tribuna socialista

domingo, setembro 30, 2007

300.000 manifestantes contra la Junta Militar birmana

Um exemplo nos nossos dias da DIFICIL luta pelas mais elementares liberdades e direitos democráticos e humanos!

quarta-feira, setembro 19, 2007

AQUILINO RIBEIRO, COM OU SEM PANTEÃO, O SEU NOME É SINÓNIMO DE GRANDE LITERATURA E DE VERTICALIDADE (*)

Com a devida vénia, publica-se um bom texto de (*) MANUEL BAPTISTA, de Luta Social, sobre Aquilino Ribeiro:


"A homenagem realizada pelos altos dignatários deste país ao grande romancista e resistente anti-fascista Aquilino Ribeiro, está sendo manchada por uma propaganda reles, suja e cobarde, de quem quer mostrar-se <>.


Neste caso, querendo fazer com que se repudie o homem e o escritor, indissociáveis, ainda mais neste grande vulto da literatura portuguesa do século XX, pelo facto de ter pertencido na sua juventude ao ramo anarquista da carbonária, ao qual se atribui a autoria do regicídio que matou o rei D. Carlos I e seu filho, herdeiro do trono.Porém, a estupidez dessas aves de mau agoiro é dupla: ele - Aquilino - pode ter ou não pactuado /concordado com o regicídio.


Porém, quer isso seja verdade ou não, não fará sentido a conotação de <> que lhe querem atribuir. Mas fazem-no, pois através dele, pretendem atingir um sector da sociedade dessa época - e por tabela - os seus herdeiros espirituais, o republicanismo radical e o anarquismo.


Que foi um crime, sem dúvida o foi, mas que se deve compreender no contexto de uma situação bem particular. Quem não estudou de perto a história conturbada dessa época, não pode compreender e portanto valorar o que esteve na origem do regicídio.


É que a maior parte das pessoas que clamam contra Aquilino, passam sob silêncio que o rei, pouco antes de ser assassinado, decretou e permitiu que o seu primeiro ministro, João Franco, instaurasse um regime de arbítrio, de ditadura, com nenhuma hipótese de evolução para uma transição pacífica para a república. Nessa época, uma vasta maioria da opinião pública repudiava o regime caduco da monarquia bragantina, os republicanos eram maioritários no pais, mas impedidos de aceder ao poder.


Alguns anarquistas, ingenuamente, acreditavam que a república seria uma etapa indispensável para atingir mais tarde a anarquia,o socialismo libertário. Entre estes, estava o jovem Aquilino. Por isso, essa corrente anarquista (apenas um sector que tinha muitas e diverdsas correntes, na época, não a totalidade) aliou-se aos republicanos em várias ocasiões, tendo participado numa organização secreta chamada Carbonária, a qual preparava o derrube da monarquia por meios armados.


Não se deve esquecer que era uma monarquia corrupta, decadente e, nos últimos tempos, governando pelos métodos autoritários que vieram ensombrar a história de Portugal no século XX.


Quanto a ele ser anarquista, na 1ª metade do século XX, um conjunto impressionante de vultos da cultura portuguesa o foram, alguns tendo permanecido fiéis à ideia acrata até à morte, outros sendo atraídos para outras ideologias ou teorias políticas... basta citar alguns, sem pretenção de fazer inventário:


- Na literatura: Ferreira de Castro, Vitorino Nemésio e Miguel Torga.

- Na poesia: José Gomes Ferreira

- No desenho: Stuart Carvalhais

- Na ciência: Aurélio Quintanilha




É neste contexto, nesta atmosfera intelectual, não apenas receptiva, mas participante de uma ou outra expressão revolucionária, anti-capitalista e anti-estatal, que se desenvolveu o pensamento e se firmaram os dotes de escrita desta figura maior da nossa literatura que foi Aquilino.


Omitir isso, tal como o fez o presidente da república, torna a homenagem envergonhada, mostra que os actuais dirigentes políticos, nem sequer têm a visão ampla dos homens da república de 1910, pois "esquivam" nos seus discursos as importantíssimas facetas de Aquilino Ribeiro, nomeadamente as de militante libertário e anti-fascista."


(*) Manuel Baptista

domingo, agosto 19, 2007

TRANSGENICOS NÃO!

