tribuna socialista

sábado, janeiro 31, 2009

ALAMBIQUE: publicação anarquista do Centro de Cultura Anarquista Gonçalves Correia

in EDITORIAL de ALAMBIQUE nr.2


Alambique, s.m. [do ár. ‘anbiq]

–1. Aparelho próprio para realizar destilações

–2. Fig. Aquilo que serve para apurar ou aprimorarPassou muito mais tempo do que contávamos a sair com um segundo Alambique.

Preferíamos de outro modo, mas talvez valha a pena entender a ausência em causa. Isto porque ainda que o tenhamos dito desde o inicio, o resultado que tem nas mãos, resulta de algo entendido como um Projecto em torno do que apelidámos de Centro de Cultura Anarquista (CCA) Gonçalves Correia.

Julgamos porém que nos fizemos ultrapassar por esta designação, ou melhor pelos anseios que a mesma expunha. Ainda que cientes de lidarmos com algo meramente em construção, acabamos por resultar em pouco mais do que uma aglomeração, propulsionada pela existência de actividades programadas num determinado espaço, e não exactamente numa afinidade. Não pretendemos menorizar o que foi sendo feito, e muito menos a presença de um local em Aljustrel (e sobretudo o que este proporciona), mas na verdade por muito mais que tod@s o desejássemos, este espaço nunca se concretizou ele mesmo, e por si, num Centro de Cultura Anarquista.

Daí que nos pese por vezes ver semelhante ênfase (essencialmente visto de fora e não de dentro), esquecendo aquilo que esteve sempre na base: um projecto. E como em tantas e outras repetidas situações erradamente pondo o espaço à frente do projecto. Não é nenhum drama, ver que as coisas acabam não sendo aquilo que tanto se fala (ou se espera), pelo que não esperem encontrarem-nos sempre no mesmo sítio do costume.

Como Gonçalves Correia gostamos de vaguear…Porque se ainda aqui estamos, é porque algo, uma dinâmica, mais importante subsiste. Um punhado de indivíduos que se encontra naquilo que outros chamaram de “projectualidade individual anarquista” na qual “para agirmos sobre a vida, ao invés de ela ser algo que nos acontece, precisamos de saber o que desejamos e como tentar alcançá-lo, precisamos de saber quem nos impede de o fazer e quem são os nossos potenciais cúmplices nesta aventura colectiva pela liberdade individual”.

Cada um de nós age e toma a iniciativa no desenvolvimento do seu projecto, em possibilidades que se multiplicam quando nos cruzamos.

E apesar, ou por vias, da simplicidade desta equação, que tant@s já evidenciaram no eterno conflito do Individuo e do Estado, é hoje mais do que nunca desconcertante para a autoridade a palavra anarquistas.

Entre este Alambique e o anterior, nunca a evidência nos foi tão directamente apresentada quando fomos convidados pela GNR de Aljustrel a “explicar” o que íamos fazer no Festival CCA Gonçalves Correia que aconteceu em Julho passado, sugerindo-se também eles incrédulos com um alerta lá de cima de alguns “leitores” atentos da blogesfera libertária.

As inquietações destes democratas eram afinal as mesmas de sempre (há quem ainda pense que cabiam ao passado): do que íamos f-a-l-a-r …não eram os concertos, eram os debates e os workshops que os preocupavam. Atentos às palavras, e receosos, receosos como sempre. Alimentando o medo, como o combustível das nossas vidas.E do que falámos? Exactamente aquilo que agora podes ler neste número. Nem pôr nem tirar. Leiam. Apenas uma matéria veio de novo, com tamanha força, que jamais deixará as coisas na mesma: Grécia. O mesmo mundo mediterrânico, acossado pelo progresso: destruindo olivais seculares, hipotecando a paisagem ao turista, e tal como nesta outra ponta da Europa, dominado pela repressão e pelo capitalismo. E a luta anti autoritária que aí nunca deixou de existir, de um dia para o outro, estava incontrolável.Já houve quem dissesse: “não há qualquer dúvida de que uma nova fasquia foi colocada no que se pode esperar nos países Ocidentais durante a vindoura era de depressão económica e de declínio ambiental. Os governos europeus irão sem dúvida reforçar as suas políticas de vigilância e repressão em antecipação às crescentes agitações civis. Mas isso pode não ser suficiente para manter as populações subjugadas à medida que crise atrás de crise ponha em causa a existente combinação do poder e dos privilégios.”

