tribuna socialista

quinta-feira, junho 16, 2011

EI... ESQUERDAS ... PRESTEM BEM ATENÇÃO! ...

Avisem as esquerdas, avisem cada um e todos que já não suportam austeridade para todos e lucros para poucos ... estejam elas onde estiveram, venham elas de onde vierem! ... são esquerdas? não é!



Pois, tomem nota: o grande desafio, nestes dias de festejos da maioria de direita, mais papista que os papas da troika "FMI/BCE/CE", é mesmo afirmar que alternativa à chamada "economia de mercado" !

A vontade dos omnipresentes mercados, não é reformável ...

A volúpia dos accionistas das empresas (prontos, as de grande e média dimensão) para manterem lucros ... apesar da crise ... não é reformável ...
O "Estado Social", seja o da actual maioria de direita, seja o das esquerdas, seja os dos indignados das acampadas ... não é negociável ... Estado Social tem de ser mesmo SOCIAL, SERVIÇO PÚBLICO, TODOS NÓS MAIS IMPORTANTES



Anotem! registem! relembrem! Essa coisa que dá pelo nome de "economia de mercado" é mais um nome para o capitalismo que nos lixa as nossas vidas, que nos usurpa o nosso eu de dignidade ...
Eu relembro isto, que me parece óbvio, porque há por aí muita gente - de esquerda, com quem até simpatizo, com quem até me encontro em muitas lutas ... - que parece que acredita que ESTE capitalismo, vestido de "economia de mercado" é "regulável" e, às tantas, "reformável" ... NÃO É ! O NOSSO DESAFIO, À ESQUERDA, NOS MOVIMENTOS SOCIAIS, CONTINUA A CHAMAR-SE SOCIALISMO ... desencamisado daquelas vestimentas horríveis que foram e cheiram a totalitarismo e a liberalismos da pior espécie ...



Ai … como a LIBERDADE tem de voltar a passar por aqui, para acontecer MUDANÇA!


sexta-feira, junho 10, 2011

BLOCO DE ESQUERDA: DAR A PALAVRA AOS BLOQUISTAS!

A esquerda nasce do protesto, mas tem de saber passar à afirmação de alternativas que mobilizem
Há pouco mais de um mês, na VII Convenção Nacional do Bloco de Esquerda, a Moção B, de que fui o primeiro subscritor, inscrevia essa constatação da realidade. Uma semana depois das eleições de 5 de Junho, essa constatação corresponde, na minha opinião, a uma das causas para a derrota das esquerdas, em especial, da esquerda socialista e anti-capitalista, representada pelo Bloco de Esquerda.

No decurso da Convenção Nacional do Bloco de Esquerda, referi em todas as minhas intervenções, pela então Moção B, que era imperioso que a direcção política do Bloco, soubesse explicar e esclarecer o que entendia por “alternativa de esquerda” e por “governo de esquerda”. Nunca o fez, aparecendo as importantes medidas que o Bloco foi apresentando, dia após dia da campanha eleitoral, como algo que as pessoas nunca compreenderam como poderiam ser aplicadas com êxito para as suas vidas.

Também na Moção B, foi referido “O Bloco de Esquerda , para essa alternativa de esquerda, deve assumir-se como mais um instrumento político. Não somos, só por nós, a alternativa. Mas somos parte imprescindível dela. Deveremos apelar a uma nova cultura de diálogo entre as diversas correntes de esquerda. Sem isso, qualquer alternativa ficará só por mais apelos a adicionar aos milhares que já se fazem, desde Abril de 1974, sem consequências práticas.”

Dissemo-lo na Convenção do Bloco e registámos que, ao longo da campanha eleitoral, o clima entre as diversas forças das esquerdas foi sempre comparável a uma espécie de paz podre … nos meandros da blogosfera e do facebook, essa paz podre foi sempre substituída por um clima de guerrilha muito activa, com constantes ataques mútuos entre os militantes do Bloco e os do PCP. Culpas? Quem esteve atento, certamente que concordará que foram mútuas e com prejuízos políticos muito sérios para a tal “alternativa de esquerda”. Por isto, somos levados a concluir que o encontro acontecido entre as direcções do BE e do PCP, foi um encontro fortuito, uma espécie de encontro para conversa à mesa de café …

Quase nunca esses ataques entre as esquerdas, essas agressões protagonizadas por membros das chamadas direcções intermédias (!), corresponderam a qualquer debate político sério sobre propostas políticas sérias. Pura diversão que terá levado muitas pessoas a interrogarem-se sobre a vontade concretas das esquerdas produzirem alternativas sérias de governo e de políticas.

Tudo isto a acontecer, enquanto à direita, PSD e CDS ensaiavam já, mais uma vez, disponibilidade para se assumirem como alternativa de governo …

Mas o mais impressionante, e, também o disse na Convenção do Bloco de Esquerda, é que, à esquerda, também se falhou na compreensão dos novos movimentos sociais. Apesar de todos encherem a boca com esses movimentos. Apesar também de, também à esquerda, muitos se terem disponibilizado, no terreno social, para o apoio a esses movimentos sociais. Mas, disse-o e afirmo-o novamente, muito desse apoio de alguns activistas de esquerda aos novos movimentos sociais, cheirou a velhas cartilhas vanguardistas e caducas de, apoiar o movimento para depois tentar atrelá-lo, encarneirá-lo, à tal “vanguarda” de que alguns ainda não se libertaram verdadeiramente.

O Bloco de Esquerda foi um dos grandes derrotados em 5 de Junho. Todas e todos os militantes bloquistas foram derrotados. Eu também me considero derrotado. Mas nesta assumpção colectiva de derrota, não deve ser esquecido o papel nessa derrota que teve a direcção política bloquista. Não foi Francisco Louçã o derrotado. Foi toda a direcção política! E foi a direcção política que o é, desde a fundação do Bloco de Esquerda. De facto, formalmente a “última” só foi eleita há pouco mais de um mês. Mas esta “última” é a mesma, politicamente falando, desde a fundação do Bloco.

E esta linha de continuidade da direcção política do Bloco de Esquerda é que traz para o debate, o pedido da sua demissão ou não.