É claro que dizemos NÃO aos transgénicos!
Porque destroem, porque minam, porque servem os interesses dos que dominam a sociedade do lucro mantendo o planeta no caminho do suícidio.

A luta contra a transgenia é uma luta que tem de ser colectiva e abrangendo de uma forma crescente toda a sociedade. Não é uma luta de uns quantos com actos desesperados a lembrar cenas de "terrorismo" individualizado.

É dificil lutar por outra sociedade radicalmente diferente da liberal/capitalista. É dificil, mas qualquer revolucionário se olhar para o património de luta secular pelo socialismo, afirma-se como um optimista: é possível furar o cerco, destruir muros, conquistar uma maioria social para tornar possível a esperança!

Por isto, não concordamos com os métodos do movimento chamado "Verde Eufémia". Somos de opinião que os métodos desse movimento atrasam o esclarecimento social, dificultam a formação de uma maioria social favorável a um projecto alternativo de sociedade!

quinta-feira, agosto 16, 2007

A UNIÃO FAZ A FORÇA ... um exemplo da natureza!

A união faz mesmo a força! ...
Sigam o exmplo dos bufalos ... NOTÁVEL!!

COERÊNCIAS ...

Caro A.Pacheco, (* o comentário está mais abaixo, nesta posta)

Em Fevereiro de 2005 apelei ao voto PS CONTRA um governo de direita. Nunca tive muitas ilusões com o José Sócrates. Mas confesso que tive algumas com o PS e com os seus militantes que sempre quiseram políticas bem diferentes daquelas que agora o actual governo implementa.

Relativamente ao Bloco de Esquerda, do qual sou militante, não me esquivo de manifestar críticas ao que penso estar errado.

Como é o caso do Acordo para a vereação da CML. E estou em desacordo tendo em conta a actual orientação neo-liberal do PS, tendo em conta as políticas governamentais (António Costa era o nr.2 do governo)e, sobretudo, o facto desse acordo NUNCA ter sido discutido internamente no BE e até ter sido recusado no decurso da última Convenção do Bloco.

No entanto, defendo que a tal alternativa socialista (de que passo a vida a falar !...) precisa do Bloco, como precisa dos militantes socialistas do PS, como precisa até de militantes comunistas e de militantes anarco-sindicalistas e pessoas independentes que não querem a sociedade que o liberalismo/capitalismo nos impõe.

Mas o que a alternativa socialista NÃO PODE SER é uma espécie de resultado aritmético das lógicas parlamentares ou o congeminar das direcções partidárias. Na minha opinião, é possível organizar as pessoas, para além dos partidos (sem se ser contra eles!), na base de um programa com políticas discutidas por elas, alternativas ao liberalismo/capitalismo e a qualquer forma de totalitarismo.A minha coerência não é medida por métrica partidária, mas por posicionamento no quadro de uma militância que sempre foi de esquerda socialista. Admitindo que possa estar agora mais atento e sensível a posições libertárias.

Obrigado pelo seu comentário,

João Freire

* o comentário de A.Pacheco:

Em Fevereiro de 2005 o amigo apelava ao voto no PS , e dizia que o Socrates é que era o tal...Agora até o Bloco não lhe dá garantias, por causa de um acordo , para a Camara de Lisboa.Tão grande reviravolta, denota uma grande coerencia, mas enfim....Para alternativa socialista não está nada mal....

A. Pacheco

quinta-feira, agosto 09, 2007

COMO SE CONSTRÓI UMA ALTERNATIVA?


Perguntem aos iluminados dirigentes dos partidos à esquerda, como é que se constrói uma ALTERNATIVA?
Que ALTERNATIVA? ... isso, uma com sentido de ESQUERDA, com capacidade de AFIRMAÇÃO SOCIALISTA, de CORTE/RUPTURA com a pasmaceira que nos domina!
A mesma pasmaceira e a mesma ilusão que leva TANTA gente de esquerda e à esquerda a embebedarem-se com a vitória do PS em Lisboa ... em ambiente reduzido, ice, minoritario ...
Joao Freire

terça-feira, agosto 07, 2007

A DEMOCRACIA DA FINANÇA ...