Alentejo, Janeiro 2009

quinta-feira, janeiro 29, 2009

GREVE GERAL EM FRANÇA: hoje 29 de Janeiro de 2009!


Democratie & Socialisme é uma revista
de uma corrente de esquerda
do PSF.
Por toda a França, hoje há GREVE GERAL!


Pela defesa dos serviços públicos, contra o desemprego, por medidas urgentes que defendam o emprego, os salários e que protejam quem não tem culpa por esta crise.


É uma greve que consegue reunir todo (CFDT, CGT, FO, FSU, UNS, CFE/CGC, US Solidaires) o movimento sindical, que reune apoios dos trabalhadores do sector público e do sector privado. É uma resposta impressionante dos trabalhadores franceses às medidas de Sarkozy que acabam por só proteger quem tem responsabilidades na origem e na persistência desta crise.


A greve geral em França é um exemplo a todos os trabalhadores europeus, desempregados, precários, a prazo, todos, para que se organizem, numa mobilização exemplar a nível europeu, na busca por soluções para a crise fora dos limites do sistema que provocou esta crise!

quarta-feira, janeiro 28, 2009

APÓS ANÁLISES, MAIS ANÁLISES, MAIS ANÁLISES ...



O cenário poderia ainda ser pior e continuariamos ainda a ver muitas cabeças pensantes e com responsabilidades nesta crise, a persistirem em análises que começam, duram e acabam, em como encontrar "razões" em algo que terá corrido mal ou em alguns empresários com menos escrupulos ... o mais importante, para essas cabeças, é não por em causa o sistema que, apesar de tudo, possibilitou-lhes num importante período de tempo, ganhos astronómicos.

Haverá também quem continuará a culpabilizar os salários pela "asfixia" das empresas ... esquecendo-se quem o faz, que esqueceu de esconder o automóvel de gama alta que ficou à porta da empresa!

A crise que temos é uma crise do sistema capitalista na sua fase globalizada e neo-liberal. Não é uma crise deste ou daquele empresário, desta ou daquela empresa ou de trabalhadores considerados malandros. É a crise de um sistema que apostou na desregulamentação, na escravização da mão-de-obra através de esquemas de precarização, contratos a prazo e exportação de mão-de-obra quase escravizada, que usou e abusou da especulação financeira, que tornou o comércio internacional uma selva densíssima, usando como armas para a sua dominação organizações como o FMI, o Banco Mundial, a OMC e um conjunto de Estados nacionais, com os EUA à cabeça, numa carruagem de que faz parte a China!

Este sistema capitalista está num estado que não é reformável ... todos os arranjos que se possam fazer, sómente adiarão o estouro final. Um estouro que não se dará em uma qualquer data préviamente marcada para o histórico "fim do capitalismo", mas que acontecerá, aos poucos mas depressa, pelo lado da tragédia social e humana!

Os tempos já não podem servir para analisar o que já está farto de ser analisado! São precisas soluções que tenham a coragem de propor um novo radicalmente diferente do que está a falir! E na busca dessas soluções, é vital, fundamental, decisivo, o contributo de todas e de todos os que são vítimas da actual crise. É preciso dar-lhes a palavra, o protagonismo ... sendo que, para isso, é também preciso reconhecer que as representações políticas tradicionais e baseadas no sistema liberal falharam em toda a linha ...

Os movimentos sociais deverão ter, em pleno século XXI, a mesma iniciativa política que o movimento operário teve no século XIX, avançando com novas formas de organização e intervenção para a mudança radical da sociedade num sentido socialista, libertário e profundamente democrático!

