tribuna socialista

terça-feira, setembro 21, 2010

SUÉCIA: AS ESQUERDAS JOGAM NO PARLAMENTO, A EXTREMA-DIREITA GANHA NAS RUAS!

Olof Palme em 1968: tempos aureos da social-democracia sueca ...
A coligação de direita voltou a ganhar na Suécia, a extrema-direita elegeu 20 deputados (5,8%) e a social-democracia (a menina querida da Internacional Socialista!) teve um dos piores resultados de sempre.

O que é que isto demonstra, numa perspectiva de esquerda?

Selecionamos este extracto de texto retirado do blogue "O grande Zoo", de Rui Namorado, membro da corrente "Esquerda Socialista" do PS:

"Nos dois anos decorridos, quer no plano nacional, quer no plano distrital, a vida do PS continuou, no essencial, a repetir aquilo que tinha vindo a ser. Os partidos integrados no Partido Socialista Europeu e na Internacional Socialista mantiveram-se perigosamente estagnados, tendo escandalosamente desaproveitado a dramaticidade e a gravidade da crise do capitalismo, que entretanto se desencadeou, como factores impulsionadores de uma renovação e intensificação do seu protagonismo. Na Europa, nenhuma outra parte da esquerda se mostrou capaz de substituir o PSE como pólo institucional, com virtualidades de alternativa à direita dominante; e não se abriu a porta a uma cooperação consistente e sistemática do PSE com as outras esquerdas, sem prejuízo de uma ou outra tímida excepção. Em Portugal, a conflitualidade entre o PS e as outras esquerdas acentuou-se."

De um modo geral, concordamos com o que é escrito pelo Rui Namorado. Ressalvamos, no entanto, um aspecto que não é secundário: o PS de Sócrates é hoje um partido distante de qualquer acção de esquerda, tanto nas políticas como nas acções que implementa. Não sendo de esquerda, grande parte dos seus militantes são imprescindíveis para uma alternativa socialista de poder. Esta contradição existente no PS português, é também o que se passa nos restantes partidos da Internacional Socialista: algo de esquerda, quando estão na oposição, claramente alinhados com o neo-liberalismo quando são governo!

Mas também é verdade que à crise da social-democracia europeia, não se vislumbra qualquer alternativa oriunda de outras esquerdas. De um modo geral, as esquerdas tradicionais europeias - social-democracia, partidos comunistas e novas esquerdas (ex-trostquistas, ex-maoístas, etc) - têm vindo a mergulhar em jogos parlamentares, esquecendo o que se passa nas ruas, nos locais de trabalho e onde as pessoas moram. Afundados nos jogos parlamentares, essas esquerdas deixaram de conseguir dialogar entre si, nunca mais falaram em alternativas de poder resultantes de convergências políticas entre si. Insultam-se, olham para o umbigo e deixam as ruas à mercê dos populismos e da demagogia reacionária e xenófoba da extrema-direita.

No plano europeu, as correntes maioritárias das esquerdas continuam a reduzir a sua acção e o seu discurso a precupações meramente nacionais, quando a actual dimensão da acção social e política deveria ser europeia. Nesta matéria, a Europa tem estado a ser construída segundo um padrão anti-democrático, de colocação da vontade popular e cidadã à distância, um modelo político muito próximo do que a direita neo-liberal tem defendido também nos espaços nacionais em que é governo. Mas do lado das esquerdas, continua a fazer falta uma acção concertada no plano europeu, não só entre os deputados no Parlamento Europeu, mas sobretudo no desenvolvimento de acções sociais e políticas com dimensão europeia.

As esquerdas europeias precisam também de fazer uma aposta clara na dimensão europeia, libertando-se do colete de forças que são os espaços nacionais e as posições soberanistas-patrioteiras ...

