socialista de esquerda!) na última eleição para secretário geral do PS: Manuel Alegre.
Mário Soares é, neste momento, para Sócrates o seu (muito diferente de Partido Socialista!) melhor candidato. Só que o Mário Soares candidato será, não o Mário Soares entusiasta do movimento anti-globalização capitalista ou o Mário Soares defensor da "unidade das esquerdas", mas o Mário Soares institucional, o Mário Soares do aparelho de Estado e dos compromissos que se fazem nessa qualidade, ou seja, um Mário Soares pronto a defender as políticas liberais de Sócrates em "nome do interesse nacional"! Mário Soares será um candidato escolhido por um aparelho partidário, só ....
Manuel Alegre não é isso. É importante e sintomático que prefira uma candidatura de afirmação poética em vez de afirmação política. É a assumpção de independencia de um homem de esquerda e socialista perante os jogos politiqueiros.
Manuel Alegre tem, neste momento, milhares de portuguesas e portugueses que esperam dele um passo de afirmação para uma candidatura socialista, de esquerda, e de esperança de uma presidencia que não vire a cara aos dramas sociais que o liberalismo continua a criar e a impor.
Manuel Alegre NÃO ESTÁ SÓZINHO!
Registamos o que escreve hoje no Expresso:
"Sei muito bem que estou sózinho. Mas enquanto me bater a guerra não está perdida, ainda que se me perguntassem que guerra é eu não soubesse ao certo responder. Diria talvez que é a guerra de um homem no meio do seu quadrado. Um homem que se bate, talvez em sonho, porque tudo se calhar é sonho. Sonho de um sonho, lembro-me de ter lido algures. Que importa? Sonho ou não, eles aí estão, tenho de defender o meu quadrado, não há outro sentido senão este, lutar até ao fim, um homem não se rende, não seria bonito, seria, aliás, se me permitem, uma falta de educação, uma grande falta de educação."
REINO UNIDO: THE BIG BROTHER ... EXISTE!
Cada dia que passa, a Polícia britânica anuncia a detenção de mais e mais suspeitos ... suspeitos, entenda-se! Cada dia que passa, estamos todos à espera que haja mais um suspeito (suspeito, entenda-se!!) baleado na cabeça por uma mão cheia de balas ...
Para a detenção de suspeitos, a Polícia britânica entrou no caminho das chamadas estratégias de tensão, para obrigar meio mundo a denunciar o outro meio mundo! Depois, no entanto, a Polícia suspeita quer do meio mundo que denunciou, quer do meio mundo que foi denunciado!
Para já, o que fica da acção dos terroristas e da reacção das policias democráticas, são restrições e mais restrições às liberdades, aos direitos democráticos e sociais. É devido a isto, que dizemos e reafirmamos que terroristas e neo-liberais (como Blair & Bush) são gémeos na situação de tensão e de terror que criam e impõem a milhões de cidadãos inocentes.
A militarização das democracias ocidentais com supressão ou arrepio das liberdades não contribui EM NADA para a erradicação do terror e das acções terroristas. Será que não é exactamente isto que os terroristas islâmicos pretendem? Será que não é uma situação a que estão habituados em todos os cenários do Médio Oriente onde a guerra e a instabilidade têm sido criadas, mantidas e aumentadas com a intervenção desastrosa dos governos ocidentais?
Aquilo a que Blair & Bush nos obrigam com o seu tipo de acções, é a generalização a todo o Planeta (e principalmente no continente europeu) de uma situação crescentemente parecida à que tem vigorado há dezenas de anos no Médio Oriente e, nos últimos anos, no Iraque ou no Afeganistão.
Estamos plenamente de acordo com o que afirma SOCIALISMO LIBERTARIO (www.socialismolibertario.org/) : "Revoltarmo-nos e defendermo-nos dos monstros gémeos, o terrorismo sistémico e as democracias terroristas, significa afastarmo-nos e separarmo-nos radicamente de ambos, afirmando um princípio de revolução global e humanista contra a lógica da morte dos opressores. Sómente no seio de sociedades onde se possam criar e fazer nascer pontes de inter-etnicidade, de solidariedade e de paz é que se conseguirá isolar ambos os monstros, afirmando-se valores de justiça e de irmandade em vez do ódio que germina dos terroristas e dos Estados. Por isso, temos uma enorme responsabilidade, aqui e agora. Deter a espiral endiabrada guerra/terrorismo é uma tarefa de todos. Que requer uma afirmação radical de valores e de principios humanistas, pacifistas e anti-estatistas. Que requer a preparação de uma revolução socialista e himanista que nos auto-liberte e desvie do caminho que os monstros nos querem impor. Este é o compromisso dos socialistas libertários".
quarta-feira, julho 27, 2005
HOMENAGEM A PIERRE BROUÉ, HISTORIADOR E MILITANTE PELO SOCIALISMO
Associo-me à homenagem a Pierre Broué, historiador e militante pelo socialismo!
