tribuna socialista

sábado, outubro 07, 2006

20.000 PROFs DISSERAM NÃO ÀS POLÍTICAS DE SÓCRATES!

Boa imagem da manifestação de Professores, em Lisboa, em 05 do corrente.

Segundo a imprensa (a foto do lado foi retirada da edição de ontem do Público), 20 mil professores disseram NÃO às políticas da ministra Maria de Lurdes Rodrigues e do governo Sócrates.

Foi a maior manifestação de sempre de Professores, consequência também da unidade verificada entre várias organizações sindicais na sua convocação que souberam interpretar o descontentamento generalizado da classe.

Dias 17 e 18 deste mês a maior manifestação de sempre tem de dar lugar à maior paralização de sempre dos professores! Posted by Picasa

sexta-feira, outubro 06, 2006

CASAQUISTÃO: SOLIDARIEDADE COM OS MINEIROS EM LUTA

25.000 mineiros em greve por salários decentes e condições de vida.

Junto renvio apelo que recebi.

Desculpem mas com a preparação do Protesto Geral de 12 de Outubro (quero-vos lá encontrar) não tenho tempo de traduzir.

Um abraço solidário
Alternativa Socialista
Francisco d'Oliveira Raposo

Kazakhstan

25,000 coal miners strike over atrocious pay and conditions

Urgent international support needed!

Socialist Resistance (CWI Kazakhstan) reporters

Miners from the 'Coal Department' of the 'Mittal Steel Temirtau' company in Kazakhstan (a branch of the international corporation 'Arcelor Mittal') went on strike on 25 September. The workers' demand wage rises (currently there are only paid 250-300 US dollars a month), the lowering of the retirement age (with pay by the hour), and other requirements. The strike began after the death of 41 miners due to their mining equipment wearing out and because of the absence of decent work conditions. (For more information on miners' pay and conditions, visit: http://kazakhstan.socialism.ru/solidarity/2006/shahtersky_bunt.html (with electronic English language translation))

Every day, a mass meeting of miners from all 8 'Mittal Steel' mines take place at the Shakhtinsk city administration building (45 kilometers from Karaganda city). The miners are determined to go to the end to win their demands.

The strike began despite the "advice" of the official trade union (called 'Korgau') to the coal miners to not take militant action. Now the miners are trying to create structures from below. Socialist Resistance (CWI Kazakhstan) fully supports the miners and calls for fighting, democratic trade unions, and for the nationalisation of the mines and metallurgical industry in Kazakhstan.

This is the first miners' strike, on such a scale, since the Kazakhstan miners' disputes in 1989. Currently, 25,000 miners are on strike. The strike is also supported by workers in the Karaganda metallurgical industry, who have their own battles to fight. These workers held a mass meeting on 30 September, in Temirtau city, and demanded a 40% wage rise.

Moral and political support needed

The striking miners are taking courageous action and flexing their industrial power, but they need international moral and political support quickly. The official trade union leaders, and the local city and regional uthorities, try to divide the workers. Permanent surveillance of striking miners takes place. The government-run mass media constantly puts out misinformation and negative reports about the strikers.

We appeal for telegrams and letters of solidarity to be sent to the striking miners' 'unofficial' leader, Pavel Shumkin, who was well-known as a miners' leader during the 1989 strikes.
Contact Pavel Shumkin at: Loboda St., 13, Apt. 49, 100000, Karaganda, Republic of Kazakhstan. Phone ++7 3212 41 36 04, mobile ++7 705 574 75 91.
Or email letters of support to: pshumkin@yandex.ru.
Please send copies to 'Socialist Resistance (Kazakhstan), email: kri-ainur@mail.ru and ainur1917@yandex.ru.
A solidarity fund for the striking miners is established. More information about the fund will be published on www.kazakhstan.socialism.ru.
We also ask you to contact trade unions in other 'Arcelor Mittal' plants in 16 countries across the world. These include plants in the Czech Republic, Canada, and the USA. Arcelor Mittal's policy of brutal labour conditions and low pay is also practised at the 'Krivorozhstal' company, in the Ukraine, and in Romania.
An explosive situation is developing in the Kazakhstan mines. A wave of strikes, and the appearance of new fighting trade unions, can sweep the country, especially if the present miners' dispute is won. Socialists, trade unions and activists everywhere must support the miners in Kazakhstan. Only through solidarity and by common struggle can we defend our rights and win real victories!

PS: um partido de governo com militantes adormecidos ou silenciados?

O PS (Partido Socialista para os militantes, mas só PS para a direcção...) vai ter mais um Congresso Nacional.

Dois anos de governo Sócrates (o secretário-geral e primeiro-ministro) dão para o próximo Congresso, um candidato à (re)eleição de secretário-geral e três moções globais: uma que é do secretário-geral, outra afecta a Manuel Alegre (mas que não aparece!) e Helena Roseta e outra afecta a um grupo chamado "Margem Esquerda".

A moção apresentada por Helena Roseta tem estado a contestar a falta de debate existente no PS e os obstáculos administrativos para impedirem a sua discussão no Congressso. Mas, se é assim, porque razão não vão mais além, apresentando candidato alternativo a secretário-geral e listas alternativas para os orgãos dirigentes?

O que ressalta para quem vê a preparação deste Congresso de fora, é o aparente adormecimento dos militantes socialistas. Será que não há socialistas que se opõem ao que se passa na Educação, ou na Saúde? Será que a acção do governo não merece nenhum reparo da parte dos socialistas? Será que (já) não há espaço para uma discussão ideológica, bastando a posição dos sócraticos de que tudo está bem nessa matéria?

O PS parece um partido normalizado, burocratizado e feito à imagem do seu actual líder. Parece mais um partido de apoio ao governo (ou uma correia de transmissão do governo, como se caricaturizavam outras forças noutros tempos ...) do que um partido de militantes criticos e conscientes do seu posicionamento democrático e socialista. Diriamos que também no PS a orientação totalitária do liberalismo está a colher os seus frutos ... o que é muito mau para a definição de uma alternativa socialista!

quinta-feira, outubro 05, 2006

PROFESSORES: AFIRMAÇÃO PELA DIGNIDADE PROFISSIONAL!

Os professores manifestaram-se em Lisboa contra as políticas populistas e neo-liberais do governo Sócrates. Sendo ou não a maior manifestação de sempre de professores, foi uma afirmação clara de uma parte dos trabalhadores da função pública contra políticas que reduzem tudo a números, estatísticas e argumentação populista ...

As reformas na educação são reclamadas, desde há muito, por professores, estudantes, encarregados de educação e trabalhadores ligados áquela área. Não foi a actual ministra que descobriu (!?) a necessidade dessas reformas. A actual ministra repete formúlas antigas para resolver (?) o que nunca foi resolvido sem a participação activa e paciente de todas as partes envolvidas.

A ministra da educação só tem um caminho a seguir: sair pelas traseiras do ministério (repetindo o que já fez!!) ... para não ter de enfrentar a oposição dos que querem ter intervenção activa nas reformas urgentes para a educação e a escola portuguesa!

A bem da Escola Pública ...

5 DE OUTUBRO: QUE REPUBLICA QUEREMOS?

5 de Outubro é dia de comemoração da implantação da Republica em Portugal. Implantação da Republica contra uma Monarquia caduca, caceteira, corrupta e, como sempre, não representativa.

A implantação da Republica teve muito de levantamento popular. No entanto, as comemorações nos nossos dias não têm nada a ver com isso. A Republica em 2006 diferencia-se muito pouco das monarquias.

A Republica em 2006 é também pouco representativa, é muito formal e a "casa real" parece que foi substituida pelas diversas"casas partidárias". Nas comemorações republicanas, todas essas "casas" se juntam parecendo que todos comungam do mesmo ideário republicano!

Tal como esta democracia é formal, não representativa, afunilada e burguesa, também a republica o é. Com esta democracia tanto dava a republica como a monarquia!!

O levantamento popular e republicano de 1910 e a revolução de Abril de 1974 precisariam de ser repetidas para que REPUBLICA e DEMOCRACIA pudessem ser REFUNDADAS com a participação e a vontade daqueles que têm ficado à margem do formalismo imposto pela democracia parlamentar e liberal!

As comemorações oficiais do 5 de Outubro são anti-republicanas e têm cheiro monarquico!

segunda-feira, outubro 02, 2006

BRASIL: O PT deixou de ser alternativa ... mas não tem alternativa!

Não ter sido reeleito logo à 1ª volta nas eleições brasileiras, prova que o PT (quanto tempo mais durará esta sigla?...) deixou de ser uma alternativa popular embora não exista nenhuma alternativa!

Lula, tal como tantos outros dirigentes de partidos de esquerda na oposição e liberais no governo, por este Mundo fora, foi claramente penalizado por um mandato no qual ele e o seu partido se viram no meio de escandalos e mais escandalos.

O PT é hoje um partido que só se diferencia da direita, porque ainda possui uma imensa base social popular que continua a querer uma outra sociedade. Nas políticas económicas (que acabam por condicionar tudo o resto), o PT resvalou para o liberalismo embora pintado, aqui e ali, por algumas pinceladas com preocupação social (exemplo: o programa contra a fome).

Lula foi eleito, no seu primeiro mandato, contra Fernando Henrique Cardoso e as suas políticas. No entanto, hoje em dia, Lula é apologista de políticas que seriam subscritas por FHC...

Lula faz o que faz habitualmente a social-democracia (como a de Sócrates em Portugal): discurso de esquerda na oposição, políticas de direita no governo com algum populismo inconsequente ...

Geraldo Alckmin (candidato do PSDB, mas tão social-democrata como Marques Mendes...), à direita, e, Heloísa Helena (candidata da Frente de Esquerda e militante do Partido Socialismo e Liberdade), à esquerda, não conseguem ser vistos como alternativas. Alckmin seria o acentuar do pior do que de mau já vão tendo as políticas de Lula. Heloísa é muito, ainda e sómente, uma espécie de anti-Lula, sem conseguir afirmar quais as políticas de esquerda e socialistas que implementaria.

As eleições brasileiras exibem também (tal como outras eleições noutros pontos do planeta) a incapacidade da democracia liberal para dar respostas a partir da mobilização e do empenhamento populares e cidadão: as crises e os escandalos são sempre resolvidos (!?) à margem e fora do alcance das pessoas ...