Porque esta direcção política é a mesma que já traz consigo uma série de responsabilidades políticas que tomou sem nunca ter consultado democraticamente os militantes bloquistas. E ao longo dos 12 anos de Bloco, é possível constatar que esta direcção política tem, cada vez mais, olhado para o Bloco de uma forma paternalista, como se sem ela, tudo evoluiria para o caos …

Com esta direcção política, não é exagerado afirmar que o “centralismo democrático” parece querer acordar, cada dia que passa, e, o mais caricato, parece que acorda unido a um parlamentarismo que parece ditar toda a chamada “agenda” bloquista.

É sintomático do que afirmo, o modo como o debate é encarado pela direcção política. À boa maneira “centralista”, tem surgido sempre depois de tomada a decisão pela direcção … Isto pode ser próprio de um partido “leninista-estalinista”, mas não é, de certeza, a prática de quem estatutariamente se afirma como “partido-movimento” …

Qualquer bloquista sabe o que se passou com as últimas eleições presidenciais. Como a direcção política ignorou, desvalorizou e até caluniou mais de trezentos militantes que pediam uma Convenção Nacional Extraordinária para … discutir a decisão a tomar! Como sabe também o que se passou com a Moção de censura apresentada pelo BE. Pessoalmente, estou entre os que defendeu a pertinência da apresentação dessa Moção. Discuto e ponho em causa, isso sim, o processo que culminou no anúncio da Moção de censura e na total desvalorização do órgão máximo bloquista entre Convenções, a Mesa Nacional (MN). Nesse processo, a direcção política revelou que nem nos seus apoiantes na MN confiou …

Começam a ser muitas responsabilidades negativas para uma direcção política que, Convenção após Convenção, se tem perpetuado com desprezo pelo debate democrático e até pela transparência.
Tem sido eleita com maiorias avassaladoras? Tem, sim senhor! Mas toda a gente sabe o papel que os aparelhos partidários têm na perpetuação de maiorias que, na realidade, começam a sê-lo, mas eleitas por minorias cada vez mais pronunciadas relativamente ao total de inscritos. E, no Bloco de Esquerda, começa-se a passar isso, cada vez mais!

Para além de outro pormenor (chamemos assim ..) não menos importante. A actual maioria do Bloco é algo que corresponde a uma coligação de “associações” (PSR, UDP e PXXI) que não se assumem como tendências, como os Estatutos definem. No entanto, continuam a ter uma actividade como se ainda fossem partidos, não se sabendo se o que desenvolvem – portais, revistas, sessões e congrressos – o fazem como bloquistas e com os meios do Bloco ou como algo que não tem nada a ver com o Bloco …

Por isto, também, é que é inadiável que se exija a convocação de uma nova Convenção Nacional do Bloco de Esquerda. Não para se discutir a demissão deste ou daquele, mas para se discutir as responsabilidades políticas da direcção política bloquista desde a fundação, no estado a que o Bloco chegou …

E a Convenção é o fórum adequado. Porque uma discussão para se analisar o que a comissão política definiu, é uma espécie de pescadinha de rabo na boca com conclusões já sabidas à priori. Porque uma discussão dita descentralizada pelas estruturas concelhias e distritais é conceder a quem controla o aparelho, a continuidade desse controlo.

O fortalecimento do Bloco de Esquerda, como partido-movimento de esquerda, socialista e anti-capitalista exige uma discussão aberta para todas e todos os militantes, mas também para toda a sociedade, para todos os jovens e para todos os trabalhadores. Sem tabus, sem frases feitas e arcaicas e não restrita às fronteiras partidárias …

A resposta à crise capitalista tem de ser favorável às esquerdas, desde que estas tenham a capacidade de mostrar que conseguem construir alternativas de poder credíveis, mobilizadoras e mobilizantes.
A resposta à crise capitalista é a resposta alternativa às políticas e às soluções (!) políticas impostas pelas diversas troikas – FMI/BCE/CE e PSD/CDS/PS. É uma resposta que exige muita atenção , compreensão e até adesão à dinâmica dos novos movimentos sociais, nos seus vectores sociais e de afirmação política.

O Bloco de Esquerda tem um papel importantíssimo a desempenhar. Saiba voltar a correr por fora e saiba, no seu seio, demonstrar tanta abertura como aquela que, justamente, defende para a sociedade!

João Pedro Freire
Aderente do Bloco de Esquerda
1º subscritor da Moção B à VII Convenção Nacional do Bloco de Esquerda

sexta-feira, abril 22, 2011

O inevitável é inviável: Manifesto dos 74 nascidos depois de 74

TRIBUNA SOCIALISTA subscreve na íntegra este Manifesto!

Somos cidadãos e cidadãs nascidos depois do 25 de Abril de 1974. Crescemos com a consciência de que as conquistas democráticas e os mais básicos direitos de cidadania são filhos directos desse momento histórico. Soubemos resistir ao derrotismo cínico, mesmo quando os factos pareciam querer lutar contra nós: quando o então primeiro-ministro Cavaco Silva recusava uma pensão ao capitão de Abril, Salgueiro Maia, e a concedia a torturadores da PIDE/DGS; quando um governo decidia comemorar Abril como uma «evolução», colocando o «R» no caixote de lixo da História; quando víamos figuras políticas e militares tomar a revolução do 25 de Abril como um património seu. Soubemos permanecer alinhados com a sabedoria da esperança, porque sem ela a democracia não tem alma nem futuro.


O momento crítico que o país atravessa tem vindo a ser aproveitado para promover uma erosão preocupante da herança material e simbólica construída em torno do 25 de Abril. Não o afirmamos por saudosismo bacoco ou por populismo de circunstância. Se não é de agora o ataque a algumas conquistas que fizeram de nós um país mais justo, mais livre e menos desigual, a ofensiva que se prepara – com a cobertura do Fundo Monetário Internacional e a acção diligente do «grande centro» ideológico – pode significar um retrocesso sério, inédito e porventura irreversível. Entendemos, por isso, que é altura de erguermos a nossa voz. Amanhã pode ser tarde.


