tribuna socialista

sábado, março 31, 2007

A EXTREMA-DIREITA FASCISTA À PROCURA DE PUBLICIDADE ...

Há por aí um grupo intitulado "PNR" que resolveu publicitar o seu chefe e, para isso, resolveu lançar uma campanha contra os imigrantes.

O que esse grupo quer, antes de mais, é encontrar publicidade, dizendo-se vítima (!) daquilo a que chamam a "ditadura do pensamento único" ... o que será que existia antes de Abril de 1974?

Esse grupo de meia-dúzia deve ter a expressão a que meia-dúzia tem direito ... mas enquanto arruaceiros fascistas e racistas devem ser combatidos sem rodeios, precisamente em nome da liberdade de expressão!

O "PNR" fala contra os imigrantes, mas nada diz quanto aos emigrantes portugueses ... Acaba por ser normal para quem age como sempre agiu nos anos anteriores ao 25 de Abril de 1974! Seria interessante saber a percentagem de pessoas que militam nesse grupo e que têm uma actividade profissional (e que tipo de actividade profissional!!) ...

Portugal é a língua portuguesa e a lingua portuguesa promove o diálogo e o convívio entre os povos. A língua define espaços abertos, cosmopolitas, tolerantes, que incluem e que não excluem. E, neste sentido, quem está em Portugal a trabalhar e a viver é benvindo e deveria também ser como um qualquer português ou portuguesa. É o que se exige aos países que recebem portuguesas e portugueses para trabalharem e viverem.

O "PNR" quando promove campanhas anti-imigração está a tentar criar climas de tensão para promover acções de ódio e de intolerância contra quem trabalha mas tem uma raça, uma nacionalidade ou até uma religião diferentes. O "PNR" merece ser ignorado! Mas as campanhas que desenvolve devem ser combatidas radicalmente e sem contemplações. A democracia e as liberdades não podem contemporizar com acções que se viram contra elas mesmas.

segunda-feira, março 26, 2007

UMA ALDEIA DO ASTERIX ? ....

O que se passa em Salvaterra de Magos a propósito do comportamento da direcção nacional do Bloco de Esquerda em relação à "sua" Presidente da Câmara, merece alguma reflexão critica.

Mas o que se vê é uma defesa da Câmara Municipal pelo facto de "ser" da cor do Bloco, no mesmo sentido que, noutros tempos, alguns sectores, hoje na direcção do Bloco, faziam da Albânia ou até da China. Dir-se-ia que uma certa perspectiva do lado ex-maoísta terá triunfado no interior do Bloco quanto ao caminho que resolveram seguir para abordar a suspeita de corrupção que cai sobre a Presidente da Câmara Municipal de Salvaterra. Do comportamento de Louçã, dir-se-ia que já absorveu algumas das práticas dos políticos das democracias parlamentares.

O que se exige de um partido como o Bloco de Esquerda é um posicionamento transparente, coerente e objectivo na abordagem das questões ligadas à luta contra a corrupção. Que, neste caso, tem a ver com uma posição que favoreça a existência de autarquias mais próximas e mais controladas directa e democráticamente pelas populações. O que não acontece hoje em dia!

A direcção do Bloco de Esquerda não precisaria óbviamente de sacrificar a sua Presidente da Câmara, mas preferiu passar ao lado da exigência de um Poder Local mais democrático, mais transparente e mais controlado pelas populações. Preferiu construir uma espécie de aldeia de Astérix!...

domingo, março 25, 2007

OS COVEIROS DO SERVIÇO NACIONAL DE SAÚDE (*)


“ (...) Há determinados bens que são tão necessários à acção individual que deviam ser assegurados colectivamente e intencionalmente, e não através do mercado, que é uma instância no seio da qual os desejos e as preferências são satisfeitos.”HOOVER, David e PLANT, Raymond (1989) , Conservative Capitalism in Britain and the United States, Routledge.



A política do Governo do Partido Socialista na área da Saúde é hoje um instrumento de completo favorecimento dos interesses privados dos grandes grupos económicos que trabalham nesta área.


O Estado, com este PS, está a desinvestir na saúde, fechando urgências, maternidades e serviços de atendimento médico público, um pouco por todo o país. Em consequência abre oportunidades para que os privados avancem preenchendo as falhas por ele deixadas.


