tribuna socialista

sábado, abril 28, 2012

O QUE VAI ACONTECER AO HOSPITAL MARIA PIA?

Já sabemos que há mais de 25.000 espaços devolutos/abandonados só na área do Porto. Muitos desses espaços são públicos. Espaços, tal como o da Es.COL.A que os poderes públicos (colonizados por lacaios de privados!) deixam ao abandono para depois serem entregues à especulação imobiliária e financeira.
Esses espaços significam carências de uma habitação condigna para muita e muita gente. Nomeadamente para quem hoje é despejado por não conseguir aguentar o compressor financeiro ...
Mas também há os espaços públicos abandonados que significam destruição do modelo de sociedade que Abril desenhou. 






A partir de Junho próximo, o Hospital Maria Pia, na Rua da Boavista, estará vazio. Todos os seus trabalhadores (médicos, enfermeiros, administrativos ...) foram transferidos para o Hospital de Sto. António ... há equipas que ficam desintegradas, há experiências que ficam abandonadas ... e há uma dúvida do tamanho do Mundo que fica por esclarecer: o que vai acontecer ao "Maria Pia"? o que vai acontecer áquele espaço centenário? ficará ainda no Serviço Nacional de Saúde ou dará lugar a mais um espaço de especulação imobiliária urbana?
Tenho para mim que OCUPAR é um acto legitimo de REABILITAÇÃO URBANA, principalmente quando os poderes públicos se demitem e se passam para o lado da rapinagem privada.
Sim ... o que vai acontecer ao "MARIA PIA" ?

segunda-feira, abril 23, 2012

25 DE ABRIL DE 2012: COMEMORAR A LIBERDADE É LIBERDADE O Es.COL.A!

Cada ano celebramos mais um sobre o 25 de Abril de 1974 ...
Dia de libertação da ditadura, dia de libertação da guerra colonial, dia de liberdades, mas também dia que marca o inicio de um processo de ruptura liderado pelo povo, pelos trabalhadores e pelos jovens.
Dia de inicio de REVOLUÇÃO que, de facto, não estava previsto por quem liderou o golpe militar.
Nós, os 99% desse momento, provámos que sabíamos o que não queríamos, mas também demonstrámos que sabíamos muito bem o que queríamos!
Ano após ano, temos comemorado essa Revolução, por mais que o poder queira fazer desse dia um feriado e só isso com umas sessões cheias de bolor e de cinzentismo na Assembleia da Republica.
38 anos depois, o 25 de Abril volta a ter libertação marcada ... o "25 de Abril sempre, fascismo nunca mais" tem local marcado!
Este ano, em 2012, o 25 de Abril é para ser comemorado com a LIBERTAÇÃO DO Es.COL.A da Fontinha, no Porto!
Este ano, há uma libertação de concreto, há uma realidade palpável para dar corpo ao slogan ...
Não foi nenhum "comité central", não foi nenhuma "vanguarda" que decidiu ... a decisão para a libertação do Es.COL.A foi tomada em ASSEMBLEIA POPULAR pelas gentes da comunidade da Fontinha, por quem se solidarizou, por muita gente que veio de diversos pontos da cidade manietada pelo Rui Rio ... livremente todas e todos decidiram pela LIBERDADE!
Parece que as ameaças por parte do poder, já começaram. Parece que ameaçam com "tolerância zero" para o dia 25 de Abril ... como alguém já escreveu ... "devem estar a brincar"!
Acaso sabem o que acontece em cada 25 de Abril ?
Acaso ignoram que o 25 de Abril é dia de nos manifestarmos a favor da liberdade, da democracia e de justiça social para todos?
Em 25 de Abril de 2012 vamos mesmo MARCHAR CONTRA A CORRENTE imposta pelo poder ... VAMOS MARCHAR COM TODA A CORRENTE FAVORÁVEL NASCIDA NESSE DIA DE 1974 E COM A CORRENTE QUE CRESCE EM CADA ANO!
Vamos LIBERTAR o Es.COL.A e voltar a dá-lo à comunidade da Fontinha!

sexta-feira, abril 20, 2012

Es.COL.A : VAMOS CONTINUAR, TEMOS DE CONTINUAR!