A assembleia geral do BCP foi uma excelente oportunidade para se ver o que é a "democracia" da grande finança: os votantes/accionistas são representados por escritórios de advogados, a assembleia própriamente dita é só uma representação, já que tudo é decidido ou atropelado nos bastidores, e, se não houver sistema informático, parece que ninguém sabe contar votos ...

Há semanas que a imprensa tem vindo a dar cobertura a um evento que até parece que vai/ia decidir o futuro do País ... ou, às tantas, até decide já que a nossa democracia (!) está cada vez mais dominada pelos lobbies económicos e financeiros!

Mas, ao fim e ao cabo, os que se mobilizam em viaturas de gama alta, vestem fato-e-gravata do bom e do melhor e controlam o sector financeiro (o tal que não para de dar lucros e lucros cada vez amis altos!...) não conseguem comportar-se numa assembleia por eles mesmo organizada e ... tudo acabou com "Accionistas do BCP suspeitam de sabotagem na falha informática" (título do Público na primeira página de hoje)!!!

Triste espectáculo oferecido por aquele que é considerado como o maior banco português!

quinta-feira, agosto 02, 2007

LISBOA: PARA ONDE VAI O BLOCO?




O Bloco de Esquerda é oposição ao governo PS? É ...
O Bloco de Esquerda é aliado do PS na Câmara de Lisboa? É ...

O Bloco de Esquerda pode vir a fazer para o governo da Republica o que acabou de fazer em Lisboa? Pode ...

Mas será que a direcção do Bloco não tem desmentido esse tipo de acordos e tem reafirmado que é oposição ao governo Sócrates? Tem ...

É assim que um partido que se dizia "novo" e "diferente" dos outros ... pode iniciar o percurso de se tornar igual aos outros partidos!

As negociatas, os desmentidos conjunturais logo desditos pelos factos, a cara-de-pau dos dirigentes com várias faces ... tudo isto é o que arrepia, mete nojo, nesta democracia burguesa a que agora a direcção do BE parece ter aderido a ... troco do pelouro dos jardins e das coisas verdes da capital!

A propósito ... lembram-se do que a CDU fez no Porto de ... igual?
João Pedro Freire

quarta-feira, julho 25, 2007

SÓCRATES NA SIC: A REALIDADE E AS FANTASIAS DE SÓCRATES

Hoje, em entrevista à SIC, o primeiro-ministro José Sócrates respondeu, entre outras coisas, ao artigo de opinião de Manuel Alegre, no Público.

Sobre o medo, Sócrates considerou que se tratava de uma "fantasia" de Manuel Alegre. Referiu que essa coisa do medo já tinha sido lançado por Alegre há três anos, nas eleições para secretário-geral do PS, a propósito do medo que exitiria no interior do PS. Para Sócrates, também é fantasia ...

Como fantasia parece ser o que se vive nas empresas, privadas e públicas, na Função Pública, no interior dos próprios partidos políticos quando as oposições (sejam elas quais forem...) podem beliscar o poder das direcções (sejam elas quais forem ...), ... , tudo fantasia ...

Para o primeiro-ministro, a única realidade é a do país das promessas que fez ... mas que já não faz nem cumpre. Nomeadamente quando não quis responder à pergunta dos jornalistas da SIC, sobre se manteria a promessa de realizar um referendo ao tratado constitucional europeu. Lá puxou de uma descomunal lata e respondeu que agora já não há um tratado constitucional mas um tratado ... diferente!

Sócrates deve pensar que o que diz como primeiro-ministro vale e é aceite como "lei" ou como "a verdade" ...

Voltando a Manuel Alegre ... esperamos que tenha ouvido a entrevista do seu secretário-geral partidário e primeiro-ministro! ... e que conclusões tirará, desta vez???

MANUEL ALEGRE: CONSTATA FACTOS E ... DEPOIS NÃO AGE!




Manuel Alegre dá a conhecer a sua opinião sobre o MEDO que tem invadido a sociedade portuguesa, na edição de hoje do Público. Manuel Alegre manifesta-se contra o medo, pela liberdade. É claro que subscrevemos!

Mas a leitura do texto, volta a mostrar que Manuel Alegre é bom a constatar factos, mas deixa muito a desejar quando se trata de fomentar a organização das pessoas contra os factos e as situações que denuncia.