Nos planos nacionais e europeu, o modelo de representação política falhou. A chamada "democracia liberal europeia" não motiva a participação popular e cidadã. Coloca essa participação num funil por onde só passam, em última instância, os chamados "políticos profissionais", criaturas que só se chegam a quem os elege, nos períodos de campanha eleitoral. Há um excesso de representativismo na acção política que restringe e, às vezes, inibe outras formas de exercicio da democracia. Tudo isto cria espaço para todas as formas de populismo, os quais acabam sempre no discurso de condenação de toda e qualquer forma de acção política ... Os partidos da social-democracia europeia (como o PS português) têm enormes responsabilidades no crescimento dos populismos, já que continuam a elogiar a "democracia liberal europeia", como se não houvesse democracia para além desse funil ...

No plano económico e financeiro, mesmo em plena crise, mesmo depois das explosões ocorridas no sector financeiro, a social-democracia europeia continua atada ao que chama de "economia de mercado", ou seja, o capitalismo. Ensaiam criticas ao neo-liberalismo, mas as soluções (!) que preconizam situam-se sempre dentro do quadro capitalista neo-liberal. Parece que não aprendem com as lições da crise, parece que não vêm ou não querem ver, as consequências sociais deste modelo económico e financeiro: mais desemprego, mais precariedade, ataques aos direitos sociais, banca voltada para a satisfação dos seus próprios accionistas, mas predadora em relação aos clientes que vivem do seu trabalho!

As esquerdas precisam de mais ousadia e mais coragem políticas! É urgente uma alternativa de democracia, de socialismo, de busca de um novo modelo económico e financeiro liberto! Os populismos e o avanço da extrema-direita combate-se com muito mais intervenção social, combate-se com mais democracia a todos os níveis, combate-se com uma alternativa europeia ao actual modelo anti-democratico, anti-social e neo-liberal.

No próximo dia 29 do corrente, a Jornada Europeia contra as medidas de austeridade é uma boa oportunidade para se começar a concretizar essa alternativa de dimensão europeia.

domingo, setembro 19, 2010

Cartaz anarquista apelando à mobilização europeia em 29 de Setembro ... face às prepotências continuadas dos poderes estatais, a desobediência é um dos caminhos legitimos de protesto!

O ARCO NEO-LIBERAL PORTUGUÊS NÃO GARANTE OS DIREITOS HUMANOS ....

PS, PSD e CDS recusaram condenar, na sexta-feira passada, a política de Sarkozy relativa à expulsão de França de cidadãos europeus de etnia cigana. Recusaram aprovar uma posição de defesa dos direitos humanos, apresentada pelo grupo parlamentar do Bloco de Esquerda.

Do voto do PSD e do CDS não advém grande espanto. Fica, mais uma vez, qual o conceito de direitos humanos que a direita tem: reduzem-nos sempre a algo utilitário no seu próprio interesse ... as liberdades, por exemplo, vêm sempre depois das preocupações securitárias e só são prioritárias em matéria de actos de gestão empresarial ...

Do voto do PS, há, desde logo, uma primeira reacção de surpresa. Mas essa reacção é imediatamente dissipada ... afinal, a direcção sócratica, dito por militantes do PS, tem-se encarregado de transformar o seu partido num deserto ideológico para o tornar permeavel a toda a espécie de políticas neo-liberais e de direita. A explicação do líder parlamentar do PS, Francisco Assis, para o voto ao lado da direita, é elucidativa do calculismo, da aridez democrática e socialista, em que navega a actual direcção sócratica.

Longe vão os tempos em que o PS falava em "nem socialismo sem liberdade, nem liberdade sem socialismo" ... neste momento, constata-se que o calculismo se sobrepõe à liberdade e ao socialismo, embora este já está engavetado há muitos anos ...

A votação da moção apresentada pelo B.E., dividiu a bancada do PS. Sómente o vice-presidente da bancada sócratica, Sérgio Sousa Pinto, voto ao lado do Bloco. Vários deputados do PS fizeram declarações de voto ou sairam do hemiciclo, tomadas de posição que se aproximam muito mais da cobardia política do que da defesa de principios e de consciência.

O PS de Sócrates mostrou que o recente discurso provoado de palavras de "esquerda", é só para consumo da próxima etapa parlamentar, e, ninguém que seja de esquerda e socialista pode contar com um partido destes para qualquer compromisso para a aplicação de políticas de esquerda. A posição do PS mostrou também que a direcção deste partido prefere integrar-se no arco neo-liberal português a alinhar com qualquer movimento social ou com qualquer acção política democrática e socialista.