O primeiro eixo dessa ofensiva ocorre no campo do trabalho. A regressão dos direitos laborais tem caminhado a par com uma crescente precarização que invade todos os planos da vida: o emprego e o rendimento são incertos, tal como incerto se torna o local onde se reside, a possibilidade de constituir família, o futuro profissional. Como o sabem todos aqueles e aquelas que experienciam esta situação, a precariedade não rima com liberdade. Esta só existe se estiverem garantidas perspectivas mínimas de segurança laboral, um rendimento adequado, habitação condigna e a possibilidade de se acederem a dispositivos culturais e educativos. O desemprego, os falsos recibos verdes, o uso continuado e abusivo de contratos a prazo e as empresas de trabalho temporário são hoje as faces deste tempo em que o trabalho sem direitos se tornou a norma. Recentes declarações de agentes políticos e económicos já mostraram que a redução dos direitos e a retracção salarial é a rota pretendida. Em sentido inverso, estamos dispostos a lutar por um novo pacto social que trave este regresso a vínculos laborais típicos do século XIX.


O segundo eixo dessa ofensiva centra-se no enfraquecimento e desmantelamento do Estado social. A saúde e a educação são as duas grandes fatias do bolo público que o apetite privado busca capturar. Infelizmente, algum caminho já foi trilhado, ainda que na penumbra. Sabemos que não há igualdade de oportunidades sem uma rede pública estruturada e acessível de saúde e educação. Estamos convencidos de que não há democracia sem igualdade de oportunidades. Preocupa-nos, por isso, o desinvestimento no SNS, a inexistência de uma rede de creches acessível, os problemas que enfrenta a escola pública e as desistências de frequência do ensino superior por motivos económicos. Num país com fortes bolsas de pobreza e com endémicas desigualdades, corroer direitos sociais constitucionalmente consagrados é perverter a nossa coluna vertebral democrática, e o caldo perfeito para o populismo xenófobo. Com isso, não podemos pactuar. No nosso ponto de vista, esta é a linha de fronteira que separa uma sociedade preocupada com o equilíbrio e a justiça e uma sociedade baseada numa diferença substantiva entre as elites e a restante população.



Por fim, o terceiro e mais inquietante eixo desta ofensiva anti-Abril assenta na imposição de uma ideia de inevitabilidade que transforma a política mais numa ratificação de escolhas já feitas do que numa disputa real em torno de projectos diferenciados. Este discurso ganhou terreno nos últimos tempos, acentuou-se bastante nas últimas semanas e tenderá a piorar com a transformação do país num protectorado do FMI. Um novo vocabulário instala-se, transformando em «credores» aqueles que lucram com a dívida, em «resgate financeiro» a imposição ainda mais acentuada de políticas de austeridade e em «consenso alargado» a vontade de ditar a priori as soluções governativas. Esta maquilhagem da língua ocupa de tal forma o terreno mediático que a própria capacidade de pensar e enunciar alternativas se encontra ofuscada.

Por isso dizemos: queremos contribuir para melhorar o país, mas recusamos ser parte de uma engrenagem de destruição de direitos e de erosão da esperança. Se nos roubarem Abril, dar-vos-emos Maio!



Alexandre de Sousa Carvalho – Relações Internacionais, investigador; Alexandre Isaac – antropólogo, dirigente associativo; Alfredo Campos – sociólogo, bolseiro de investigação; Ana Fernandes Ngom – animadora sociocultural; André Avelãs – artista; André Rosado Janeco – bolseiro de doutoramento; António Cambreiro – estudante; Artur Moniz Carreiro – desempregado; Bruno Cabral – realizador; Bruno Rocha – administrativo; Bruno Sena Martins – antropólogo; Carla Silva – médica, sindicalista; Catarina F. Rocha – estudante; Catarina Fernandes – animadora sociocultural, estagiária; Catarina Guerreiro – estudante; Catarina Lobo – estudante; Celina da Piedade – música; Chullage - sociólogo, músico; Cláudia Diogo – livreira; Cláudia Fernandes – desempregada; Cristina Andrade – psicóloga; Daniel Sousa – guitarrista, professor; Duarte Nuno - analista de sistemas; Ester Cortegano – tradutora; Fernando Ramalho – músico; Francisca Bagulho – produtora cultural; Francisco Costa – linguista; Gui Castro Felga – arquitecta; Helena Romão – música, musicóloga; Joana Albuquerque – estudante; Joana Ferreira – lojista; João Labrincha – Relações Internacionais, desempregado; Joana Manuel – actriz; João Pacheco – jornalista; João Ricardo Vasconcelos – politólogo, gestor de projectos; João Rodrigues – economista; José Luís Peixoto – escritor; José Neves – historiador, professor universitário; José Reis Santos – historiador; Lídia Fernandes – desempregada; Lúcia Marques – curadora, crítica de arte; Luís Bernardo – estudante de doutoramento; Maria Veloso – técnica administrativa; Mariana Avelãs – tradutora; Mariana Canotilho – assistente universitária; Mariana Vieira – estudante de doutoramento; Marta Lança – jornalista, editora; Marta Rebelo – jurista, assistente universitária; Miguel Cardina – historiador; Miguel Simplício David – engenheiro civil; Nuno Duarte – artista; Nuno Leal – estudante; Nuno Teles – economista; Paula Carvalho – aprendiz de costureira; Paula Gil – Relações Internacionais, estagiária; Pedro Miguel Santos – jornalista; Ricardo Araújo Pereira – humorista; Ricardo Lopes Lindim Ramos – engenheiro civil; Ricardo Noronha – historiador; Ricardo Sequeiros Coelho – bolseiro de investigação; Rita Correia – artesã; Rita Silva – animadora; Salomé Coelho – investigadora em Estudos Feministas, dirigente associativa; Sara Figueiredo Costa – jornalista; Sara Vidal – música; Sérgio Castro – engenheiro informático; Sérgio Pereira – militar; Tiago Augusto Baptista – médico, sindicalista; Tiago Brandão Rodrigues – bioquímico; Tiago Gillot – engenheiro agrónomo, encarregado de armazém; Tiago Ivo Cruz – programador cultural; Tiago Mota Saraiva – arquitecto; Tiago Ribeiro – sociólogo; Úrsula Martins – estudante

sexta-feira, abril 01, 2011

NOVAS ECONOMIAS: MOVIMENTO CONTRA A FINANCEIRIZAÇÃO DA SOCIEDADE!

Este é um espaço aberto para todas e todos interessados em demonstrar que esta economia que nos devora, não é a única saída, nem a única solução!