Ao longo do texto, lá vai afirmando que até concorda, até ao momento("Até agora, concordo com a acção do Governo"), com o governo Sócrates. Fica-se com a sensação que Manuel Alegre sente que há medo na sociedade portuguesa, mas tem uma certa obsessão por não culpabilizar o governo do seu partido.

É aliás sintomático da confusão de Manuel Alegre este parágrafo inicial:

"Não vivemos em ditadura, nem sequer é legítimo falar de deriva autoritária. As instituições democráticas funcionam. Então porquê a sensação de que nem sempre convém dizer o que se pensa? Porquê o medo? De quem e de quê? Talvez os fantasmas estejam na própria sociedade e sejam fruto da inexistência de uma cultura de liberdade individual."


É um facto que Alegre coloca o dedo na ferida, mas também é um facto, e perturbador, que não aponte caminhos para se lutar contra o medo. Inclusivamente sobre o seu partido (não o esqueçamos: o mesmo de Sócrates!) escreve: "Sei, por experiência própria, que não é fácil mudar um partido por dentro." É claro que Manuel Alegre tem razão quando diz que "não é fácil" mudar o seu partido. Mas muitos dos seus apoiantes (ex?) no PS e fora dele, interrogam-se:



  • o que fez e faz Manuel Alegre para organizar internamente, no PS, os que o apoiaram?

  • o que faz Manuel Alegre para organizar o milhão de portugueses que o apoiaram nas eleições presidenciais?

O texto de Manuel Alegre é um acto de coragem. Reconhecemo-lo! Mas é um acto que se fica por aí.


Manuel Alegre tem uma enorme responsabilidade. A responsabilidade de sugerir caminhos, apontar soluções, propor a organização de todas e todos os que querem lutar contra o medo.


João Pedro Freire







domingo, julho 22, 2007

DEMOCRACIA? MAS QUE DEMOCRACIA ?! (*)

É óbvio que não estaremos no advento de um novo fascismo ... mas que a democracia está crescentemente formal, que o patronato tem a ousadia de propor despedimentos por motivos políticos e ideológicos, que o ambiente nas empresas, em matéria de direitos, tem, cada vez mais a ver com o medo e a rolha, que o próprio governo Sócrates dá o seu contributo para toda esta situação promovendo medidas inequívocamente autoritárias ... tudo isto nos parece um FACTO OBJECTIVO que merece ser denunciado, combatido paciente e sistemáticamente ... antes que o autoritarismo se assuma como a única ideologia do poder e do Estado.

Por isto, concordamos com a posição dos companheiros do LUTA SOCIAL.

João Pedro Freire


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[O exacerbar do pendor autoritário dos agentes do Estado está relacionado com a sua necessidade de imposição do modelo neo-liberal à população portuguesa, ainda mal refeita de ter tido um mau sonho ... que se tornou realidade.



O mau sonho era do «socialismo» desabrochar por obra e graça de uma votação no P«S».
O despertar para a realidade foi quando começou a perceber que o P«S» e seu Chefe /Fuehrer entendem «democracia» como o sufragar da sua ditadura.



Cita-se abaixo uma listagem da muito «mainstream» revista VISÃO... os termos não são nossos, mas a substância do que descrevem é factual, pelo que acho digno de transcrever e divulgar.
MBB

]


Nos últimos meses, têm-se sucedido os casos de alegada perseguição política por membros do Governo de José Sócrates



>> A Directora Regional de Educação do Norte, Margarida Moreira, instaurou um processo disciplinar a Fernando Charrua, por este ter dito uma piada sobre José Sócrates. Margarida Moreira, que recebeu a delação por SMS, diz que o professor e ex-deputado do PSD insultou o primeiro-ministro, mas Charrua recusa a acusação. Até Jorge Coelho já disse tratar-se de uma situação «ridícula e inadmissível».



>> Após três pareceres negativos da Comissão Nacional de Protecção de Dados, o Governo aprovou a interconexão de dados da Administração Pública. A Caixa Geral de Aposentações vai poder cruzar informações dos funcionários públicos e respectivas famílias.