O que se passou hoje na Fontinha, no Porto, com o despejo VIOLENTO do Es.COL.A dá para questionar se o que temos hoje neste País é uma democracia ou uma ditadura policial de fachada "democrática" ...
Se a Polícia actuou com ordens de algum Tribunal e/ou do Presidente da Câmara, então essas entidades fazem, de facto parte, dessa tal ditadura de fachada "democrática" ...
Mas mesmo na Polícia, há de tudo:
* os que actuam com a farda que têm e que é conhecida de todos ... e que,apesar de tudo, ainda olham e falam como pessoas iguais a tantas outras;
* os que parecem "robocops" que não falam nem devem pensar ... só agridem, só violentam, só espancam. Hoje vi estas coisas com as armaduras dos pés à cabeça, com pistolas e até com pistolas metralhadoras ...


* os que se disfarçam à paisana e que actuam como bufos da pior espécie ...
Mas também vi o que ainda não tinha visto: a Câmara socorreu-se de uns miseráveis (talvez lumpens ... ) com gorros para não serem identificados, a quem coube o trabalho de retirar a memória (cartazes ...) do Es.COL.A ...
Este cenário serviu para DESTRUIR um espaço que prestava serviço à comunidade ...



Confesso que dá para perceber porque é que cenas destas repetidas muitas vezes, sem nenhuma resposta clara, objectiva e palpável por parte dos orgãos da dita democracia, pode levar um pacato cidadão a atitudes desesperadas que alguns, os tais "democratas" de fachada, chamam de "terroristas" ...



Senti hoje uma vontade terrível de responder na mesma moeda à violência dos poderes instituídos ... mas contive-me ... também porque (re)vi a força que pode ter, que tem, a resposta colectiva e popular contra os poderes de uma "democracia" coxa, colonizada por quem não acredita nem pratica democracia!
Também me contive porque vem aí mais uma comemoração popular do 25 de Abril ... uma comemoração que este ano deveria ser EXEMPLAR!

João Pedro Freire 
19 de Abril de 2012

quinta-feira, abril 19, 2012

12 de Maio: Ninguém falte!


12 DE MAIO: NINGUÉM FALTE! 

VAMOS TODOS APANHAR A PRIMAVERA DAS NOSSAS VONTADES CONTRA O 

CINZENTISMO DO AUSTERITARISMO!

No Porto é na Praça da Batalha, a partir das 15 horas!
Divulguem ... Partilhem ... Imprimam e colem nas ruas e nas praças!

quinta-feira, abril 12, 2012







A P E L O ! ... isto é um APELO ! ...

Dirijo-me a todas e a todos que já ouviram falar na Escola da Fontinha, mas que nunca se interessaram ...
Dirijo-me a todas e a todos os que nunca ouviram falar nessa Escola ...
Primeiro um pequeno esclarecimento que faz toda a diferença: a Escola ... era uma Escola que estava abandonada pelos poderes públicos ... dessa Escola existiram paredes, um edifício abandonado a muitas misérias ...
Um grupo de pessoas resolveu OCUPAR esse edifício abandonado que foi uma Escola, recuperando-o, dando-lhe vida, restituindo-o à comunidade ...
Esse grupo de pessoas assumiu-se como um colectivo e no retorno à vida do que tinha sido uma Escola, passou a ser um Es.COL.A ... 
Explico: Espaço Colectivo Autogestionado ...
Explico novamente: um espaço onde as decisões são sempre tomadas em assembleia, sem hierarquias, onde todas e todos são iguais!
E sabem uma coisa: a Escola, o Es.COL.A passou a ter vida e a prestar uma série de actividades a favor da comunidade e pela comunidade.
Muitas dessas actividades fizeram voltar ao Es.COL.A, a escola que ela já fui ... a miudagem que o testemunhe! 
O Es.COL.A é também a demonstração que é possível CONSTRUIR uma outra realidade social sem termos de esperar por eleições, maiorias ou outras aritméticas mais ou menos impostas ...






