tribuna socialista

quarta-feira, março 30, 2005

JORGE COELHO E O PS NAS AUTARQUICAS: ASPECTOS POSITIVOS DE UMA ENTREVISTA E OUTRAS CONSIDERAÇÕES


Para Jorge Coelho, coordenador do Partido Socialista para as eleições autárquicas, em entrevista ao "Acção Socialista", chegou a hora de se tratar das autarquicas.

A
entrevista refere alguns aspectos POSITIVOS daquela que será a acção do Partido Socialista para as próximas eleições autarquicas:

Sobre alianças, afirma que elas serão consideradas mas "exclusivamente à esquerda que é o que tem sentido, nomeadamente no actual momento político do país".
Sobre a escolha dos candidatos, considera que "temos uma combinação perfeita com as estruturas todas no sentido de que todos os candidatos têm que ter o apoio das concelhias, da federação e meu (Jorge Coelho), em representação do secretário-geral".
Sobre Matosinhos, o PS mantém a decisão de não candidatar Narciso Miranda ou Manuel Seabra. Considera que "agora, vai ser a Comissão Política a decidir quem é o nosso candidato a Matosinhos, tal como foi deliberado, porque o processo está avocado desde então por este orgão, ouvidas, como é evidente, a concelhia e a federação".
Sobre o limite dos mandatos dos autarcas, declara que o Governo "deve apresentar ao Parlamento uma lei de delimitação de mandatos que se palique aos autarcas, aos presidentes dos governos regionais, enfim, a cargos executivos, que que pessoas tenham um tempo máximo de permanência nos lugares de três mandatos."


Há, no entanto, uma questão importante que nunca é abordada. Mais uma vez! Não há respostas porque também não existem questões sobre este tema: quando é que os militantes foram, são ou serão chamados a pronunciar-se sobre quais os candidatos que representam o PS nos diversos níveis do poder autárquico? Continua a existir no PS um excesso de delegação de poderes, um deficite enorme do exercicio de democracia directa. E não se percebe que assim seja, se tivermos em conta que o PS até foi o primeiro partido a eleger o seu secretário-geral com o recurso ao sufrágio universal e directo dos seus militantes.

Porque razão os militantes não são chamados a escolher os candidatos a Presidentes das Juntas de Freguesia através de eleições directas nas secções de residência? Porque razão não há uma campanha interna seguida de eleição directa dos candidatos a Presidentes de Câmara? Porque razão é tudo isto delegado nas Comissões Concelhias ou até na Comissão Política Nacional?

Por exemplo, em Matosinhos, mesmo considerando como positivas as afirmações de Jorge Coelho quanto a este assunto, vai ser um exemplo a seguir atentamente o nome que será escolhido, quanto à sua representatividade local (é legitima a pergunta: como é que se poderá verificar essa representatividade entre os militantes socialistas matosinhenses?), quanto à sua inserção na vida do concelho, quanto ao seu passado e presente políticos e sociais, quanto ao programa de acção que proporá.

No que diz respeito aos principais concelhos do País, Lisboa e Porto, os candidatos com maiores probabilidades de serem apresentados, Manuel Maria Carrilho e Francisco Assis, respectivamente, são boas escolhas porque podem vir, também eles, representar, nesses concelhos, a continuação da dinâmica de esquerda iniciada em 20 de Fevereiro. E por continuação dessa dinâmica, entendemos capacidade para tornar viável e realidade um projecto convergente das esquerdas, além do PS, também o PCP, o Bloco de Esquerda e grupos e personalidades de esquerda que se queiram associar.
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MANUEL ALEGRE CANDIDATO A BELÉM?


A notícia vem no Público de hoje, mas será uma boa notícia ou sómente notícia de jornal?

Já não é a primeira vez que tal hipotese se coloca. Mas para que tal aconteça é preciso que o visado também aceite! E que, antes de outros, os socialistas adiram com entusiasmo!

Pela nossa parte, a nossa adesão é/seria imediata!

Afinal, vendo bem as coisas, será que Manuel Alegre não representaria políticamente o que aconteceu em 20 de Fevereiro passado: a expressão de uma vontade popular, plural e de esquerda?! e como isto será necessário no confronto com as previsíveis candidaturas de direita ...Posted by Hello

terça-feira, março 29, 2005

Um porta-chaves e um pin


Um porta-chaves em couro "TRIBUNA SOCIALISTA - Democracia & Socialismo" e um pin "Democracia & Socialismo" para tornar possível que este blogue volte a ter um equivalente mensal em papel!

Os pedidos podem ser feitos para jpmfreire@sapo.pt .
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O discurso único e totalitário sobre a Europa...


Um senhora já de alguma idade questionava-me sobre a chamada "Constituição Europeia" :"não sei o que é que vou votar no referendo sobre a Constituição Europeia. Ainda não vi ninguém a explicar-me o que se vai votar e qual o significado de uma Constituição para a Europa".

Independentemente da posição que se possa assumir perante a "Constituição Europeia", o que é mais dramático é a falta de informação e de debate que existe sobre esta matéria. Os responsáveis por esta situação são os partidos e os políticos que, desde a adesão à então CEE, teimam em apresentar a sua visão de Europa como a "única possível" e/ou a "única viável". Tudo o que se apresente como diferente do discurso oficial, tornado único, é logo apelidado como sendo "anti-europa"!

Os partidos e os políticos que querem impor agora o "sim" , demonstrando uma falta de espirito democrático e até tolerante quando impedem qualquer possibilidade de manifestação do "não", são os mesmos que impuseram um discurso único e totalitário sobre a Europa, não querendo perceber que a Europa que conseguiram é uma Europa onde a maioria avassaladora dos europeus não dá qualquer importância às chamadas instituições europeias e, nos actos eleitoriais europeus, absteem-se com taxas que são, em cada eleição, um recorde relativamente às eleições precedentes!

Esta Europa não é uma Europa construída pela participação democrática dos povos e dos cidadãos europeus. E só assim se explica que agora aquilo a que se chama "Constituição Europeia" tenha sido redigido por uma comissão que não foi eleita por ninguém. Qualquer português está lembrado do processo que levou à redacção e aprovação da Constituição portuguesa a seguir à Revolução de Abril: foram deputados eleitos democráticamente que redigiram e aprovaram a Constituição!