Não tenho nada contra os serviços privados de saúde, a questão é que a saída do serviço público não pode, nem deve, ser resolvida com a entrada dos serviços privados. Uma coisa não substitui a outra. O mercado privado tem uma lógica diferente do serviço público gratuito uma vez que não está orientado por uma lógica de solidariedade mas antes por uma lógica do lucro. Que se saiba, solidariedade e lucro não são o mesmo. Este Governo é por isso um dos principais responsáveis pela crise do SNS, uma das grandes conquistas que a democracia trouxe ao povo Português. Mas não é o único responsável. Uma parte dos médicos têm também uma quota de responsabilidade. O exercício da medicina em Portugal é hoje completamente promíscuo e perverso, quando falamos de acumulação de funções da medicina pública com a privada. Esta situação tem graves consequências para o descrédito e crise do SNS. Existem hoje muitos médicos que têm interesse em que os serviços públicos funcionem mal para que dessa forma se abra a possibilidade de actividade do serviço privado.


Um recente trabalho, do sociólogo Álvaro Barreto que brevemente passará na RTP e que fala da evolução da sociedade portuguesa nos últimos 40 anos, aponta esta questão como um dos problemas graves do Portugal de hoje. Barreto diz que muitos dos médicos que em Portugal acumulam medicina pública e privada passam, regra geral, a manhã no serviço público e a tarde no serviço privado, não trabalham o número de horas suficiente no público, talvez metade ou um terço do que deveriam trabalhar. Por exemplo, ao nível da cirurgia, operam pouco durante a manhã no público para operarem à tarde no privado, dominando no fundo a oferta e a procura do mercado das cirurgias- “ Ás 14 horas, os lugares reservados aos médicos no estacionamento dos hospitais públicos estão vazios!”.


Do que conheço e no caso particular do hospital de Viseu a situação é ainda mais grave, uma vez que uma parte, ainda que bastante minoritária dos médicos, exerce medicina privada dentro das instalações do próprio hospital. Do ponto de vista ético e deontológico o exercício da medicina não deveria estar tão mal tratado. O mesmo médico que até ás 14 ou 16 horas trabalha para o serviço público, não pode nem deve depois dessa hora trabalhar para o serviço privado dentro da unidade hospitalar pública. Do ponto de vista ético isto é zero! Inclusivamente, as consultas privadas dentro do hospital público chegam a ser anunciadas em jornais da cidade. Uma aberração completa. A violação do código deontológico dos médicos parece óbvia no seu artº94 “Não subordinação do dever público ao interesse privado – O Médico que presta serviço em estabelecimento oficial de saúde não deve exercer essas funções em proveito da sua clinica particular ou de qualquer instituição de cuidados de saúde”. Admito que este caso não é o único no país e que esta é uma tendência generalizada nos hospitais da rede pública, admito também que possam existir muitos e bons argumentos de ordem económica e técnica para justificar esta situação, contudo, nada o justifica quando pensamos na ética que deveria imperar e orientar os clínicos primeiro e os responsáveis das unidades hospitalares a seguir. Uma parte importante da crise que se quer criar no SNS é também da sua responsabilidade.


Deixem-me ainda que lhes diga que conheço um grande número de médicos com dedicação exclusiva quer no público, quer no privado, que sendo uma excepção acabam por ser um grande exemplo e me merecem todo o respeito.


(*) Alexandre Azevedo Pinto


Artigo publicado na ed. 262, 23 de Março de 2007, do Jornal do Centro

O VELHO ABUTRE É SÁBIO ...


"O velho abutre é sábio e alisa as suas penas


A podridão lhe agrada e seus discursos


Têm o dom de tornar as almas mais pequenas"

Salazar visto por Sophia de Mello Breyner Andresen


Ou o que eu penso do "concurso recrativo/reaccionário" da voz dos donos, vide RTP !
(por João Botelho)

PORTUGAL PODE AVANÇAR REDACÇÃO DE NOVO TRATADO CONSTITUCIONAL EUROPEU ?






Mais um favor de José Sócrates às visões neo-liberais que, afinal, perfilha!