31 DE JANEIRO: CRISE ECONÓMICA, MUDAR CONSCIÊNCIAS

Texto retirado de TERTÚLIA LIBERDADE, ao qual TRIBUNA SOCIALISTA associa também o seu apelo à participação. Na busca de uma saída para a presente crise, é também urgente encontrar uma resposta socialista e libertária!

Face à actual crise económica do capital, que os diversos poderes pretendem fazer recair sobre nós e cujos efeitos os comentadores das mais diferentes cores e paladares fazem recair sobre as populações, apenas se diferenciando por mais ou menos intervenção estatal para promover a defesa do sistema capitalista, a Tertúlia Liberdade e a Alternativa Libertária decidiram unir esforços e apelar a uma posição e intervenção bem diferentes.

Na sequência do encontro que promovemos em Dezembro passado no Museu da República e Resistência vamos organizar uma sessão no próximo sábado 31 de Janeiro, na Associação Abril/Casa do Brasil.

Desta vez iremos apresentar propostas práticas à apreciação dos presentes, para podermos encontrar caminhos de saída para o atoleiro em que o iníquo sistema do domínio e da exploração nos mergulhou.

Agimos sem desajustadas e falsas pretensões vanguardistas ou hegemónicas, nem interferências partidárias ou de outra ordem. Queremos contribuir para uma saída comum de uma crise de que não somos responsáveis e nos recusamos a pagar. Defendemos a auto-organização das populações e acreditamos na conhecida máxima "a emancipação dos trabalhadores terá de ser obra dos próprios trabalhadores", por isso te convidamos a participar neste encontro.

Vem ter connosco sábado 31 de Janeiro entre as 15 e as 18 H à sede da Associação Abril/Casa do Brasil na Rua S. Pedro de Alcântara, 63-1º Dtº em frente ao elevador da Glória.

Lá esperamos por ti, pelo teu contributo e dos teus amigos.

terça-feira, janeiro 27, 2009

ROSA LUXEMBURGO NO FORUM SOCIAL MUNDIAL 2009

Ø Lançamento do livro Socialismo ou Barbárie – Rosa Luxemburgo no Brasil, organizado por Isabel Loureiro e publicado pelo IRLS.

DEBATEDORES:
Isabel Loureiro (Instituto Rosa Luxemburg Stiftung/Brasil)
Michel Löwy (Centre National de la Recherche Scientifique/França)
Gilmar Mauro (MST/Brasil)
Paulo Arantes - (USP/Brasil)
Paul Singer –(Secretaria Nacional de Economia Solidária do Ministério do Trabalho e Emprego/Brasil)

ORGANIZAÇÃO: Instituto Rosa Luxemburg Stiftung
Ver também outras actividades no link.

A PROPÓSITO DO FORUM SOCIAL MUNDIAL ... COMEÇA HOJE ATÉ 01 DE FEVEREIRO!

Um movimento de movimento, um colectivo de colectivos, uma imensa convergência de muitas minorias, de muitas diferenças por outra globalização!

Começa hoje em Belém (Pará), no Brasil, e, vai até 1 de Fevereiro!

O Forum Social Mundial é também a afirmação de que outro Mundo é possível!

Mas faz muita falta que a afirmação por outro Mundo, possa começar a ter uma expressão de alternativa global ao capitalismo na sua fase global e neo-liberal!

Por aqui também gritamos que OUTRO MUNDO É POSSÍVEL, mas acrescentamos COM O SOCIALISMO!

JUDEUS CONTRA O SIONISMO !

Uma carta da Rede Judia Anti-sionista Internacional.