Na nossa opinião as eleições brasileiras pouco mudarão a vida das pessoas ... Mas numa 2ª volta não será indiferente, apesar de tudo, o voto em Lula ou em Alckmin. Se fossemos brasileiros, votaríamos em Lula, ficando atentos às suas futuras acções, políticas e ... escandalos!

sábado, setembro 30, 2006

ABORTO: A DIREITA DESCOBRIU A FORMULA "SPREAD 0% PROMOCIONAL" ...

De acordo com o Expresso de hoje, a direita descobriu uma nova formula para que continue tudo na mesma ... no futuro ... com a interrupção voluntária da gravidez (o aborto). Paulo Portas, Marcelo Rebelo de Sousa e Zita Seabra preparam-se para despenalizar mulheres com processos judiciais para depois manterem o actual estado perscutório, proibicionista e classista relativamente ao aborto.

Vem aí referendo sobre mais um referendo e parece que Sócrates e o PS terão uma posição um pouco mais interveniente que nos tempos de António Guterres. No entanto, é bem possível que antes dos dirigentes & ministros do PS fazerem a sua campanha, farão uma série de declarações políticas no sentido de se posicionarem no "parece que sim, mas nem por isso"!

A Igreja, através do Conselho Episcopal, também fará uma mudança de ... cosmética! Aquele orgão episcopal não tomará posição ... mas os senhores padres, em cada paróquia, desenvolverão acções de consciencialização do seu rebanho ...

Não se sabe qual a posição do lobby médico. Principalmente aquele que controla hábilmente o que se faz nos hospitais, independentemente do que diz a lei! Será que anunciarão declarações de objecções de consciência?...

Esta questão do direito à interrupção voluntária da gravidez é também um problema de qualidade do exercicio da democracia. É também um problema de saúde pública. Uma questão que continua a revelar a sensibilidade classista desta democracia. Daí que as diversas direitas - que nestas ocasiões se sabem unificar... - tenham agora descoberto a fórmula do tipo "spread 0% promocional" ... porque spread, tal como no crédito à habitação sempre existirá, e aqui sempre advogarão um sistema penalizador, repressivo e persecutório!

quarta-feira, setembro 27, 2006

LAICIDADE: Conferência da Associação República e Laicidade


A associação R&L, acedendo ao simpático convite que lhe foi endereçado pelo Cube UNESCO da cidade do Porto, estará presente, na próxima sexta feira, com uma intervenção de Luis Mateus, no ciclo de conferências sobre Religião e Sociedade que aquela agremiação está a levar a efeito.

A entrada é livre e aqui fica endereçado o convite a quem quiser/puder assistir.

Com as nossas saudações republicanas e laicas,
aqui deixamos também o texto de apresentação da iniciativa:

Independentemente da opinião pessoal de cada um, eminentemente respeitável, é forçoso reconhecer que estes últimos trinta anos trouxeram á sociedade portuguesa uma vasta pluralidade religiosa.

A um tecido inicial católico, agnóstico ou ateu e onde judeus e anglicanos constituíam aves raras, juntaram-se inúmeras correntes de tradição protestante. A descolonização reforçou o peso dos muçulmanos e hindus. Começámos igualmente a apercebermo-nos da presença budista e da bahá’i. A emigração do leste europeu trouxe consigo a componente ortodoxa.

E é inegável que as convicções religiosas ou não religiosas de cada um, mais ou menos secularizadas, se tornaram um factor de agregação, que o respeito pelos princípios constitucionais da liberdade religiosa, de associação e de culto, tem permitido compatibilizar.

Mas é evidente que a coesão social da sociedade portuguesa, fruto da solidariedade de gerações e todas as suas múltiplas componentes, necessita para se reforçar e vencer as eventuais tensões que a sua diversidade pode gerar, que saibamos criar condições para vencer tais desafios.

Como criarmos laços, sem nos conhecermos ? Sem nos expormos, sem falarmos e sem nos tentarmos perceber uns aos outros, no que temos de muito intimo ?

Por isso, organizámos no nosso Clube Unesco um ciclo de conferências sobre Religião e Sociedade que visa tornar os nossos associados senhores de um conhecimento que pode ser uma alavanca para a Paz, sem adoptarmos qualquer posição de capela.

Assim, no próximo dia 29 de Setembro de 2006, pelas 21H20 realiza-se no salão nobre do Instituto das Artes e da Imagem á Praça Coronel Pacheco, 1 (Antigo Colégio Almeida Garrett) mais uma Conferência, desta feita sobre a questão da Laicidade, pelo Dr. Luís Mateus, Presidente da Associação República e Laicidade.

Convidamos os nossos associados e amigos a comparecerem na certeza de que as questões a serem abordadas são actuais e prementes.

REPÚBLICA e LAICIDADE - associação cívicamensagem enviada por Luis M. Mateus

domingo, setembro 24, 2006

SOARES & CARLUCCI: aprender com a História ...

A edição do Público de Sábado (23 do corrente) deu grande destaque ao (re)encontro de Mário Soares com Frank Carlucci. Titulavam a notícia com um pomposo "Reencontro com a História" !

Mário Soares e Frank Carlucci são apresentados como tendo sido os responsáveis pelo triunfo, em Portugal, de uma democracia de tipo ocidental contra a tentativa de imposição de uma ditadura de tipo soviético. Juntos teriam conseguido convencer Henry Kissinger (o então secretário de Estado de Nixon) que já tinha dado Portugal como perdido para a órbita soviética.

Estamos a falar de Portugal em 1975, um ano depois do 25 de Abril. Estamos a falar de um momento em que se assistia a grande mobilização popular. Se assistia à tentativa de construção de uma democracia que não fosse sómente formal. E é verdade que nessa mobilização popular, decorriam também intensos debates sobre o melhor caminho a seguir. Houve, de facto, correntes políticas que queriam reeditar modelos originaram deformações totalitárias noutras experiências revolucionárias. Como existiam outras que pugnavam por genuínas formas de poder democrático dos trabalhadores, pela criação condições directas para o exercício da vontade dos trabalhadores e dos cidadãos.

À margem dessa mobilização popular, à margem do debate democrático, decorriam também tentativas para o fim dessa mobilização e o abafamento desse debate. Mário Soares e Frank Carlucci personificaram uma dessas tentativas. E, de facto, conseguiram triunfar.

Mário Soares, então secretário-geral de um Partido chamado Socialista, trinta e um anos passados, é, de facto, um dos principais coveiros da Revolução portuguesa, enquanto experiência que apontou para um caminho de democracia socialista.

Hoje, alguma retórica radical do discurso de Mário Soares é insuportável para quem tenha vivido fortemente os tempos de 1975. Todos sabíamos que Carlucci nunca esteve interessado em qualquer processo revolucionário em Portugal. Para ele chegaria que Marcelo Caetano se tivesse convertido à democracia. Como tantos do seu regime fizeram ... Mas, quanto a Mário Soares, trinta anos depois, dá para ver quais as reais responsabilidades deste dirigente de um partido formalmente de esquerda no triunfo do liberalismo em Portugal! Meteu um dia o socialismo na gaveta e hoje ainda tem a distinta lata de se fazer exibir com o representante de uma Administração norte-americana que ostensivamente obstruiu a vontade de mudança de portuguesas e portugueses, como tinha já assassinado no Chile outra vontade de mudança e um Presidente eleito ... Posted by Picasa

sábado, setembro 23, 2006

UM PROBLEMA DE DEMOCRACIA ou ESTA DEMOCRACIA É MESMO ASSIM?...

Com a eleição de Cavaco Silva para a Presidência da Republica começa-se a assistir, aos poucos mas de uma forma sustentada (!), à institucionalização de uma espécie de bloco-central-não-existente-mas-influente!

O Presidente é Cavaco, o Primeiro-Ministro é José Sócrates e Marques Mendes, do PSD, uma presença constante nos Acordos que se vão estabelecendo.

Tivemos o Acordo sobre a Justiça, mais recentemente a escolha do novo PGR (Procurador Geral da Republica) e, em breve (a avaliar pela continua pressão dos PSDs Cavaco & Marques Mendes), teremos mais um Acordo sobre a Segurança Social.

É claro que ninguém votou em tais cenários, até porque esses cenários nunca foram a votos. São cenários que nunca foram a votos, mas os seus autores - Presidente, Governo e PSD - passam a vida a falar em nome de quem nunca foi chamado a pronunciar-se sobre isso: as portuguesas e os portugueses!

É nisto que tem estado a transformar-se este modelo de democracia crescentemente formal e sem qualquer controlo por parte dos próprios eleitores (se quisermos falar só de uma parte, a decrescer, de um todo - eleitores, cidadãos e qualquer uma ou um que viva neste espaço nacional em que estamos - que tem todo o direito a manifestar opiniões e vontades!). O voto elege representantes que só o são no preciso momento em que são eleitos. Depois, durante o período das chamadas legislaturas, os eleitos respeitam os directórios partidários e/ou então as suas próprias cabeças.

A democracia representativa é um exercício de mandato em branco. O mandato dos representantes eleitos para o aparelho de Estado - Presidencia, Governo, Autarquias - acaba por se tornar num exercício de poder não controlado durante o qual uma percentagem muito reduzida tem a ver com os programas apresentados durante as campanhas eleitorais.

Os Acordos celebrados entre governo e maior partido da oposição parlamentar, com a benção do Presidente da Republica, são um exemplo do que afirmamos. As diversas partes participantes nesses Acordos falam em "interesse nacional", mas, é claro, que ninguém sabe a que "interesse nacional" é que se referem. O que se sabe é que esses Acordos contribuirão, ainda mais, para o alheamento de todas e todos da chamada vida democrática.

quinta-feira, setembro 21, 2006

Compromisso Portugal: compromisso patronal pelo liberalismo!

É a segunda vez que se reunem. Patrões, ex-socialistas desde sempre liberais, ideologos de direita, aspirantes a ministros de políticas liberais, ... , reunem-se para pressionarem o Presidente da Republica, para pressionarem o governo Sócrates, para influenciarem uma lógica ainda mais capitalista na sociedade portuguesa.

Repetem sempre as mesmas receitas: liberalizar, desregulamentar, privatizar, despedir/dispensar. Mas conseguem sempre, enquanto reunem, exposição mediática ... como se o que dissessem e propusessem fosse inovador!