>> A coordenadora da Sub-Região de Saúde de Castelo Branco, Ana Maria Correia, avisou os serviços de que a correspondência enviada a «determinados funcionários» seria aberta. A medida causou mal-estar junto dos funcionários e a coordenadora assumiu que a nota interna continha «um erro de linguagem», acrescentando que onde se lê «determinados funcionários» deveria ler-se «funcionários em nome individual».



>> O primeiro-ministro, José sócrates, apresentou uma queixa-crime contra António Balbino Caldeira, responsável pelo blogue Portugal Profundo, no qual se divulgaram informações sobre a licenciatura de José Sócrates.



>> Correia de Campos, ministro da Saúde, exonerou a directora do Centro de Saúde de Vieira do Minho, Maria Celeste Cardoso, por um médico ter afixado, nas instalações, uma fotocópia com comentários jocosos a uma entrevista do ministro de Saúde, na qual este confessava que nunca tinha ido a um Serviço de Atendimento Permanente (SAP). Mário Soares criticou a actuação do Governo e Manuel Alegre achou a reacção «desproporcionada».



>> O novo Estatuto do Jornalista altera o artigo 11.º referente ao sigilo profissional e prevê que a Comissão da Carteira passe a fiscalizar e a sancionar os jornalistas por violações deontológicas. O diploma é contestado pelo Movimento Informação é Liberdade e pelo Sindicato dos Jornalistas que pretendem evitar a promulgação do diploma.



>> A presidente da Associação de Professores de Matemática, Rita Bastos, foi expulsa da Comissão de Acompanhamento do Plano Nacional da Matemática pelo director-geral da Inovação e Desenvolvimento Curricular por ter criticado a Ministra da Educação, maria de lurdes rodrigues.



>> O governador civil de Braga, Fernando Moniz, pediu ao Ministério Público para investigar o que se passou na manifestação de Outubro do ano passado, em Guimarães, por ocasião de uma reunião do Conselho de Ministros. Segundo o Correio da Manhã, o relatório da PSP acusava alguns dos participantes de proferirem «palavras insultuosas» dirigidas ao primeiro-ministro, mas alguns dos arguidos alegam que nem sequer estavam presentes.



http://visao.clix.pt/default.asp?CpContentId=333973





(*) in LUTA SOCIAL, Domingo, Julho 22, 2007

sábado, julho 21, 2007

E AGORA, HELENA?

O título desta posta é de um artigo de opinião de São José Almeida, na edição de hoje do Público. É um contributo muito interessante para uma reflexão URGENTE sobre o actual sistema partidária e o modo de fazer política.

É uma reflexão que faz falta a um debate que tem estado dominado, ocupado (!), pelos omnipresentes partidos parlamentares e o seu modo de funcionamento. Um sistema (partidos + o modo como funcionam e fazem funcionar (!)) que se tem vindo a caracterizar pela capacidade de afastar a participação cidadã e de a obstaculizar quando ela tenta surgir ...

As eleições lisboetas para a respectiva Câmara foram e devem continuar a representar uma boa oportunidade para se debater, sem tabus e sem preconceitos, uma crise que existe objectivamente no sistema partidário, na democracia representativa e no modo como se faz política nestes dias depois de 30 anos desde o 25 de Abril de 1974.

Deixamos algumas passagens desse artigo de São José Almeida:

"O desgaste do sistema político e partidário refém do aparelhismo mais tosco e manobrista viu-se de forma transparente nas eleições para a câmara da capital, mas já se viu também ao nível nacional, na candidatura de Manuel Alegre. E se há desgaste partidário fruto do aparelhismo, há também desgaste partidário fruto da falência de projectos. Não é por acaso que o CDS e o PSD se esboroam, o que é facto é que o programa político em curso pela acção governativa do PS de José Sócrates ocupou o espaço ideológico e as propostas de inspiração neoliberal, que tinham ficado fechadas sob a direcção Durão Barroso - Paulo Portas."