"Somos uma rede internacional de judeus incondicionalmente comprometidos com as lutas de emancipação humana, nas quais a libertação dos habitantes da Palestina e da sua terra é una parte primordial. O nosso compromisso é pelo desmantelamento do apartheid israelita, em relação aos refugiados palestinianos e pelo fim da colonização israelita da Palestina histórica. "

O texto está em castelhano, mas sugerimos uma leitura ...

segunda-feira, janeiro 26, 2009

NÃO CALEM O JN! Manifesto pelo último grande jornal da cidade do Porto


Há um só jornal de dimensão nacional sedeado fora de Lisboa, o “Jornal de Notícias”, resistente último à razia que o tempo e as opções de gestão fizeram na Imprensa da cidade do Porto. Todavia, nunca a precariedade dessa sobrevivência foi tão notória como hoje, sendo tempo de todas as forças vivas da sociedade reclamarem contra o definhamento da identidade de uma instituição centenária que sempre as representou, passo primeiro para a efectiva e irreversível extinção.

Desde sempre duramente penalizado pela integração em grupos de Comunicação Social, pois sempre foi impedido de viver à medida das audiências e dos resultados, o “Jornal de Notícias” tende a ser profundamente descaracterizado pela remodelação que o Grupo Controlinveste encetou, ao lançar um processo de despedimento colectivo que afectou, para já, 122 pessoas em quatro dos títulos de que é proprietário.

São cada vez mais nítidos os indícios de que o referido grupo económico está a usar a crise para levar a cabo uma reestruturação, longamente pensada, que, através da criação de sinergias, destruirá a identidade dos dois jornais centenários de que é proprietário: o JN e o “Diário de Notícias”. Se o processo não for travado, os dois jornais, mesmo que mantenham cabeçalhos diferenciados, serão apenas suportes de conteúdos sem alma. A ideia não é nova e, com a concentração dos media e com alterações legislativas feitas à medida, está em pleno curso. É agora prática corrente a figura do “enviado notícias”, jornalista de um dos dois títulos em serviço no estrangeiro, que vê a sua reportagem (ipsis verbis) publicada em ambos, ainda ontem concorrentes, mesmo que integrados no mesmo grupo. Foi agora criada, à custa do despedimento de fotojornalistas, uma agência fotográfica cujos membros integrantes trabalharão, indiscriminadamente, para os jornais “Diário de Notícias”, “24Horas” e “O Jogo” (o JN entrará logo depois nesse esquema, a primeira grande machadada nas matrizes identitárias das publicações).

O resto virá a seguir. Os jornais do Grupo Controlinveste passarão a ser, não importa se sob uma ou várias marcas, veículos de um pensamento unificado. Pensando apenas em optimização de recursos, descaracterizam-se redacções e nada impedirá, como acabou de suceder no JN com a informação internacional, que secções sejam extintas, uma vez que, nesta visão redutora, um só jornalista chegará para alimentar quantos jornais e páginas da Internet for necessário. A prática que se adivinha está já em curso na informação desportiva, em que JN e “O Jogo” partilham trabalho jornalístico.

Com a solidificação deste assustador processo, será o JN o mais penalizado e, com ele, a cidade do Porto, todo o Norte do país, vastas extensões da região Centro e, por conseguinte, a própria qualidade da democracia portuguesa. Toda esta estratégia está a ser desenhada à distância, integrando-se nela a recuperação, há menos de um ano, do cargo de director-geral de publicações, entregue ao director do “Diário de Notícias”. Não importa a qualidade boa ou má dos propósitos, apenas que a estratégia do JN vem sendo traçada por pessoas que desconhecem por completo a história, o papel social, o estilo, os leitores ou os agentes sociais que ao longo de décadas tiveram neste jornal a sua voz.

Cada vez mais, o JN deixará de ser a montra dos problemas e dos anseios de vastas zonas do país (o fecho e o emagrecimento de filiais são paradigmáticos). Com isso, haverá um crescente isolamento de regiões que o centralismo tem colocado cada vez mais na periferia. Com isso, o debate sobre a regionalização será restrito e controlado pelo espírito centralista. Com isso, questões como o peso do Porto e do Norte no Noroeste Peninsular serão menorizadas. Problemas como o da gestão do Aeroporto Francisco Sá Carneiro serão menos discutidos. A progressão da rede de metro do Porto será menos reclamada. O poder local será ainda mais invisível. O empreendedorismo será asfixiado. A vida cultural será ainda mais silenciada. O país exterior à capital será cada vez mais paisagem.