Os principais mentores do dito "Compromisso Portugal" são também os principais responsáveis por atropelos aos direitos laborais nas empresas que dirigem. Aliás defender "direitos laborais" é para estes comprometidos patrões algo que não é moderno nem rentável ...

Não criticam José Sócrates pois vêm no primeiro-ministro alguém de uma "esquerda moderna" que, com um bocadinho de jeito, ainda virá a participar como um membro activo do "Compromisso Portugal". Não andaremos muito longe da verdade se especularmos que Sócrates deverá preferir o diálogo com os dirigentes do "Compromisso Portugal" do que com os trabalhadores militantes do PS que andam preocupados e revoltados com os pontapés que o governo vai dando no Serviço Nacional de Saúde ...

O "Compromisso Portugal" não vai a votos nem tem deputados, mas sabe que controla o poder económico-financeiro que vai controlando crescentemente o poder político ...

Tomara que os sindicatos, as comissões de trabalhadores, os partidos e grupos das esquerdas tivesse a necessária clarividência e coragem políticas para organizarem e realizarem um Compromisso Socialista que conseguisse dar um outro curso nos planos económico, social e político!

quarta-feira, setembro 20, 2006

MANUEL ALEGRE: o que fazer com um milhão de votos ? ...

Manuel Alegre parece, em cada nova afirmação/intervenção pessoal que faz, que não sabe como é que se deve posicionar: como deputado do PS ou como deputado independente ou como dirigente do MIC ou como ex-candidato presidencial ...

Mas em qualquer uma das referidas posições, Manuel Alegre tem um enorme problema por resolver: o que fazer com um milhão de votos ou com os milhares de militantes do PS que o queriam como secretário-geral ...

Intervindo no "Clube dos Pensadores", Manuel Alegre fez uma afirmação (citamos a edição de hoje do Público) que revela muito quanto às suas permanentes hesitações imobilistas: "O PS está no poder, tem um secretário geral que é o primeiro-ministro e é natural que seja dificil que haja outro candidato a secretário-geral. Compreendo que não haja, mas também é possível que haja, não sei. Eu não serei com certeza" ...

É natural que não haja outro candidato a secretário-geral para além de Sócrates? Compreende que não haja outro candidato remantando, logo de seguida, que ele não vai ser esse candidato?!? ...

O que é que já fez Manuel Alegre para organizar os seus apoiantes? Quer os militantes do PS quer os que votaram na sua candidatura presidencial? Quantas vezes Manuel Alegre foi claro e objectivo quanto ao que pretende fazer, social, politica e culturalmente com todos os seus apoiantes?

Manuel Alegre lá vai pronunciando declarações sobre a "asfixia dos directórios partidários" ou sobre os "bloqueios da democracia representativa" ... mas, de e em concreto, o que é que Alegre tem feito ou aponta para fazer no futuro?

Como que Alegre fala, fala e fala sem intervir ou então resolve intervir sem se expor, como faz no MIC ... perante isto o que têm a esperar um milhão de mulheres e homens que um dia acreditaram em Manuel Alegre?

domingo, setembro 10, 2006

DEPOIS DE 11 DE SETEMBRO DE 2001 ... FICOU UM MUNDO DE TERROR ...

Cinco anos depois do 11 de Setembro de 2001, o Mundo que ficou é crescentemente uma realidade formatada pelo terror ...

De uma vez e ao mesmo tempo, como que ligados, até coordenados, surgem ondas de terror criadas por fundamentalismos e fundamentalistas de toda a espécie e outras criadas por Estados e lógicas de dominação imperial do Planeta.

Estas ondas gémeas do terror têm vindo a minar e a destruir, de uma forma sistemática, vivências de liberdade, de direitos democráticos e sociais, de tolerância ... para manterem a ordem totalitária e securitária que querem manter e perpetuar, com uma dimensão globalizante, fazem por identificar movimentos que procuram mudanças sociais como sendo "os terroristas" ...

De um lado e do outro, as duas faces dominantes do terror pós-11 de Setembro, continuarão a ser os únicos responsáveis por mais destruição, mais guerra, mais miséria ...

Estamos novamente num tempo em que a escolha é SOCIALISMO OU BARBÁRIE!

sábado, setembro 09, 2006

VENEZUELA: Hugo Chavez cada vez mais caudilho!

Se fossemos venezuelanos nunca votaríamos Hugo Chavez !

Mesmo afirmando que pretende uma Venezuela "socialista", Chavez é muito mais amigo dos presidentes do Irão, da China e da Coreia do Norte do que é "socialista" ...

Chavez é também muito mais habilidoso na troca de petróleo por armamento do que é "socialista" ... mesmo que a sua retórica "anti-imperialista" seduza alguns sectores da esquerda que não conseguem viver, nem pensar, nem agir sem a existência de um qualquer "sol" ou "vanguarda" iluminada!

Não votaríamos Chavez, mas não apoiariamos aqueles que na Venezuela acabam por se limitar a cumprir ordens do Presidente norte-americano. Ser anti-Chavez condimentado com uma economia a saque do imperialismo norte-americano é o programa da oposição local a Chavez. Mas a alternativa a isto não está num Chavez que nunca deixou de ser caudilho.

A alternativa está na iniciativa popular, anti-capitalista e de afirmação socialista dos trabalhadores venezuelanos que estão fartos, cansados de não terem capacidade de decisão sobre os destinos da Venezuela!

quarta-feira, agosto 30, 2006

PRIORIDADE AO MILITAR ... O SOCIAL QUE ESPERE!...

O Ministro da Defesa anunciou que um contingente de militares portugueses integrará a força com mandato das Nações Unidas no Líbano.

Os "porques" do Ministro falaram em "responsabilidades" do Estado português no quadro da ONU e da União Europeia ...

Como sempre, os nossos políticos com grande sentido de Estado mostram-nos quais as prioridades que têm no contexto internacional: o militar, tal como o economês, é sempre mais prioritário que o social! ...

A PAZ, é de facto, uma URGÊNCIA no Médio Oriente! Uma URGÊNCIA que NUNCA foi assegurada por mil e uma directivas da ONU ou por mil e uma missões estrangeiras destacadas para aquelas paragens.

Os povos do Médio Oriente (TODOS sem excepção ...) continuam a não ser ouvidos e a sua vontade (até a que é expressa em eleições internacionalmente reconhecidas, como na Palestina) não é respeitada!

O governo de Sócrates prepara-se para mais uma palhaçada ... e a PAZ continuará a ser uma miragem!

sexta-feira, agosto 04, 2006

A MENTIRA E A VERDADE, do Director do Público

O Editorial de hoje do Público, assinado pelo director do diário da Sonae, é mais uma peça igual a tantas outras escrita por quem só vê dois lados no que se passa no Líbano, e, perante eles tem de optar "inevitávelmente" por um.

O director do Público apoiou a intervenção dos EUA no Iraque e agora apoia todas as acções do Líbano ... sempre pelas mesmas "razões": lutar contra o terrorismo, lutar contra os "extremistas" que parecem ser todos os que não estão ao lado dos EUA ou de Israel.

José Manuel Fernandes (JMF) quando fala em massacre cometido pelo governo israelita, coloca sempre a palavra - massacre - entre aspas ... Porque afinal, segundo JMF, as intervenções militares israelitas não têm provocado tantas mortes, como a imprensa divulga ...

E nesta "mentira na verdade" pintada por JMF, nem a ONU escapa ... porque os soldados das Nações Unidas mortos na sequência de um ataque israelita, até "sabiam" que estavam a ser utilizados como "escudos humanos" pelo Hezbolahh ... Provavelmente a vontade de JMF era escrever que os capacetes azuis que morreram, morreram ... porque quiseram ...

Já quando escreve sobre o Hezbolahh, a escrita sai certeira contra uma organização que não tem uma mílicia, mas um grupo de soldados bem treinados e com armamento sofisticado, escondido entre a população civil ... aqui talvez quisesse escrever que os civis libaneses que morrem, morrem pelas mesmas razões que morreram os capacetes azuis ...

O que escreve JMF não acrescenta nada de novo à argumentação dos que apoiaram e continuam a apoiar o argumento belicista para a "normalização" das relações que pretendem impor no plano internacional.

De um ponto de vista socialista, há comentários a fazer:
  • Desde a segunda guerra mundial, o planeta não tem conhecido um único momento sem guerras. Guerras regionais ou locais. Para evitar essas guerras - como a do Médio Oriente - as diplomacias do tempo da "guerra fria" e as dos tempos actuais do único gendarme EUA, falharam em toda a linha. A ONU acaba por parecer um sucedaneo da inoperante Sociedade das Nações ... A sua inoperância é o espelho dos jogos e das relações de força que existem no seu Conselho de Segurança...
  • No Iraque e no Médio Oriente, o argumento belicista usado pelas partes em confronto nada resolve. Antes adia qualquer solução durável e acentua o sofrimento de populações inteiras.
  • A alternativa às políticas dos governos israelitas e dos EUA para o Médio Oriente não está em grupos fundamentalistas islâmicos ou de outro qualquer credo religioso. A alternativa tem de ser encontrada na capacidade de mobilização e de resistência pela Paz que todos os povos do Médio Oriente têm demonstrado.
  • A alternativa às políticas internacionais do liberalismo não está na consolidação das posições islâmicas ... a solução para a guerra não está no aumento de "bombas-humanas" ... a solução está mesmo na capacidade de se construir a Paz!
  • A luta por uma solução de Paz, pressupõe a capacidade de organização de uma rede plurinacional, plurireligiosa, pluriétnica que consiga fazer a ruptura com o actual cenário dominado por uma espécie de gémeos que se guerream, mas que, na prática, têm o mesmo corpo ...
  • A luta por uma solução de Paz passa também pela capacidade de ruptura com uma realidade internacional onde a capacidade de invadir e de desenvolver e manter cenários de guerra, está muito ligada à posição dominante que existe em todas as organizações mundiais que determinam o comércio e a finança.

quinta-feira, agosto 03, 2006

CUBA : CASTRO SUCEDE A CASTRO ... POR ESCOLHA DE QUEM?


Não vamos comemorar a doença de Fidel de Castro, como fazem parte dos exilados cubanos em Miami ou como deverá fazer Bush na Casa Branca.

Também não desejamos "felicidades" ou "bom desempenho" ao irmão Raul de Fidel. Porque, de certeza, ou fará o mesmo ou mais do mesmo!