Os partidos e os políticos do discurso único e totalitário sobre a Europa continuarão a ser os únicos responsáveis por esta Europa gerida por burocratas e afastada dos povos e dos cidadãos.

Fazendo coincidir eleições autarquicas com o referendo sobre a "Constituição Europeia", o governo de José Sócrates só está a contribuir para uma Europa afastada da participação dos povos e dos cidadãos, só está a persistir numa realidade onde o debate e a participação democráticas não existe e chega a não ser permitido.

Quem se der ao trabalho de consultar mensalmente o orgão oficial do PS, o "Acção Socialista", tem aí um exemplo do que é a visão única permitida sobre a Europa: há sempre um suplemento sobre a Europa, onde o "sim" à Constituição é confrontado com o "sim" e argumentado com o mesmo "sim" ... Será que não há socialistas com uma visão diferente!!!
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sexta-feira, março 25, 2005

AS DAMAS DE HAVANA, de Daniel Oliveira


Totalmente de acordo com Daniel Oliveira e o seu artigo "As damas de Havana", na edição de hoje do Expresso.

Escreve Daniel Oliveira a propósito de trinta "damas de branco" que , esta semana, percorreram as ruas de Havana contra a repressão : "Há dois anos, o regime castrista, em apenas três dias, prendeu 75 opositores. Um mês depois estavam todos julgados. No total, 1475 anos de prisão. Não havia dúvidas: tratava-se de perigosos "mercenários ao serviço dos Estados Unidos". As suas profissões são as mesmas de muitos presos políticos em todo o mundo: jornalistas, escritores e intelectuais."

O que se passa na Cuba de Fidel Castro é algo que não tem nada a ver com socialismo, não pode ser referência para a esquerda e é um regime que não é alternativa ao vizinho imperialista que continua a impor um bloqueio terrorista.

É bom que se lembre que em Cuba há presos políticos, que em Cuba ser oposição não é sinónimo de "espiões americanos", que em Cuba há uma ditadura que se abate contra quem pensa e age de um modo diferente, seja à esquerda seja à direita.

Neste espaço, temos várias vezes citado a luta do Partido Social-Revolucionário Democrático de Cuba http://www.psrdc.org/ como um exemplo de uma oposição democrática e de esquerda à ditadura castrista. Visitem o portal do PSRDC !

Daniel Oliveira conclui o seu artigo:"Acredito que muitos dos opositores que, em Cuba, se batem contra Fidel Castro serão gente de direita. É normal. O que conhecem da esquerda não é lá muito animador. Mas são quem, no seu país, corre todos os riscos pela decência e pela liberdade. Para mim, chega e sobra. São a minha gente. Eles e as suas damas."

De acordo.

João Pedro Freire
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quinta-feira, março 24, 2005


Bruxelas, 16 de Março: 80.000 por uma Europa Social! Posted by Hello

Imagem de manifestação realizada em 16 de Março último em Bruxelas. Estiveram 80.000 pessoas. Posted by Hello

NÃO À "DIRECTIVA BOLKESTEIN" ! POR UMA EUROPA DEMOCRÁTICA E SOCIAL!!


NÃO À DIRECTIVA BOLKESTEIN! Não à liberalização dos serviços, defesa dos serviços públicos!

Imagem da manifestação realizada em Bruxelas no passado dia 16 de Março e que contou com a participação da CGTP e da UGT.

Será que não há mesmo relação entre a "directiva Bolkestein" e a chamada "Constituição Europeia" que consagra o liberalismo como sistema dominante e quase perpétuo (por 50 anos!!!) na Europa?

José Sócrates esteve muito bem quando criticou a "directiva Bolkestein", mas esteve muito mal quando elogiou Durão Barroso (será que o "ser português" é sinónimo de alguma qualidade política??) ou quando persiste em impor o "voto sim" à chamada "Constituição Europeia" sem prévio e amplo debate no seio do Partido Socialista.Posted by Hello

domingo, março 20, 2005

ISTO É "ECONOMIA DE MERCADO"; ISTO É ECONOMIA ASSENTE NAS EMPRESAS...

As primeiras páginas de hoje (Domingo) do Jornal de Notícias e do Público exibem dois titulos de notícias que são dois exemplos das consequências de uma economia assente nas empresas e no mercado. A chamada "economia de mercado" que muitos teimam em fazer crer como o único sistema "viável"...

Os cortes na chamada "despesa" social ao mesmo tempo que se consolidam os discursos sobre o "equilibrio das Finanças Públicas", são duas faces de uma mesma política que tem dado como resultados práticos o fecho das empresas e o aumento da fome.

A sacralização da empresa, tornada como o centro de toda a actividade económica, tem ignorado o trabalhador e a acção que os trabalhadores têm nessa actividade económica. A empresa, em si mesma, é algo de abstracto, é uma espécie de espaço que se anula pelo facto de nela existirem forças contraditórias. Mas no concreto da chamada "economia de mercado", a empresa é a negação do trabalhador (enquanto produtor e sujeito social) e a afirmação prepotente do patrão/empresário e dos seus interesses. O Estado e todos os seus orgãos tendem então a proteger os interesses dos "responsáveis" das empresas, olhando sómente depois e a um nível mais baixo para os trabalhadores.

É um pouco isto que se passa na Bombardier. Note-se no sentido da acção das forças políciais, note-se no sentido das hesitações do próprio governo.

Mas tal como já sucedeu noutras empresas afectadas pelas deslocalizações, muito pouca importância se dá à extraodinária capacidade dos trabalhadores que se mobilizam e auto-organizam para defenderem os seus postos de trabalho, para defenderem as máquinas que asseguram a produção, para defenderem a viabilidade das empresas de acordo com o conhecimento prático que têm da realidade produtiva, para defenderem também a coesão social dos espaços populacionais em que se inserem. Porque razão não é reconhecido a estes trabalhadores, capacidade de gestão, capacidade para dirigirem uma empresa?

Depois das deslocalizações, depois dos roubos da maquinaria, depois do drama mediatizado, mais ninguém se lembra do que aconteceu ... depois, o drama passa a ser a sua consequência, a fome!

