tribuna socialista

quinta-feira, outubro 28, 2010

GREVES EM FRANÇA ... O TESTEMUNHO DE UM TRABALHADOR FRANCÊS.

2010-10 Greves na França: Entrevista
Jornal Causa Operária, 24 de outubro de 2010

Causa Operária – Você pode se apresentar? (idade, profissão, organização que faz parte)

Nicolas Dessaux – Tenho 38 anos, sou arqueólogo e trabalhei durante dez anos na prefeitura de Lille. É um lugar muito simbólico, pois a prefeita é Martine Aubry, secretária-geral do Partido Socialista, o principal partido da esquerda. Provavelmente será candidata nas próximas eleições presidenciais em 2012, contra Nicolas Sarkozy. Eu sou um dos gerentes do departamento de SUD as autoridades locais, que faz parte do sindicato Solidariedade, uma união radical.

Também sou um membro da “l’Initiative communiste-ouvrière”, uma organização formada recentemente por militantes franceses e belgas próximos dos Partidos comunistas-operários do Irã e do Iraque. Sou conhecido, sobretudo, como um militante internacionalista, por ter criado a Associação ”Solitarité Irak” em apoio ao movimento operário e organizações de mulheres no Iraque.

Causa Operária – Como foi organizada a última greve, na terça-feira?

Nicolas Dessaux – Terça-feira, 12 de outubro, foi um marco para o movimento em defesa das aposentadorias. O governo esperava mobilizar mais fraca, mas foi forçado a admitir que havia 20% a mais de manifestantes. De acordo com os sindicatos, havia 3,5 milhões de pessoas nas manifestações. O governo contesta esses números, mas um sindicato da polícia foi obrigada a denunciar as mentiras do governo, que falsifica os números fornecidos por seus próprios funcionários!

O que estava em jogo no 12 de outubro era conseguir passar das jornadas de ação a uma greve por tempo indeterminado. Por dez anos, houve manifestações todos os meses e, depois, em um ritmo mais acelerado a partir de setembro, mas não uma greve contínua. A maioria dos sindicatos se opôs. Hoje, em um número crescente de empresas a base quer entrar em greve e, de agora em diante,é um movimento real. A próxima jornada de ação, no dia 16 de outubro, terá lugar em um clima de grevesprorrogáveis efetivas.

Causa Operára – Em quais setores há uma maior mobilização?

Nicolas Dessaux – Geograficamente, a região de Marselha, o maior porto do sul da França, é a mais ativa. Há particularmente o porto industrial de Fos-sur-Mer, onde mais de 50 navios petroleiros não puderam desembarcar. Além disso, onze das doze refinarias francesas estão em greve, por isso o governo teme a paralisação do país por falta de estoques de gasolina. A RATP, ou seja, o metrô parisiense, que faz circular todos os dias milhões de trabalhadores, também está em greve por tempo indeterminado. O efeito é imediato, uma vez que as pessoas não podem mais ir ao trabalho. Na SNCF, ou seja, os trens, o movimento é irregular, mas muitos trens e estações ferroviárias estão bloqueados. Estes são três setores estratégicos.

Em segundo lugar, há as várias greves em outros setores, na indústria, na educação, nas prefeituras, e o movimento está apenas começando a se expandir. Alguns setores adotam modos flexíveis de greve, por exemplo, uma ou duas horas por dia, ou tempo de greves para a ação. Isso permite que os empregados evitem perder muito no salário, mantendo a pressão e impondo prejuízos aos patrões.

Finalmente, nos últimos dias, os secundaristas aderiram ao movimento, e algumas universidades também. Este é um fenômeno novo: antes os estudantes entravam em greve contra as reformas na educação. Hoje, estão se mobilizando, como partido da classe operária, sobre questões trabalhistas. Eles sabem que eles terão um futuro precário e que quanto mais os velhos trabalhares, mais haverá desemprego. Seus slogans dizem claramente. Nós vimos esta tendência se iniciar em 2007, no movimento muito duro contra o “Contrato do Primeiro Emprego”, que havia forçado o governo a recuar. (...)

LER TODA A ENTREVISTA AQUI.

domingo, outubro 24, 2010

GREVE GERAL 24 DE NOVEMBRO: MOBILIZAÇÃO GERAL PELA JUSTIÇA SOCIAL !!!

O Pré aviso da Greve Geral de 24 de Novembro:
QUE NINGUÉM FALTE!
QUE TODOS SE MOBILIZEM POR MAIS JUSTIÇA SOCIAL, MAIS JUSTIÇA FISCAL, MAIS JUSTIÇA NA ECONOMIA ! ! !