Também somos de opinião que a "democracia" que a União Europeia quer para Cuba, significaria a repetição política dos exemplos do Leste Europeu, depois da queda do Muro de Berlim e da União Soviética. O liberalismo não é aplicável em Cuba, sob pena de Cuba se tornar num sucedâneo, no século XXI, da ditadura de Baptista derrubada por Fidel.

O acesso dos cubanos a um sistema de saúde e à educação, os progressos económicos até ao momento do bloqueio norte-americano, só foram possíveis porque Cuba conseguiu, durante algum tempo, a introdução de medidas socialistas. O liberalismo teria, de certeza, agravado as carências de toda a ordem do povo cubano.

O problema de Cuba é sobretudo um problema político: os cubanos estão afastados de uma vida política democrática. E uma vida política democrática não tem de ser a cópia das democracias ocidentais. Porque estas democracias também mantêm as pessoas afastadas de uma participação activa e não são exemplo de vida mais digna!

O exemplo da sucessão de Castro por Castro é elucidativo da inexistência de uma participação democrática dos trabalhadores, dos jovens e dos cubanos em geral. A democracia em Cuba - falamos de uma democracia socialista que conciliasse formas directas activas com a representação plural no Parlamento - não pode ficar refém do controlo desse polvo policial formado pelas chamadas "forças de defesa cubanas".

Porque razão a substituição de Fidel não pôde ser préviamente (ou à posteriori!) discutidas nas fábricas, nos bairros, nas escolas, nas forças armadas, em toda a sociedade cubana, com a possíbilidade de se apresentarem candidaturas alternativas?

Será que uma participação política e cidadã mais activa dos cubanos, não contribuiria também para a consolidação de Cuba como país?

A substituição de Castro por Castro, de uma forma que nada tem a ver com uma verdadeira democracia socialista, pode contribuir para um ainda maior abafamento de todos os sectores da sociedade cubana e pode por em perigo o próprio futuro de Cuba como nação independente.Posted by Picasa

terça-feira, agosto 01, 2006

HUGO CHAVEZ: UM POPULISTA COM MIRAGENS INTERNACIONAIS ...

Hugo Chavez, Presidente da Venezuela, continua a sua visita a uma série de países. Já visitou o Irão, a Rússia e o Vietname. Em quase todos os países que visita, recebe uma alta condecoração de Estado. A seguir fala de petróleo, de cooperação, a qual inclui, quase sempre, armamento. E tem duas pretensões: liderar uma frente internacional contra o imperialismo americano e fazer parte do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

A amizade que recolhe de governos tão diferentes como o iraquiano, o russo e o vietnamita, coloca a questão de saber se o petróleo é o suficiente para angariar membros para uma dita "frente anti-imperialista".

Hugo Chavez exibe nas opções internacionais que faz, um perfil que só tem um nome ... populista!

Falar de contra o imperialismo, não faz de quem o faz, um socialista ou um homem de esquerda. Como parece fazerem crer alguns sectores de esquerda a nível internacional. E Hugo Chavez nunca foi e não é uma referência internacional de esquerda ou socialista.

É só mais um populista! E mais um populista que gosta de fazer o jogo hipocrita da diplomacia internacional ...

terça-feira, julho 25, 2006

ACABAR COM A AGRESSÃO AO LIBANO! RESPEITAR A VONTADE DOS PALESTINIANOS!


Israel não invade para lutar contra o terrorismo. Israel limta-se a fazer o que sempre fez: não respeitar a vontade dos Palestinianos; tentar identificar os Palestinianos como "terroristas"!... Israel acha-se no "direito" de definir como deve ser o Médio Oriente!
E isto perante a passividade das chamadas democracias ocidentais e o apoio dos EUA.
O rapto de 2 soldados israelitas pelo Hezbolah foi um mero pretexto. O que está em causa é o não respeito pela vontade popular e democrática dos palestinianos expressa em eleições reconhecidas por observadores internacionais.
Dois soldados israelitas "valem" a agressão ao Líbano? A destruição de vidas inocentes? A guerra numa região?
É claro que não!

Os povos do Médio Oriente, TODOS, têm direito à PAZ!

NÃO À AGRESSÃO ISRAELITA AO LÍBANO!
RESPEITE-SE A VONTADE POPULAR DO POVO PALESTINIANO!
PELO DIREITO DO POVO PALESTINIANO À SUA NAÇÃO!
TODOS ÀS MANIFESTAÇÕES NO DIA 26 DE JULHO!

MANUEL ALEGRE DEVE UMA EXPLICAÇÃO!


A notícia saída na edição de hoje do "Correio da Manhã" (CM) sobre a reforma de Manuel Alegre pela RDP, merece alguns comentários.

Comentários sobre esta democracia e também comentários sobre o cidadão Manuel Alegre.

Manuel Alegre diz ao CM que "se não me enviassem a carta nem dava por isso". Manuel Alegre esteve na RDP menos de um ano e depois foi sempre eleito deputado em todas as eleições. Manuel Alegre, o PS e o CDS dizem que a situação "é legal".

Como é possível que, de tanto ser eleito, um cidadão se esquece da sua actividade profissional? Este é, na nossa opinião, um dos grandes problemas das democracias ocidentais: os deputados deixam de ser cidadãos trabalhadores como os outros e passam à tal casta chamada de "classe política".

Manuel Alegre, socialista, homem de esquerda, ex-candidato de esquerda à Presidencia da Republica, arauto do serviço público, é, afinal e também, mais um elemento dessa tal "classe política". E isso é visível quando se escuda na "legalidade" da sua noticiada reforma, para não explicar nada e para optar por um imenso silêncio.

As leis desta democracia têm de ser comentadas, criticadas e a luta pela sua substituição é legitima. Parece, para a tal "classe política", que essas leis são imutáveis e servem de escudos para a imunidade dos ditos políticos!

Tudo isto acontece num momento em que esta democracia é tomada por uma dose (cada vez mais insustentável) de parlamentarismo, hiper-representativismo e um brutal deficite de participação popular, directa e cidadã.

Esta democracia não tem nada de nada a ver com o que as pessoas quiseram construir nos dias a seguir ao 25 de Abril de 1974. Esta democracia é, cada vez mais, uma cópia do que de pior sempre tiveram as democracias ocidentais: representativismo com cheiro a carreirismo e parlamentos que crescentemente não são o espelho das sociedades mas aquilo que os partidos deixam que seja!

Manuel Alegre deve uma explicação a todas e a todos. O seu silêncio mesmo que escudado em questões de legalidade deve ser duramente criticado.

Manuel Alegre não pode ser socialista de vez em quando ou araúto de causas públicas para consumo eleitoral. Tem agora uma oportunidade para explicar que democracia quer, como se luta contra privilégios, nomeadamente os que são consequência de leis...

sexta-feira, julho 21, 2006

TED GRANT: morreu um socialista! Até sempre, camarada!

Ouvi falar pela primeira vez de Ted Grant em 1977, quando era militante da Juventude Socialista. Conheci-o através de escritos sobre a Revolução portuguesa. Depressa me apeteceu conhecer mais de Ted Grant ... passei a conhecer um militante revolucionário, já nessa altura com um trajecto de vida que era e continuou a ser um desenrolar de contibutos valiosos para o marxismo revolucionário.

Ted Grant faleceu! Completou-se mais um ciclo ... no entanto, o seu exemplo continuará e continuará bem com os contributos militantes, organizados ou não, de todos aqueles que, em todo o Mundo, se referenciam no excelente "In Defence of Marxism" http://www.marxist.com/ .

Tive o privilégio de conhecer Ted Grant numa reunião em Espanha. Foi, nessa altura, um momento vibrante.

Com o correr dos anos, continuei a ter Ted Grant e "In Defence of Marxism" como uma referência na minha referência marxista revolucionária. Surgiram divergências ... estou hoje numa posição diferente da de Ted Grant na mesma luta por um socialismo revolucionário que rejeita deformações liberais e totalitárias. Mas, continuo a ler os escritos que Ted nos deixa. Escritos que continuarão como referência!

Até sempre, camarada Ted Grant!

João Pedro Freire

quarta-feira, julho 19, 2006

OS GOVERNOS ISRAELITAS PRATICAM TERRORISMO DE ESTADO!

Israel existe! Existe mas foi imposto ... a "terra prometida" é um "argumento" que não convence! Nunca convenceu ... mas, agora à medida que o tempo avança, convence cada vez menos!

Há povos no espaço ocupado pelo Estado de Israel que também acabam por ser vitimas dos desmandos autoritários e imperalistas dos governos da ditadura democrática israelita. Povos hebraicos, árabes, palestinianos ...

Em pleno século XXI, o Estado de Israel é a definição viva de terrorismo de Estado. Todos os pretextos acabam em argumentos para invadir, destruir, matar, oprimir! O dito direito internacional é uma figura meramente decorativa ... nomeadamente para todos os outros Estados, como os EUA e os da União Europeia que falam em moderação porque não conseguem (agora e neste exemplo concreto que é invasão do Líbano) usar força para dissuadir os governos de Israel!

Não foi só Israel que não aceitou a vontade popular e democrática das últimas eleições acontecidas no território da Autoridade Palestiniana. Os EUA, Inglaterra e os restantes Estados da União Europeia mostraram, mais uma vez, que só aceitam a democracia ... até aos limites por si impostos!

Os palestinianos têm o direito de resistir. Têm o direito de defender a sua terra. Têm o direito de escolher os seus governantes. Os palestinianos, na sua pluralidade, têm o direito à Palestina!

Palestinianos, hebreus, judeus, árabes ... têm o direito de viver sem medo, sem guerras, sem invasões, sem terrorismo de estado ou de outra espécie ...

O que o Estado de Israel está a fazer com a invasão ao Libano atenta contra tudo o que pode ou poderia contribuir para uma Humanidade diversa e em Paz. As acções do Estado israelita sugerem uma espécie de novo Tratado de Tordesilhas para o Mundo árabe e o medio oriente: EUA e Israel dividem áreas de influencia ...

Não temos particular simpatia política pelo Hezzbolah. Mas respeitamos este dito "partido de deus" como a escolha democrática dos palestinianos numas eleições que até viram a sua legitimidade reconhecida no terreno por observadores internacionais.