Através desta economia com a ditadura dos mercados, há a imposição de um novo totalitarismo, a financiarização da sociedade e das nossas vidas.



Parece que todos e cada qual, somos obrigados a ter uma conta num banco, parece que são os bancos que dizem quem é e não é sério, e, ainda por cima, estamos todos metidos numa imensa base de dados manipulada, usada e abusada pelos mandantes no actual sistema financeiro.

Neste espaço que é gerido por um grupo de pessoas, de todas as idades e experiências, que participou e participa activamente no movimento da chamada "geração à rasca", cabem os testemunhos e as vontades de todas e todos que acreditam que há outros caminhos, outras experências, outras construções para novas economias.


Participem, registem-se e façam ouvir a vossa voz!
Não contribuas para o passivo, torna-te activo!

terça-feira, março 29, 2011

VII CONVENÇÃO NACIONAL DO BLOCO DE ESQUERDA: Moção B em debate aberto a toda a esquerda!

TRIBUNA SOCIALISTA é um espaço de debate à esquerda, independente de qualquer partido, grupo ou movimento. Tendo a necessidade de debate para uma alternativa de esquerda, publicamos a MOÇÃO B à VII Convenção Nacional do Bloco de Esquerda, a realizar em 07 e 08 de Maio.
A MOÇÃO B intitulada "ACRESCENTAR LIBERDADE, DEMOCRACIA E SOCIALISMO ÀS LUTAS ANTI-CAPITALISTA E ANTI-TOTALITÁRIA! SEM DEMOCRACIA INTERNA NÃO HÁ PERSPECTIVA POLÍTICA" coloca-se a debate a todas as esquerdas - partidos, movimentos, grupos, activistas, eleitores - .

Consideramos que esta é uma forma de contribuirmos, num momento de crise económica e agora também política, para a definição de uma alternativa de governo com sentido democrático, socialista e anti-capitalista.

É urgente uma alternativa que rompa com a alternância entre os partidos do "centrão" (PS, PSD, CDS), traduzida na repetição, sem fim, das mesmas políticas de austeridade, de desregulação e de ataques aos serviços públicos.

A definição dessa alternativa deveria dizer respeito e ter o contributo de todas e todos que se reclamam da esquerda, não sendo exclusivo de qualquer partido ou movimento.

Sugerimos que LEIAM e COMENTEM a MOÇÃO B ... teremos em conta os contributos que nos chegarem!

jpmfreire@sapo.pt

lista.b@bloco.org

sexta-feira, março 25, 2011

PETIÇÃO POR UMA ALTERNATIVA DE ESQUERDA ...


Iniciativa importante e com intuitos que se podem tornar clarificadores. É preciso, no entanto, ter a consciência que uma alternativa deste tipo não surge por decreto, nem por petição ...

Uma alternativa de governo à esquerda que estanque as políticas neo-liberais e dos PECs é urgente, mas também é prioritário que essa alternativa de esquerda produza políticas de afirmação democrática e socialista.

O Bloco de Esquerda e o PCP são, neste momento, os partidos parlamentares que simbolizam a oposição às políticas de austeridade, mas uma alternativa de esquerda precisa de mobilizar muito mais.
 
Movimentos como o da chamada "geração à rasca" e as próprias manifestações da CGTP mostram que há, neste momento, uma transversalidade que suplanta em muito o que o Bloco e o PCP representam. É urgente, vital até, que essa transversalidade social seja mobilizada por uma alternativa de governo de esquerda.
 
Uma alternativa de esquerda tem de querer ser governo! Porque é muito mais eficaz ter-ser a capacidade para implementar políticas com sentido democrático, socialista e anti-capitalista, do que ficarmos eternamente pelo protesto às políticas de austeridade e dos PECs!
 
Uma alternativa de esquerda ganhadora precisa da mobilização das BASES SOCIAIS do Bloco de Esquerda e do PCP, mas também do PS e de muitos sectores, que têm votado à direita, mas que iniciaram já um processo de critica às políticas dos PECs e da austeridade.
 
O grande desafio político continua a ser, conseguir-se que, na diversidade das esquerdas e nas transversalidades sociais que esta crise gera, surja uma alternativa de governo de esquerda com ambição ganhadora !

segunda-feira, março 14, 2011

KARL MARX: 128 ANOS DEPOIS ...

Há 128 anos falecia Karl Marx ...



Em nome dele, o marxismo sofreu mil e uma caricaturas, ainda mais distorções e usurpações ...
O "marxismo" como ideologia de Estado tem sido o caminho mais rápido para se mutar num turbilhão totalitário ... esquece-se, vestido de Estado, que a emancipação dos trabalhadores é obra dos próprios trabalhadores ...

Também há uma versão "marxista" por parte daqueles que só falam em Marx para os que lhes convém. Para, no final, mandarem Marx às urtigas ... são os que se esquecem que "os filósofos têm-se limitado a interpretar o Mundo de diversas maneiras; o que importa é transformá-lo."



Nos tempos da globalização capitalista, quando o capital, vestido de "mercados", já não vê fronteiras, nem Estados, nas suas estratégias de dominação, seria muito importante, até decisivo, relembrar Marx, no Manifesto do Partido Comunista: TRABALHADORES DO MUNDO INTEIRO, UNI-VOS!

Porque são os homens que fazem a História e não o contrário … A História não faz coisa nenhuma. Não fomenta quaisquer lutas. O capital há-de tentar opor-se à sua própria ruína. São as contradições internas do capitalismo que conduzem à sua destruição: mas só porque um adversário se desenvolve independentemente da vontade do capitalismo (ou seja, o proletariado) … “.