Como já dissemos, as notícias do Público e do Jornal de Notícias espelham realidades endémicas à chamada "economia de mercado". Por isso, temos dito que no quadro desta economia, no quadro do liberalismo e do capitalismo, reformado ou remendado, não é possível o desenvolvimento e a aplicação de reformas e de políticas sociais sustentadas e profundas. Porque essas políticas e essas reformas precisam e alimentam-se também da participação e do contributo directos dos próprios trabalhadores. Não são obra de técnicos/tecnocratas, nem das chamadas "elites"...

Um governo de esquerda, como o do Partido Socialista, tem todas as condições para a recolocação das preocupações económicas. O centro da actividade económica deve ser o trabalhador, enquanto produtor e sujeito social. Naturalmente que isto obriga a uma redifinição profunda de todo o quadro legal existente. Impõe, por exemplo, acções que institucionalizem a participação dos trabalhadores e dos cidadãos a todos os níveis das empresas e da sociedade.

E um governo de esquerda deveria ter a coragem de aproveitar a capacidade de organização dos trabalhadores para planificar democráticamente a economia de acordo não com as necessidades abstractas do País, mas da maioria social.
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sábado, março 19, 2005

NÃO à "Constituição Europeia" JÁ É maioritário em França!


Uma sondagem publicada ontem em França, dá conta de uma maioria a favor do NÃO à chamada "Constituição Europeia".

53% das pessoas abordadas disseram NÃO à chamada "Constituição Europeia" cozinhada por uma comissão não-eleita presidida pelo liberal Giscard D'Estaing!

Relembramos que no referendo interno no PS Francês, o "Sim" somou 58.000 votantes contra 42.000 pelo "Não"!

Mas enquanto em França continua o debate, por cá, esse debate é evitado. Para cúmulo, o primeiro-ministro Sócrates propôs que o dia do referendo à "Constituição Europeia" coincidisse com o dia das eleições autarquicas. Evita-se o debate, confude-se alhos com bugalhos e apresentar-se-á o resultado como um "grande resultado de adesão à Europa". Que, no final, o povo continue a não entender o que se passa e o que se quer ... parece não ter importância!

Espantasoso é também verificar quem são os aliados do governo de Sócrates em matéria de Europa e de "Constituição Europeia": os derrotados partidos de direita, o PSD e o CDS!!!!!

No interior do PS, a direcção de Sócrates continua a confundir NECESSIDADE DE DEBATE e de CONFRONTO DEMOCRÁTICO DE OPINIÕES com a mais despodurada imposição de uma posição de "Sim" à "Constituição Europeia", através da edição de um suplemento no orgão "Acção Socialista" que mais parece um prospecto de publicidade de uma qualquer marca !!

É preciso que se diga e relembre que não há uma única visão de Europa. O que existe, neste momento, é a tentativa de fazer perpetuar uma Europa liberal e sem participação democrática dos cidadãos contra uma Europa Democrática e Social.
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BE RECUSA ALIANÇA COM PS PARA A CAMARA DO PORTO?

A notícia vem na edição de hoje do PÚBLICO. O Bloco de Esquerda, segundo o seu dirigente Teixeira Lopes, recusa a proposta (correctissima!) do Presidente da Federação do Porto do PS, Francisco Assis, para uma aliança PS/PCP/BE à Câmara do Porto porque "o BE não pode aliar-se ao PS porque não pode branquear a CDU, que sempre tentou branquear as políticas de Rui Rio". Teixeira Lopes acrescenta depois que é também obstáculo "o quadro de instabilidade do PS-Porto".

A ser verdade, esta posição do Bloco de Esquerda é uma perfeita demonstração de sectarismo. Parece também que o BE (será que os últimos excelentes resultados eleitorais subiram à cabeça dos dirigentes do BE que nunca estiveram habituados a verem-se como dirigentes de um partido de massas ?...) (re)começa a assumir-se como a "única força sem mácula", que caracterizou, noutros tempos do PREC, a postura de alguns dos seus actuais dirigentes!!

A ser verdade, esta posição do Bloco de Esquerda torna-o perfeitamente dispensável para qualquer acção unitária entre as principais forças das esquerdas em Portugal!

segunda-feira, março 14, 2005

SOCIALISMO LIBERTARIO: um periódico socialista libertário e revolucionário!


SOCIALISMO LIBERTARIO é um periódico socialista libertário e revolucionário. Saiu agora o número 2, de Março, e chama à primeira página a tragédia do tsunami no Sudoeste Asiático: nem esquecimento, nem resignação, uma resposta humanista revolucionária!

Socialismo Libertário é uma organização revolucionária. É uma proposta para todos os que se queiram colocar de forma activa na sua própria vida e no conjunto da Humanidade, para entender a prática profunda da dominação sistémica e construir uma alternativa global que a possa combater de raíz, preparando, dia a dia, a Revolução Socialista, Libertária, Internacionalista, Inter-étnica e Feminista, como primeiro passo para a auto-emancipação das mulheres e dos homens.

No número de Março, destacamos:
  • Reflexões da actualidade: 11 de Março, a memória e as perspectivas da sociedade solidária;
  • Vida Quotidiana: a análise de uma experiência concreta - El Carmelo - de auto-organização;
  • A tragédia, o esquecimento e o compromisso

Socialismo Libertário é editado em castelhano. Socialismo Libertário, a organização em si mesma, tem um portal em www.socialismolibertario.org

Neste momento, SOCIALISMO LIBERTÁRIO iniciou uma campanha internacional de auto-financiamento traduzida na compra do periódico por 5 Euros em vez do 1 Euro de preço de capa.

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sábado, março 12, 2005

(in, Público, 11 de Março de 2005)

Passou já um ano sobre os monstruosos atentados terroristas em Madrid. Milhares de anónimos espanhóis ficaram de luto! A Humanidade ficou também de luto. Como já tinha ficado com o 11 de Setembro, dois anos antes, em Nova Iorque.

Para quem participa activamente nos movimentos sociais por um outro Mundo, estes atentados só podem merecer rejeição, repúdio, condenação!