Seria mais um cenário caricato: ver o governo "socialista" de um País europeu com uma Constituição que (ainda!) fala de socialismo (e resultou de uma Constituinte) ajudar a redigir uma "Constituição" europeia destinada a perpetuar o sistema liberal e sem resultar de nenhuma Constituinte eleita universal e democráticamente!

UMA OUTRA EUROPA É POSSÍVEL !

A propósito do 50 anos do Tratado de Roma, os governos europeus e os partidos daquilo a que se poderia chamar de "arco neo-liberal", estão a tentar ressuscitar a imposição de um tratado constitucional europeu que perpetue o mesmo sistema que tem mantido os povos europeus sem possibilidade de controlarem democráticamente as instituições europeias.

A propósito dos 50 anos do Tratado de Roma, os mesmos dirigentes que mentiram para iniciarem e sustentarem a guerra no Iraque, fazem agora declarações sobre os 50 anos de Paz no espaço europeu. Esquecem também as responsabilidades que tiveram na instabilidade nos balcãs.

A Paz no espaço europeu é, antes de mais, uma conquista dos povos europeus, do seu convívio, da sua comunhão, fora dos jogos politiqueiros dos governos e de instituições que subsistem fora de qualquer controlo popular, universal e democrático.

A motivação dos europeus para a construção de uma outra Europa tem a ver com a possibilidade dos povos europeus elegerem directa e democráticamente as instituições europeias.

A Europa que tem existido é uma negação democrática, é uma espécie de paraíso de burocratas que se movimentam acima e sem o controlo directo dos europeus.

A Europa tem de ser (re)construída directamente pelos europeus!

sábado, março 24, 2007

ESTA É A REALIDADE ...




Três notícias (escolhemos o JN) merecem destaque na imprensa escrita de hoje:

* GESTORES COM SALÁRIOS CHORUDOS E SEM CONTROLO: as empresas municipais, espaços sem qualquer controlo a coberto das câmaras municipais, parece que são também "viveiros" para gestores com remunerações mais elevadas do que o permitido na lei.

* POLÍCIA VOLTA À INDEPENDENTE: a saga da Universidade Independente continua, exibindo aquilo que é também a "eficiência" das gestões privadas. São reitores contra reitores, professores nomeados que logo a seguir deixam de o ser, enquanto os estudantes lá vão pagando forte e feio ... Convém lembrar que, do lado do sector político que habitualmente defende a "eficiência" privada, como é o CDS-PP, as coisas também andam muito ... elucidativas ...

* ROHDE: parece mesmo que as trabalhadoras e os trabalhadores (são 1.300) da Rohde, em Santa Maria da Feira terão como futuro o desemprego. A casa-mãe da fábrica, na Alemanha, terá uma dívida de 100 milhões de euros, o governo português mantém uma posição de meias-tintas e ... mais uma vez, vai ser o desemprego a resposta que o sistema neo-liberal dará a centenas de trabalhadores.

São três notícias que exibem bem a realidade neo-liberal em que vivemos: o importante são as empresas, são também os lucros das empresas, o déficit público para as contas governamentais ... o que fica como nada importante, são as pessoas, como trabalhadores, como contribuintes, como consumidores e/ou como cidadãos.

Está mesmo a fazer falta uma alternativa de resistência e de afirmação para uma outra sociedade onde a participação e a vontade das pessoas sejam parte integrante e imprescindível para qualquer decisão ... a organização económica e financeira terá de estar condicionada a isso!

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quarta-feira, março 21, 2007

A "EFICIÊNCIA" DE CORREIA DE CAMPOS ...


FIGUEIRA DA FOZ Segunda criança nasce a caminho de maternidade

Uma criança nasceu, esta quarta-feira, numa ambulância na auto-estrada A14, quanto se dirigia para uma maternidade em Coimbra.

Este é o segundo caso similar em 15 dias, após o encerramento do bloco de partos do hospital da Figueira da Foz
.

(Tsfonline 16.53 de 21 de Março de 2007)


Depois deste “pequeno incidente”, o Governo da Nação decidiu abrir uma área de serviço com especialidade de partos a meio da auto-estrada Coimbra / Figueira da Foz !!!!!!