João Pedro Freire
Segue texto em francês enviado por Gerard Filoche, da revista socialista francesa "Democratie & Socialisme", que reproduzimos na íntegra:
Mort de Pierre Broué, historien du communisme et militant trotskiste
LEMONDE.FR 27.07.05 11h27 • Mis à jour le 27.07.05 11h38 A 8 heures par e-mail, recevez la Check-list, votre quotidien du matin.Abonnez-vous au Monde.fr L'historien et militant révolutionnaire Pierre Broué, spécialiste du communisme, est décédé, mardi 26 juillet dans la nuit, à l'âge de 79 ans, informe la Ligue communiste révolutionnaire (LCR).Docteur ès lettres établi dans la région de Grenoble, Pierre Broué a été dans la deuxième moitié du XXe siècle l'un des dirigeants de l'Organisation communiste internationaliste (devenue Parti communiste internationaliste), l'une des branches du trotskisme en France. Il en avait été exclu de fait en mai 1989. Son nom reste aussi attaché aux innombrables travaux qu'il consacra à l'histoire du communisme. Pierre Broué est notamment l'auteur d'une biographie monumentale (1 100 pages) de Léon Trotski (Fayard, 1988), qu'il rencontra trois fois."UN DES BIOGRAPHES DE TROTSKI LES PLUS ÉRUDITS"Il est également l'auteur, parmi une quinzaine d'ouvrages, d'une Histoire de l'Internationale communiste, 1919-1943 ( Fayard) et d'une Histoire du Parti bolchévique (Ed. de Minuit). Il avait aussi consacré des travaux aux mouvements ouvriers allemand des années 1920 et espagnol des années 1930. En mai 2005, il avait fait paraître ses Mémoires politiques, qu'il définissait comme un recueil de souvenirs et de portraits de militants et militantes qu'il avait côtoyés.Directeur de l'Institut Léon-Trotski, Pierre Broué dirigeait aussi la revue Le Marxisme aujourd'hui. C'était "l'un des historiens certainement les plus remarquables du mouvement ouvrier révolutionnaire européen et l'un des biographes de Trotski les plus érudits", selon Christian Picquet, membre de la direction politique de la LCR, qui lui "rend hommage" dans un communiqué. On ignore encore les causes de sa mort et la date de ses obsèques. Avec ReutersUn grand hommage doit être rendu au remarquable historien, au militant, à l'homme Pierre Broué qui vient de disparaître, dans la nuit du lundi au mardi 26 juillet 200550 petites lignes dans Libé tirées de la dépêche Afp, un seul article d’actualité sur Google reprenant les sites Bellaciao et Le Grand soir, rien sur France inter (où l’on parle uniquement du décès de Thierry Jean-Pierre) et encore moins dans le Monde du 27/07 ou il y a 22 lignes qui reprennent reutersMais cette presse est elle en vacances ou inculte, au point de ne pas traiter comme il convient l’événement considérable pour l’histoire qu’est la disparition de Pierre Broué ? N’y a t il que des stagiaires dans les journaux qui ne savent rien de l’histoire et de ce grand historien du 20 ° siècle ?