Não conhecem o Es.COL.A ... bem, ainda vão a tempo de passar por lá ... o lá é na RUA DA FÁBRICA SOCIAL, 17, no Porto!
Digo ... ainda vão a tempo, porque os que são responsáveis pelo abandono da antiga Escola, preparam-se para enviar, pela segunda vez, a polícia para a desocupar violentamente, para ... provavelmente para ficar abandonada ou substituir as actuais actividades por alguma especulação imobiliária ...
PROPONHO-VOS: passem pelo Es.COL.A ... conheçam-na e assim demonstrem a vossa importante SOLIDARIEDADE para quem está a CONSTRUIR VIDA e COMUNIDADE onde dantes havia abandono e miséria ...
FICA O DESAFIO ...

quarta-feira, abril 11, 2012

JUNTAMOS A NOSSA SOLIDARIEDADE ÀS SOLIDARIEDADES TODAS COM O Es.COL.A, da Fontinha (Porto).








Se ainda escutas a alegria de viver ouvirás o sinal para ficar

Declaração Conjunta de Apoio

Lá do Alto da Fontinha dá vontade de planar. Vê-se outra cidade a ser construída. Tijolo a tijolo, dia-a-dia, mão a mão, sorriso por sorriso. Aquilo que parecia um abismo – uma escola vazia, abandonada e arruinada – tornou-se o próprio espaço do sonho.

Com os pés assentes na terra, constrói-se a solidariedade, o espiríto comunitário, uma ideia de utilidade pública alicerçada na ajuda mútua e na partilha livre do conhecimento. Ali faz-se ainda a democracia directa e participativa que falta. Ali aprende-se a estar vivo. Ali vê-se que a crise que nos quer amedrontados e pieguinhas, foge a sete pés. Não, nem a crise, nem um rio seco e sequioso, nem as cajadadas dos falsos democratas, vão estancar o fluxo desta Fontinha...





Neste momento decisivo, por uma exigência recíproca, cada um deve colocar ao outro as questões humanas e colectivas essenciais.

Esta declaração conjunta de apoio ao Es.Col.A já foi abraçada por dez colectivos e associações, e está aberta a mais adesões de quem quiser e quando quiser. Escreve-nos!

Lá do alto, diremos à cidade que rejeitamos o despejo decretado pela actual gestão do Município do Porto e estenderemos a mão a quem veio por bem e para ficar.





Assinam,
Assembleia Popular do Porto
Assembleia Popular de Coimbra
Associação Casa da Achada - Centro Mário Dionísio (Lisboa)
Associação SAPATO 43
Casa da Horta
Casa Viva
Centro de Cultura Libertária (Almada)
Gap - Grupo de Acção Palestina
Livraria Gato Vadio
Marcha Mundial das Mulheres - Coordenação Portuguesa

sábado, fevereiro 18, 2012

AJUDA HUMANITÁRIA URGENTE PARA A SÍRIA!

www.socialismolibertario.org
A Associação de Apoio ao Povo Sírio (AAPS), sediada na Calle Marroquina, 108, 28030 Madrid, iniciou uma campanha de ajuda humanitária com o objectivo de enviar material de primeira necessidade para os milhares de feridos e refugiados sírios. 
Para donativos :
Conta da AAPS nr. 2038 1812 4060 0053 6717, BANKIA (Caja Madrid), indicando, por favor, "Ajuda Humanitária"

domingo, fevereiro 12, 2012

FAÇAMOS COMO OS GREGOS ...

 Acabem com essa imbecilidade de dizer "não somos como os gregos" ... como se estivessemos imunes à ditadura financeira que impõe austeridade em cima de austeridade rematada com empobrecimento generalizado! 
Até nem somos como os gregos ... que lutam, que resistem, que, todos os dias, afirmam e reafirmam que ninguém lhes tira a dignidade! 
O grande desafio para se vencer esta crise, não é sermos bons alunos da cartilha imposta por Merkl e pela finança internacional. Em relação a essa corja, devemos ser maus alunos, porque o que queremos é construir outra realidade radicalmente diferente do desastre que nos querem impor! 
FAÇAMOS COMO OS GREGOS ...

sábado, fevereiro 11, 2012

SOLIDARIEDADE COM O POVO SÍRIO!