O candidato presidencial apoiado pelo PS e pelo Bloco de Esquerda, Manuel Alegre, tem de assumir uma posição clara e urgente quanto a esta matéria.

sexta-feira, setembro 17, 2010

Vergonha "Socialista" ... in CINCO DIAS

Vergonha «socialista»!

AÍ ESTÁ ... AS PICARETAS FALANTES DA DIREITA APROVEITAM O "PEC" CUBANO ...

Vasco Pulido Valente
Era de esperar que os comentaristas e trauliteiros da direita vissem, naquilo que acontece em Cuba, uma oportunidade para desenvolverem, ainda mais, o seu discurso anti-socialista e anti-comunista.

Vasco Pulido Valente, na edição de hoje do Público, ocupa o seu espaço de "Opinião" com uma peça intitulada "A morte de Fidel".

Para Pulido Valente, aquilo que ele entende por "socialismo" reduz-se ao que mais lhe convém para criticar e denegrir. O seu "socialismo" é o "fidelismo" e o "chavismo", como poderia ser o "estalinismo", o "marxismo", o que se passa na Coreia do Norte ou na China e tudo o que lhe cheire a "esquerda" ...

Pulido Valente aproveita a ajuda do "PEC" cubano, para atacar as esquerdas portuguesas e o próprio "Estado Social" português (ou o que resta dele, pela acção dos governos do "bloco central" ...). O seu discurso bebe argumentação (!?) no de Passos Coelho e nas suas pretensões para tornar a Constituição Portuguesa num modelo constitucional liberalizante.

Os ímpetos anti-socialistas de Pulido Valente são também alimentados por uma realidade que lhe acaba por dar razão. De facto, como ele escreve, "A entrevista à Atlantic de Fidel Castro não mereceram uma linha aos comentadores de esquerda". É claro que os tais "comentadores de esquerda" existentes na nossa praça bebem muito do discurso oficial das esquerdas parlamentares que continuam muito reféns de referenciais como a "revolução cubana". A Cuba dos nossos dias nada tem a ver com a "revolução cubana", é mais uma réplica da União Soviética do tempo de Estaline e de Brejnev.

A necessidade urgente de uma alternativa socialista internacional, obriga, para o século da globalização capitalista, a uma profunda reflexão sobre o Socialismo. O Socialismo não é "estatização", não é monopartidarismo, não é o reino de polícias políticas, não é uma qualquer aldeia do Astérix cercada pelo resto do Planeta hostil ...

Ideias originais de um socialismo libertário, como a emancipação dos trabalhadores é obra dos próprios trabalhadores, como o socialismo precisa de democracia como o corpo humano precisa de oxigénio, como a liberdade é sobretudo a liberdade de quem pensa de modo diferente, como a socialização e a planificação democrática da economia, precisam de voltar a ser partes integrantes do socialismo como alternativa global ao capitalismo e às suas variantes como o liberalismo e a dita "economia de mercado".

As esquerdas precisam de debater e de saber debater livremente entre si. Precisam de trazer esse debate do e pelo socialismo a todos os trabalhadores e a todos os cidadãos. Dessa forma enterrarão também, de vez, fantasmas e calarão as picaretas falantes da direita.

quarta-feira, setembro 15, 2010

O "PEC" CUBANO: 500.000 trabalhadores vão ser despedidos!

Fidel Castro considerou que o modelo cubano não funciona! O "chefe máximo" da burocracia cubana, porque falou e disse, abriu as portas para a próxima evolução do sistema cubano ... e essa evolução é, nem mais nem menos, que uma espécie de "PEC" como aqueles que os governos europeus neo-liberais impõem por cá!