Message transféréDe :
"informations democratie-socialisme.org"
Objet : hommage à Pierre Broué par Gérard Filoche
Un grand hommage doit être rendu au remarquable historien, au militant, à l'homme Pierre Broué qui vient de disparaître, dans la nuit du lundi au mardi 26 juillet 2005, à l'âge de 79 ans. Militant engagé, syndicaliste et politique, depuis la seconde guerre mondiale, longtemps membre de l'organisation communiste internationaliste, l'une des branches de la Quatrième internationale, exclu de fait en mai 1989, il avait alors travaillé, entre autres, avec les militants qui ont créé "démocratie et socialisme" revue à laquelle il a longtemps collaboré (de 1992 à 1999) et qui était, dés les origines jumelée à la sienne : "Le marxisme aujourd'hui". Tout en ne cessant de travailler sur toutes les périodes noires et les crimes monstrueux du stalinisme, il suivait tous les événements actuels de la politique mondiale. Il écrivit des ouvrages sur le "putsch de Moscou" en 1991 - édité par D&S - sur “le Brésil de Collor” et du Parti des travailleurs, sur l'ex-Urss, sur l'ex-mouvement communiste international, tel "Meurtres au maquis", livre sur l’assassinat de trotskistes dans les maquis de Haute Loire, par les staliniens français, écrit en collaboration avec notre camarade Raymond Vacheron, mais aussi au jour le jour sur la vie politique et sociale, du 21 avril 2002 au 29 mai 2005, sur la gauche, en France). Ses contributions à l'histoire du mouvement ouvrier et socialiste compteront parmi les plus importantes de la seconde partie du 20° siècle. Sa mémoire, ses connaissances formidables, son opiniâtreté a faire éclater toujours la vérité, la précision historique, à redresser clichés, à détruire les calomnies, à rétablir les faits, son immense capacité de travail n'en faisaient pas seulement un militant précieux pour tout le mouvement social, mais aussi un homme, un compagnon extrêmement séduisant, tonifiant, vigilant, avec un sens permanent de l'enseignement de l'éducation, de la discussion théorique, historique, toujours lié à des expériences pratiques. D'ailleurs toute son oeuvre est là pour en témoigner, à commencer par sa magnifique biographie de Léon Trotski éditée chez Fayard en 1988. Nous sommes tous profondément affecté par cette disparition, que nous venons à peine d’apprendre, brutalement, nous, tous, les animateurs et rédacteurs de la revue D&S qui était aussi un peu la sienne, nous qui l'avons côtoyé, notamment depuis la chute de mur de Berlin, car il nous a beaucoup appris, et nous l'avons beaucoup aimé. Nous travaillerons à lui rendre hommage et à faire connaître son oeuvre car elle le mérite : on n’est rien sans histoire, sans mémoire, sans apprendre des expériences du mouvement social des 150 dernières années. Des générations nouvelles sauront, en lisant ses livres, apprendre ce qu’il leur faut savoir pour changer le monde, la vie, et construire vraiment le socialisme.
Gérard Filoche, le 26 juillet 2005 à 19 h.
A LUTA ANTI-TERRORISTA JUSTIFICA TUDO???
segunda-feira, julho 25, 2005
PRESIDENCIAIS: SOARES ÀS ORDENS DE SÓCRATES?
Nas próximas eleições presidenciais estará também em causa a manutenção ou não do orgão Presidência da Républica fora do espaço político da direita.
É um desafio muito importante para as esquerdas. É um desafio que tem de ser vencido! Mas vencido de forma politicamente clara. Sem ambiguidades, sem alianças que comprometem/comprometerão o exercício político da presidencia à esquerda.
A direita, toda ela, está empenhada em criar um novo ciclo com uma vitória de Cavaco Silva. Sentem, tipo predadores, que chegou o momento...
Manuel Alegre declarou-se disponível para avançar contra Cavaco Silva, enquanto candidato único da direita. Tomou essa iniciativa, não esperando por qualquer declaração formal da direcção do PS. Foi, como o afirmámos, um acto de grande coragem e de afirmação política que contribuem para uma convergência das esquerdas.
Mário Soares mostrou-se disponível para uma candidatura só depois de José Sócrates ter mostrado abertura para o PS o apoiar. Mário Soares tem-se pronunciado por uma candidatura comum das esquerdas. No entanto, pensamos que o modo como passou a admitir a sua candidatura, não contribui para se assumir como o "candidato das esquerdas". Corre o risco de se tornar excessivamente o candidato da direcção liberal do PS e do governo de José Sócrates. Mário Soares, até à véspera de se admitir como candidato, sempre pôs de lado essa hipotese. Muda de posição (até parece!...) por sujeição a alguma disciplina partidária imposta pelo aparelho do PS.