(Por João Botelho)

OTA ... E SE OS PORTUGUESES PUDESSEM EXPRIMIR A SUA VONTADE?

Entre a necessidade de um novo aeroporto e a teimosia do actual governo, há já um longo percurso onde são visíveis as contradições de anteriores governos, hoje partidos da oposição (ex.: PSD e CDS). Há também uma imensa sucessão de pareceres, relatórios e estudos que têm contribuído mais para a confusão do que própriamente para qualquer tipo de esclarecimento.

Nestes jogos de técnicos, parlamentares e de governos, ninguém ainda se lembrou de perguntar qual a vontade das portuguesas e dos portugueses. Ou até, tirando os que alimentam toda a confusão reinante sobre este assunto, quem é que se encontra esclarecido ou precisa de ser esclarecido.

Fazem falta debates na sociedade portuguesa. Debates que envolvam as pessoas e que ultrapassem os limites do hiper-parlamentarismo em que vivemos.

Um novo aeroporto para Lisboa exige um amplo debate nacional. A Ota não pode ser apresentada como uma inevitabilidade.

Governo e oposições devem abrir o debate à sociedade. E, se necessário, esse debate deverá ter como corolário a realização de um referendo sobre um assunto que é de ambito nacional, não obstante a localização afectar uma dada região do País.

SUCESSÕES ... FAMILIARES: QUE DIFERENÇA?

Paulo sucede a Belmiro ... Assim determinou o pai a sua própria sucessão para o seu filho ...

É esta a imagem da gestão, no que diz respeito a sucessões, de um dos maiores grupos económicos portugueses.

Pergunta-se: qual é a diferença entre este tipo de sucessão familiar e a sucessão também familiar que se verifica, por exemplo, na Coreia do Norte?

É claro que a sucessão terá de ser confirmada pela Assembleia Geral de accionistas ... Na Coreia do Norte, o Comité Central também tem de confirmar as sucessões ...

Porque será que o liberalismo e o estalinismo (ou uma sua variante ainda mais obtusa!) se confundem tanto em matéria de gestão?

segunda-feira, março 19, 2007

ASSIM É A DIREITA ...

O CDS, também conhecido pelo "partido do táxi", está a dar uma imagem daquilo que é a democracia praticada pela direita ... mesmo entre correligionários do mesmo partido!

Está instalado um autentico clima de guerra civil entre os principais dirigentes do CDS ... Portas, ex-ministro sedento de protagonismo, não se entende com Ribeiro e Castro, presidente do "táxi"! Portas resolveu sair da sombra, onde manipulava os cordelinhos que já impunham um clima de tensão e intriga, para partir tudo ... às claras!

Aguarda-se agora que este clima se transmita ao PSD ... onde Santana Lopes já vai anunciando a formação de um novo partido ... liberal e de direita!

Estas deambulações direitistas são como um circo, mas ... seria bom que as esquerdas resolvessem pensar e reflectir sobre uma alternativa de convergencia das esquerdas ... óbviamente sem os sócraticos, mas indispensávelmente com militantes socialistas!

O GRANDE LÍDER ....

o grande líder ... segundo o Cartoon de Luís Afonso, jornal Público, 18 Março 07

domingo, março 18, 2007

PORQUÊ O SILÊNCIO ? (*)

Apesar dos meios de comunicação terem dado relevância (alguma) ao que se passou no Zimbabwe; apesar das Chancelarias Europeias terem mostrado preocupação ; apesar da União africana estar chocada, porque será que tenho a sensação de que há um “ruidoso silêncio” internacional quando se fala do sr. Mugabe ?

De herói da libertação , contra o regime branco na Rodésia de Ian Smith, a vencedor das eleições de 1980, Mugabe passou ao ciclo “típico do ditador africano”, como disse o bispo Desmond Tutu.

Robert Mugabe lidera o país há 27 anos e quer concorrer a um novo mandato nas eleições presidenciais de 2008. Terá na altura 84 anos. Há mesmo observadores que vão mais longe e pensam que o ditador quererá continuar até 2014. Terá então 90 anos !