Ingénuamente ainda poderiamos pensar que, finalmente, o Partido Comunista Cubano iria dar o oxigénio que tem faltado em Cuba: mais democracia, mais liberdade, mais planeamento democrático e não estatista ... Mas não! O que os dirigentes cubanos, com os irmãos Castro à cabeça, anunciam, com o apoio acritico da Central de Trabalhadores de Cuba, é o despedimento de 500.000 funcionários públicos (para já!), assegurando a nomenclatura cubana que esses trabalhadores não ficarão sem emprego, já que terão a "iniciativa privada" à sua espera ... por cá, todos sabemos o que estas receitas significam ...

Depois dos primeiros 500.000 despedidos, a Central sindical cubana avança com a previsão de novos despedimentos, no sentido de se atingir um milhão de trabalhadores considerados "superfluos"! Tal como na China, estas ditas centrais "sindicais" funcionam sempre como uma espécie de repartição do Estado com o objectivo de controlar os ímpetos mais desviantes (!) dos trabalhadores.

Estas notícias provenientes de Cuba, certamente que farão esfregar as mãos de contentamento aos governos neo-liberais europeus que continuam a impor medidas de austeridade, dispensas de funcionários públicos, privatizações a torto e a direito. Muitos desses governos dirão: "afinal não há alternativa à economia de mercado" .....

Tal como todos os exemplos conhecidos de países que eram alinhadas pelo modelo estalinista do "socialismo num só país", também Cuba, depois de secar qualquer vestígio de democracia e de liberdades, conseguiu também arruinar a economia com um modelo onde o planeamento democrático foi, quase sempre, substituido por um dirigismo estatal, no qual a direcção do Partido Comunista Cubano funcionava como uma espécie de "conselho de administração" de toda a economia, como que colocada ao serviço do "CEO",i.e. o presidente do Partido ...

O Estado cubano, i.e. o Partido Comunista Cubano, i.e.a sua direcção, i.e. Fidel e Raul Castro, estão a comprar, a qualquer preço, o modelo capitalista como moeda de troca para eliminarem o bloqueio dos EUA que dura à décadas ... esquecem-se é que com a introdução do modelo capitalista em Cuba, estarão a introduzir mais outro bloqueio ... os camaradas europeus poderão explicar melhor o que é que isso significa!

terça-feira, setembro 14, 2010

Democracia Comunista Internacional : uma organização marxista luxemburguista

http://luxemburguistas.wordpress.com/
Depois de vários meses de debate, constituiu-se uma nova organização marxista luxemburguista, a DEMOCRACIA COMUNISTA INTERNACIONAL.

Esta é a partir de agora a sua página principal, onde se poderão encontrar os documentos da organização, conhecer os seus boletins, análises e actividades.

O correio electrónico é: dci.rosalux@gmail.com

Convidamos todos os interessados a participar e a debater no Forúm Luxemburguista Internacional, plural e multilingue, aberto a todos os interessados em Rosa Luxemburgo, no Luxemburguismo e na Emancipação dos trabalhadores.

TRIBUNA SOCIALISTA participou em algumas das reuniões preparatórias e associa-se, deste modo, à divulgação desta experiência organizativa socialista e internacional.

sábado, setembro 11, 2010

SALVADOR ALLENDE: PARA QUE NUNCA SE ESQUEÇA!














11 de Setembro de 1973: para que NUNCA SE ESQUEÇA ! Uma democracia, um Presidente eleito democráticamente, um Povo com o destino nas suas mãos ... foram assassinados com a activa cumplicidade da Administração dos EUA.

Para que NUNCA SE ESQUEÇA, porque este é um facto histórico que as Administrações norte-americanas - todas elas! - ignoram, esquecem, não falam ...



SALVADOR ALLENDE e o seu governo de Unidade Popular foram e serão uma referência para as esquerdas socialistas a nível internacional! Uma referência mesmo com a necessidade de se continuar a debater sem tábus todas as suas virtudes e todos os seus erros ...

11 DE SETEMBRO DE 1973: SE ABRIRAN LAS GRANDES ALAMEDAS ...

quinta-feira, setembro 09, 2010

29 DE SETEMBRO: JORNADA EUROPEIA DE LUTA E GREVE GERAL EM ESPANHA

As razões (em castelhano) que a UGT e as CCOO, em Espanha, apontam para a convocação de uma GREVE GERAL no mesmo dia, 29 de Setembro,  em que decorrerá a JORNADA EUROPEIA DE LUTA CONTRA A AUSTERIDADE.