Ao Primeiro-Ministro
Ao Ministério do Trabalho e da Solidariedade
A todos os restantes Ministérios
Aos Governos Regionais
Às Autarquias Locais
A todos os Órgãos, serviços da Administração Pública Central, Local e Regional
A todas as Pessoas Colectivas Públicas e Instituições de Segurança Social e Previdência
A todas as Entidades Empregadoras, independentemente do sector e da natureza jurídica
A todas as Confederações Patronais e Associações Empresariais
A todos os Trabalhadores e Trabalhadoras que trabalham em Portugal

PRÉ-AVISO DE GREVE GERAL
Os trabalhadores e trabalhadoras do nosso país enfrentam um insustentável nível de desemprego, de insegurança e precariedade, de redução da protecção social e um agravamento das desigualdades sociais, com maior pobreza e exclusão.
Depois das medidas gravosas do Programa de Estabilidade e Crescimento – PEC 2 – o PEC 3, apresentado pelo Governo, é extremamente grave, aprofunda a ofensiva contra os trabalhadores dos sectores público e privado e a população em geral, e condiciona ainda mais o desenvolvimento económico e social do país.
É inaceitável a redução dos salários, o congelamento geral das pensões, a redução do RSI e do abono de família e de outras medidas que pouco têm a ver com a redução do défice e põem em causa o direito e a efectividade da negociação colectiva, que vêm contribuir para maiores desigualdades sociais e fazem sempre dos que vivem do seu trabalho e dos mais pobres, os sacrificados pela crise.
Por isso, combatemos e combateremos políticas subordinadas aos grandes interesses económicos e à especulação financeira, que visam agravar sempre mais e mais os sacrifícios exigidos aos trabalhadores no activo ou na reforma e aos desempregados.
Não aceitamos que se pretenda retirar da Constituição a proibição do despedimento individual sem justa causa ou se faça da desregulação laboral uma pseudo arma de produção do emprego, que não deu resultados positivos em nenhum país europeu e muito menos deu ou dará em Portugal.
Rejeitamos completamente o discurso patronal que exige mais sacrifícios a quem trabalha, para aumentar os lucros aos detentores do capital, sem preocupação com o investimento criador de empregos e a modernização das empresas.
Exigimos que sejam tomadas medidas eficazes de ataque aos privilégios, aos capitais financeiros especulativos, à fuga para os paraísos fiscais e que garantam a eliminação dos benefícios fiscais de que gozam as grandes empresas e particularmente os bancos.
O nosso País, junto com a Grécia, Espanha e Irlanda está sujeito a um forte ataque dos mercados financeiros, que exige uma resposta adequada, que não passe apenas pela redução do défice, nem pela submissão aos especuladores que procuram lucro fácil.
A União Europeia, e a generalidade dos governos dos países que a integram, são responsáveis pelas políticas económicas que não asseguram o Crescimento e o Emprego e põem em causa os fundamentos da Europa Social.
É chegada a hora de unir esforços e vontades para lutar por uma mudança de políticas que respondam às necessidades e justos anseios dos trabalhadores e das populações em geral.
A CGTP-IN e a UGT assumem claramente:
• O combate ao desemprego e à precariedade, como prioridade das prioridades;
• A necessidade de crescimento e emprego com direitos, por via do investimento público, particularmente em áreas sociais ou modernizadoras da economia e do investimento privado, praticamente paralisado;
• O combate à pobreza e à exclusão e, em geral, às desigualdades sociais, o que exige o aumento do salário mínimo para 500€ em Janeiro de 2011, e do rendimento mínimo e dos apoios sociais, em especial aos desempregados, pensionistas e idosos;
• A defesa do direito à negociação e dinamização da contratação colectiva, como instrumento de progresso social, o que passa pelo aumento real dos salários, como imperativo nacional para a melhoria das condições de vida e o desenvolvimento do país;
• O combate a todas as ilegalidades e a exigência de uma actuação firme das inspecções, em particular da Inspecção Geral do Trabalho pela efectivação das normas legais e contratuais, contra a precariedade e os vínculos ilegais, pelo respeito pelos acordos e pelos horários de trabalho e no combate às violações das condições de higiene, saúde e segurança no trabalho;
• A apresentação de um Orçamento de Estado para 2011 que seja de Crescimento e Emprego para dar resposta aos problemas dos trabalhadores, das famílias e do País e não apenas de combate ao défice e aos desequilíbrios estruturais com que nos confrontamos.
A CGTP-IN e a UGT manifestam a sua determinação na luta:
• Contra a revisão da Constituição ou da Legislação do Trabalho, que ponha em causa os direitos dos trabalhadores;
• Contra quaisquer medidas que permitam a redução de vencimentos dos trabalhadores no sector empresarial do Estado, público e privado;
• Na defesa de uma Administração Pública de qualidade e bem gerida, o que exige o respeito pelos direitos dos trabalhadores;
• Na defesa do trabalho digno;
• Contra medidas que ponham em causa o Estado Social, garante da igualdade de oportunidades para todos;
• Pela exigência do combate efectivo à fraude e à evasão fiscal e à economia clandestina.