Mas, nas consequências que provocam, há uma reflexão que merece ser feita:
  • parece que estes atentados assentam que nem uma luva, à justificação da Administração Bush e dos governos semelhantes (como o de Blair e o de Berlusconni) por todo o Planeta, para atentarem contra as liberdades e contra os direitos democráticos e sociais. Atentam contra as liberdades, mas não se tem visto menos terrorismo ...
  • à custa destes atentados, os araútos da ordem belicista e liberal dominante continuam a fazer passar a sua teoria que associa a "terrorismo" e "terrorista" todos aqueles que lutam por mudança política, por transformação social;
  • à custa destes atentados, ficou ainda mais vincado um certo eurocentrismo agora numa vertente liberal, policial e belicista. Uma espécie de autentico totalitarismo global!
  • É preocupante que, apesar de todos os verbalismos e retóricas, os dirigentes socialistas e social-democratas da Internacional Socalista, continuem, na prática, a estar de cócoras perante a imperal administração norte-americana, mesmo na sua actual versão de extrema-direita.

O terrorismo é históricamente recusado pelos socialistas. Os socialistas participam e apelam à participação social em todos os movimentos consequência da luta de classes pela transformação social num sentido democrático e socialista.

O actual terrorismo é uma directa consequência de anos e anos de pilhagem e humilhação que a chamada civilização ocidental perpetrou um pouco por todo o planeta. Desde os tempos dos descobrimentos até às colónias africanas, asiáticas e americanas impostas pelos países ocidentais, não esquecendo os tempos mais recentes das acções imperialistas americanas ou das acções totalitárias dos estalinistas de Moscovo, o terrorismo sempre significou reacção desesperada e sem perspectivas ao poder imposto, quase sempre, pela via do terror, das armas e baseado na "lei do mais forte".

Este terrorismo que hoje sentimos é o reverso de uma mesma medalha onde existe também o terror imposto pelas invasões ou autenticas pilhagens perpetradas pelo poder imperial e belicista de Bush e dos seus seguidores.

O autentico levantamento popular que se seguiu, em Madrid, há um ano, aos atentados terroristas foi uma resposta social e popular pela verdade, contra a mentira sistemáticamente imposta pelos governos e pelos Estados, pelo direito de participação e decisão, ... e, lembrem-se, um governo mentiroso, pró-Bush, foi posto no olho da rua!

Em homenagem às vitimas do 11 de Setembro em Nova Iorque e às vitimas do 11 de Março em Madrid, lembramos esse levantamento popular que impôs a sua vontade pondo no olho da rua os apóstolos espanhóis do belicismo e do actual totalitarismo global!


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RIDÍCULO E PREOCUPANTE!!!


Absolutamente ridiculo e ... preocupante!

Ridiculo, a ser verdade, é o título de primeira página do Expresso de hoje: "Sócrates sossega Bush". Ridiculo, a ser verdade, que o primeiro-ministro socialista tenha de "acalmar" o imperial Bush devido à presença no governo socialista de um ministro que não deixou de ser de direita, só que se opôs (e bem!) à aventura belicista norte-americana e denunciou também a dominação da extrema-direita no governo de Bush.

Preocupante porque será possível que o primeiro-ministro de um governo do PS, com maioria absoluta, com uma posição de oposição às políticas belicistas e imperiais de Bush e da sua administração, tenha de "sossegar" a quem sempre se opôs? E o que é que quer dizer "sossegar" ? Será que agora no governo já não se oporiam à invasão do Iraque ou que não se oporão a uma (mais que previsível) invasão do Irão e/ou Síria?

A mudança política prometida por Sócrates também deve passar pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros, pelas políticas externas e internacionais e por um posicionamento de clara independencia e não submissão às Administrações norte-americanas.
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terça-feira, março 08, 2005

NO DIA INTERNACIONAL DA MULHER ...

BASTA !!

Um enorme BASTA é o que muitas mulheres sentem ainda hoje. À exploração do patrão, privado ou estatal, junta-se a exploração em casa! O capitalismo, mesmo sob a forma de moderna "economia de mercado" tem tudo devidamente organizado para que os direitos que a lei reconhece à Mulher se fiquem por aí ... pelo papel! E cria também uma organização patriarcal tal que a dominação da mulher se faça para além das estruturas empresariais.

No trabalho, em casa (aqui é indiferente a classe social que se considere!), na sociedade, há um enorme caminho ainda a percorrer até que não seja necessário eleger um dia num ano que dá pelo nome de Dia Internacional da Mulher.

Lembramo-nos das mulheres que lutam pelo direito ao trabalho, contra as deslocalizações, que lutam por salários condignos e iguais aos seus companheiros, que lutam pela revogação de leis caducas que penalizam/criminalizam quem teve de abortar, que são obrigadas a prolongar em casa jornadas de trabalho extensissimas, ...

Mas essa libertação das Mulheres tem de estar associada à libertação de todos os Homens de uma sociedade organizada de uma forma que aliena, cria dependência, explora, cria miséria e olha de lado para a participação cidadã ou trabalhadora!Posted by Hello

domingo, março 06, 2005

Campos e Cunha: tecnocracia a mais ???


Algumas considerações a propósito das declarações do futuro ministro de Estado e das Finanças do futuro governo Sócrates:
  • Para um ministro das Finanças de um governo socialista o conceito de "A contenção orçamental tem de ser feita centrada na redução e controlo da despesa" tem o mesmo significado quando era dito pelo ministro das Finanças de um governo de direita?
  • Será que a despesa com a Inovação e o Plano Tecnológico, será que a despesa com todas as políticas inerentes a um combate EFICAZ à pobreza têm a mesma incidencia nas Finanças Públicas com um ministro de um governo socialista e com um ministro de um governo de direita?

Ainda ontem afirmávamos neste espaço que o futuro governo Socrates tem um número algo exagerado de ministros com um perfil excessivamente tecnocratico e, desde logo, com inexperiência em acções concretas no plano político e social. Será que a intervenção de Luis Campos e Cunha na TSF não vem confirmar isso mesmo?

O que está em causa nas declarações do futuro ministro nem é ó possível aumento dos impostos. O que está em causa é a continuação do mesmo discurso quanto à "contenção da despesa" sem se explicar o que um membro de um governo socialista entende por "despesa". Continuamos a dizer que não há umá só forma de se enfrentar as despesas e as Finanças ... no entanto, se se quiser manter o mesmo quadro económico-financeiro, baseado na liberal "economia de mercado" então, aí sim, não há volta a dar. E um governo que se queria socialista e de esquerda passará a ser um mero sucedâneo de outros fórmulas governativas de direita...