Será que essas razões também não se aplicam à realidade portuguesa ?

Por "Trasversales"

Por "No somos nadie"

29 razões para se aderir à Greve Geral de 29 de Setembro

quarta-feira, setembro 08, 2010

CASA PIA: A PEDÓFILA É CRIME E A JUSTIÇA NÃO É UM CAMPEONATO!

O processo sobre os casos de abuso de menores e de adolescentes na Casa Pia exibe, antes de mais, uma profunda mudança quanto à apreciação social sobre a pedófilia: é um CRIME !

Este não é um processo que deva ser olhado só para os anos que foram investigados. Os abusos e a violentação de menores terão, ao que parece, dezenas e dezenas de anos.

Sendo a Casa Pia uma instituição gerida pelo Estado, deveria também ser o próprio Estado a responder por anos e anos em que não viu, olhou para o lado, fez-de-conta, .... O Estado passou ao lado das vitimas e passou ao lado dos arguidos, onde também deveria constar!

Em todo este processo, durante todos os anos em que menores foram abusados e violentados, é indescritivel o pesadelo, o medo, a humilhação por que esses menores passaram e passarão no decorrer das suas vidas. O seu testemunho é, por isso, um acto de coragem que tem de ser protegido e defendido.

A condenação da pedofilia não pode ser reduzido a um espectáculo mediático, uma espécie de campeonato entre acusadores e acusados, entre vitimas e agressores. A condenação da pedofilia deveria merecer uma discussão pública, profunda, nacional e internacional sobre usos e costumes que as tradições resolvem incorporar como práticas inquestionáveis, numa sociedade onde o machismo, o marialvismo, o autoritarismo, o culto dos mediáticos, o obscurantismo hiper-religioso... , ocupam lugares num pedestal ao qual o comum dos cidadãos só são convidados a olhar sem nada questionar!

O processo da Casa Pia que só hoje, 8 de Setembro, terá mais um desenlace, com a divulgação do Acórdão, revela o estado lastimável em que a Justiça portuguesa se tem encontrado. Do lado da investigação, chovem muitas criticas justificadas, do lado das penas aos acusados mais criticas surgem. Sómente do lado dos vitimados, das antigas crianças da Casa Pia, surgiu um alívio perfeitamente justificado e compreensível.

O passo decisivo para que o processo da Casa Pia desse ínicio foi dado, é preciso recordar, através de um excelente trabalho de investigação de uma jornalista da SIC, Felicia Cabrita. Mas esse trabalho de investigação jornalistico, que deveria ser uma prática na imprensa escrita e falada, é muitas vezes anulado pelo ruído da imprensa sensacionalista que reduz a Justiça a um mero campeonato onde as bancadas são ocupadas por uma opinião pública comparável ao cenário dos torneios de gladiadores do tempo dos romanos!

Internacionalmente há, felizmente, uma onda crescente de repúdio em relação aos crimes de pedófilia. Os autores desses crimes são, muitas vezes, pessoas com poder mediático, com poder religioso, com poder financeiro. A Justiça deve ser implacável, mas sempre isenta e certeira, nestes e perante esses casos. O sofrimento dos vitimados não poderá nunca ser anulado com o sofrimento de acusados injustamente!

A minha homenagem à coragem dos miúdos da Casa Pia !

WILEBALDO SOLANO: A MORTE DE UM LUTADOR SOCIALISTA, MEMÓRIA DO POUM.

Wilebaldo Solano, 1916-2010
O secretario geral da JCI e do POUM (Partido Operário de Unidade Marxista), presidente honorário da Fundación Andreu Nin, Wilebaldo Solano, faleceu em 07.09.2010, às 13.30 horas, no Hospital Clínico de Barcelona, com a idade de 94 anos.

Wilebaldo Solano foi o último líder do partido de Andreu Ninn, o POUM, e era uma memória viva do que representou aquele partido para a renovação do socialismo e para a luta contra qualquer forma de totalitarismo. Solano mantinha, nos dias de hoje, uma atenção muito viva a todos os acontecimentos.