Actual, não acham?

sexta-feira, março 11, 2011

Não, não, não subscrevo, não assino ... (*)

Não, não, não subscrevo, não assino
que a pouco e pouco tudo volte ao de antes,
como se golpes, contra-golpes, intentonas
(ou inventonas - armadilhas postas
da esquerda prá direita ou desta para aquela)
não fossem mais que preparar caminho
a parlamentos e governos que
irão secretamente pôr ramos de cravos
e não de rosas fatimosas mas de cravos
na tumba do profeta em Santa Comba,



enquanto pra salvar-se a inconomia
os empresários (ai que lindo termo,
com tudo o que de teatro nele soa)
irão voltar testas de ferro do
capitalismo que se usou de Portugal
para mão-de-obra barata dentro ou fora.
Tiveram todos culpa no chegar-se a isto:
infantilmente doentes de esquerdismo
e como sempre lendo nas cartilhas
que escritas fedem doutras realidades,
incompetentes competiram em
forçar revoluções, tomar poderes e tudo
numa ânsia de cadeiras, microfones,
a terra do vizinho, a casa dos ausentes,
e em moer do povo a paciência e os olhos
num exibir-se de redondas mesas
em televisas barbas de falácia imensa.
E todos eram povo e em nome del' falavam,
ou escreviam intragáveis prosas
em que o calão barato e as ideias caras
se misturavam sem clareza alguma
(no fim das contas estilo Estado Novo
apenas traduzido num calão de insulto
ao gosto e à inteligência dos ouvintes-povo).
Prendeu-se gente a todos os pretextos,
conforme o vento, a raiva ou a denúncia,
ou simplesmente (ó manes de outro tempo)
o abocanhar patriótico dos tachos.
Paralisou-se a vida do país no engano
de que os trabalhadores não devem trabalhar
senão em agitar-se em demandar salários
a que tinham direito mas sem que
houvesse produção com que pagá-los.
Até que um dia, à beira de uma guerra
civil (palavra cómica pois que
do lume os militares seriam quem tirava
para os civis a castanhinha assada),
tudo sumiu num aborto caricato
em que quase sem sangue ou risco de infecção
parteiras clandestinas apararam
no balde da cozinha um feto inexistente:
traindo-se uns aos outros ninguém tinha
(ó machos da porrada e do cacete)
realmente posto o membro na barriga
da pátria em perna aberta e lá deixado
semente que pegasse (o tempo todo
haviam-se exibido eufóricos de nus,
às Áfricas e às Europas de Oeste e Leste).
A isto se chegou. Foi criminoso?



Nem sequer isso, ou mais do que isso um guião
do filme que as direitas desejavam,
em que como num jogo de xadrez a esquerda
iria dando passo a passo as peças todas.
É tarde e não adianta que se diga ainda
(como antes já se disse) que o povo resistiu
a ser iluminado, esclarecido, e feito
a enfiar contente a roupa já talhada.
Se muita gente reagiu violenta
(com as direitas assoprando as brasas)
é porque as lutas intestinas (termo
extremamente adequado ao caso)
dos esquerdismos competindo o permitiram.



Também não vale a pena que se lave
a roupa suja em público: já houve
suficiente lavar que todavia
(curioso ponto) nunca mostrou inteira
quanta camisa à Salazar ou cueca de Caetano
usada foi por tanto entusiasta,
devotamente adepto de continuar ao sol
(há conversões honestas, sim, ai quantos santos
não foram antes grandes pecadores).
E que fazer agora? Choro e lágrimas?
Meter avestruzmente a cabeça na areia?
Pactuar na supremíssima conversa
de conciliar a casa lusitana,
com todos aos beijinhos e aos abraços?
Ir ao jantar de gala em que o Caetano,
o Spínola, o Vasco, o Otelo e os outros,
hão-de tocar seus copos de champanhe?
Ir já fazendo a mala para exílios?
Ou preparar uma bagagem mínima
para voltar a ser-se clandestino usando
a técnica do mártir (tão trágica porque
permite a demissão de agir-se à luz do mundo,
e de intervir directamente em tudo)?
Mas como é clandestina tanta gente
que toda a gente sabe quem já seja?



Só há uma saída: a confissão
(honesta ou calculada) de que erraram todos,
e o esforço de mostrar ao povo (que
mais assustaram que educaram sempre)
quão tudo perde se vos perde a vós.
Revolução havia que fazer.
Conquistas há que não pode deixar-se
que se dissolvam no ar tecnocrata
do oportunismo à espreita de eleições.
Pode bem ser que a esquerda ainda as ganhe,
ou pode ser que as perca. Em qualquer caso,
que ao povo seja dito de uma vez
como nas suas mãos o seu destino está
e não no das sereias bem cantantes
(desde a mais alta antiguidade é conhecido
que essas senhoras são reaccionárias,
com profissão de atrair ao naufrágio
o navegante intrépido). Que a esquerda
nem grite, que está rouca, nem invente
as serenatas para que não tem jeito.
Mas firme avance, e reate os laços rotos
entre ela mesma e o povo (que não é
aqueles milhares de fiéis que se transportam
de camioneta de um lugar pró outro).
Democracia é isso: uma arte do diálogo
mesmo entre surdos. Socialismo à força
em que a democracia se realiza.
Há muito socialismo: a gente sabe,
e quem mais goste de uns que dos outros.
É tarde já para tratar do caso: agora
importa uma só coisa - defender
uma revolução que ainda não houve,
como as conquistas que chegou a haver
(mas ajustando-as francamente à lei
de uma equidade justa, rechaçando
o quanto de loucuras se incitaram
em nome de um poder que ninguém tinha).
E vamos ao que importa: refazer
um Portugal possível em que o povo
realmente mande sem que o só manejem,
e sem que a escravidão volte à socapa
entre a delícia de pagar uma hipoteca
da casa nunca nossa e o prazer
de ter um frigorifico e automóveis dois.
Ah, povo, povo, quanto te enganaram
sonhando os sonhos que desaprenderas!
E quanto te assustaram uns e outros,
com esses sonhos e com o medo deles!
E vós, políticos de ouro de lei ou borra,
guardai no bolso imagens de outras Franças,
ou de Germânias, Rússias, Cubas, outras Chinas,
ou de Estados Unidos que não crêem
que latinada hispânica mereça
mais que caudilhos com contas na Suíça.
Tomai nas vossas mãos o Portugal que tendes
tão dividido entre si mesmo. Adiante.
Com tacto e com fineza. E com esperança.
E com um perdão que há que pedir ao povo.
E vós, ó militares, para o quartel
(sem que, no entanto, vos deixeis purgar
ao ponto de não serdes o que deveis ser:
garantes de uma ordem democrática
em que a direita não consiga nunca
ditar uma ordem sem democracia).
E tu, canção-mensagem, vai e diz
o que disseste a quem quiser ouvir-te.
E se os puristas da poesia te acusarem
de seres discursiva e não galante
em graças de invenção e de linguagem,
manda-os àquela parte. Não é tempo
para tratar de poéticas agora.