Não queremos acreditar que isso possa vir a acontecer e, além do mais, a experiência histórica dos militantes socialistas não deixará que isso se repita!Posted by Hello

sábado, março 05, 2005

GOVERNO SÓCRATES: É PRECISO COMPETÊNCIA PARA PROVOCAR A MUDANÇA!


A vitória do Partido Socialista com maioria absoluta foi uma vitória de todos aqueles que quiseram dizer BASTA à direita no governo e às suas políticas liberais. É uma vitória que não pode ser descontextualizada de uma avanço generalizado das esquerdas. Ou seja, em 20 de Fevereiro último ficou muito claro que há uma maioria social que não quer só mudar de governo, quer sobretudo mudar de políticas. Há um enorme anseio para que as reformas democráticas e sociais voltem a estar no seu das preocupações do governo!

O Partido Socialista apresentou ontem o seu governo. José Socrates apresentou o seu governo como constituido pelos "mais competentes". Não está em causa a "competência" de qualquer membro do governo. O que está/estará em causa será a competência de cada ministro em cada ministério para implementar políticas que provoquem as mudanças que os resultados de 20 de Fevereiro exigiram!

A composição do governo, só por si, levanta, desde já, algumas dúvidas. Será que a presença de Freitas do Amaral é garantia de que o governo será de esquerda e com políticas de esquerda? Freitas do Amaral foi claramente contra a guerra no Iraque e a aventura belicista de Bush. Mas isso não chega para dar garantias de que, nos Negócios Estrangeiros, desenvolverá uma acção de esquerda. Chirac em França também esteve contra a guerra no Iraque e contra Bush e isso não o faz um "homem de esquerda". A presença de Freitas do Amaral revela, para já, que há um claro deficit de debate dentro do PS sobre quais as políticas internacionais que um governo socialista deveria implementar. Tem prevalecido uma visão que coloca o PS muito parecido com o que a direita defende. Como que há temas que permanecem como dogmas: a NATO, o "sim" à chamada "Constituição Europeia", o alinhamento (mais ou menos próximo) com as posições dos EUA, a mudança na rede de consulados e embaixadas, ...

É visível na composição do governo a predominância de entidades sem tradição de acção comprometida com políticas de mudança. Há um número algo exagerado de tecnocratas. Ao mesmo tempo que se constata também um número minimo de socialistas que se podem considerar comprometidos com uma linha mais de esquerda no PS. Não se conhecendo o concreto das futuras políticas, estes dados quantitativos motivam dúvidas quanto à qualidade política da futura acção governativa.

Manuel Alegre escreve hoje no Expresso sobre a "Responsabilidade absoluta" do PS quanto à formação do governo e às políticas que irá aplicar. Parece um artigo feito ainda antes de ter conhecido a formação do governo de José Socrates. Escreve: "Rigor nas contas públicas, sim senhor, mas guerra à pobreza, combate ao insucesso escolar, à fraude e evasão fiscais, novas políticas de emprego, nova geração de políticas sociais. E também: moralização da vida pública, guerra à corrupção". Pastas como as Finanças, a Economia, os Negócios Estrangeiros, a Saúde e a Educação terão muito a provar e a demonstrar que "José Sócrates e o PS podem mostrar que há uma diferença entre socialistas e conservadores" (Manuel Alegre)

Duas outras áreas em que o governo de Socrates tem de mostrar vontade de mudança:
  • Os lobbies, nomeadamente o financeiro e o do empresariado, não podem ditar leis a um governo socialista. As políticas de um governo socialista são ditadas por critérios políticos e sociais: devem lembrar-se sempre do compromisso com quem votou à esquerda pela mudança!
  • É fundamental o permanente diálogo social e à esquerda. Com a CGTP e a UGT. Com o PCP e o Bloco de Esquerda. Esse diálogo é imprescindível para que a maioria social que quer mudança se sinta representada no Governo e na maioria das esquerdas parlamentares.

A qualificação da democracia é outro caminho decisivo para o êxito do governo PS enquanto governo de esquerda. A participação cidadã a todos os níveis da sociedade e o direito dos trabalhadores intervirem nos sectores privado e público da economia serão manifestações de que a mudança estará a ser concretizada.

José Sócrates e o seu governo têm uma enorme responsabilidade. Responsabilidade por uma mudança clara e sem hesitações. Mudança que não poderá ser a repetição de políticas que falharam.

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quarta-feira, fevereiro 23, 2005

JOSÉ SARAIVA: HOMENAGEM A UM SOCIALISTA...

José Saraiva não resistiu à última luta que teve de travar ... Resistiu com a mesma determinação que lhe conheci desde os tempos em que militava na J.S. do Porto. Nestes momentos gostaria de acreditar que a vida continuará noutra vida ... por cá, seria bom, muito bom, que os bons exemplos, como o José Saraiva, servissem para ajudar a criar, a recriar, muitissimos mais bons exemplos ...

Tive muitas vezes opiniões diferentes das de José Saraiva. Mas habituei-me a ver no José Saraiva um camarada que gostava da livre troca de ideias, fosse dentro do Partido Socialista, fosse como jornalista.

Nas páginas do "seu" Jornal de Notícias, nas reuniões do Partido Socialista vou sentir a falta do José Saraiva!

A ETERNIDADE DE UM ANDARILHO ...

(Zeca Afonso em Azeitão, em Maio de 1985. Retirado de "Galiza a José Afonso")


Já foi há 18 anos que Zeca Afonso partiu ... É impressionante como esta data passa em branco olhando para a principal imprensa. Estão todos muito ocupados com o rescaldo das últimas eleições ...

Jorge Caetano relembra a eternidade de um andarilho...