O que não respeitamos, não podemos ficar calados, impavidos e serenos, a assobiar para o lado, ... é perante esta monstruosidade que é a destruição, a morte, a invasão do Líbano (um país também presente na ONU) pelo Estado de Israel!

terça-feira, julho 18, 2006

SAÚDE E REVOLUÇÃO SOCIAL: uma saudação com 70 anos!!




Há 70 anos, franquistas, sectores conservadores da Igreja, latifundiários e um rol de reacionários recorreram às armas para imporem, com a ajuda de Hitler, de Mussolini e o nim de Salazar, aquilo que nunca tinham conseguido pelo poder do voto.

Franco e os seus aliados deram vivas à morte para derrubarem pela força experiências concretas e revolucionárias de construção de vida!

Lembrar o levantamento franquista em Portugal é também um momento de afirmação dos acontecimentos de grande mudança social ocorridos na Revolução do Abril português. O 25 de Abril em Portugal marcou também um momento de afirmação para toda a oposição ao regime franquista. Como marcou a afirmação da autodeterminação de novos países africanos de língua portuguesa!

As duas últimas revoluções ibéricas mostraram também que a construção de uma democracia participada e directa tem de ser acompanhada de medidas que afirmem o socialismo como a alternativa a um capitalismo globalizado e também às deformações socialistas que a História tem vindo a registar.

Valorizar a auto-iniciativa, a auto-organização, a denúncia de todas as formas de autoritarismo, sempre com um sentido socialista é a forma mais eficaz para se comemorar uma data sem se cair em memorialismos caducos.
SAÚDE E REVOLUÇÃO SOCIAL!!

sábado, julho 01, 2006

DEMOCRATIE & SOCIALISME: as esquerdas do PSF procuram a unidade!

As esquerdas do Partido Socialista Francês constituiram uma corrente denominada "Forces militantes pour la democratie & le socialisme", sendo a revista mensal DEMOCRATIE & SOCIALISME o seu orgão informativo.

Saiu agora o número de Verão, o qual pode ser também consultado em http://www.democratie-socialisme.org e/ou em http://www.forces-militantes.org .

Descubram, nomeadamente os militantes socialistas do PS português, o debate promovido por quem luta para que o Partido Socialista não seja tomado por liberais e ideológicamente desfigurado. Posted by Picasa

SÓ PODE SER PIADA ! ...


IRS

Proposto fim da dedução das despesas com educação.
Um grupo de fiscalistas propôs ao Governo o fim de várias deduções no IRS, incluindo as despesas da educação e todas as outras que não sirvam para estimular poupanças para a reforma.
Estes entendem que os impostos não são o meio mais adequado para se prosseguirem políticas sociais.
( 09:28 / 30 de Junho 06 ) TSF

O fim da dedução das despesas de educação no IRS é uma das propostas de um grupo de trabalho encarregue pelo Governo de estudar a simplificação das leis fiscais.

De acordo com o «Jornal de Negócios», entre as propostas feitas por este grupo estão também o fim das deduções à colecta de despesas com lares, prémios de seguros, energias renováveis e todos os benefícios fiscais que não sirvam para estimular poupanças para a reforma.

Para este grupo de fiscalistas, os impostos não são o meio mais adequado para se prosseguirem políticas sociais e redistributivas, o que os fez recomendar ao Governo que faça opções selectivas, concedendo apenas incentivos a despesas de saúde ou poupanças destinadas à reforma.

Estes especialistas recomendaram ainda ao Governo que os apoios à educação e às energias renováveis devem ser feitos fora do sistema fiscal, através de subsídios ou da provisão directa destes bens.Outra das propostas feitas foi a revisão para um mínimo de existência dos valores das deduções que são concedidas de forma automática, como no caso de um contribuinte casado com filhos.

Este documento, que foi trabalhado durante um ano, foi já entregue ao secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, João Amaral Tomás, contudo este terá ainda de «passar pelo crivo político do Governo».

João Botelho

domingo, junho 25, 2006

TIMOR - LESTE: e o petróleo não tem nada a ver com a crise?

Quando se fala de Timor-Leste em Portugal, há objectivamente um facto: a imprensa, os chamados orgãos de soberania, os principais partidos políticos do centrão (e não só!...) optam pelo Presidente Xanana Gusmão contra o primeiro-ministro Mari Alkatiri.

E mais: parece que a solução "portuguesa", para as já referidas entidades, para a crise em Timor passa por uma espécie de coligação entre Xanana Gusmão e a GNR presente naquele país.

O jovem país Timor-Leste parece (para a imprensa e os políticos portugueses) que tem de procurar soluções no quadro de um parlamentarismo construído à imagem e semelhança do que existe em Portugal e no Europa. Mesmo que o excesso de representativismo redonde em crise(s) política(s) ... como alías tem ocorrido por cá!!

Há em Timor-Leste uma crescente polarização entre o Presidente Xanana e o primeiro-ministro Alkatiri. Uma polarização que parece ser provocada mais por razões externas do que por razões internas. No meio desta polarização, salta à vista um claro e evidente deficite de participação popular e um quase inexistente acesso da vontade popular aos chamados "orgãos de soberania" timorenses ... algo que parece ter sido importado noutras paragens planetárias onde, aliás, também já não contribui para coisíssima nenhuma!

De um e de outro lado da referida polarização, há também uma clara crise de capacidade de afirmação de um projecto político próprio e que não represente a reprodução de outros falhanços político-económicos que a História e a geografia (!) registam ...

Xanana Gusmão, tirando o que muito que fez na resistência ao invasor indonésio, não tem um projecto para Timor-Leste. Com o conselho de Ramos Horta quer reproduzir em Timor o que de pior têm as democracias liberais ocidentais ...

Mari Alkatiri e a Fretilin não sabem o que fazer com a legitimação popular eleitoral da maioria dos timorenses, debatendo-se também entre as tentativas de algumas das suas tendências para uma ditadura burocrática e outras para uma liberalização tipo australiano to regime.

É evidente que o petróleo do mar de Timor terá uma influência decisiva nas pressões que chegam do exterior de Timor, incluíndo as oriundas da (não imparcial!) ONU.

Timor-Leste tem uma identidade cultural única dentro do arquipélago indonésio. Essa identidade cultural foi um dos motores da afirmação nacional da resistência contra o invasor indonésio. Foi também um forte motivo para a mobilização dos timorenses no apoio à sua resistência armada!

Timor-Leste não tem de se afirmar como País, reproduzindo modelos caducos ou vivendo à sombra de políticos sem nada para oferecer. Os timorenses têm o direito de participar activa e directamente na construção do seu país. De controlar democráticamente os seus recursos naturais. De afirmar a sua independência política.

O povo de Timor-Leste pode ser um exemplo de afirmação para os outros povos da região. Mesmo para a Austrália. Não pode é ver a sua vontade plural e a sua participação diversificada adulterada e violentada por dirigentes e políticos que não têm nada para propor ou oferecer. Só para impor!... Posted by Picasa

quinta-feira, junho 22, 2006

DEBATE NO PS? ...

Criticas do eurodeputado do PS, Manuel dos Santos, ao governo Socrates são um sintoma saudável de que nem toda a gente no partido liderado por Sócrates concorda com o autentico golpe de estado neo-liberal imposto pela actual direcção partidária no partido e no governo.

Sempre temos afirmado que os militantes socialistas do PS, ao contrário da direcção socratica, são parte importante e imprescindivel para a definição de uma alternativa de esquerda e socialista.

O debate hoje em dia não é tanto sobre o PS mas sobre o caminho que todo o espaço da esquerda socialista deve assumir como organização e como alternativa de governo. Repetimos: neste debate a direcção Sócrates do PS não tem lugar nem deve ter palavra ... afinal, tem-se assumido como uma espécie de parte e instrumento neo-liberal!

Não sabemos quais as intenções de Manuel dos Santos ou dos soaristas que ainda estão no PS. Como não sabemos o mesmo sobre Manuel Alegre. Alegre e Manuel dos Santos contam já nos seus curriculuns políticos com muitas e muitas hesitações quanto ao modo podem concretizar (e nunca concretizaram!) as suas (teóricas) intenções de esquerda ...

Importante seria que do lado dos militantes socialistas que são professores, dos autarcas, dos que ficam ou ficarão desempregados pleas deslocalizações e jogos das multinacionais, dos que têm intervenção no movimento sindical e/ou dos que se lembram do PS sem direcção liberal houvesse mais iniciativa para a intervenção para guindar o PS para a esquerda participando também no fundamental e imprescindivel debate que deveria existir entre todos os que se identificam com um espaço de esquerda democrática, socialista e inequívocamente anti-liberal/capitalista!

domingo, junho 18, 2006

SOLIDARIEDADE COM OS ESTUDANTES CHILENOS

O texto que se publica é a posição de SOCIALISMO LIBERTARIO, na Argentina, sobre a luta dos estudantes chilenos do ensino secundário. Uma luta que surgiu de baixo para cima, rejeitando qualquer tutela política e um modelo de ensino que permanece quase intacto desde os tempos da ditadura de Pinochet e que as políticas dos governos democráticos pouco acrescentaram quanto a qualquer ruptura. Tal como em França (imagem no lado direito desta posta), há uma nova geração de jovens que quer afirmar o seu protagonismo na afirmação de novas alternativas.
Para reflexão dos estudantes portugueses ...

Hoje não estamos a estudar história, estamos a fazê-la!”, “Queremos dar uma lição de como elevar a voz”, dizem alguuns dos cartazes das e dos estudantes das escolas do ensino secundário do Chile que têm estado a protagonizar uma extraodinária e singular luta, a maior dos últimos 30 anos. Reclamam uma escola gratuita, exigem que o exame para ingresso na Universidade seja também gratuito e questionam a nefasta Lei Organica Constitucional de Educação (LOCE): a última que foi imposta por Pinochet e que foi muito bem assimilada por quatro governos democráticos nos últimos 17 anos.

A revolta dos estudantes chilenos, surgida a partir de baixo e recusando qualquer controlo político, é a expressão concreta e contundente de um novo protagonismo directo que tem ido mais além com as novas gerações e tem despertado a simpatia e o apoio de diversos sectores sociais.