Em sede própria, estão os trabalhadores afectados pelos despedimentos (não apenas jornalistas), muitos deles em situações dramáticas, a lutar pelos direitos que lhes assistem. Aqui, é o jornal que luta pela própria existência. Dentro dos deveres que lhes são impostos, os representantes eleitos pelos jornalistas do “Jornal de Notícias” erguem a voz pela história que lhes cumpre honrar, pedindo que se lhes juntem as vozes de quantos virem na preservação desta identidade uma causa justa.

A cidade do Porto e o Norte assistiram, calados, ao desmantelamento de ícones como “O Primeiro de Janeiro” e “O Comércio do Porto”. Quando reclamaram, era tarde. No caso do JN vão ainda tempo de exigir responsabilidade e sensatez. Quando perceber que o fim de tudo foi assim evitado, também o Grupo Controlinveste agradecerá, e é por isso que reclamamos a recuperação urgente do verdadeiro JN. Nacional mas do Porto.

Porto, 23 de Janeiro de 2009


Petição on-line (clique em cima)

terça-feira, janeiro 20, 2009

ESPERANÇA ... DE QUAL É QUE FALAM?

A eleição de Barack Obama é, sem dúvida, um dado novo e muito interessante na sociedade norte-americana. A sua eleição superou, no plano social, os limites do Partido Democrata, um dos dois partidos do sistema!

A eleição de Obama representou, de facto, o nascer de uma enorme espectativa, mesmo esperança, depois de anos de uma Administração desastrosa para os norte-americanos e para todo o Planeta.

Mas é preciso algum cuidado quando se fala em esperança ... é que não é espectável que a "esperança" de que se fala, possa ser a mesma quando ouvimos governantes, quando ouvimos trabalhadores, quando ouvimos banqueiros, quando ouvimos sem-abrigo ...

Essa "esperança" será posta à prova quando a Administração de Obama tiver que apresentar medidas contra a crise financeira/económica/social, quando tiver de cumprir com o fecho de Guantanamo, quando tiver de retirar do Iraque, enfim, quando tiver de concretizar as suas promessas de levar para a sala oval da Casa Branca os anseios e as vontades dos americanos.

Perante todos esses desafios, certamente que será possível descobrir o verdadeiro significado da "esperança" ... será possível avaliar em como a concretização da "esperança" só será possível se houver coragem para se ir para além dos limites do actual sistema.

segunda-feira, janeiro 19, 2009

PROFESSORES: UM EXEMPLO DA CAPACIDADE DE "DIÁLOGO" (!?) DE SOCRATES COM TRABALHADORES!


JOSÉ SÓCRATES VOLTOU ÀS PROMESSAS ...

José Sócrates falou ontem como nos habituou a todos, desde que é primeiro-ministro e secretário-geral do PS: o que disse não é para levar a sério!...

Sócrates falou simultâneamente como actual primeiro-ministro que gostava de continuar a ser, e, como secretário-geral de um Partido que quer justificar a marca (!) "socialista" com um acordo com a sua chamada "ala esquerda".

As promessas que fez, fazem-nos lembrar as que já tinha feito e nunca cumpriu ao longo desta legislatura: o referendo sobre a Europa, a revisão do Código Laboral num sentido mais social e pró-trabalhadores, ... Ou seja, mais umas quantas promessas que serão isso mesmo, promessas!

Pelo meio, lá vai falando (com a maior lata deste mundo!) contra o neo-liberalismo ... mas depois compreendemos melhor a que neo-liberalismo se opõe. Refere-se, no abstracto, a um neo-liberalismo baseado no mercado e na especulação - lá ficamos nós a lembrarmo-nos das privatizações da responsabilidade do governo Sócrates - e receita contra esse neo-liberalismo mais regulação pelo Estado do mesmo neo-liberalismo! Não nos esqueçamos que este Estado que temos é uma espécie de braço político do neo-liberalismo, que tem por missão desregular e liberalizar e nunca regular (como se chegasse regular ou estatizar...)