TRIBUNA SOCIALISTA incluiu, nas suas edições em papel, alguns dos textos produzidos por Wilebaldo Solano, nomeadamente sobre a guerra no Iraque. Solano manteve-se sempre um activo militante socialista e revolucionário.

A nossa homenagem e os nossos sentimentos à FUNDACIÓN ANDREU NINN.

segunda-feira, setembro 06, 2010

A DIRECÇÃO POLÍTICA DO B.E. RESPONDEU (!) AOS BLOQUISTAS POR UMA CONVENÇÃO EXTRAORDINÁRIA ...

A direcção política do Bloco de Esquerda não é homogénea na sua composição. É um somatório das correntes que representaram a "troika" fundadora do Bloco. É claro que, em dez anos, essas correntes foram-se modificando. Todas elas deixaram de se assumir como "correntes", embora "Associações", sendo notória a crescente influência da "corrente" proveniente da "UDP". Porque é assim, compreende-se melhor a peça que essa direcção política resolveu enviar, por mail, logo sem assinatura(s) visível(eis), a todos os signatários da petição por uma Convenção Extraordinária. Embora nunca o assumindo, quem sempre teve de cumprir com o "centralismo democrático", acaba por revelar essa influência nos momentos mais delicados.

Os meus camaradas da direcção política do Bloco, em especial os que gostam de dominar o "aparelho", como o José ensinou, têm muita dificuldade em saber o significado do Bloco como "partido-movimento" ... o BE não é um partido, no seu sentido tradicional do termo. É um movimento onde deveriam convergir correntes, grupos e movimentos sociais, numa pluralidade ditada pela intervenção nas lutas sociais, com ambição de se afirmar como alternativa socialista de poder! Parece que agora, o movimento foi-se,e, fica, cada vez mais, o partido tradicional segundo os canones lenino-estalinista ...

As eleições presidenciais têm tido essa virtude: põem a claro as intenções muito pouco democráticas da direcção do Bloco, e, a falta de calma e serenidade que têm com quem exprime posições diferentes.

É injusto tomar a direcção do Bloco, toda por igual. Há diferenças no seu seio. Há, sim senhor! Há os que estão mortinhos por ver a divergência excluída, há os que mentem com todos os dentes que têm, mas também há os que ainda têm alguma paciência para o debate.

Infelizmente, a peça produzida pela direcção política, i.e. o secretariado do BE, parece ter um dedo mais forte dos que estão mortinhos por ver a divergência excluída ...

Pessoalmente não conheço nenhum bloquista que tenha pedido a Convenção Nacional Extraordinária, que compare Alegre a Cavaco Silva. Conheço, entre esses bloquistas, quem apoie Fernando Nobre, quem apoie Alegre, quem se prepare para votar em branco ou não votar ... mas comparar Alegre a Cavaco, não conheço! Mas, lá do alto, logo com uma visão mais abrangente, é possível que a direcção política tenha descoberto alguém!!!!

Quando há Convenções, só podem votar para a eleição dos delegados, quem tiver as quotas pagas. Mas para a petição, o secretariado conta 10% entre quem paga, quem não paga e até quem ainda está inscrito, embora já tenha efectivamente saído do Bloco. Mais uma vez, a direcção do Bloco, como direcção que é, tem o privilégio ter a única verdade na interpretação dessas coisas estatutárias ...

O secretariado do Bloco nunca esteve verdadeiramente interessado em discutir democráticamente as presidenciais. Desde a última Convenção que já tinha decidido tudo o que faria, daí para a frente ... compreende-se assim a declaração solitária e unipessoal do camarada Francisco Louçã num belo dia 19 de Dezembro de 2009 à TVI, comprometendo todo o BE com o apoio a Manuel Alegre!

Tudo o resto foi/é encenação .......