(*) Santa Bárbara, Fevereiro 1976
(aniversário de uma tentativa heróica
de conter uma noite que duraria décadas),
publicado in Quarenta Anos de Servidão (1979) - Jorge de Sena
Chegado até aqui ao Tribuna Socialista pelo Grazia Tanta.

quinta-feira, março 10, 2011

HOJE HÁ CENSURA NO PARLAMENTO, DIAS 12 E 19 SERÁ NAS RUAS ...

Hoje é dia de CENSURA ao governo na Assembleia da República.

A Moção de Censura apresentada pelo Bloco de Esquerda mostrou quem apoia o governo Sócrates, em quem é que Sócrates se apoia para a execução do OGE e dos múltiplos PECs. A direita - PSD e CDS - que ainda ontem apoiaram o discurso de tomada de posse de Cavaco Silva, exibirão hoje perante a Moção de Censura do Bloco de Esquerda, mais e mais hipocrisia ... a direita, perante o governo, lembra aquele que nada faz, embora esteja sempre a berrar "que o mata"!



Os militantes do PS também poderiam parar um pouco para pensar: como seria a estabilidade se esta fosse assegurada pelas esquerdas representadas no Parlamento? Porque será que todas as medidas de carácter social, medidas civilizacionais, para serem aprovadas, precisam sempre dos votos das esquerdas?
Porque será que os cortes sociais, a austeridade, os PECs ... com sentido neo-liberal (sim, porque poderia haver outro sentido para as medidas económicas de ataque à crise!) juntam sempre o PS ao PSD e ao CDS ?
Interroguem-se também pelo seguinte: quem é que apoiou ontem o discurso de Cavaco Silva ? Qual é então o sentido de uma "estabilidade" que só serve para impor políticas que nunca foram votadas ?



DE FACTO, A MOÇÃO DE CENSURA DO BLOCO DE ESQUERDA MOSTROU O SENTIDO DAS POLITICAS DO GOVERNO SÓCRATES E QUEM SÃO OS SEUS APOIOS NA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA E ATÉ NO PLANO DA CONCERTAÇÃO SOCIAL!



Preparemo-nos agora para a CENSURA que decorrerá nas ruas em 12 de Março e em 19 de Março!

terça-feira, março 08, 2011

8 DE MARÇO: AINDA UM CAMINHO MUITO LONGO ATÉ QUE MULHER E HOMEM TENHAM AS MESMAS OPORTUNIDADES!

imagem da CUT-Brasil
Todos os nossos dias, os exemplos de mulheres violentadas enquanto mulheres, enquanto trabalhadoras, enquanto cidadãs, dizem-nos que o capitalismo é uma das partes principais do problema que deve ser urgentemente resolvido para que os trabalhadores e os cidadãos não sejam diferenciados e discriminados por razões de sexo.

No Amor, na vida de todos os dias, nos espaços fechados de cada familia, no local de trabalho, nas autenticas lavagens ao cerebro debitadas pelas estações de televisão, ... , a Mulher continua a ser sempre depois do Homem ...

Mas o machismo que é cultivado ideológicamente pelo capitalismo, não tem encontrado melhores exemplos do lado dos países que se afirmaram ou afirmam "socialistas". Como também é preciso reconhecer que, do lado das esquerdas, os exemplos de subalternização (que é também violentação!) da mulher são mais que muitos ...

Diriamos que só em momentos de afirmação revolucionária é que Mulheres e Homens encontram uma igualdade que é fraterna, libertadora e sinónimo de Humanidade! Esses momentos encontrámo-los na revolução do 25 de Abril, em Portugal, como encontramos nos dias da resistência ao nazismo, em plena 2ª Guerra Mundial, ou nos dias das Revoluções russas e em Espanha, encontramo-los também entre as brisas revolucionárias de jasmim que percorrem, nestes dias, o mundo árabe ... A Humanidade forja-se em momentos de afirmação da solidariedade, da libertação e da plena democraticidade!

Há, de facto, um longo caminho a percorrer para que Mulheres e Homens caminhem lado a lado na construção de espaços de Humanidade! O 8 de Março, em cada ano que passa, é só uma chamada de atenção disso mesmo ...

quarta-feira, março 02, 2011

JORNADAS ANTI-CAPITALISTAS: HÁ ECONOMIA PARA ALÉM DA DITA "ECONOMIA DE MERCADO" ...

"A crise que atravessa o mundo não é um desastre natural nem um acidente de percurso. Faz parte, como outras que a precederam, dos próprios mecanismos do sistema capitalista em que vivemos. Quando os negócios perdem rentabilidade e os investimentos deixam de gerar os lucros necessários, a crise torna-se um pretexto para baixar salários, privatizar bens ou serviços essenciais (água, energia, saúde, educação), reduzir direitos e conceder mais privilégios aos privilegiados.

Depois de vários governos terem injectado fundos públicos (pagos pelo contribuinte) no sistema financeiro – para cobrir os prejuízos provocados pela especulação no sector imobiliário – o problema da dívida pública ganhou uma importância decisiva. Esse mesmo sistema financeiro cobra agora juros cada vez mais elevados aos Estados, pelos empréstimos de que estes necessitam para relançar as respectivas economias e assegurar o seu funcionamento. Os «mercados» procuram compensar as suas perdas através da dívida pública e os governos agem por sua conta, impondo políticas de austeridade e fazendo os trabalhadores pagar a crise.
A luta contra o pagamento da dívida é um dos elementos essenciais da resistência às imposições da alta finança mundial. Recusamos-nos a pagar para manter o capitalismo agarrado à máquina. Por todo o lado se formam grupos, movimentos e organizações para juntar esforços nesse sentido, superando o isolamento nacional e colocando a questão no plano internacional.

É tempo de começar a fazê-lo, também aqui."

(in, http://jornadasanticapitalistas.wordpress.com/)

segunda-feira, fevereiro 28, 2011

A PROPÓSITO DOS DOZE ANOS DO BLOCO DE ESQUERDA ...