O Zimbabwe encontra-se mergulhado numa crise económica, social e política desde 2000, quando o governo deu início a um programa de nacionalização das terras e propriedades controladas pela população branca. Nessa ocasião, a Grã- Bretanha, país de origem de muitos fazendeiros brancos do Zimbabwe, iniciou uma campanha para o isolamento internacional de Harare. Ao mesmo tempo, as forças de segurança do regime aumentaram os níveis de repressão contra opositores políticos, jornalistas e sindicalistas ; fraudes em eleições e deslocação forçada de milhares de pessoas, acusadas de apoiarem a oposição.

Neste contexto, Morgan Tsvangirai, líder do Movimento para a Mudança Democrática (MDC) tem sido uma referência na luta à ditadura. Os movimentos pró-democracia (partidos de oposição, igreja e grupos de defesa dos direitos humanos) estão agrupados na plataforma Save Zimbabwe Campaign (Salvem o Zimbabué) e, tinham marcada uma “oração colectiva”, para o passado domingo (11 de Março), nos arredores de Harare.

Mas, as forças policias do regime reprimiram brutalmente essa reunião, fazendo um morto (Gift Tandare) e mais de uma dezena de prisões. Entre os detidos está o líder da oposição, Morgan Tsvangirai, que foi brutalmente espancado na prisão.” Não lhe distinguíamos entre a cabeça e o rosto e não conseguia ver como deve ser”, disse a sua advogada Innocent Chagonda. Tsvagirai foi hospitalizado devido às violentas agressões a que foi sujeito na prisão, juntamente com dezenas de outros opositores. Apesar dos protestos, Mugabe não dá sinais de retrocesso.

No segundo semestre deste ano, vai decorrer a presidência portuguesa da União Europeia, e José Sócrates já anunciou que pretende realizar a II Cimeira EU-África.

Deixamos algumas perguntas : que fórmula mágica terá Sócrates encontrado para ultrapassar a rejeição britânica a um encontro com Mugabe ? Ou dos africanos a não se sentarem sem a presença de Mugabe ? Que silêncio leva a que esta ditadura pareça se “legitimada” a nível internacional ? Tal como noutras abordagens a regimes africanos, há ou não pesos e medidas diferentes ?

(*) Por João Botelho

sábado, março 17, 2007

ROHDE: o exemplo dos trabalhadores!

"VIVE-SE UM AMBIENTE DE REVOLTA. MERECÍAMOS MAIS RESPEITO E SERMOS INFORMADOS COM SERIEDADE" (trabalhadora da Rohde ao Público, de 17 Março)

1300 trabalhadoras da empresa multinacional alemã Rohde lutam para manter os seus postos de trabalho. Lutam contra o fecho da empresa.

Mais uma vez são os trabalhadores, com a sua iniciativa, a mostrar como se luta no concreto pela manutenção de postos de trabalho, pelo emprego.

Organizam-se em piquetes para evitarem que a maquinaria desapareça. Organizam-se para encontrarem soluções para que a fábrica continue a laborar. Esta iniciativa operária esbarra com a passividade do governo e com o inactivismo do PS. Também nestas matérias, é visível o partido em que o PS se transformou com a direcção de José Sócrates: um partido amorfo que não se distingue da direita e que, ainda por cima, se vira contra os sindicatos ou que não tem qualquer problema em apaparicar os jogos especulativos da bolsa, como são as chamadas OPAs!
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quarta-feira, março 14, 2007

MINISTRO BASTONADA EM PORTUGUÊS ... (*)


Trabalhadores acusam PSP de «carga policial»

Os trabalhadores da Pereira da Costa acusam a PSP de violência.

Os trabalhadores têm-se mantido em vigília, à porta da empresa, para impedir a retirada de material e máquinas porque não recebem salários há mais de seis meses e estão impedidos de entrar nas instalações.

(13 de Março 07 / TSF on line)



Carga policial a trabalhadores que…querem trabalhar !!!! ???

Com este governo nem damos conta da passagem do ano cão para o ano porco !
(*) enviado por João Botelho

terça-feira, março 13, 2007

PRIVADOS ABREM CLÍNICAS ONDE O GOVERNO FECHOU CENTROS DE SAÚDE ...