Revoluções pela vida, contra os regimes assassinos

Publicamos algumas fotos do acto conclusivo da XI Conferencia de Socialismo Libertario: "Revoluções pela vida, contra os regimes assassinos" .
A Conferência de Socialismo Libertário, teve lugar em Madrid, em 04 e 05 deste mês.






O meeting contou com as intervenções de Lucas Fenollar, dirigente de Socialismo Libertario, que coordenou todo a sessão, sendo o elo permanente de união das ideias e das pessoas protagonistas






Participaram:  Nedal Al Shami, da associação siria catalã pela liberdade e a democracia, Sara Rustom, activista siria de Madrid, Francesca Fabeni dirigente da Coordenadora da Direcção  da Corriente Utopía Socialista, Sara Rodríguez, do Comité Federal de Socialismo Libertario, Ussama Jandali, da Associação de Apoio ao Povo Sírio, de Madrid, Lorenzo Gori, da direcção de Socialismo Rivoluzionario, de Italia, Ahmad Awad, do Movimento de Jovens Palestinianos, Fabio Beltrame dirigente da Corriente Utopía Socialista e de Socialismo Libertario. 






Lucas Fenollar, por último, concluiu este meeting tão importante e emotivo, realçando a sua  importancia como exemplo de solidariedade humana e internacionalista. Estiveram presentes 180 pessoas.



quarta-feira, janeiro 18, 2012

18 de Janeiro 1934 - recuperar a memória, lutando contra o actual governo !

A PROPÓSITO DA NOVA LEGISLAÇÃO LABORAL ...

A propósito do retrocesso civilizacional que representa a nova (i.e. velha muito velha com retoques ...) legislação laboral, convido-vos a ler ou reler o DIREITO À PREGUIÇA de Paul Lafargue. Leiam tudo a partir do link que deixo. Fiquem também com esta de Lessing, citado por Lafargue, "sejamos preguiçoso em tudo, excepto em amar e beber, excepto em sermos preguiçosos" ...



"Uma estranha loucura se apossou das classes operárias das nações onde reina a civilização capitalista. Esta loucura arrasta consigo misérias individuais e sociais que há dois séculos torturam a triste humanidade. Esta loucura é o amor ao trabalho, a paixão moribunda do trabalho, levado até ao esgotamento das forças vitais do indivíduo e da sua progenitora. Em vez de reagir contra esta aberração mental, os padres, os economistas, os moralistas sacrossantificaram o trabalho. Homens cegos e limitados, quiseram ser mais sábios do que o seu Deus; homens fracos e desprezíveis, quiseram reabilitar aquilo que o seu Deus amaldiçoara. Eu, que não confesso ser cristão, economista e moralista, recuso admitir os seus juízos como os do seu Deus; recuso admitir os sermões da sua moral religiosa, econômica, livre-pensadora, face às terríveis consequências do trabalho na sociedade capitalista."


terça-feira, janeiro 17, 2012

A CONTRA-REVOLUÇÃO NO GOVERNO QUER ELIMINAR O 25 DE ABRIL ...

Despedimentos quase liberalizados, mais cortes salariais, ataques continuados ao Serviço Nacional de Saúde, desvalorização continuada do Trabalho ao contrário do que acontece com o Capital, ... , é claro, muito claro, que está em curso uma ofensiva contra o próprio 25 de Abril e contra tudo o que ele possibilitou de transformações e reformas na sociedade portuguesa. 





O actual governo é uma espécie de braço político daqueles que nunca aceitaram as mudanças de Abril ... o pretexto é a crise. Mas esta crise é a crise do sistema económico - o capitalismo - que o governo defende, com unhas e dentes. É a crise do sistema que Abril quis mudar, mas que, anos e anos, de assalto ao aparelho de Estado e à economia portuguesa por parte dos grandes tubarões financeiros, económicos e políticos, impediram que essa mudança se concretizasse e consolidasse.