Sócrates e os seus amigos do governo e da direcção do PS pertencem, pelas políticas que executam e pela prática política que se lhes conhece, à grande família dos guardiões do actual neo-liberalismo globalizado. E é por isto que será curioso ver, em breve, como se comportará Manuel Alegre ...

domingo, janeiro 18, 2009

GAZA: a propósito de uma manifestação em Berlim ...











Este é um relato pessoal a propósito de uma manifestação realizada em 17 deste mês (ontem) contra a invasão israelita em Gaza.
Estava em Berlim e quis aproveitar a oportunidade para manifestar também a minha solidariedade com os massacrados palestinianos.
Tenho defendido que o problema que existe desde a criação do Estado de Israel, não é hoje resoluvel na base de posições de força militar, mas também não o é apelando-se a nacionalismos ou fundamentalismos de toda a espécie, venham eles de onde vierem.
Na manifestação em Berlim, estariam cerca de 5.000 pessoas, sendo uma grande maioria imigrantes provenientes da Palestina e de países daquela área geográfica.
As palavras de ordem não eram todas as mesmas: os manifestantes imigrantes pronunciavam palavras de ordem claramente nacionalistas e religiosas; os manifestantes provenientes de grupos e partidos das esquerdas alemãs adoptavam posições mais políticas!
Um episódio (que ilustro com uma fotografia) elucidativo das consequências das posições nacionalistas e religiosas, foi uma discussão a que assisti entre um dos dirigentes dos imigrantes e um israelita. A discussão só aconteceu por ser um israelita a querer demonstrar a sua solidariedade com o massacrado povo de Gaza. Não descortinei um único momento em que esta discussão tivesse sido aproveitada (nomeadamente pelo dirigente imigrante) para apelar à unidade dos trabalhadores palestinanos e israelitas contra o autismo dos respectivos governos e contra as políticas nacionalistas e fundamentalistas!
A única posição que vi contra os fundamentalismos, contra os nacionalismos, contra o capitalismo apelando ao socialismo na Palestina e em Israel foi de um pequeno grupo alemão, que desconheço, (ver foto) intitulado "Revolutionare Perspektive Berlin". Sintomático do estado em que se encontram alguns sectores das esquerdas ...
A par de tudo isto, lá estavam os polícias equipados (!) até aos dentes e muito eficientes (!) a filmarem todos os passos da manifestação ....
O Médio Oriente precisa urgentemente de uma perspectiva libertária, socialista e claramente anti-nacionalista e anti-fundamentalista!
João Pedro Freire

EM JANEIRO: EM ANOS E LOCAIS DIFERENTES, MEMÓRIA PARA O FUTURO DA LUTA PELO SOCIALISMO!



Por estes dias de Janeiro - 15 de Janeiro de 1919 e 18 de Janeiro de 1934 - em anos e locais diferentes, dois acontecimentos trágicos marcaram actos de repressão a que os Estados recorrem para por fim à capacidade de auto-organização, de auto-iniciativa e de mobilização operária e popular.

O assassinato de Rosa Luxemburgo com a conivência do governo social-democrata da altura , em pleno momento de levantamento popular em Berlim, foi um duro golpe para o movimento socialista internacional e para a própria Revolução socialista mundial. Ficou a obra de Rosa Luxemburgo que deve ser lida como o resultado de alguém de vivendo intensamente as lutas operárias e populares do seu tempo soube concluir que a libertação e a conquista da autonomia dos trabalhadores tem de ser o resultado da sua própria luta e da sua própria iniciativa!