Um Presidente da Républica tem de se pronunciar sobre a confiança política que dá ou não dá ao governo que estiver em funções. Em função disto, qualquer candidato que se afirme de esquerda, à esquerda e socialista deverá dizer muito claramente o que pensa das politicas desenvolvidas pelo governo Sócrates. Se considera que essas políticas foram as votadas em 21 de Fevereiro ou, pelo contrário, estão nos antípodas daquilo que deveriam ser políticas de esquerda e socialistas aplicadas por um governo que se diz socialista...
A direcção do PS parece que, de facto, não está interessada numa candidatura convergente das esquerdas. Estará, pelo que demonstra com a sua prática, interessada numa candidatura e num candidato que não questione as actuais políticas governamentais, que não questione as opções europeias através de um debate democrático e nacional, que se sujeite à disciplina partidária. Neste sentido, José Sócrates, mais uma vez, tramou politicamente Manuel Alegre.
Continuamos a considerar que Manuel Alegre pela sua militância, pelo seu empenho cultural, pela sua coragem cívica e política é o candiadato que melhor pode protagonizar um projecto presidencial convergente das esquerdas e mobilizador de todas e todos os que se reveem na urgência de uma alternativa democrática e social ao liberalismo!
sábado, julho 23, 2005
MANUEL ALEGRE: AFIRMAÇÃO DE CORAGEM E DE MOBILIZAÇÃO CONTRA A DIREITA!
"A única coisa que posso dizer, neste momento, é que estou disponível para enfrentar Cavaco Silva", afirmou Manuel Alegre segundo a edição de hoje do Público.
É uma declaração importante e que deveria merecer uma reflexão profunda da parte das esquerdas. É a primeira vez que um dirigente com as responsabilidades de Manuel Alegre, assume tão claramente o desafio de mobilização para a derrota de Cavaco Silva, o mais do que previsivel candidato de toda a direita.
Manuel Alegre, pelo seu percurso político, pelo seu protagonismo cultural, é, neste momento, um candidato capaz de unir as esquerdas, de mobilizar portuguesas e portugueses que querem manter a Presidência da República afastada da direita, que querem afirmar um claro NÃO ao liberalismo e reafirmar uma opção de liberdade, de democracia e de justiça social.
TRIBUNA SOCIALISTA está com Manuel Alegre para uma candidatura de convergência das esquerdas, de afirmação democrática e social, de ruptura com o liberalismo, de reafirmação de tudo o que o 25 de Abril tem de continuar a representar!
quarta-feira, julho 20, 2005
CRISE NO GOVERNO SOCRATES: CRISE DA DIRECÇÃO LIBERAL DO PS!
A exoneração/demissão de Campos e Cunha do governo, anunciada hoje ao ínicio da noite depois de encerrados os telejornais (!!), vem demonstrar que a direcção do PS e o governo Sócrates entraram decididamente dentro das dinâmicas mostradas pela célebre série britânica "Yes Minister", ou seja, o que dizem não é para ser levado a sério...
Sócrates e a sua direcção no PS demonstram que não têm a política alternativa aos governos Barroso e Santana Lopes que tinham prometido durante a campanha eleitoral e que motivou a conquista de uma maioria absoluta histórica por parte do PS em 21 de Fevereiro último. Sócrates e o seu governo têm-se limitado, com outro estilo (mas só isto!), a aplicar as mesmissimas políticas dos governos de direita. À inexistência de políticas alternativas juntam, também agora, instabilidade e descoordenação governativas.
A direcção do PS, liderada por Jorge Coelho, limita-se políticamente a tentar baralhar os eleitores e militantes socialistas com afirmações que querem fazer passar a ideia de que políticas liberais desenvolvidas por um governo PS são "boas" e que essas mesmas medidas desenvolvidas por um governo de direita são "más". Pelo meio surge sempre a evocação dessa abstração chamada "interesse nacional", no qual cabem trabalhadores, empresários, jovens, desempregados e reformados. Não há, óbviamente, um "interesse nacional" abstracto para um socialista. Um socialista, em nome do interesse nacional, deve ter coragem política para desenvolver rupturas com lógicas, políticas e interesses liberais e de direita. Isso, a actual direcção do PS nunca teve nem terá. Porque de socialistas não têm nada. Até o "s" de PS já nem conseguem pronunciar por extenso...
O actual governo PS se fosse um qualquer produto de supermercado, deveria merecer uma queixa dos consumidores à DECO por ... terem sido enganados: o rótulo (i.e.o programa eleitoral) do produto não tem nada a ver com o conteúdo!!!