Estando isto a acontecer no Chile, onde a “obra” da ditadura foi “normalizada” por uma democracia autoritária e repressiva, é um sinal de uma vitalidade imensa e renovada. Trata-se de um verdadeiro movimento estudantil que convocou 800.000 estudantes secundários durante o último mês, ocupando 500 escolas, ganhando ruas e praças, enfrentando a brutalidade dos Carabineros (a polícia) e desafiando o poder político “progressista” e “socialista” de Michelle Bachelet.

A greve estudantil de 30 de Maio, que não foi criticada pela imprensa nem por todos os que procuram “agitadores”, foi reconhecida pela sua real dimensão, foi mais do que a expressão da magnitude deste movimento, transversal , que envolve escolas públicas e privadas.

A revolta juvenil chilena mostra-nos vontade de afirmação, a busca de uma educação igualitária para ricos e pobres, a recusa do autoritarismo, a procura de uma educação diferente que supere a brecha crescentemente classista imposta pela lei pinochetista-democrática. A greve de 5 de Junho, apoiada activamente por diversos sectores sociais, é uma nova amostra em como esta vontade firme pretende ir mais além que as ofertas parciais e defensivas de Bachelet. E por isto mesmo, perante uma luta que expressa um presente/futuro que recusa o passado, apelamos à juventude argentina para manifestar a sua solidariedade activa, procurando relacionar-se com as suas formas e os seus conteúdos, fazendo nossa essa luta ao mesmo tempo que aprendemos com ela.


Apoio activo à luta das e dos estudantes chilenos!
Basta de repressão! Basta de autoritarismo “progressista”!
Viva a revolta estudantil chilena sem tutelas políticas!


SOCIALISMO LIBERTARIO, Buenos Aires, 05/06/2006

sexta-feira, junho 16, 2006

ANDREU NIN: REVOLUCIONÁRIO, SOCIALISTA, VÍTIMA DO ESTALINISMO!

Andreu Nin foi um dos principais dirigentes do POUM, Partido Operário de Unidade Marxista. Um partido que, durante o período da revolução em Espanha, nos anos 30 do século passado, propôs uma nova visão de socialismo. Um socialismo que rejeitava o totalitarismo policial crescente da URSS, que pugnava por uma visão anti-capitalista sem equívocos, que considerava que sem democracia, sem participação activa e directa dos trabalhadores, sem uma visão internacionalista, não conseguiria triunfar.

Andreu Nin foi assassinado pela NKVD, a polícia politica soviética, que mais tarde adoptaria a denominação KGB.

Wilebaldo Solano foi também dirigente do POUM e é agora um dos principais dinamizadores da Fundacion Andreu Nin. Tem mantido presente, nos nossos dias, o pensamento político de Andreu Nin e o que foi o POUM. A edição da "Biografia breve de Andreu Nin" é mais um esforço nesse sentido. Que se saúda!

Consultem o portal da Fundacion Andreu Nin em www.fundanin.org Posted by Picasa

quinta-feira, junho 15, 2006

PROFESSORES LUTARAM ... NÃO FIZERAM PONTE!

Segundo o Ministério, 30% dos professores estiveram em greve. Segundo os sindicatos, 80% dos professores fizeram greve.

Seja qual for a perspectiva, provou-se que os professores não aproveitaram o dia de luta para fazerem ponte, nomeadamente os professores que são Lisboa.

A Ministra Maria de Lourdes Rodrigues teria nesta jornada de luta dos professores uma boa oportunidade para reflectir sobre o que tem dito e feito. Só que não o fará porque tem um comportamento simultaneamente autista e autoritário.

As reformas em qualquer sector, não se podem fazer insultando os trabalhadores desse sector! Na área da educação, os professores devem ser reconhecidos como parte integrante fundamental e imprescíndivel para uma reforma que se veja e se sinta.

Na jornada de luta de ontem, não foi só o estatuto da carreira docente que esteve em causa. O comportamento da Ministra tem também colocado em causa o bom nome da classe docente e a sua dignidade. Ontem, cada professor em luta (estando em greve ou não, já que houve quem não esteve em greve mas solidário com ela ... afinal, é uma classe crescentemente proletarizada!) lutou pela sua dignidade pessoal e profissional.

Foi a terceira jornada de luta dos professores com esta ministra. De certeza, que não será a última!

Seria importante que os sindicatos dos professores lançassem agora uma acção - com outros sindicatos de outros sectores - junto da opinião pública para explicarem o que querem, para denunciarem o populismo autoritário da ministra e do governo Sócrates.

Os professores e os seus sindicatos deveriam ser os primeiros a demonstrar que querem uma profunda reforma do ensino com a participação activa de toda a sociedade! Posted by Picasa

terça-feira, junho 13, 2006

PÃO E CIRCO



Por Jorge Manuel Miranda Rodrigues Costa (*)

Na Antiga Roma, os Imperadores providenciavam para a satisfação do povo romano que nunca faltasse pão e circo.
Apesar da grave situação económica, do acentuado aumento do desemprego, do futuro incerto na função pública e das más notícias da segurança social, os portugueses parecem apenas preocupados com o futuro da selecção nacional de futebol.
Alienados pelo sonho irreal de uma vitória no Campeonato do Mundo de Futebol, os portugueses esquecem os seus reais problemas durante as próximas semanas. Os meios de comunicação social, com especial destaque para a rádio e televisão, alimentam até à exaustão o mito da possibilidade da vitória portuguesa deixando para segundo ou terceiro plano as verdadeiras questões existentes na sociedade portuguesa.
Já não há pachorra para tanto futebol, ele invade-nos as casas ao pequeno-almoço, ao almoço, ao jantar e nos intervalos, permanentemente, nem de madrugada nos livramos de tanta informação sobre os seleccionados, um enjoo!
Endeusados, alguns deles mostram-se mais proficientes durante as saídas nocturnas que a nível do relvado, o que não será de bom augúrio para o desenlace da competição que se avizinha e para aquilo que alguns erradamente designam como um desígnio nacional, a conquista de um campeonato europeu ou, sonho supremo, mundial de futebol.
Enquanto Portugal se mantiver em competição pouco ou nada se ouvirá sobre o desemprego, o atraso em relação à Europa, a mobilidade dos funcionários públicos, o abandono escolar coexistindo com mais de trinta e cinco mil portugueses vítimas da exploração do trabalho infantil, a destruição da nossa floresta pelos fogos florestais e mais um sem número de problemas que nos colocarão a prazo, no último lugar da Europa dos 25.
Ninguem se interrogará como se podem vender 12 caças F-16 de um lote de 25 comprado em 1999 e dos quais 20 nunca voaram, há sete anos que se encontram desmontados e encaixotados, sem haver responsáveis pela inutilidade da aquisição e do dinheiro desperdiçado.
Ninguem se questionará sobre o facto da avaliação dos funcionários da administração não se estender aqueles que verdadeiramente são os responsáveis pelo estado a que tudo isto chegou.
Todos os holofotes e atenções se focalizam no percurso da nossa selecção, Portugal sonha com a impossibilidade e assim quando a realidade se sobrepuser à ficção o despertar vai ser mais uma vezes muito doloroso.
Os deputados até já consensualizaram a alteração dos seus horários para evitarem estarem presentes em espírito na Assembleia mas ausentes na realidade e assim poderem ver os jogos repousadamente e sem pesos na consciência. Máximo da generosidade, aguarda-se a todo o momento que esta flexibilização se estenda a toda a população activa portuguesa.
Poucas são as vozes que tentam moderar as expectativas populares e muitas, com elevadas responsabilidades, as que as alimentam.
Anestesiados, os portugueses sem que disso se apercebam vão tendo circo mas cada vez menos pão.

(*)
Assistente Hospitalar de Imuno-Hemoterapia do Hospital Doutor José Maria Grande, membro da Comissão Política da Federação Distrital de Portalegre do Partido Socialista

domingo, junho 11, 2006

OS PROFESSORES E A REFORMA DA MINISTRA: DEBATE - PARTE 2


Num debate existem sempre diversas partes envolvidas. TRIBUNA SOCIALISTA é um espaço socialista para o debate numa perspectiva de afirmação de uma posição socialista libertária. Quanto à dita reforma do ensino que o governo Sócrates quer impor, fazendo que ouve (mas não ouve!) a pluralidade das partes envolvidas, não somos moderadores abstractos nem assumimos uma posição dita equidistante: consideramos a acção do governo Sócrates, nomeadamente no que diz respeito ao ensino e à educação, contrária a qualquer perspectiva democrática e socialista! Enquadra-se, isso sim, na onda neo-liberal que tem invadido a Europa (e não só!) e que tem contribuído para a destruição de direitos sociais, para a destruição de conquistas importantes (como o ensino público!) desarticulando, para isso, sectores inteiros em nome de ditas recuperações económicas e financeiras que acabam sempre por priveligiar os chamados empresários em detrimento dos trabalhadores.

José Sócrates, no governo e na direcção do PS, não tem sido diferente dos últimos governos de direita em Portugal. O governo e a direcção partidária que lidera assumem-se como parte de uma direita que deve ser combatida política e ideológicamente. Não obstante considerarmos que nesse combate e na definição de uma alternativa socialista, os militantes socialistas do PS, são parte integrante e insusbstituível.

Publicamos mais uma fase do debate entre o militante do PS, Carlos Alberto, e o professor Jorge Caetano. O debate pode continuar para quem quiser no espaço que este blogue tem, em cada posta, para esse fim. Mas com este tipo de publicação, ficaremos por aqui.

TRIBUNA SOCIALISTA manifesta o seu apoio à luta dos professores pela sua dignidade profissional e por uma reforma do ensino que se faça com a participação democrática, consciente e empenhada de todas as partes que devem ser envolvidas, sem excepção.