O actual governo está mortinho por eliminar da memória o 25 de Abril, tal e qual aconteceu e se desenvolveu enquanto revolução social. Começarão por transformá-lo numa "evolução para uma democracia europeia", para depois concluírem que a "verdadeira revolução" é aquela que este governo executa com as suas políticas ...
Mas aquilo a que estamos a assistir é mesmo a CONTRA-REVOLUÇÃO instalada no governo ...

sábado, janeiro 07, 2012

CONSTRUIR A SOLIDARIEDADE, NÃO AO RACISMO ASSASSINO

Posição de SOCIALISMO LIBERTARIO (Espanha) sobre o assassinato de Ibrahima Dyei, jovem proveniente do Senegal, ocorrido há dias em Barcelona.

Construir la solidaridad
Detener el racismo asesino
Martes 3 de Enero Ibrahima Dyei, un joven procedente de Senegal, ha sido asesinado en
el barrio de Besos en Barcelona mientras trataba de mediar en una disputa. Lo que hace todavía
más terrible e inaceptable este asesinado es que se trata de un crimen racista. Quien ha matado
lo ha hecho concientemente, lo había anunciado, y después, de la manera más obscena, lo
ha reivindicado. Lo ocurrido no es, como dice la prensa, el mero resultado de un conflicto
“entre comunidades” sino algo mucho más grave. Quien ha matado se ha sentido con derecho de quitar la vida a sus semejantes por proceder de otra tierra y de otra cultura, por ser africanos, por tener la piel de otro color. Es el racismo asesino.


 
El hecho que el asesino pertenezca a una comunidad, la gitana, a su vez víctima de prejuicios
y discriminaciones racistas, no cambia la sustancia de las cosas. La responsabilidad no
es de la comunidad gitana en cuanto tal sino de todos aquellos que sintiéndose “españoles” o
“catalanes”, consideren que la vida de los otros, máxime si son inmigrantes y africanos, tiene
menos valor y consideren que se pueda quitar más o menos impunemente. El de Barcelona es un crimen racista trágicamente análogo en el fundamento asesino y racista a lo que paso en Florencia hace unos días, más allá de los motivos diferentes de los asesinos, donde dos hombres, también originarios de Senegal, fueron asesinados por un neofascista italiano.
Ante este crimen, queremos expresar ante todo nuestra cercanía al dolor de los parientes
y los amigos de Ibrahima y nos unimos a la petición de justicia de la comunidad senegalesa.

Consideramos fundamental contribuir al surgimiento de la más amplia solidaridad ante un
hecho que revela que el racismo asesino ha entrado en una nueva y peligrosísima dimensión en este país y en este continente.
Concebimos la solidaridad en nombre de un principio fundamental, la común humanidad
que nos hace identificar y reconocer en cada hombre y en cada mujer y nos compromete
en la lucha contra cualquier tipo de racismo y en la defensa de sus derechos a partir del derechofundamental a vivir.

Afirmar el principio de la común humanidad significa luchar contra todo tipo de racismo.


El racismo asesino se alimenta del racismo ordinario, el que emana de las instituciones
estatales pero que lamentablemente crece también en la sociedad, se alimenta del clima de discriminación y negación de derechos básicos, el clima de indiferencia, de cinismo que puede convertirse dramáticamente hasta en complicidad con el odio asesino.
Es urgente unirse en la construcción de la solidaridad, superando el silencio, la indiferencia
y la pasividad que se escudan detrás de interpretaciones parciales e interesadas a relativizar
la gravedad de los hechos. Consideramos necesaria una iniciativa de denuncia y de solidaridad inmediata. Dirigimos en este sentido un llamamiento a todas las fuerzas y las asociaciones antirracistas


y solidarias para detener el racismo asesino, partiendo del protagonismo en la movilización
de nuestros hermanos senegaleses, reivindicando el derecho a la autodefensa para preservar
la vida y contribuir a crear un clima de libre y pacifica convivencia entre las personas.

sexta-feira, janeiro 06, 2012

UMA CARTA DE JOSÉ MÁRIO BRANCO

Uma carta de JOSÉ MÁRIO BRANCO, músico e poeta, mas também um homem atento sobre o turbilhão social. Uma carta que vale a pena ler e reflectir para agir. Uma reflexão critica sobre movimentos sociais, como o 15O, com a qual estou de acordo!