O governo Sócrates precisa urgentemente da definição de uma ALTERNATIVA DE ESQUERDA E SOCIALISTA . Uma alternativa para a qual os militantes do Partido Socialista são parte decisiva e integrante! Uma alternativa que possa mobilizar os trabalhadores, os cidadãos, por um programa e políticas que marquem uma clara ruptura com o liberalismo e as políticas liberais de Durão Barroso, de Santana Lopes e também de José Sócrates.
Quem é o próximo ministro das finanças: mais um nome que repetirá as mesmas políticas!
quinta-feira, julho 14, 2005
PS LISBOA E PORTO: CANDIDATURAS DA BUROCRACIA LIBERAL DO PARTIDO!
Carrilho e Assis não emergem como candidaturas que representem a vontade democrática dos militantes socialistas. Se assim fosse, poderiam ter aspirações populares fora do PS. Mas não! São candidaturas que, mais não são, que o resultado de jogos de somar e de subtrair entre os diversos lobbies (não confundir com correntes ou tendências políticas...) do aparelho e da burocracia do PS de Sócrates.
O alarme que suou no PS Porto a propósito de uma sondagem que atribuia uns míseros 29% aos socialistas contra 55% da coligação de direita de Rui Rio, teve, da parte da direcção da Federação Distrital do Porto, uma resposta digna de uma candidatura de burocratas: convocaram uma reunião de dirigentes federativos e de dirigentes das secções ... Ora, são dirigentes que já só se representam a si, visto que Jorge Coelho e a direcção do PS resolveram adiar as eleições das estruturas de base para depois das eleições autarquicas (ou será só para depois das presidenciais?). Mais uma vez, os militantes não são ouvidos ... só terão o direito de votar nas autárquicas em qualquer solução cozinhada pela actual direcção! Porque é que Assis não convocou uma reunião distrital de militantes ou até um comício?
E sobre decisões à revelia dos militantes e das bases socialistas, convém não esquecer o que se continua a passar em Matosinhos. O PS é o partido que ainda não tem candidato ... os militantes como que estão obrigados a esperar pela decisão de Jorge Coelho ... qualquer que ela seja!!
A direcção do PS sabe muito bem qual a opinião de um número crescente de militantes sobre a política liberal e de direita do governo Sócrates e também sobre a vida anti-democrática que se vive no interior do Partido. Daí o receio, o medo, que têm dos militantes.
A direcção Sócrates do PS continua a dar tiros não só nos pés, como também nas mãos!!! ... E o que é pior, continua o desfiguramento político e ideológico de um Partido com uma direcção que tem medo da palavra "socialista" da sigla partidária ...
quinta-feira, julho 07, 2005
LONDRES: MAIS UMA ATROCIDADE TERRORISTA
Nova Iorque, Bali, Madrid e agora Londres são exemplos de acções terroristas que tiveram como efeito imediato, o despoletar de acções por parte dos Estados e dos governos que comprometeram, comprometem e compremeterão qualquer sistema de liberdades democráticas e de direitos plenos para todas as pessoas. O atentado de hoje em Londres virá agravar ainda mais a onda securitária liderada planetáriamente pelos EUA de Bush, com resultados que têm comprometido qualquer lógica de paz e de tolerância, acentuando, isso sim, o terror, a instabilidade, a corrida armamentista.
O terrorismo de grupos ou seitas, tal como o terrorismo de Estado vestido de lógicas aparentemente "legais", são INDEFENSÁVEIS e merecem ser condenados e repudiados. Este ínicio do século XXI tem sido dominado por uma lógica que pretende impor ao Mundo uma aparente dicotomia entre esses dois tipos de terrorismo. No plano das relações internacionais entre os Estados, a "guerra fria" tinha forçosamente de dar lugar a uma outro tipo de "guerra" e deu lugar à guerra entre aquelas duas formas de terrorismo. Nesta "guerra" as democracias ocidentais não estão inocentes, históricamente falando. Há responsabilidades na pilhagem (o termo é este: pilhagem!) ao chamado Terceiro Mundo. Há responsabilidades na falta de vontade para a resolução de questões que se arrastam, quase eternamente, sem solução. Há responsabilidades também, no interior dessas democracias, num deficite crescente quanto às liberdades e à participação cidadã. Há responsabilidades também na perseguição/discriminação ao emigrantes/imigrantes, aos refugiados, como se tivessem alguma responsabilidade em actos terroristas...