O título de primeira página da edição de hoje do Diário de Notícias é elucidativo e mostra o sentido da política do governo Sócrates: PRIVADOS ABREM CLÍNICAS ONDE O GOVERNO FECHOU CENTROS DE SAÚDE!

Os privados lá estão para ocupar o lugar deixado vago pelo Estado em matéria de maternidades, de urgências e que mais seja desinvestido.

O que está em causa é o único sentido que a política deste governo tem quanto à Saúde (não considerando outras áreas ...): desinvestir em nome do controlo das contas públicas, apresentando esta política como se fosse no interesse das populações e da qualificação do Serviço Nacional de Saúde.

O reformismo do governo Sócrates resume-se a contas de "deve e haver" e a única orientação ideológica que é percebida é a mesma que a direita usa na desregulamentação e no desinvestimento do sector público.

Na Saúde parece que existe alguma convergência de interesses entre o governo e o sector privado (onde lá estão os grandes grupos dominados pelo sector financeiro). Uma convergência certamente desmentida pelo governo, mas que depois a realidade a confirma nesta tendência de aparecerem clínicas e hospitais privados onde o governo desinvestiu ...

segunda-feira, março 12, 2007

OS DISTRAÍDOS (*)


“Alguns líderes de distritais do PS aplaudem os dois anos de mandato do Governo, embora critiquem a forma como o sector da Saúde tem sido conduzido.

Os socialistas esperam ainda que José Sócrates não esqueça o país durante a presidência portuguesa da UE.


12 de Março 07 TSF-online

Rui Santos, presidente da Federação Distrital do PS de Vila Real, diz que tem dúvidas sobre a reestruturação da Saúde proposta pelo Governo

Rui Solheiro, presidente da Federação Distrital do PS de Viana do Castelo, afirma que existe alguma «falta de diálogo no tratamento de alguns dossiers» no Governo”.


Estes senhores são tão, oportunamente, distraídos…. !

Só agora falam ? Deve ser para dar um ar de “pluralismo interno” ?
Sempre estamos em momento de comemoração e festejo !
Pois, a chamada distracção conveniente, ou será conivente


(*) enviado por João Botelho

17 DE MARÇO DE 2007: MOBILIZAÇÃO MUNDIAL PELA PAZ!


O mundo está mais perigoso!


A corrida ao armamento nuclear, apesar de todos os tratados de não-proliferação, está na ordem do dia. Por outro lado, as potências nucleares admitem explicitamente usar o seu arsenal atómico em caso de "necessidade".


O armamento nuclear disponível neste momento no mundo dava para destruir várias vezes o planeta. Além disso, a sofisticação tecnológica permite criar artefactos nucleares do tamanho de uma pasta de executivo, mas com uma potência superior às bombas atómicas lançadas no Japão em 1945.


O risco de um cataclismo nuclear voltou aos níveis do tempo da guerra fria, como os próprios cientistas reconhecem (ver http://www.thebulletin.org/).
Pouco se fala nisto nos grandes meios de comunicação, mas um clamor popular começa a erguer-se na base social de todo o mundo e a tomar formas organizativas.
Nesse sentido, a associação "Acção Humanista – Cooperação e Desenvolvimento", frente de acção social do Movimento Humanista, tomou a iniciativa de promover uma mobilização pela paz na cidade do Porto (Pr. D. João I), no próximo dia 17 de Março (a data não é escolhida ao acaso uma vez que se assinala mais um ano desde o início da guerra no Iraque) , pelas 17.30h. Esta mobilização acontecerá em simultâneo com outras do género em muitas cidades europeias e do mundo.
Pretendemos que os participantes desenhem um símbolo humano alusivo à paz e à não-violência e também se irá fazer um pedido público pelo desarmamento nuclear mundial.
Aspiramos a fazer no Porto o maior símbolo de paz de todas as mobilizações que se farão em simultâneo em todo o mundo, pelo que necessitamos de uma ampla participação de pessoas.
Já iniciamos o contacto com escolas, associações e Universidades, meios de comunicação, lançando o convite e o desafio para este evento. Para participar basta a inscrição na nossa página


www.movimentohumanista.com/paz2007/

após a inscrição serão contactados por nós para nos organizarmos para a grande mobilização.




domingo, março 11, 2007

A LAICIDADE A PROPÓSITO DE UM ANO DE CAVACO SILVA ...