"Há um eleitorado de esquerda que não se revê no sistema que oscila entre os dez e os vinte por cento e que está disponível e quer tomar posição e ter em quem votar, mas que não quer dar o seu mandato a partidos emq ue não só não se revê, mas cujo modus operandi abomina. (...)
É a esse eleitorado que Helena Roseta tem a obrigação moral e histórica de dar resposta. É público que a vereadora agora eleita já disse que vai manter o movimento Cidadãos por Lisboa até às autarquicas de 2009. Mas porquê não lançar novos movimentos de Cidadão por...? Porque não apostar nas autarquias? E porque não apostar a nível temático e nacional? (...)
E porque não reunir, federar, todos esses movimentos cívicos e políticos autonomos sob o chapéu -de-chuva de um movimento nacional, que se assuma legalmente como um partido e seja activado parfa concorrer a eleições? (...)
Porque não pode a democracia participativa ser complementar da democracia representativa? Até que ponto assumir uma política de cidadania e de causas não será o passo necessário parfa ultrapassar a crise de descrédito das formações partidárias existentes e da própria democracia representativa e assegurar a proximidade dos eleitores? (...)"

Pode não se estar de acordo com a generalidade do texto de São José, mas que é um BOM contributo para um debate e uma reflexão que faltam, lá isso é!"

João Pedro Freire

quarta-feira, julho 18, 2007

MANIFESTAÇÕES "ESPONTANEAS" !?! ...

Enquanto os partidos lançavam olhares desconfiados e medrosos sobre as chamadas candidaturas independentes (das estruturas partidárias mas não necessáriamente de posicionamentos socio-politicos-ideológicos), causou perplexidade a reportagem feita por vários canais televisivos, na noite eleitoral lisboeta, junto de cidadãs e cidadãos de Cabeceiras de Basto, Alandroal, ... , que se teriam deslocado à capital para manifestar apoio ao candidato António Costa.

No entanto, a perplexidade surge quando as ditas cidadãs e ditos cidadãos revelavam que não sabiam para o que tinham vindo, até porque ninguém lhes tinha dito!!! ... No dia seguinte à noite eleitoral alguns jornais revelaram o programa oferecido para a realização das tais viagens de "apoio", os quais incluiam repastos capazes de começar por calar os estomagos, para depois serenarem as bocas ...

Muito elucidativo do estado a que os grandes partidos parlamentares chegaram ... e dos "contributos" que continuamente estão a dar para a crescente desqualificação da democracia!

É claro que, perante cenários destes, qual o interesse do apelo ao voto para um cidadão e uma cidadã?

A democracia portuguesa, neste momento uma caricatura do que Abril criou, é um exemplo concreto daquilo a que se chama de democracia burguesa, de democracia formal e até de partidocracia.

Para os cidadãos parece que os caminhos para a sua participação livre, critica e independente estão bloqueados pelos partidos que teimam em chamar a si a gestão dessa participação. Mas os partidos, no seu seio, também bloqueiam, afunilam, reprimem quem é critico das respectivas direcções.

São os partidos tradicionais e parlamentares que, com a sua acção, criam e fortalecem as correntes populistas. O populismo não surge por acaso ou por reacção espontânea!

Não está em causa a democracia representativa. O que está em causa é o bloqueio instituido perante qualquer afirmação de democracia directa e participativa.

Os partidos políticos não estão em causa. Em causa está o impedimento prático e fácil de iniciativas independentes de cidadãs e cidadãos. Ou a criação, afirmação e participação de organizações sociais de intervenção, como comissões de moradores, comissões de trabalhadores, comissões de defesa do consumidor, ...

A democracia não se reduz ao parlamentarismo. Tal como não se reduziria a formas de acção directa.

Ser cidadão não tem de ser militante. Tem, isso sim, de representar possibilidade permanente de mostrar a sua vontade, mostrar a sua critica, mostrar a sua indignação ... sem ter a sensação de que o que faz não serve para nada e, ainda por cima, pode servir para se tramar ...

O neo-liberalismo, o capitalismo do século XXI, só consegue produzir parlamentarismo, como caminho para o bloqueamento da iniciativa e participação cidadãs.

Uma alternativa socialista libertária afirma a urgência da redescoberta de todas as formas de participação e de iniciativa colectivas e cidadãs. Para além dos partidos e do parlamento. Mas com profundo corte com as matrizes actuais que bloqueiam a plena afirmação da vontade popular.

João Pedro Freire

domingo, julho 15, 2007

LISBOA: UM AVISO ÀS AVESTRUZES POLÍTICAS ...