A Eternidade de um Andarilho

Escrevia assim Viriato Teles, já lá vão vinte anos inculcados na nossa memória, e jornal Sete:
« Provavelmente, o mundo está mesmo às avessas! Anda um tipo como este Zeca a vida inteira a dar a voz e o corpo pelas causas dos outros, passam-se anos a fio de viola às costas a cantar as utopias sonhadas no dia- a – dia, e acaba tudo assim. Estupidamente, numa madrugada de chuva indecisa, como se nada tivesse acontecido antes, como se todo o passado não fosse um sonho longínquo
No entanto todos nós, que crescemos embalados pelo Menino de Oiro, pelo Vampiros ou pelo Natal dos Simples, que vivemos o êxtase colectivo da utopia e da esperança consubstanciadas em Grândola Vila Morena, ou em Venham mais Cinco, sabemos que é necessário guardar com um carinho especial o sentido das emoções e dos encantos profundos que o Zeca nos suscitou. Mas sabemos também, e para lá de tudo, que urge, nos tempos complexos que vivemos, tempos de recuo, de estrangulamento dos direitos daqueles que trabalham, das mulheres e jovens que são lançados para a sarjeta da sua existência social, manter viva sem hipocrisias, sem «proclamar hossanas em sua glória», o verdadeiro sentido da acção ética e cívica do Zeca. Esta traduz, e de um modo urgente deve projectar, para as gerações mais jovens, o símbolo mais autêntico e genuíno de tudo aquilo que se pretendeu construir nos «anos quentes» do processo revolucionário: a inquietação permanente face à desigualdade social, a denúncia implacável da injustiça e de todo o tipo de discriminações.
O legado de Zeca é provavelmente representa o que melhor materializa o espirito de Abril. Não se pretende com isto ter pretensão de ser hegemónico em relação ao verdadeiro significado do 25 de Abril: temos a consciência de aquele se fez de modo essencial para concretizar uma ambição essencial do Zeca: desmascarar «essa cambada engravatada e escolopêndrica» que continua a ser cada vez mais aqueles que de facto nos controlam, e materializar a possibilidade de ver realizada a «cidade sem muros nem ameias, com gente igual por dentro, gente igual por fora.»

Já perdi a esperança, por medo de cair na banalidade, de denunciar o modo como os poderes públicos, as estações públicas e privadas da televisão têm vindo a lidar com a memória cultural, cívica e política do Zeca. De facto já há mais paciência para a denúncia. Se no dia da sua morte me insurgi contra a hipocrisia que rodeou todos aqueles que fizeram a descoberta súbita de que o Zeca afinal era um democrata e um antifascista, hoje passados quase vinte anos sobre a sua morte perdi a paciência, ou dito de outro modo, interiorizei definitivamente a consciência que o que resta, e isto não é pouco nem fácil de concretizar, é denunciar uma sociedade que promove a sedução pelos «ouropapéis» e encantamento pelas «trombetas da fama». Face ao consumismo exacerbado, à «opulência decadente» que vigora, resta-nos, na esteira da memória do Zeca, fazer cumprir a dignidade com que o cantor sempre nos habitou: trata-se de resistir «aos encantos do poder e arredores.» Embora tenham comido tudo ou quase tudo, os vampiros não vão de certeza conseguir digerir o sonho que ainda comanda as nossas vidas.
Quero deixar ainda uma mensagem do Zeca aos mais novos, para os ajudar a compreender o modo como o regime fascista penetrava também no âmago dos afectos e dos desejos : «Eu sou do tempo em que os polícias andavam pelos jardins a ver quais os parzinhos enlaçados para lhes pedirem a identificação e os levarem para a prisão. É importante que estes putos novos saibam que o fascismo não era só um sistema político, mas que era também um modo de vida que nos envenenava a todos e conspurcava aquilo que havia de mais caro, mais imediato em todos nós....E que este tipo de «permissividade» que, apesar de tudo se vive hoje e a naturalidade com que hoje se encaram coisas que eram consideradas grandes pecados são dados resultantes do 25 de Abri.»

Finalizo esta modesta homenagem ao Zeca Afonso parafraseando Viriato Teles: « Olha lá, aqui mesmo a dois passos desta mesa de te recordo, há um pássaro a recolher-se da chuva que, teimosa vai caindo. Ou serão lágrimas? Seja como for, o pássaro é igualzinho a ti: por mais que tentem, ninguém consegue impedi-lo voar
Obrigado Zeca! Posted by Hello

domingo, fevereiro 20, 2005

MAIORIA ABSOLUTA DO P.S. ; IMPLACÁVEL DERROTA DA DIREITA!

E agora são precisas POLíTICAS DE ESQUERDA no Governo !

Maioria absoluta do Partido Socialista, impressionante derrota do PSD e do CDS e as ESQUERDAS com 60% no País!

(Projecções da RTP1)

PS 45 a 49%

PSD 25 a 29%

CDU 6 a 8%

BE 6 a 8%

CDS/PP 5 a 7%


Estão criadas as condições para que o Partido Socialista no Governo, o P.S., a CDU e o Bloco de Esquerda na Assembleia da Republica possam convergir numa acção que anule o que a direita estragou enquanto que goi governo!

Reformas sociais, recolocação da participação social e cidadã como uma das condições de qualificação da democracia, qualificação e consolidação dos serviços públicos, ponto final quanto às medidas liberais na economia, ... , é por isto que milhares e milhares, milhões votaram hoje pela MUDANÇA POLÍTICA!

NÃO DEIXEMOS FUGIR ESTA OPORTUNIDADE!

FOI CORRECTA A CONVOCAÇÃO DE ELEIÇÕES !

29% de abstencionistas!!
É a primeira prova de que foi CORRECTA a convocação de eleições gerais.

quinta-feira, fevereiro 17, 2005

APELAMOS AO VOTO NO P.S.PARA UM GOVERNO DE ESQUERDA COM POLÍTICAS DE ESQUERDA!


Apelamos ao voto no Partido Socialista, valorizando, no entanto, todo o voto que contribua para colocar a direita em minoria na Assembleia da Republica e no País.

Para derrotar a direita - PSD e CDS - que, para todos os efeitos, se apresenta unida quanto às intenções de formação de governo, é importante, diriamos mesmo decisivo, concentrar os votos no partido que, à esquerda, se propõe formar um governo alternativo. Neste sentido é importante que o Partido Socialista obtenha a maioria absoluta.

Não é, no entanto, dramático que a maioria absoluta do PS não seja conseguida SE a esquerda conseguir essa maioria na Assembleia da Republica e no Pais.