Do lado das seitas ou do lado dos Estados, quem fica sempre marginalizado, acabando por ser quem se torna nas verdadeiras vítimas dessa guerra entre terrorismos gémeos, são os trabalhadores, são os cidadãos inocentes.
Os terrorismos de todas as formas devem ser implacávelmente condenados. Não tomando-se o partido por qualquer um dos gémeos responsáveis por esta guerra planetária, mas exigindo-se, com a mobilização cidadã e popular uma outra sociedade baseada em valores democráticos, libertários, de tolerância, de paz. Para nós, uma sociedade democrática e socialista!
João Pedro Freire
domingo, julho 03, 2005
LIVE 8: é possível uma raposa guardar um galinheiro???
Há 20 anos o Live Aid já tinha sido espantoso quanto à mobilização! Com mais milhões e com a ajuda dos novos meios de comunicação, o Live 8 realizou-se para, mais uma vez, alertar os 8 mais poderosos deste Mundo para os problemas da fome e da miséria. Falou-se mais em África, mas o problema é mais vasto, é planetário.
No entanto, em 20 anos os mais poderosos deste Mundo não souberam, com actos práticos e concretos, acabar com a fome, com a miséria, com as guerras, com a SIDA. Nos últimos 20 anos, as imagens televisivas que mostraram a miséria extrema em África durante o último Live Aid, não só mantiveram actualidade como até tornaram-se muito benevolentes perante um problema que se tem vindo a agravar!
O Live Aid de 1985 e o Live 8 de 2005 são, sem dúvida, momentos importantes para a mobilização das pessoas por todo este Planeta para a erradicação da miséria e da fome. É importante que milhões exijam aos governos mais poderosos e também ao poder de meia dúzia de multinacionais/transnacionais o fim da dívida que massacra África, a Ásia e até a América do Sul.
Mas muitas questões se levantam quanto ao êxito do apelo mundial ao G8. Não nos esqueçamos que, por exemplo, o tsunami de 26 de Dezembro último que provocou miséria e destruição, está hoje práticamente esquecido das páginas dos principais media (controlados por grandes grupos económicos) ou das preocupações dos tais 8 mais poderosos governos deste Mundo!
Qual o significado da presença de Bill Gates no palco londrino do Live 8? Será que vai abdicar dos seus impressionantes lucros contribuindo para a erradicação da fome e da miséria?
Será que algum governo dos G8 vai obrigar a coligação Banco Mundial/OMC/FMI/complexo industrial-militar internacional que impõe no Planeta o sistema que é a origem da miséria e da fome galopantes a alterarem um bocado que seja as suas orientações?
É importante, muito importante, que se mobilizem milhões para objectivos de justiça. Mas será frustante se essa mobilização se resumir a periódicos "dar música" ao liberalismo global sem consequências práticas que os milhões mobilizados vejam no concreto.
Nos últimos 20 anos, preferimos realçar a mobilização popular internacional conseguida pelo Forúm Social Mundial por outro Mundo. Consideramos que a luta contra a miséria, contra a pobreza, contra as guerras, tem de corresponder à mobilização por uma alternativa internacional de paz, democracia e socialismo ao liberalismo! A justiça não se consegue com o recurso à caridade.
Será que Bob Geldof estará já a pensar no próximo Live Aid daqui por 20 anos? O que dirá aos milhões que se mobilizaram se o G8 responder ao apelo feito com ... palavras, com intenções ... a mesma resposta que deu em nada nos últimos 20 anos?
Passar a miséria à história? ... SIM SENHOR! Mas para ser eficaz é preciso acabar com o sistema que provoca e fomenta essa miséria, sem se cair no rídiculo de pedir a 8 raposas que guardem o galinheiro...
TRIBUNA SOCIALISTA no O Comércio do Porto
O TRIBUNA SOCIALISTA foi considerado pelo "O Comércio do Porto" como o "blogue da semana". Está na edição de 01 de Julho do diário portuense.
Fica uma rectificação: o endereço do TRIBUNA SOCIALISTA é http://militantesocialista.blogspot.com e não o que vem no artigo.