Constitucionalmente a Republica Portuguesa é laica ... como em muitas outras situações, no entanto, a Constituição Portuguesa merece interpretações diferentes consoante o Presidente da República, o Governo, a composição da Assembleia da Republica e ... por aí a baixo!

Cavaco Silva, acabadinho de completar um ano de presidência, inaugurou as novas instalações da "pública" RTP na companhia da Igreja representada pelo Cardeal Policarpo ... terá sido em nome de "todos os portugueses" ou em seu nome pessoal ? Na linha de uma cerimónia religiosa que o Director-Geral dos Impostos, Paulo Macedo, também resolveu encomendar aqui há uns tempos atrás ... (em nome de todos os contribuintes ou em nome só do contribuinte Paulo Macedo?)

São exemplos demonstrativos de que não chega existir uma Constituição "tão avançada" como a portuguesa. Todo o aparelho de Estado está habitado por quem faz vista grossa em relação à Constituição ... Noutros tempos, também não chegou nacionalizar (leia-se estatizar), nada se fazendo depois em matéria de socialização ...

A imagem do actual Presidente da Republica a inaugurar instalações públicas acompanhado da hierarquia religiosa, faz lembrar inevitávelmente ... outros tempos! Ou as imagens que chegam de um qualquer regime dominado por fundamentalistas religiosos ...

A República Portuguesa é laica! Sabem o que isso é ... Exmos. Senhores habitantes do aparelho de Estado e da coisa pública?

sábado, março 10, 2007

O ESTADO-POLÍCIA ...

Na edição de hoje do Público , Vasco Pulido Valente denuncia a criação de um Estado-Polícia em Portugal.

Baseia-se para o afirmar na pretenção do Governo Sócrates em criar uma estrutura de coordenação das diversas polícias que funcionará na dependencia directa do primeiro-ministro.

Vasco Pulido Valente tem razão na denúncia que faz. Só que Pulido Valente não consegue ver o porquê para o aparecimento destes "novos" Estados-Polícias. Porque Pulido Valente é, também ele, um apoiante das modernas democracias liberais. Movimenta-se nas fronteiras definidas por elas, mesmo que pareça que é critíco. Não é critico! É, isso sim, um marginal sempre tendo por referência o quadro das democracias liberais. Daí que no seu artigo considere que "Claro que vivemos num mundo perigoso e é preciso coordenar as polícias." ...

As democracias liberais, como os EUA ou as europeias, copiam-se umas às outras na criação de mecanismos policiais de controlo estatal e até empresarial. Para o fazerem recorrem a estratégias de tensão para paralisar as chamadas opiniões públicas, edificando medos (colectivos e individuais, ambos paralisantes) a partir do terrorismo (nos planos estatal e internacional) e da ciminalidade (no plano das sociedades locais, regionais ou nacionais). O resultado é sempre a diminuição das liberdades e dos direitos sociais e o uso e abuso das chamadas democracias de representação.

Pulido Valente certamente que não criticaria o Estado-Polícia se qualquer super-polícia fosse controlada pelo Parlamento. Só que as actuais tendências totalitarizantes das democracias liberais acentam no uso e abuso do representativismo, como forma de evitarem a participação directa das pessoas nos diversos níveis da sociedade. Os Parlamentos liberais são hoje instituições à margem da sociedade e das pessoas, são "rolhas" que impedem a expressão directa das vontades. Daí que uma super-polícia controlada pelo Parlamento potenciaria os mesmos problemas que uma super-polícia controlada directamente pelo primeiro-ministro.

O liberalismo dos nossos dias é, como já temos dito, uma nova forma de totalitarismo. A economia assente nas empresas, com a sociedade moldada à imagem de uma empresa é a expressão nacional de um sistema que, no plano internacional, desenvolve também formas de controlo policial a partir do aparelho militar, tornando as liberdades autenticas formalidades para encobrirem essa nova forma de totalitarismo.

Vasco Pulido Valente é claro que não chega a este tipo de conclusões ... deixaria de ser um marginal aceite pelo liberalismo para passar a ser um crítico e aí, certamente que perderia o lugar de colunista do Público ...

João Pedro Freire
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