Há uma maioria social que quer por termo às políticas de direita, que anseia por um programa de profundas reformas sociais. Essa maioria social precisa de estar representada numa solução de governo alternativo à direita. Essa solução pode ser um governo PS com maioria absoluta ou pode ser um governo PS apoiado numa maioria dos partidos de esquerda representados no Parlamento. De uma forma ou de outra, as políticas não podem defraudar as expectativas de todos aqueles que ajudar a derrotar a direita. O que não pode voltar a acontecer é um governo de esquerda, como um do PS, implementar políticas ambiguas, políticas de conluio ou de cedência a lobbies.

Será importante que, em qualquer cenário pós-eleitoral, as esquerdas representadas no Parlamento saibam adoptar uma cultura de diálogo e com capacidade de afirmação quanto à implementação de políticas e acções que invertam o que a direita estragou nos últimos três anos.

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quarta-feira, fevereiro 16, 2005

RAZÕES PARA VOTAR POR UM GOVERNO DE ESQUERDA COM POLÍTICAS DE ESQUERDA!

7,1 %
A taxa de desemprego referente ao último trimestre de 2004.
A pior taxa de desemprego desde 1998...
Razões para colocar a direita em minoria. Razões para utilizar o voto para eleger um GOVERNO DE ESQUERDA COM UM PROGRAMA E POLÍTICAS DE ESQUERDA!
Santana Lopes preferiu atribuir a responsabilidade à dissolução da Assembleia da República. Paulo Portas considerou que se trata de uma situação comum ao que se passa a nível internacional ...
Pela nossa parte, não nos esquecemos das empresas que deslocalizaram a sua actividade e puseram milhares no desemprego ... Como não nos esquecemos que afinal estamos perante as consequências de um sistema internacional e nacional que dá pelo nome de capitalismo globalizado!
O desemprego vs inflação são as duas faces desse sistema que é INCOMPATÍVEL com reformas e políticas sociais!
Domingo, dia 20, há uma oportunidade para colocar a direita em minoria! Há uma oportunidade para eleger um governo de esquerda! Um governo do Partido Socialista, já que é, à esquerda, o partido que se tem afirmado como alternativa de governo ao governo do PSD e do CDS. Mas um governo do PS que saiba interpretar a maioria social que vai rejeitar a direita e quer reformas e políticas sociais!

quinta-feira, fevereiro 10, 2005

Despedimentos colectivos aumentaram em 2004: FAZ FALTA UM GOVERNO DE ESQUERDA!


Na TSF, hoje de manhã, um analista que é também do Diário Económico comentava que o aumento dos despedimentos dolectivos seria um sinal de uma economia que se quer tornar mais competitiva. Rematava mesmo afirmando que o Estado deveria também copiar ...

Ou seja, quanto às 95 empresas que eliminaram 848 postos de trabalho, quem parece ter razão, segundo o analista do Diário Económico, são os empresários que puseram no desemprego uns quantos que estavam a mais na engrenagem económica ...

Sobre as rescisões por mútuo acordo que diminuiram em 2004, o brilhante analista considerou que isso se ficou a dever ao facto dos sindicatos estarem a perder a capacidade de se entenderem com os empresários!!

O principal título da primeira página do Diário Económico exibe uma das facetas do capitalismo globalizado na sua versão nacional. Capitalismo que dá também pelo nome de "economia de mercado". Curioso é constatar que os analistas mostram claramente - defendendo ! - como funciona, segundo eles, como deveria funcionar a economia (de mercado). Defendem-no clara e abertamente, pois não estão em campanha eleitoral. Mas já do lado dos políticos em campanha, o capitalismo e os seus mecanismos, são sempre suavizados com o recurso a termos pouco claros como "economia de mercado" para não falarem de capitalismo, como "reformas antecipadas" ou "redução de postos de trabalho" para não falarem de despedimentos que querem executar ...

Com estes exemplos, estamos muito curiosos em saber como é que se conseguem implementar reformas sociais mantendo o quadro de uma "economia de mercado". Como se consegue "disciplinar" os empresários sem se defenderem rupturas que coloquem um ponto final a um quadro económico que permite deslocalizações, que permite abusos patronais, que permite evasões fiscais e que, ainda por cima, busca a sua maior dose de competitividade na prática dos despedimentos colectivos? Ou será que para se evitarem as necessárias rupturas se vão ressuscitar pactos com lobbies e com interesses instalados?

É uma questão que colocamos à direcção do Partido Socialista, enquanto militantes socialistas que somos. Preocupa-nos o que o PS fará num governo que queremos que seja alternativo ao da direita. Não nos preocupamos com a direita porque já sabemos o que ela fará!

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quarta-feira, fevereiro 09, 2005

Manuel Alegre desfaz equívocos ...


PARA DESFAZER EQUÍVOCOS é o artigo de opinião de Manuel Alegre inserido na edição de hoje do Público. É sempre uma opinião que se saúda, ainda por cima quando se trata de desfazer equívocos!

Manuel Alegre escreve que "É inútil congeminar novos blocos centrais ou alianças com o CDS/PP. Não passarão." Conclui escrevendo mais: "Convém que fique claro, para desfazer equívocos e para não perturbar a unidade que neste momento existe no PS em torno do objectivo essencial: derrotar a direita e lutar por uma maioria absoluta, uma vez que , nas condições actuais, é essa a solução que oferece melhores garantias de estabilidade para realizar a mudança de que o país necessita".

Mas porque será que Manuel Alegre teve a necessidade de desfazer equívocos? E quais eram os equívocos? Quem os criou?


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sábado, fevereiro 05, 2005

NO RESCALDO DE UM DEBATE ...


Quanto ao debate entre Santana Lopes e José Sócrates não tem qualquer interesse "saber quem ganhou" o debate. O que está em causa não é o resultado de um desafio de futebol ou de uma partida de pingue-pongue. Importa saber, isso sim, o que é que diferencia José Sócrates, enquanto candidato do PS a primeiro-ministro, de Santana Lopes, actual primeiro-ministro demissionário do demitido governo de direita.