Por último, a minha posição sobre as presidenciais de 2011: aborrece-me ver o meu Bloco de Esquerda ao lado do partido de Sócrates no apoio ao mesmo candidato presidencial, Manuel Alegre. Eu até votei Alegre quando muitos da direcção do Bloco, diziam cobras e lagartos do candidato ... agora apoiam um Alegre convertido no que Soares era nas últimas eleições presidenciais! Não votarei Fernando Nobre, nem votarei Francisco Lopes ... gostaria que tivesse surgido uma candidatura das esquerdas, socialista e anti-capitalista! Resta-me tudo fazer, perante a miséria do cenário que temos, para derrotar a candidatura da direita, seja protagonizada por Cavaco Silva ou outro cromo dessa área política.

Vamos a ver o que é que os candidatos presidenciais farão, dirão, agirão no dia 29 de Setembro, dia da Jornada Europeia de Protesto contra a Austeridade ...

João Pedro Freire
Aderente do Bloco de Esquerda
Matosinhos

NOTA: o que escrevi não é bem uma resposta à peça do Secretariado, até porque não lhe dou muita importância ... esperava mais!

sábado, setembro 04, 2010

NOVAMENTE SOBRE AS PRESIDENCIAIS ...

Sou de opinião que o espaço da esquerda socialista e anti-capitalista também passa pelo PS. Mas não inclui, nem a sua direcção sócratica nem aqueles que avaliam de uma forma acritica as políticas do actual governo. Os militantes do PS que se reclamam do socialismo democrático, que rejeitam as políticas neo-liberais, que criticam as políticas anti-socialistas do governo do seu partido, é claro que são parte integrante da esquerda socialista que deve ter ambições de se afirmar como alternativa política, social e económica.

O que critico no Manuel Alegre (relembro que estive com ele nas anteriores eleições presidenciais e, no PS, fiz campanha por ele para secretário-geral) é precisamente o seu actual calculismo, abstraccionismo em muitas intervenções e o abdicar de muitas das posições politicas socialistas e independentes que tomou na anterior eleição presidencial. Manuel Alegre parece agora o que Soares foi como candidato presidencial do PS.

O actual Manuel Alegre com as suas posições políticas dubias actuais nunca conseguirá reunir o milhão de votos que conseguiu na anterior eleição presidencial. Porque não é claro, não assume uma posição critica clara face às políticas de Sócrates e do seu governo. Posições políticas ambiguas raramente conseguem reunir maiorias sociais.

No dia 29 de Setembro, certamente que existirão muitos trabalhadores socialistas que se juntarão a outros trabalhadores portugueses e europeus, na Jornada Europeia de Protesto contra as medidas de austeridade ... continuo a interrogar-me: QUAL SERÁ A POSIÇÃO DE MANUEL ALEGRE? É que já sei qual a posição de Sócrates. Sei também qual a posição do Bloco. São duas posições contraditórias! E qual será a posição do candidato presidencial apoiado pelas direcções de ambos os partidos?

João Pedro Freire
(aderente do Bloco de Esquerda)

quarta-feira, setembro 01, 2010

"PORTUGAL A PRODUZIR" ... a direcção do PCP não se livra do Estaline!

A campanha que o PCP lançará na Festa do Avante, deste fim-de-semana, intitulada "Portugal a produzir" revela muito sobre o seu posicionamento ideológico: continua refém das teorias estalinistas do "socialismo num só país",  não tem posição sobre a Europa, continua a remeter-se para uma posição exclusivamente nacional e patrioteira!

Portugal é parte da Europa. Há uma realidade europeia. A realidade europeia não é aquela que é ditada pelo modelo neo-liberal de Durão Barroso, de José Sócrates, de Berlusconni e de Sarkozy. Isso é o que é preciso mudar mobilizando os trabalhadores europeus com base num projecto socialista, anti-capitalista e profundamente democrático, mas de dimensão europeia.

Defender hoje, como faz o PCP e paradoxalmente o CDS, espaços nacionais, como se não existisse nenhum espaço europeu, é caminhar para um beco sem saída.

A produção nacional e a defesa das pequenas e médias empresas só se faz de um modo consequente no quadro de uma alternativa socialista e anti-capitalista para toda a Europa.