Escreveu Bertolt Brecht:

Epitáfio de Rosa Luxemburgo
Aqui jaz
Rosa Luxemburgo,
judia da Polônia,
vanguarda dos operários alemães,
morta por ordem dos opressores.
Oprimidos,
enterrai vossas desavenças!


Em 1934, em Portugal, na Marinha Grande, o levantamento dos operários vidreiros é o culminar de um período de lutas operárias por melhores condições de trabalho e de vida, mas também contra as medidas que visavam destruir sindicatos livres, agrupados maioritáriamente em torno da CGT (Confederação Geral do Trabalho, de orientação anarco-sindicalista). Tal como na Alemanha, com a morte de Rosa Luxemburgo e a derrota dos Espartaquistas, também a derrota do levantamento operário da Marinha Grande, constituiu um golpe trágico para o movimento operário e sindical em Portugal.

Dois acontecimentos, em momentos e locais diferentes, que devem ser estudados e lembrados como motivação para que, na era da globalização neo-liberal, o socialismo possa surgir como o resultado das lutas sociais e operárias, livre e conscientemente inter-ligadas, para que uma nova realidade mundial seja possível!

sexta-feira, janeiro 16, 2009

A NOVA ESQUERDA (*)

O texto que agora damos a conhecer é da responsabilidade de Alexandre Pinto e foi publicado primeiramente no Jornal do Centro.

O Alexandre Pinto é um militante do espaço da esquerda socialista, embora, neste momento, sem partido. Consideramos o seu texto como mais um bom contributo para a discussão sobre a reformulação/reestruturação/reorganização do espaço da esquerda socialista.



(*) Texto de Alexandre Pinto

Defendo a criação de um novo sujeito político em Portugal, chamem-lhe partido na designação ortodoxa, emergindo do espaço sociológico criado a partir das candidaturas pioneiras e emancipadoras de Manuel Alegre à Presidência da República e de Helena Roseta às Eleições Autárquicas Intercalares de Lisboa. Um Movimento Político dos Cidadãos organizado em rede, sem burocracias nem hierarquias rígidas e dogmáticas capaz de ser uma resposta política inovadora às novas exigências do século XXI e que não replique modelos ultrapassados dos outros partidos filhos da Revolução Industrial.

A crise e as suas exigências sociais exigem de nós respostas políticas enérgicas e inovadoras com capacidade de mobilizar aspirações e anseios dos cidadãos, profundamente desiludidos com o enorme fracasso das respostas dadas pelos partidos tradicionais ao longo dos últimos anos. A crise social exige de nós uma Nova Agenda Política com prioridades muito claras e de mudança.
Depois de três quadros comunitários de apoio, milhões e milhões de euros de ajudas alguma coisa de muito grave falhou. Portugal é hoje um dos países mais pobres da Europa. Mais de 18 por cento da população Portuguesa vive abaixo do limiar de Pobreza, com menos de 380 euros mensais. Este é um problema estrutural que ao longo da última década se tem arrastado, sem que se consigam implementar políticas com capacidade de alterar a situação. Ao mesmo tempo Portugal é o país que no contexto Europeu sofre de uma maior desigualdade na distribuição do rendimento e da riqueza – a parcela auferida pela faixa de 20 por cento da população com rendimentos mais elevados é 6.5 vezes superior à auferida pelos 20 por cento da população com rendimentos mais baixos, enquanto a média comunitária é de 4.6 e nos países Nórdicos não vai além dos 3,5. No último Relatório do Eurostat sobre a situação social coesão e igualdade de oportunidades, publicado em 2008, Portugal continua a ser o país com mais desigualdades no contexto da União Europeia. Quase um milhão de pessoas vive com menos de dez euros por dia e duzentos e trinta mil com menos de cinco euros.