E o grande drama político é que José Sócrates e o seu PS são a alternativa eleita pelos portugueses que querem pôr fim ao governo de direita, mas José Socrates e o seu PS não se conseguem diferenciar claramente das propostas da direita. Isso ficou visível no debate. Santana e Sócrates disputam o mesmo lugar por partidos diferentes mas com propostas que se localizam na mesmíssima matriz de pensamento. As propostas de ambos estão localizadas no âmbito da defesa da chamada "economia de mercado". E se porventura se tivesse discutido o que cada um pensa sobre a chamada "Constituição Europeia" , então as semelhanças seriam mais evidentes e de um debate passariamos a um programa de televisão com dois protagonistas a defenderem os mesmos pontos de vista.

Temos dito e mantemos, como socialistas que somos: o PS não é verdadeira alternativa à direita se insistir em repetir fórmulas que falharam e que levaram à sua própria derrota. E uma dessas fórmulas foram os governos de António Guterres. Um Partido Socialista enquanto governo não deve nem pode basear a sua acção governativa na permanente tentativa de conseguir equilibrios onde deveriam existir rupturas e coragem política. É verdadeiramente confrangedor ver José Sócrates basear quase todo o seu discurso político na defesa das políticas guterristas, como se fossem e alguma vez tivessem sido alternativa à direita.

José Sócrates deveria ter um pouco mais de respeito pela opinião de todos aqueles que votam PS, mesmo não sendo socialistas ou que deixaram de votar PS com Guterres, porque identificam, neste momento, o PS como a principal referência para se acabar com os governos de direita. José Sócrates não pode ver em cada voto que o PS receberá como um espécie de "cheque em branco" quanto às políticas que desenvolverá no governo.

No debate entre Sócrates e Santana, os portugueses, de certeza, que consolidaram a ideia de que os governos de direita e os seus primeiro-ministros NÃO SERVEM! Mas deverão ter alimentado alguma desilusão quanto à alternativa que José Sócrates protagoniza.

Como socialistas, temos algumas dúvidas quanto à fórmula "maioria absoluta do PS". Dúvidas que surgem em função de políticas que querem ressuscitar.

Votamos PS e apelamos ao voto no Partido Socialista! Mas preferimos que o PS tomasse a iniciativa, como partido maioritário da esquerda, de propor um acordo político pós-eleitoral ao PCP e ao Bloco de Esquerda, para se criarem condições políticas e de mobilização social para a mudança que se apregoa. José Sócrates e a sua direcção no PS deveriam reflectir sobre o significado do voto PS em muitas zonas do País: é o voto convergente da pluralidade da esquerda! E essa realidade merece estar espelhada num governo que quer realizar mudança política, social, económica e cultural. Um governo de esquerda com um programa e políticas de esquerda!

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ASSIM SE IDENTIFICA TRIBUNA SOCIALISTA - Democracia & Socialismo!


Uma pomba e um punho: Socialismo, Paz e Internacionalismo.

Uma forma de TRIBUNA SOCIALISTA - Democracia & Socialismo se identificar, recuperando bandeiras da esquerda socialista que não podem nem devem ser esquecidas ou desvirtuadas.

Somos um espaço socialista para o debate e a renovação do Socialismo. O Socialismo libertário como alternativa internacional e nacional ao capitalismo/liberalismo.

O simbolo que adoptamos foi a identificação do desaparecido Partido Socialista Popular de Espanha, do já desaparecido socialista Tierno Galvan. É também uma homenagem a um socialista!
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quarta-feira, fevereiro 02, 2005

CALENDÁRIO PARA 2005: mais 365 dias pelo Socialismo Libertário!


Um calendário TRIBUNA SOCIALISTA - Democracia & Socialismo para 2005 que pode ser pedido gratuitamente para jpmfreire@sapo.pt ou através de um comentário no final desta posta.

Posted by Hello

IRAQUE: A MENTIRA CONTINUA ...


(saiu numa edição da PÚBLICA, a revista do Público)

Eleições "livres" num país OCUPADO ? Pretendem enganar quem ? Querem legitimar a ocupação ? Querem justificar a próxima invasão ? Posted by Hello

terça-feira, fevereiro 01, 2005

Vital Moreira ensina cinzentismo político ...


Vital Moreira no seu artigo "Governos de Coligação" inserido na edição de hoje do Público, volta a estar imparável na demonstração do lado político que escolheu. Às vezes, não é preciso dar saltos como o que deu Zita Seabra, para se acabar por defender exactamente as mesmíssimas coisas ...

Para Vital Moreira parece existirem sómente duas posições políticas possíveis: ou o "marxismo-leninismo" que conheceu e praticou com a cartilha estalinista do PCP ou o capitalismo rebatizado de "economia de mercado". Nesta linha de pensamento, considera que quando o PS se aliou à direita estavamos perante "governos de salvação nacional", mas se se aliar à esquerda então estar-se-ia perante algo que "implicaria provavelmente não sómente o sacrificio de algumas das principais orientações do PS, a começar pela disciplina das contas públicas (...)".

Vital Moreira descreve o PCP e o BE como "partidos revolucionários" e, como tal, incompatíveis com o PS. Quanto ao PSD e ao CDS já não é tão drástico, admitindo "governos de salvação nacional". Elucidativo ... Sintomático !!!

O que dirá de tudo isto Manuel Alegre? Será que ainda coloca a José Sócrates a questão: com quem se aliará se o PS não tiver a maioria absoluta? Porque será que um governo dos partidos de esquerda não é também sinónimo de "governo de salvação nacional"?

Vital Moreira já abandonou o PCP há bastantes anos. Mas ainda não se livrou dos tiques dos tempos da "guerra fria". Continua a pensar que ou se é estalinista (que continua a confundir com socialismo e revolucionário) ou se é defensor do capitalismo e das suas formais formas de democracia.

Vital Moreira não tem acção política. Por isso desculpa-se algumas das considerações que faz! Limita-se a movimentar nos bastidores do Poder, olhando com distância e desconfiança para tudo o que seja movimento social. Tal como acção política pelo socialismo ou crítica ao capitalismo passou a ser algo que eliminou dos seus cinzentos referenciais!

Vital Moreira é mais um que se encarrega de descaracterizar ainda mais o PS e o que o PS fará como governo! Com "ajudas" destas, qualquer dia não se sabe onde é que o PS se diferencia do PSD e do CDS ...

Posted by Hello