José Mário Branco, músico e poeta
Tenho acompanhado com interesse, evidentemente, todas as tentativas e experiências que têm vindo a ser feitas por todo o mundo na sequência da "primavera" do Cairo. Mas na minha experiência há um sarro do passado.
Meti-me na política aos 17 anos, estive preso pela PIDE, fugi para França em 1963 e voltei em 1974. Desde 64-65 e até há poucos anos, estive sempre ligado à extrema-esquerda de inspiração maoista. Como não sou realmente um político, mas sim músico, letrista e cantor, nessas pertenças e fidelidades fui sempre guiado por duas coisas:
- os grandes valores que, num artista, naturalmente convocam um lastro de radicalidade e, por outro lado,
- a fidelidade a homens políticos cujos escritos e posições públicas me foram parecendo melhor exprimir politicamente essa radicalidade.
O que me levou a ir entrando e saindo de colectivos onde me sentia em casa. Mas como afirmei pouco antes de deixar o último, que ajudei a fundar: "eu nunca saí de partido nenhum, os partidos é que foram saindo de mim".
As organizações políticas em que participei foram saindo de mim por duas razões principais, e supostamente opostas embora me pareça que são a mesma razão com sinais inversos, razões essas que nada têm de novas porque já vêm desde o último quartel do séc. XIX:
- ou perderam em radicalidade o que ganharam em "realismo", que é o eufemismo que usam para designar a capitulação e a adaptação ao capitalismo;
- ou se confinaram e estiolaram em pequenos grupúsculos, seitas e partidecos que, perdendo o contacto com o real, se satisfazem autofagicamente a proclamar verdades definitivas, directivas infalíveis para as massas e são totalmente incapazes de viverem hoje do modo como dizem querer que seja a sociedade de amanhã, prefigurando-a desde já em si mesmos.

A história da Praça Tahrir é diferente, e eu, que vivi o Maio 68 em Paris e o PREC em Portugal, regozijei-me, como toda a gente de bem, por mais uma queda de um ditador conseguida pelo clamor e pela coragem das ruas. Tempos novos, formas de luta novas.
Tenho tentado reflectir sobre isso e o seu alcance, à luz da única coisa que mantenho bem viva: a minha recusa da iniquidade do capitalismo, a minha exigência de "outra coisa" que "essa é que é linda" (ver, por exemplo, http://passapalavra.info/?p=40478).
Mantenho também um interesse continuado - mas forçosamente à distância - pelos poderosos movimentos sociais de base do povo pobre do Brasil, da Argentina, do México, e de outros países, que têm vindo a lutar por coisas essenciais como terra para cultivar, tecto para se abrigar, direito à água, à cidade, ao trabalho, ao descanso, etc.
Estes, só posso segui-los à distância porque, em Portugal, há tanto tempo que não há nada que se pareça; o povo parece apático, cheio de medo, sem raiva nem desconcerto, sempre bem enquadrado por uma elite de burocratas que há 30 anos o fazem gritar que "o custo de vida aumenta, o povo não aguenta" e a classe dominante a rir-se lá em casa respondendo "aguenta sim senhor, a prova é que gritam o mesmo há 30 anos!".
Convenço-me de que, neste longo caminho aos sacões, deixou de haver - por muito tempo - lugar para generalidades, para proclamações (gerais), para grandes desígnios colectivos. Há lugar, sim, para lutar começando pelo que está perto, pelo que está em baixo, pelo que está agora: o que está mal na minha casa, no meu prédio, no meu bairro; o que está mal na minha empresa, onde por definição não existe democracia, mas que é o centro da minha sobrevivência; na minha escola, seja eu aluno (força de trabalho em formação) seja eu professor (formador de força de trabalho), aquele o produto, este o produtor. Um período que será longo, de lutas defensivas e de lenta reacumulação de forças. O selo de qualidade daquilo a que se chama "lutas" é agora, para mim, a sua concretude, porque a maior parte daqueles que se dizem militantes confundem acção com actividade - e não é de agora.