Deve ser esta a prioridade política da Nova Esquerda. Mais de vinte anos passaram desde a entrada de Portugal na União Europeia. Depois de todo este tempo a Pobreza tem-se mantido estável em torno dos vinte por cento da população portuguesa: um em cada cinco portugueses é pobre. Temos que mudar este estado de coisas. Não nos devemos resignar e encolher os ombros aos inúmeros apelos manifestados por tantos cidadãos que hoje se sentem desiludidos com a política em Portugal. É este o momento para avançar, deixemos de protelar adiamentos, porque a grave crise social e económica que estamos a viver agrava ainda mais a sua exigência. Se não o fizermos estaremos a ser cúmplices de um silêncio de medo sofrimento e desespero de milhares de cidadãos neste País. Não há desculpas à esquerda!

JORNAL do CENTRO ed. 357, 16 de Janeiro de 2009

quarta-feira, janeiro 14, 2009

AUTO EUROPA: SERÁ QUE OS PRECÁRIOS NÃO SÃO TRABALHADORES?

Lendo as notícias sobre o despedimento de 254 trabalhadores precários na Auto Europa, fica-se com a impressão que sendo precários os trabalhadores "dispensados", então não existirão despedimentos ...

O mesmo cinismo que já tinha estado presente na intervenção de "anúncio" de crise do governador do Banco de Portugal - quando referiu que 60% dos trabalhadores não veriam os seus postos de trabalho ameaçados ... - está agora também presente nas declarações dos responsáveis patronais da Auto Europa.

Desde um ponto de vista socialista, não há precários, contratados a prazo e efectivos ... todos são trabalhadores! Qualquer que seja o estatuto que o patronato imponha para cada trabalhador, o certo é que todos servem para produzir riqueza e todos trabalham lado a lado. Esta ideia de alguns serem "descartáveis" é a imagem de marca daquilo a que se chama neo-liberalismo.

Aguarda-se por uma posição da Comissão de Trabalhadores!

RELIGIÕES = FUNDAMENTALISMO ?

O cardeal patriarca de Lisboa é tido como um homem "tolerante" ... no entanto, ontem proferiu declarações que só podem ser compreendidas porque é o chefe da Igreja com hegemonia em Portugal.
Nos tempos que correm, é oportuno comentar as afirmações do cardeal porque é importante que se levantem vozes contra os fundamentalismos religiosos, de qualquer tipo ou latitude. E esta foi uma oportunidade para todos constatarmos que os fundamentalistas não estão só do lado dos muçulmanos, mas também do "lado de cá" ...
Há verdades pequenas mas de grande dimensão que convém lembrar: ninguém se casa por causa da religião, seja ela qual for! Há uma dimensão que não deve escolher razões, religiões, politicas, cor, sexo, ... e que é o Amor!
Provavelmente é uma matéria que o cardeal só conhece da retórica e do pulpito, mas não na prática, na vida.
Além do mais, convém sempre constatar que geralmente, as religiões ressuscitam em tempos de crise e em contextos de sub-desenvolvimento cultural, onde se tornam, de facto, autentico ópio para o povo! É este o contexto em que vivemos. E é neste contexto que os altos dirigentes das Igrejas apelam à resignação dos fiéis, à espera que o paraíso dos ceús chegue ...

terça-feira, janeiro 13, 2009

AÍ ESTÁ O SIGILO A PROTEGER GESTÕES POUCO CLARAS ...


Não teria sido esta mais uma oportunidade para se questionar o tal "sigilo" bancário ?

Com todas as acusações que pendem sobre o ex-governante, ex-presidente de um banco, o banqueiro ainda finta a Assembleia da Republica em nome da sua "condição" (!!!) de arguido?

Uma grande diferença entre uma medida de "estatização/nacionalização" (que aconteceu para o BPN) e a SOCIALIZAÇÃO teria sido o tratamento que se daria ao "sigilo" bancário - que seria banido! - e a intervenção organizada dos trabalhadores do sector bancário no controlo directo das direcções e gestões das chamadas Instituições de Crédito.
É claro que ESTE Estado que temos, fortemente habitado (!) e controlado por liberais (de muitas cores!) que o dizem combater, mas que, na prática agarram-se a ele como lapas, nunca teria capacidade para produzir qualquer medida socializante ...