1 - A posição de Carlos Alberto:

O Sr. Jorge Caetano, tenda responder, mas não sabendo interpretar o texto, anda ás voltas e não diz nada. É o velho discurso da culpa do "sistema".Facto:Nós já gastamos com a educação mais do que a média da OCDE. Temos 30 % de professores mais que a média e as turmas mais pequenas dos 27 países comparados. Temos o menor número de aulas para os alunos e as menores cargas horárias para os professores. Por fim, sobretudo no fim da carreira, temos alguns dos professores primários mais bem pagos da Europa. Silva Lopes, Público, 20-9-2004E diga-me lá porque no 10º ano à alunos que não sabem interpretar um texto.E para terminar, masi estes factos:No ensino primário, o rácio de alunos por professor era, em 2005, dos mais favoráveis da UE25: em Portugal havia 11,1 alunos por professor, enquanto que na Suécia havia 12,1, na Holanda 15,9, na Finlândia 16,3 e na Irlanda 18,3.De acordo com os indicadores publicados pela OCDE, Portugal é o país que gasta com as remunerações a maior percentagem da despesa corrente em educação nos níveis primário, secundário e pós-secundário (Fonte: Education at a Glance. OECD Indicators 2005. Executive Summary: 38).Em consequência, o rácio do salário a meio da carreira dos professores do secundário inferior e o PIB per capita é o terceiro mais elevado da OCDE (Fonte: Education at a Glance. OECD Indicators 2005. Executive Summary: 57).De acordo com as declarações públicas da Ministra da Educação, nos últimos dez anos diminuíram os alunos e mantiveram-se os resultados. É o sistema coorporativista no seu máximo. Carlos Alberto

2 - A posição de Jorge Caetano

Não estou nesta fase para pactuar com esse senhor que se afirma socialista. Não estou para aturar tanta estupidez, tanta demagogia. Se ele não sabe ler e interpretar um texto tão simples a culpa não é minha. O que eu disse claramente é que não se pode imputar somente aos professores a responsabilidade pelo insucesso escolar. Dizer isto não parece a mim ser nenhuma atitude corporativista, mas antes colocar a questão onde ela deve ser colocada. De quem a responsabilidade das políticas educativas deste país? É dos professores? De quem é a responsabilidade das políticas educativas que são cozinhadas em gabinetes e que nunca foram alvo de auscultação efectiva dos professores? Quem deternmina as linhas fundamentais de orientações da escola? Que é feito da famigerada paixão guterrista pela educação? Foi uma paixão do seu governo, não sabia? Em que é que desembocou essa paixão? Quais os resultados? Deve ter a memória curta. Podemos ailás alargar esse seu nexo de causalidade as outras profissões: então o desastre do sistema nacional de saúde deve ser atribuído aos médicos e aos enfermeiros, o caos da justiça à "incompetência" dos magistrados, dos funcionários judiciais e aos magistrados público, a fuga ao fisco é da responsabildiade da inércia dos funcionários das finanças, etc.. Vamos mas é de vez acabar com a função pública. Estes são de facto os grandes responsáveis pelo déficit e pelo atraso estrutural deste país. Sim, para esse senhor não há sistema. Este é uma abstracção inventada para camuflar todos os males deste país. Sim ou eu estou louco ou os problemas deste país são meramente conjecturas, é uma mera passagem que vai ser resolvido quando não houver mais funcionários públicos neste país. As medidas da Srª Ministra são única e simplesmente um modo de acabar com estes malandros dos professores que não ensinam, não trabalham e mais não têm espirito de serciço público, porque até vivem no Porto, em Bragança, em Lisboa etc, e nunca se disponibilizam para isr dar aulas para as Beiras, para o Algarve, para o Alentejo, sem quais incentivos à periferia. Que malandros estes professores, que abandonam a família, que pagam duas rendas por mês, que fazem milhares de quilómetros por ano e que nem um cêntimo a mais recebem nos seus ordenados. São os autênticos párias estes professores! As medidas desta ministra nem são meramente economicistas, nem têm subjacente um verdadeiro e tendencioso marketing político e jornalístico que habilmente sabe precisamente como deve manipular a opinião pública. Os alvos deste governo são muitos, não são só os professores. Com este governo foi o desemprego que disparou, é a impunidade e a inèrcia face à fuga fiscal. Veja o que passa com a banca e os seus lucros e pense quem são os malandros deste país. Já chega de tanto ódio. Por favor, e com o devido respeito, não se intitule mais de socialista. Basta de mentiras. Jorge Caetano

A FESTA DO APOIO À SELECÇÃO NACIONAL DE FUTEBOL!



Parece que há por aí um grupelho nazi, de nome PNR, que resolveu fazer ruído contra a presença de Deco na Selecção Nacional de futebol. Se os quantos que fazem parte do grupelho fossem franceses, certamente que também protestavam contra a presença de Zidane na Selecção francesa. E muitos mais exemplos poderiam ser dados ...

No dia em que a Selecção Nacional portuguesa inicia a sua participação no Mundial contra a selecção angolana, prestamos homenagem a todos os que, através do futebol, afirmam valores de inter-etnicidade, valores de fraternidade, valores de humanidade, valores de multi-culturalidade!

A prática do futebol não é comparável a uma batalha ou a uma guerra.

Do lado de Portugal, estarão na festa do apoio à nossa selecção, todos os que, em Portugal, trabalham e vivem! ... Apoiarão o Deco, o Luís Boa Morte, o Miguel, o Figo, o Cristiano Ronaldo, o Pauleta ! ...

Neste apoio, todas e todos serão muito mais Portugal que aquilo que o bando denominado PNR pretende ...

sábado, junho 10, 2006

OS PROFESSORES E A REFORMA DA MINISTRA: DEBATE!


Sobre o que temos escrito sobre a dita reforma do ensino promovida pela actual Ministra do Governo Sócrates, recebemos o seguinte comentário de alguém que se identificou como "Carlos Alberto - militante socialista 75000":

Algum dos senhor(a)es professores que vão fazer greve (mini-férias) no próximo dia 14.06.06, pode explicar-me porque razão tendo frequentado escolas com boas instalações e material sempre do melhor, com os livros que foram sempre escolhidos pelas escolas que frequentou, a minha filha com 17 anos mal sabe ler e escrever no 10 ano de escolaridade...
É culpa desta e dos anteriores Ministros da Educação?
É culpa minha? de certeza. A minha a culpa resulta de não ganhar o suficiente para pagar a peso de ouro umas explicações que não são declaradas ao fisco.
É dos Professores? Nunca. Como pode ser se estão em greve...

Militante Socialista 75000

Porque têm medo de ser avaliados os Professores

Dizem os sindicatos, e os profetas da desgraça do costume, que isso vai fazer com que os Professores ao atribuírem a classificação aos seus alunos, teriam que passar a levar em conta esse factor. Segundo estas caridosas alminhas desinteressadas, os Encarregados de Educação tomariam na “devida consideração” os Professores que não avaliassem seus filhos como “deve ser”.

Mas já agora, porque não dizem também que os Encarregados de Educação, poderiam ser levados a fazer uma avaliação dos Professores dos seus filhos, de forma “favorável”, porque como é sabido no ensino básico, um Professor normalmente acompanha o aluno durante 4 anos, quem arriscaria ver o seu filho posto de lado durante 3 anos por um Professor ressabiado.

Mas se levar, tão infeliz, argumento até ao absurdo, por aqueles que têm medo de ser avaliados, deveria o Ministério da Educação, encerrar todo o Ensino Particular. Senão vejamos, em que situação é por demais evidente a dependência (no caso económica) de Professores em relação aos Encarregados de Educação. O Encarregado de Educação do Ensino Particular, ao passar o cheque da mensalidade, não está a avaliar, a cada dia 30, os Professores dos seus filhos. Estão estes Professores mais diminuídos, que os do Ensino Público.
Qual a razão do medo de serem avaliados nos doze itens apenas num deles, pelos Encarregados de Educação. De que tem medo a FRENPROF.


Fica a resposta de um Professor:

Esta posição praticamente não tem resposta, pois move-se num nível de compreensão da realidade muito perigoso e tendencioso. Era o que faltava agora despechar para os professores todas as culpas pelo insucesso escolar. Este não é um problema só da escola, mas sim de toda a sociedade. É evidente que a escola reflecte de um modo mais claro as contradições, as misérias e a complexidade humana, mas por isso mesmo os professores não têm uma varinha de condão que de um modo mágico possa resolver problemas que são basicamente estruturais.A escola recebe os alunos que foram "educados" na base da lógica de uma sociedade que permanentemente promove e apela ao consumismo fácil, que apregoa a hedonismo e a vacuidade de valores, a uma sociedade que por motivos sociais, económicos, geográficos e regionais viu emergir um crescente nível marginalização social e cultural, provocando o nascimento de verdadeiros guettos urbanos, atirando ainda para as margens sectores geográficos que pela dimensão de assimetria e de ruralidade ficaram despojados do clima cultural e educativo que se tornam evidentes essencialmente nas zonas rurais.. O problema do insucesso, repito, é um problema que deve mobilizar toda a sociedade, é uma questão que exige uma compreensão de uma complexidade de factores, e que não pode ser de uma forma mentirosa, hipócrita e pior que tudo perigosa, ter os professores como bode expiatório. Senão qualquer dia ainda vão dizer que o nosso atraso cultural e educativo durante os 48 anos de facismo deve ser atribuído aos professores que não tiveram capacidade criar as condições educativas para superar o obscurantismo cultural do salazarismo e do marcelismo. Pouco falta.

Jorge Caetano


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segunda-feira, junho 05, 2006

CARTA ENVIADA POR UM PROFESSOR ...

Grato. Muito Grato, Srª Ministra !

Serve a presente para vir junto de Vª Exª penhoradamente agradecer a proposta para o novo Estatuto da Carreira Docente.
Valeu a pena esperar 25 anos de serviço para ver reconhecido o meu mérito profissinal.
As proposta que Vª Exª faz, em conjunto com o Sr. Eng., e a que se associa o Sr. Dr. da Oposição são brilhantes.
O Sr. Dr. da Oposição ainda vai mais longe, penso até que será um exemplo a seguir, quando prevê que: para pôr os professores na ordem, o chefe da escola deverá ser um Sr. Coronel reformado; para aumentar a produtividade e a competitividade, coloque-se um Dr. Economista na gestão. Genial !
Há anos que anseio ter um autocolante no meu carro a dizer:
"Professor da Escola Y. Atestada com Certificado de Qualidade" ou por
exemplo "Este carro é conduzido por um Profissional de Ensino. Trabalha na Escola Z".
Concordo em absoluto com TODO o diploma, e sobretudo com as
ideias inovadoras: como Coordenador de Departamento vou avaliar os meus colegas; com novos escalões; com as novas categorias de professores, e claro com bónus pecuniário!
Noto neste diploma uma muito positiva influência Filandesa, o que enche de orgulho o meu espírito europeu.
Sem querer ser maçador, chamo só a atenção para um outro
aspecto, o artigo 197 no seu ponto 2:" Seguindo o exemplo da sociedade
civil, onde os doentes avaliam os médicos e enfermeiros; operários avaliam engenheiros; arguidos avaliam juízes; funcionários avaliam gestores públicos,etc, é chegado o tempo das boas práticas do liberalismo económico serem aplicadas às escolas, pelo que pais e encarregados de educação passam a avaliar os professores." Nada mais justo !
Reina a calma e a ordem em todo o País. Tem Vª Exª todo o meu apoio.
Cordialmente.
João Botelho.