Retenham sempre, nunca esqueçam, reforcem sempre essa ideia de um partido que também é movimento e que teve, tem e deveria sempre ter a ousadia de correr por fora ... trazer os movimentos sociais, as lutas sociais, o sentir das pessoas, que são trabalhadores, desempregados, precários, para a agenda que é preciso recuperar: a vontade popular não se esgota, nem é o parlamento, nem os partidos que lá estão!
Relembrem também que o Bloco de Esquerda concretizou como possível a convergência entre percursos diferentes à esquerda. Correntes, partidos, activistas convergiram na base de uma democracia interna que funcionou como motor de unidade. Essa democracia interna, doze anos depois, precisa de ser revigorada com o reconhecimento de novas pluralidades, de mais minorias, de mais correntes identificadas com tendências organizadas, … , afinal não é uma maioria, por mais avassaladora que seja, que é o fundamento do exercício da democracia interna!



O partido-movimento que é o Bloco de Esquerda é plural porque plural é o movimento social. Porque no curso das lutas sociais essa pluralidade consegue convergências decisivas. A pluralidade do Bloco de Esquerda é também o espelho das discussões necessárias, importantes e decisivas para um socialismo como alternativa de democracia, de liberdades e de exercício do poder por uma maioria social capaz de introduzir justiça e equidade nas políticas. Na discussão por uma alternativa ao capitalismo, a pluralidade acrescenta, não diminui, não subtrai!

O tempo que vivemos não é para “vanguardas”. É um tempo em que as respostas sociais e populares ao capitalismo e às injustiças precisam de novas formas de organização, a partir da iniciativa espontânea dos movimentos e das lutas sociais. A espontaneidade é sinónimo de combatividade acrescida, é sinónimo de transversalidades para convergências que ficam! O Bloco de Esquerda, como partido-movimento pode compreender e intervir nos movimentos sociais muito melhor, na quantidade e na qualidade.



Doze anos depois, o Bloco de Esquerda deve enfrentar um desafio decisivo: ter ambição de contribuir de uma forma decisiva para a definição e criação de uma alternativa de poder com sentido democrático, socialista e anti-capitalista. Uma alternativa política para uma maioria social que quer ter protagonismo na definição e execução de novos programas para novas políticas. Como força política e social da esquerda socialista, o Bloco de Esquerda pode e deve criar espaços de discussão para a afirmação dessa alternativa de governo. Uma alternativa que exige capacidade de convergências sociais e políticas em toda a área das esquerdas, mas também conseguindo agregar vontades provenientes de áreas mais à direita, como consequência da presente crise capitalista.



12 anos depois, o Bloco de Esquerda tem ainda um longo caminho a percorrer na busca de novas pluralidades convergentes num socialismo alternativo a todas as formas de totalitarismo e a todas as formas de dominação capitalista!

João Pedro Freire

quarta-feira, fevereiro 23, 2011

MANIFESTO: EM CADA ROSTO IGUALDADE ! (*)


Vivemos num mundo doente!

Doente, um mundo que circula indiferente perante Seres Humanos que vivem no chão da rua e comem de uma sopa nada mais que caridosa.

Doente, um mundo que assume como lei natural meia dúzia possuírem algarismos virtuais que os torna bem alimentados, bem vestidos, bem vividos, perante milhões de outros que, sem algarismos virtuais, sobrevivem de uma fome bem real.

Doente, um mundo em que a propriedade do Ter, roubou a dignidade de Ser.
Doente, um mundo que ajuíza o que cada um é pelo que cada qual possui, assim pretendendo fazer crer que entre seres iguais um possa ser mais e outro menos.

Não!
Não chegamos ao fim da História!
Porque o sabemos reclamamos um outro mundo!

Nós ousamos contrariar as regras com que nos tentam ajoelhar todos os dias.
Nós queremos construir um Mundo mais são, justo e digno para todos os seres.
Nós assumimos que o que nos estrutura enquanto Seres Humanos é a forma como vemos o outro.
E em cada rosto desconhecido, triste ou feliz, rude ou amável, amargo ou gentil vemos um Ser Humano Igual.



O Mundo que queremos é outro!
O que queremos é um Mundo de gente igual por dentro e gente igual por fora!
O Mundo que queremos é a Terra da Fraternidade - sentida, vivida e contada por José Afonso.
Em cada esquina um amigo
Em cada rosto igualdade

(*) Associação José Afonso

domingo, fevereiro 20, 2011

LOUÇÃ, KAFKA E A MOÇÃO ... uma resposta aberta a Mário Leston-Bandeira!

Caro Mário Leston-Bandeira,
(a propósito de “Louçã, Kafka e a Moção”, no seu blogue “A Bela Moleira”)


Mário Leston-Bandeira

Não concordo com o seu texto ...

Como é sabido, sou militante do BE e no BE tenho mantido posições criticas relativamente à maioria que tem dirigido o Bloco.
Essas posições críticas levaram-me, durante duas Convenções Nacionais, a integrar uma das correntes minoritárias, a Esquerda Nova. Neste momento, não integro nenhuma corrente interna ou qualquer Associação Política. Sou militante de base, só!
Sou militante do BE, o que quer dizer que, por isso, também sou solidário, para o bem e para o mal, com as acções do meu partido-movimento. Isso não quer dizer que não afirme sempre a minha opinião, mesmo que ela esteja em dissonância com a maioria ...



Também já tive oportunidade de estar com o Mário Leston-Bandeira, em discussões colectivas, não enquadradas partidariamente, mas que considero úteis e imprescindíveis ao espaço das esquerdas em Portugal. Não me arrependo e estarei sempre disponível para repetir...

Mas o texto do Mário Leston-Bandeira é, todo ele, orientado de uma forma crítica ao Bloco e com críticas que passaram a ser banais e comuns às que a direita e os seus comentadores de serviço também fazem...
Não, caro Mário Leston-Bandeira, o Bloco não é só o partido das ideias fracturantes. Além do mais é injusta essa crítica. O Bloco tem dado contribuições, nomeadamente na Assembleia da Republica, em muitas outras áreas da sociedade portuguesa. Nomeadamente na área da educação, do ambiente, da agricultura, das finanças, da saúde, ...

Nas presidenciais não apoiei nenhum candidato, nomeadamente Manuel Alegre. Bati-me contra Cavaco Silva, por uma 2ª volta, depois de ter apelado a uma candidatura unitária das esquerdas com um sentido democrático, socialista e anti-capitalista. Critiquei a posição da direcção política do Bloco de Esquerda. Mas, mesmo discordando profundamente dessa posição, ela representa a visão da direcção política do BE sobre os caminhos para a recomposição das esquerdas em Portugal, nomeadamente do espaço da esquerda socialista.