Abstenção recorde, candidaturas independentes que ultrapassam as de partidos parlamentares, inexistência de uma maioria absoluta, desaparecimento do CDS/PP, maioria das esquerdas (60%) ...
As eleições lisboetas são um aviso sério às avestruzes da nossa política!
A democracia precisa da participação cidadã. A democracia não se esgota nos partidos (da esquerda à direita) que acabam, também eles, por ser um reflexo do estado de participação cidadã nula a que a democracia chegou!
O excesso de parlamentarismo, o excesso de representativismo, o excesso de peso dos lobbies de todas as espécies, a institucionalização do medo como forma de se fazer valer a autoridade, ... , tudo tem influenciado o aumento das abstenções ... votar para quê se depois o voto é subvertido?
É urgente que a democracia volte a contar com a vontade organizada dos cidadãos para além das instituições partidárias : auto-organização, auto-iniciativa!
A Câmara de Lisboa já não terá Carmona como Presidente ... mas o novo Presidente ainda não se definiu muito bem: será ele uma correia-de-transmissão do governo? José Sócrates apareceu com vontade de aproveitar a boleia ...
Um sinal de mudança seria a convergência de vontades e de propostas entre todos aqueles que aceitam cortar com as anteriores presidencias camarárias de direita para a (re)construção da cidade com transparência, com participação, com dinamização do interesse público!

quarta-feira, julho 11, 2007

EUROPA: O DEBATE QUE CONTINUA INCOMPLETO...

Sobre a Europa e não obstante a presidência semestral ser portuguesa, o debate continua frouxo e incompleto.

À esquerda e à direita parece que o que distingue (!) é ser-se mais ou menos social. Embora, esquerda e direita, se afirmem, à sua maneira, mais social uma que a outra ...

No entanto, sobre:
  • a organização europeia que motive mais participação popular e cidadã, nada é dito ou debatido: o que é uma europa federal? O que é uma união? O que é um Estado europeu? O que é algo de CONCRETO em vez da ambiguidade e do nem-é-carne-nem-é-peixe actual?
  • políticas que combatam as assimetrias sociais ... como, exemplo de uma medida concreta, a introdução de um SALÁRIO MÍNIMO EUROPEU, nada é sequer pronunciado!
  • Mais poderes para o Parlamento Europeu ... as eleições para este que é o único orgão europeu eleito, deveriam motivar mais participação e interesse!
  • Constituição ou tratado ou .... porque é que qualquer lei europeia que mexe com os actuais estados nacionais não deve ser analisada, discutida e decidida por uma CONSTITUINTE eleita por todas(os) as(os) europeus(eias)?

Só num quadro de discussão aberta, mais participada e vinculando a opinião livremente manifestada por todos os europeus, se pode incorporar uma discussão séria sobre os diversos projectos concretos, à esquerda e à direita, para a construção Europeia.

No nosso caso, mantemo-nos fiéis à tradição da esquerda socialista europeia, desde o final da guerra: bater-nos-emos pelos ESTADOS UNIDOS SOCIALISTAS DA EUROPA, o único caminho para uma Europa democrática, social onde quem manda são os povos e não os maiores governos nacionais ou comissões de eurocratas!

SUGESTÃO: leiam o último número da edição portuguesa do LE MONDE DIPLOMATIQUE.

João Pedro Freire

domingo, julho 08, 2007



Confesso que é uma das maravilhas do Mundo....!!
(Caramba, também não sou perfeito..)


Posted by João Botelho.

terça-feira, julho 03, 2007

The DOORS





Jim Morrison



Paris, 3 de Julho de 1971



ETERNO !


Posted by João Botelho

segunda-feira, julho 02, 2007

E qual é o problema ???!!!


DREN extingue escola premiada

A escola EB 23 Padre Agostinho Caldas Afonso foi extinta pela Direcção Regional de Educação do Norte (DREN) em Abril passado. Fecha as portas em Agosto.

Na semana passada, o conselho executivo recebeu o aviso de que a escola tinha sido escolhida para receber o "Prémio Iberoamericano de Excelência Educativa 2007" por um organismo internacional não governamental. “A princípio, julgámos que se tratava de uma brincadeira”, confessou João Vilar, responsável do estabelecimento de ensino. Mas não estavam a brincar.