PS. Para que não haja equívocos ou más interpretações esclareço que sou militante do partido que sustenta o Governo.
Parto do princípio que Vª Exª e o Sr. Dr. Valter Lemos também o são. Ou estou errado ?

Viseu, 29 de Maio de 2006

domingo, junho 04, 2006

Ministra da Educação decreta guerra aos professores...


Na entrevista que Maria de Lurdes Rodrigues deu ao Público e que saiu na edição de hoje daquele diário, é visível que os professores são o alvo omnipresente para todos os males diagnosticados pela Ministra.

Ao longo da entrevista, descobre-se que também na Educação, o governo tudo condiciona ao cortar, cortar e cortar em nome da gestão dos recursos financeiros. E na Educação quer objectivamente desarticular completamente a carreira docente, para a imposição de um modelo onde os baixos salários e a dificuldade de progressão na carreira, assegurem a tal "boa" gestão dos recursos financeiros que o governo Sócrates pretende!

Da entrevista, é também notório que a Ministra conhece a realidade das Escolas, provavelmente das estatíticas. Não conhece, de certeza, a realidade tal e qual ela é. Isso é visível quando se pronuncia sobre a violência nas Escolas e limita-se a dizer "A escola tem de fazer uso dos meios de que já dispõe: de autoridade, de chamar a polícia se for caso disso"(!!!) ou "Muitas vezes há a imagem de que os próprios professores receiam intervir. Mas os próprios professores não podem ter medo. A escola também não." (!!!) ...

Para a sua reforma (!!!) , a ministra socorre-se também do mais miserável populismo, quando quer por os professores a serem avaliados também pelos Pais/Encarregados de Educação. Os Pais devem participar na vida da Escola. Claro que devem! Mas será que essa participação deve passar pela avaliação de uma realidade que só conhecem pelo relato (imparcial? verdadeiro ?...) dos filhos (os estudantes) ?

Uma reforma profunda do sistema educativo português é URGENTE! Exige coragem política! Mas também exige participação PRÉVIA de todos os que devem estar implicados nessa reforma!

A Ministra Maria de Lurdes Rodrigues não conhece a palavra participação, nem sabe ouvir préviamente. Por isso, em 14 de Junho, os professores farão GREVE! Será uma forma dos professores dizerem BASTA! Um BASTA que deveria ser acompanhado pela sociedade, nomeadamente pelos Pais ... em nome de uma reforma profunda do ensino que tarda cada vez mais!
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O LOBBY PRÓ-NUCLEAR CONQUISTA DIRIGENTES PRÓ-SOCRATES DO PS...


Pina Moura, ex-militante do PCP, ex-ministro de Guterres, ligado agora ao poderoso lobby que quer privatizar tudo o cheire a negócio de energia, parece que é adepto do nuclear para Portugal.

O lobby pró-nuclear ganha mais um adepto dentro do partido que apoia o governo liderado pelo ex-ministro do ambiente, José Sócrates.

Dentro do PS, parece que reina uma grande confusão . Mais uma ! Mais uma que é também sintoma da limpeza ideológica pró-liberal que a direcção de Sócrates tem vindo a impor a um partido que ainda (!) se chama "socialista"!

O nuclear voltou a ser notícia por via do poder económico e financeiro que o lobby que o apoia tem junto dos principais media portugueses. E o governo Sócrates, numa primeira fase, ajudou à festa, quando celebrou um acordo com a principal figura daquele lobby, o empresário Patrick Monteiro de Barros.

Depois de Chernobyl, depois do debate na vizinha Espanha para a desactivação de centrais nucleares, ... , a opção em Portugal pelo nuclear não tem a ver com qualquer exigência nacional energética. Tem a ver sómente com os interesses privados de uns quantos empresários! E, sendo assim, não tem de haver qualquer referendo ... era o que havia de faltar serem interesses privados a ditar a realização de referendos nacionais sobre uma matéria tão importante!

No PS, como já dissemos, reina a confusão e a falta de debate sobre esta matéria (a propósito, por onde anda Manuel Alegre e os seus apoiantes quanto a esta questão?) . Como, aliás, sobre um sem número de outras matérias. Do governo, o que também tem sobrado são as indecisões do primeiro-ministro ...

Os temas energéticos e os ambientais cortam transversalmente toda a sociedade. Desde um ponto de vista socialista, as opções nestas áreas devem conciliar planificação e participação. Governo e empresários, óbviamente, passam ao lado daqueles dois vectores!

Energia e ambiente obrigam a um grande debate popular e nacional. O debate não é só sobre o nuclear! Importa mobilizar trabalhadores, jovens, autarquias, sindicatos, cidadãos ... e não só elites e ditos especialistas como parece quererem empresários e partidários pró-nuclear do governo.

É um debate que transcende os espaços nacionais. No caso da Península Ibérica, é um debate que deve ligar Portugal e todas as nacionalidades do Estado Espanhol. Há rios comuns, há terra comum, há consequências comuns ...Posted by Picasa

sábado, junho 03, 2006

Transcreve-se a resposta a um comentário.


Olá Daniele,

Na minha opinião o socialismo é um projecto actualissimo e é, mais do que nunca, a alternativa ao capitalismo na sua actual versão globalizada.
O blog TRIBUNA SOCIALISTA é uma iniciativa colectiva de militantes pelo socialismo. A luta pelo socialismo faz-se também, na nossa opinião, no debate permanente e sem dogmas sobre qual o melhor caminho para tornar o socialismo como uma alternativa mundialmente reconhecida pela imensa maioria daqueles que tem sido autenticamente espezinhada pela actual versão do liberalismo e do capitalismo.

Para nós, o socialismo não pode ser confundido com o pesadelo estalinista, nem com a mentira social-democrata, nem com alguns
caudilhos sul-americanos recém-convertidos a algo que dizem ser socialista mas não é!

O socialismo para nós, é aquele que foi definido por Marx e Engels no "Manifesto do Partido Comunista" ... o socialismo tem de ser obra da iniciativa dos próprios trabalhadores! Mas o socialismo é também aquele que bebeu a experiência de Rosa Luxemburgo com a Comuna de Berlim e a Liga Spartacus. Sem esquecer a luta de Leon Trotsky contra a burocracia totalitária estalinista (o socialismo precisa de democracia como o corpo humano precisa de oxigénio) e a de Andreu Nin, na Revolução Espanhola dos anos 30, por um socialismo que assentasse na auto-iniciativa e na auto-organização dos trabalhadores.

O socialismo é, antes de mais, um projecto internacional e internacionalista. Não se confina (até asfixia...) aos muros das fronteiras nacionais. Esta já era a preocupação de Marx e da Associação Internacional dos Trabalhadores, a 1ª Internacional. E na actual fase do capitalismo globalizado aumenta a responsabilidade política do socialismo como a única alternativa global ao capitalismo.

O que podemos, todos nós e em qualquer parte do planeta, fazer pelo socialismo?
* Ter sempre uma posição afirmativa e não só de oposição/contestação: o socialismo é um projecto alternativo!
* Lutar contra as concentrações monopolistas e transnacionais do capital. É possível a socialização da propriedade e da sociedade!

* Lutar pela generalização da democracia a todos os níveis da sociedade! O liberalismo/capitalismo tem -se caracterizado pela limitação da democracia, ora usando motivações securitárias (a dita luta contra o terrorismo), ora usando motivações economicistas (as chamadas recuperações económicas).
* O que se passa à nossa volta, deve merecer sempre a nossa participação crítica e afirmativa! As intervenções social, política, cultural e económica não são exclusivas de "elites" ou de "especialistas"...

* A luta pelo socialismo vai muito para além dos jogos parlamentares. O parlamentarismo, nomeadamente aquele que domina as democracias liberais ocidentais, é um espartilho à participação de qualquer uma ou de qualquer um, em qualquer nível da sociedade. A luta pelo socialismo passa também pela participação nas eleições parlamentares, mas decide-se sobretudo nas lutas do dia-a-dia e na capacidade de consolidar e interligar as formas de auto-organização que se vão criando!

* Em qualquer ponto do planeta, a luta contra todas as formas de discriminação, marginalização e repressão dos fluxos humanos migratórios é hoje, mais do que em qualquer outra história da Humanidade, parte integrante da luta contra a globalização liberal-capitalista e de afirmação por uma nova realidade socialista!


No século XXI, a luta pelo socialismo tem mais meios que no século XIX! Por exemplo, este meio - a Internet - que utilizamos, pode servir para organizar vontades, para mobilizar militâncias, para tornar o socialismo um objectivo realizável por meios de intervenção social e de intervenção política e, não necessáriamente, de forma violenta do tipo insurreição armada. Em grandes áreas do nosso planeta, as classes trabalhadores conseguem, por meios políticos, fazer valer a sua vontade de mudança.

Essa vontade de mudança, expressa por via eleitoral, tem esbarrado com a falta de vontade das direcções das esquerdas social-democrata e estalinista, um pouco por todo o mundo. Tem faltado uma direcção revolucionária! Essa direcção revolucionária, no século XXI, não tem de surgir necessáriamente a partir da organização de um partido (como o bolchevique, na Rússia de 1917). Pode surgir do movimento social e da coordenação das formas de auto-organização que esse movimento social cria em situação pré-reolucionárias e revolucionárias. O certo é que sem uma direcção revolucionária lúcida e com objectivos claros, o capitalismo acabará por ressuscitar. Como tem vindo a acontecer. Diríamos que nunca esteve tão próximo o colapso do capitalismo. Mas ... nos momentos decisivos, parece que nunca esteve tão longe a capacidade de organização de uma direcção por parte do movimento social anti-liberal!

Mas a actividade militante é uma actividade de persistência, de paciência e de permanente acreditar!

Espero que também lute onde estiver!!

Saudações fraternas,
João Freire (Editor)