Pela minha parte, defendo também, até como consequência da actual crise, a reorganização/recomposição das esquerdas em Portugal. É minha opinião, que as consequências sociais da crise, terão reflexos determinantes no espectro político. É bem possível que a crise económica do capitalismo, crie novas correntes na crítica anti-capitalista e novas formas de organização do descontentamento social e político. Não sei se o actual quadro partidário conseguirá sobreviver às consequências da actual crise … Como activista estou atento e, por isso, não fico embalado com o discurso conjuntural, venha ele de onde vier …
Estou convicto que essa reorganização das esquerdas teve já, aqui há doze anos atrás, uma consequência política que foi a fundação do Bloco de Esquerda. Não vejo o aparecimento do Bloco, como algo nebuloso que tenha resultado da aliança, considerada “tenebrosa”, entre trotsquistas, estalinistas e desiludidos do PCP. O que eu tenho visto, é uma convergência muito interessante e saudável, entre correntes, que depois de caminhos divergentes, souberam, com base numa auto-critica profunda sobre os seus percursos anteriores, iniciar um processo de convergência inovador, mantendo, como base comum, uma matriz democrática, socialista e anti-capitalista.

É claro que nem tudo correu ou corre bem (e daí, algumas das críticas que tenho desenvolvido em matéria de democracia interna), mas o caminho que foi iniciado é marcante, inovador e continua actual.



Lembra-se DESTE P.S. ?
 Pessoalmente, o meu caminho foi iniciado no PS e na JS, onde procurei sempre manter um pólo de afirmação marxista. A minha chegada ao Bloco de Esquerda, logo na sua fundação, é também a busca de caminhos de convergência no reconhecimento da pluralidade que as esquerdas sempre tiveram, mas que nem sempre foi reconhecido por algumas das suas correntes.

Quando participei com o Mário Leston-Bandeira numa discussão sobre as Presidenciais, também foi no reconhecimento de que os caminhos da reorganização das esquerdas não têm só um sentido.

Muito frontalmente, caro Leston-Bandeira, qual tem sido, até ao momento, o contributo do Movimento “Nova Esquerda”, que, penso, ainda o integra, para a reorganização das esquerdas em Portugal e outras áreas de intervenção?

O Bloco de Esquerda surgiu também com o propósito de “correr por fora” em relação ao que faziam os partidos com assento parlamentar. Houve e continua a haver, no Bloco, uma preocupação de se tentar interligar os assuntos parlamentares com aquilo que é o sentir dos movimentos e das lutas sociais. E sempre que se sente uma quebra, um relaxe nessa vital interligação, há quem eleve a voz entre os bloquistas.
A reorganização das esquerdas não é algo decidido com régua e esquadro. Também não é determinado pelo que as direcções partidárias queiram. É determinado, isso sim, pelos movimentos sociais, pelas lutas sociais e pela expressão que a luta de classes vai adquirindo.

É minha opinião que a acção precede a organização e que a acção também condiciona a(s) organização(ões) existentes …
Qualquer corrente que queira intervir nessa reorganização não pode assumir-se, à la carte lenino-estalinista, como “a vanguarda” do quer que seja ou então como a encarnação de uma reorganização que ainda poderá vir a acontecer …

A actual crise económica ainda está no seu inicio quanto às consequências que terá no espectro político actual. E essas consequências resultarão sobretudo por via das lutas sociais e dos movimentos sociais. Nunca por causa do que se vai passando em matéria das ditas “agendas parlamentares” …

A Moção de Censura do Bloco de Esquerda faz todo o sentido, por aquilo que acabei de escrever … A contestação social que se sente na sociedade portuguesa não está directamente representada na Assembleia da República. Como que existe um filtro ao sentir social determinado pelas ditas “agendas parlamentares” … a imagem mais caricata é dada pelos partidos da direita parlamentar – PSD e CDS – que passam do discurso em que quase que “matam” Sócrates, para num esfregar de olhos, estarem-no cinicamente a apoiar na manutenção do governo … que afinal até tem políticas previamente negociadas entre PS e PSD!…



A Moção de Censura do Bloco de Esquerda mostrou quem, na Assembleia da Republica, apoia o Governo de Sócrates e quem é a sua oposição. E essa clarificação será importantíssima para quem se for manifestar no dia 12 de Março em nome da “geração à rasca”, para os Professores que também voltarão às ruas e para os que responderem ao apelo da CGTP para o dia 19 de Março.

Esta interligação entre a acção parlamentar e o que se faz no plano social, também contribui para a reorganização da política e do espectro político. Significa também que é absolutamente vital que o exercício da democracia não se esgote no seu afunilamento, por via só do representativismo, mas que seja refrescado pela prática da democracia participativa e directa.

Caro Mário Leston-Bandeira, não concordo portanto que a apresentação da Moção de Censura do Bloco de Esquerda seja um “jogo palaciano”. Um jogo desse tipo, seria condicionar a apresentação da Moção à negociação prévia com as direcções parlamentares, ignorando-se o sentir social …



Também sigo com muita atenção os ventos revolucionários que acontecem, em dominó, nos países árabes. Até me dei ao trabalho de apelar a uma concentração no Porto. Que se realizou com boa participação!
O exemplo da revolução árabe merece ser acompanhado e devidamente estudado. Nomeadamente quanto aos ensinamentos em matéria de espontaneidade social e de novas formas de organização. Mas também porque o que se passa na Tunísia, no Egipto, no Iemen, no Bahrein … não é só a luta pelas liberdades, é também e sobretudo a luta por justiça social contra um sistema, que é o capitalista, que, também nessas paragens, invade as sociedades com precariedade, com desemprego, com salários de miséria e com “democracias” de fachada …

Caro Mário Leston-Bandeira,
Mesmo discordando do que escreveu, agradeço a oportunidade para manifestar a minha opinião a propósito dessa discordância.
Aproveito para sugerir a organização de uma discussão colectiva sobre estes temas, envolvendo outras opiniões e outras vontades.
Saudações fraternas,
João Pedro Freire