Em Setembro, no Panamá o Conselho Iberoamericano para a Qualidade Educativa, aguarda a presença dos dirigentes da escola para lhe entregar o prémio, em cerimónia oficial. “Não decidimos, ainda, o que vamos fazer”, diz João Vilar. Nessa altura, de facto, já a escola estará fechada e os professores – presidente do conselho executivo incluído- estarão colocados noutro estabelecimento de ensino.
29 JUN 07 Expresso, por Rosa Pedroso Lima

Posted by João Botelho.

Memória, onde andas ?

Câmara de Aveiro desiste do Museu da República já pré-inaugurado e devolve importante acervo

25.06.2007, por São José Almeida
Jornal Público

Um importante acervo de material de propaganda da Primeira República (1910-1926) foi devolvido pela Câmara de Aveiro a António Pedro Vicente, que, depois de se dedicar à sua recolha e aquisição, o doou àquele município para que constituísse o esteio principal de um museu sobre a República.

Esta devolução põe fim a 14 anos de negociações entre a câmara e António Pedro Vicente, que com esta doação pretendia ver reconhecida na terra onde nasceu a figura de democrata e lutador antifascista de seu pai, Arlindo Vicente, possível candidato que desistiu e apoiou Humberto Delgado, nas eleições presidenciais de 1958.

António Pedro Vicente não quis prestar declarações ao PÚBLICO sobre estas longas negociações com três presidências de câmara diversas (começou em 1994, com o autarca Girão Pereira). Agora, já sob a presidência de Élio Maia, o vereador responsável pela Cultura, Miguel Capão Filipe, optou por anular as anteriores decisões e devolver o acervo documental.

Surpreendendo os aveirenses, que tinham já assistido a uma pré-inauguração do Museu da República num edifício adquirido pela autarquia para o efeito, a câmara, presidida por Élio Maia, do PSD, voltou ao notário para desfazer o acordo que fora assinado em 2002. E devolveu a António Pedro Vieira um património que é classificado por especialistas como a maior colecção de documentos sobre a vida política e a propaganda partidária da Primeira República, ombreando, segundo uns, superando segundo outros, a colecção do falecido historiador Oliveira Marques.
O museu tinha já como comissário indicado o historiador Luís Reis Torgal.


A falta de tempo tem impedido que dê o devido destaque a esta notícia do Público, já datada de 25 de Junho.

Não posso ficar indiferente ao facto saber que mais uma vez a História foi preterida por um motivo: falta de dinheiro. "Chegámos à conclusão que o museu não seria feito porque o município tem dificuldades financeiras e o museu precisava de tecnologia e de suportes informáticos e virtuais que representavam investimentos impossíveis para a câmara.", disse Capão Félix.

Não posso ficar indiferente ao facto da Memória Histórica da República ter sido tratada não como um grito patriótico, mas como um conjunto de malfeitores para Portugal. O conjunto de ideias que então foi lançada haveria de frutificar e afirmar a cidadania e a legitimidade democrática e popular. A República assistiu aos lamentáveis confrontos entre republicanos divididos (mas também sempre acossados pelos monárquicos e pela Igreja), mas deixou uma herança de importantes raízes que nos importa estudar e compreender, porque ainda hoje nos servem de estímulo e referência.

Ao desistir deste tão importante acervo a Câmara Municipal de Aveiro prestou um mau serviço à cidade, à sua identidade cultural republicana e livre e a uma visão de um Portugal virado para a modernidade, com confiança no futuro e que se reconhece nos ideias generosos, libertadores, fraternos e justos do 5 de Outubro.

Quem, como eu, vibrou com a pré-inauguração e o projecto do Museu da República fica atónito perante esta desistência. Terá sido falta de ambição ? Foram contactados parceiros para o projecto ? Não haveria programas nacionais ou comunitários que apoiassem o projecto ? Alguém se lembrou de saber como Caen conseguiu construir esse fantástico Memorial da Paz e da Memória ?

Como disse Camus : “ Não há vida válida sem projectos para o futuro.”
E Aveiro passou ao lado da Memória Colectiva. Lamentavelmente !

Posted by João Botelho.