A ideia de uma Europa unida não é uma criação da direita. A seguir à segunda guerra mundial, a esquerda socialista europeia lançou um movimento pioneiro intitulado "Movimento pelos Estados Unidos Socialistas da Europa". É claro que foi um movimento vencido pela dicotomia dos dois grupos de países estabelecidos à volta da URSS e dos EUA ... A União Soviética voltou a ficar-se por posições hiper-nacionalistas e os EUA exploraram sempre o "papão" comunista. As esquerdas socialistas e anti-capitalistas tiveram de iniciar um processo muito duro, contra a corrente da chamada "guerra fria".

Nos dias que correm da globalização capitalista e da crise do seu sistema, a saída não passa pelo retorno a posições nacionais ou de ressuscitação do "socialismo num só país". Os trabalhadores já mostraram que têm força internacional e que sabem estabelecer lutas com dimensão internacional.

No próximo dia 29 de Setembro, está marcada uma JORNADA EUROPEIA CONTRA AS POLITICAS DE AUSTERIDADE. Seria bom que a direcção do PCP pensasse no significado político e social duma jornada deste tipo e, tendo essa Jornada por referência, avaliasse o ridiculo da sua campanha pela "produção nacional"!

segunda-feira, agosto 30, 2010

CANDIDATURA PRESIDENCIAL DO PCP: MAIS DO MESMO ...

Sobre a candidatura de Manuel Alegre, Jerónimo de Sousa afirmou, a certa altura, que o PCP tinha sido "marginalizado" ... bem, o passo que a direcção do PCP deu com a escolha de Francisco Lopes para seu candidato, revela que ninguém marginalizou o PCP, foi a direcção comunista que, mais uma vez, se quis marginalizar ...

Francisco Lopes é um sintoma muito preocupante sobre o caminho que o PCP continua a querer seguir nas esquerdas portuguesas: continua a imaginar-se uma "vanguarda" que esquece, sistemáticamente, que existem outras esquerdas e que a unidade se faz na diversidade e no reconhecimento das diferenças.

A proliferação de candidaturas das esquerdas "oficiais" e "parlamentares", mostra também que continua a existir um longo caminho para se desbravar, até se conseguirem espaços de diálogo, de partilha de experiências, de abordagem comum às lutas sociais, entre essas esquerdas. Essas esquerdas "oficiais" até falam em lutas sociais, mas no momento em que deveria surgir unidade na acção, parece que valem outros valores (!) parlamentares ...

Já que as esquerdas parlamentares escolheram este caminho para as presidenciais, porque razão as esquerdas sem dono, sem chefes, sem vanguardas, não tentam mostrar como deveria ter sido?

sexta-feira, agosto 20, 2010

LEON TROTSKY: 70 ANOS DEPOIS DO SEU ASSASSINATO ...









Há 70 anos, o revolucionário russo Leon Trotsky foi barbaramente assassinado por um agente estalinista.
Em pleno exilio no México, Trotsky desenvolvia uma luta política e ideológica (contra a teoria do "socialismo num só país") contra a usurpação dos ideiais da Revolução soviética por Estaline e pela sua direcção no Partido Comunista que sucedia (através de assassinatos e purgas) à direcção que tinha iniciado o processo de "todo o poder aos sovietes".

Leon Trotsky não pode assistir ao processo de grupusculização crescente e de total descrédito da Quarta Internacional que fundou. Também por isso, o "trotsquismo" nunca conseguiu afirmar-se como corrente de massas.

Hoje em dia, ser-se "trotsquista" poderá significar alguma referência relativamente à pessoa de Trotsky, mas já não significa nenhum sentido revolucionário, socialista e internacionalista. Há "trotsquistas" que apoiam o populista Hugo Chávez e a "sua" Venezuela num processo que faz lembrar a "veneração" que os estalinistas-maoistas tinham para com a Albânia do tempo de Enver Hohxa.

Somos socialistas e luxemburguistas. Homenageamos Trotsky quanto à sua luta contra o totalitarismo estalinista. Mas não nos revemos na sua teoria leninista do partido, da vanguarda, do dito centralismo democrático.
A emancipação dos trabalhadores tem de ser obra dos próprios trabalhadores!