Plataformas como a 15O são somatórios que só podem ter o peso que é, no melhor dos casos, a soma do peso das suas parcelas. O mesmo direi do que poderão ser o 21 de Janeiro e outras datas afins. O grande erro - parece-me - é que quase toda a gente pensa "o que é que eu vou lá buscar?", quando deveriam pensar "o que é que eu vou lá levar?". É como nos grupos artísticos: a criação colectiva resulta do que se vai pondo na cesta comum ao longo dos dias, esses dias em que parece não se passar nada. É esta a minha visão, completamente wilhelm-reichiana.

E isto passa-se mais assim nas revoltas de "classe média" do que propriamente nas revoltas dos pobres-mesmo-pobres. E acho que percebi porquê. É que, contrariamente aos pobres cuja vida toda é dar sem receber, as "classes médias", que têm ainda muito a perder, não sabem como se pratica o verso de Fernando Pessoa: "Só guardamos o que demos". Duvido até que o compreendam. Por isso "vão lá buscar", em vez de "irem lá levar".

Para o capitalismo, ou antes, para os capitalistas, a produção de bens imateriais (serviços, cultura, lazer) tornou-se desde há muito uma produção em massa para uma massa de consumidores (que são, em grande parte, os seus produtores), como se fossem pão, detergentes, casas ou carros. Mas a "classe média", que está a sofrer um lento processo de proletarização, tem vindo a ser proletarizada (incluindo os profissionais liberais - advogados, médicos, professores, artistas plásticos ou performativos) mas ainda não teve tempo nem experiência para deixar de ser pequeno-burguesa - individualista, idealista, socialmente apática e pusilânime.

[NOTA: eu não estou a afirmar que os proletários têm consciência proletária, bem pelo contrário, infelizmente a esmagadora maioria deles está também impregnada de uma cultura e de uma moral burguesa que lhes é injectada em doses cavalares a toda a hora; mas a própria vida prática se encarrega de lhes tornar evidente a classe a que pertencem; só que, não vislumbrado como sair disso, não se arriscam.]

Daí que, nas acampadas, haja aquele ar de carnaval sociocultural, onde se fala de coisas muito sérias, o que é bom, mas onde o carburante são as palavras em si mesmas, e não o gesto. Não é radicalidade, mas sim e apenas uma transgressão, uma aparência de radicalidade. Vou para o meio de uma praça, levo à boca as mãos em concha e grito "Quero mudar o mundo!"; mas as formiguinhas vão passando de lado, no seu afã de escravas; só fica, eventualmente, quem não precisa de fazer o gesto imediato da sobrevivência. Passe a conversa à Raúl Brandão... mas estou enganado?

O meu tema actual - que, como a palavra indica, está cheio de promessas - é o vazio. "Le creux de la vague". Não, ainda, o súbito recuo do mar na praia antes do tsunami, mas um intervalo côncavo de duração não mensurável entre dois ciclos históricos. Não creio que se possa descer mais fundo, e isso dá-me esperança. É preciso que a juventude "média" dê o salto para o lado de lá, onde estão os pobres a sofrer, muito calados, sem (des)tino. "Vou ao fundo da lama / Do outro lado / Do outro lado da mente / Do outro lado da gente / Do lado da gente do outro lado / Do lado da gente que vive de frente / Da gente que vive o futuro presente" (Margem de Certa Maneira, 1972 (!!!)).

Por isso... talvez apareça, não prometo. Estou a tratar do que está aqui perto: fazer música e mais música, inventar novas canções, novos espectáculos, ajudar outros músicos a serem melhores. Ler e ouvir música. Cantar de vez em quando as canções que tenho para dar ao público. É isso.


domingo, janeiro 01, 2012

EMENTA PARA 2012 ...

Mais um excelente trabalho criativo das NOVAS ECONOMIAS, movimento contra a financeirização da sociedade, grupo de trabalho da Assembleia Popular do Porto.