A UGT e a CGTP-IN reafirmam a sua disponibilidade para o diálogo social e a negociação colectiva, na procura de compromissos mobilizadores para a promoção de melhores condições de vida e de trabalho, de melhoria do sector produtivo, nomeadamente, com uma política industrial, agro-alimentar e energética, capaz de gerar riqueza e de promover a sua justa distribuição, aumentar as exportações, reduzir a dependência em importações e de procurar garantir o auto-abastecimento nacional.
Pelas razões e objectivos expostos a CGTP-IN e a UGT decidem convocar uma GREVE GERAL, para o próximo dia 24 de Novembro de 2010 apelando a todos os trabalhadores, permanentes ou precários, do sector público ou privado, sindicalizados e não sindicalizados, e a todos os sindicatos para que se juntem pela mudança de políticas, pelo trabalho digno, contra o desemprego e a precariedade, pelo aumento dos salários e das pensões, num Portugal de progresso económico e social e de justiça e de solidariedade.
A adesão à greve por parte dos trabalhadores que laborem em regime de turnos far-se-á do seguinte modo: os trabalhadores, cujo horário de trabalho se inicie antes das 00h00 ou termine depois das 24h00 do dia 24 de Novembro, se a maior parte do seu período de trabalho coincidir com o período de tempo coberto por este pré-aviso, o mesmo começará a produzir efeitos a partir da hora em que deveriam entrar ao serviço, ou prolongará os seus efeitos até à hora em que deveriam terminar o trabalho, consoante os casos.
Nos termos da lei, as associações sindicais e os trabalhadores assegurarão a prestação dos serviços necessários à segurança e manutenção do equipamento e instalações e dos serviços mínimos indispensáveis para acorrer à satisfação de necessidades sociais impreteríveis, nas empresas, estabelecimentos ou serviços que se destinem à satisfação dessas necessidades, nos termos dos acórdãos, acordos ou despachos que regulem esta matéria.
A representação dos trabalhadores em greve é delegada, aos diversos níveis, nas associações sindicais, nas comissões sindicais e intersindicais, nos delegados sindicais e nos piquetes de greve.

Lisboa, 19 de Outubro de 2010

Pela CGTP-IN
Manuel Carvalho da Silva
Secretário-Geral

Pela UGT
João Proença
Secretário-Geral

domingo, outubro 17, 2010

E SE ACONTECESSE UM SOBRESSALTO REVOLUCIONÁRIO ?...

As democracias europeias ocidentais não funcionam! Não funcionam no plano nacional, e ainda menos no plano europeu ...

Os resultados eleitorais são expressos pelo voto de cada vez menos cidadãos. Aumentam as abstenções. E entre os votantes, começa a ser significativo o número dos que, por protesto, anulam o boletim de voto.

Independentemente das afluências às urnas, também é uma evidência crescente, que os Parlamentos, após cada acto eleitoral, agem como se o voto nunca tivesse existido e como se não representassem ninguém em função do voto. Ou seja, Parlamentos e governos agem, sistemáticamente, à margem dos resultados eleitorais que os legitimaram.

Aos cidadãos é reservado sómente o direito de votarem, passados "x" anos, para tudo se voltar a repetir...

Em tempos de crise económica e financeira, o cenário é ainda mais aterrador. Os governos parece que se esquecem completamente dos cidadãos que votam e os elegem, para só darem ouvidos a entidades não eleitas mas possuidoras de um poder absoluto e totalitário: os chamados "mercados" e todos os seus orgãos de qualquer dimensão!

Isto não é democracia! Isto é um enorme embuste!

Se os governos fazem só o que os mercados lhes impõem, se os mercados não são eleitos nem controlados por ninguém ... o que resta às pessoas, aos cidadãos, aos trabalhadores ?

Encolherem os ombros? Deprimirem-se ? Votarem para a sua vontade ser sistemática e periódicamente esquecida e desprezada ?

Há momentos, em que é urgente, vital, inadiável que a História sofra um sobressalto revolucionário que recoloque a democracia nas mãos cidadãs, nas mãos populares, nas mãos de quem trabalha. Afinal, fazer com que a maioria social assuma novamente o acto diário de fazer e acontecer democracia!

E se, para essa reapropriação democrática do acto de decidir, de criar, de construir, fosse necessário colectivamente a maioria social tomar o poder ?

terça-feira, outubro 12, 2010

PCP: POSIÇÃO RIDICULA A PROPÓSITO DO NOBEL DA PAZ!


Os "perigosos" Nobel da Paz 2010 e esposa, entretanto já colocada em prisão domiciliária pelo governo chinês
 "Num curto comunicado enviado hoje às redacções, e divulgado “face a solicitações de vários órgãos de comunicação social”, o gabinete de imprensa do PCP defende que a atribuição do Nobel a Liu Xiaobo é “inseparável das pressões económicas e políticas dos EUA à República Popular da China”.

De acordo com os comunistas portugueses, a escolha do dissidente chinês “é, na linha da atribuição do Prémio Nobel da Paz de 2009 ao Presidente dos EUA, Barack Obama, mais um golpe na credibilidade de um galardão que deveria contribuir para a afirmação dos valores da paz, da solidariedade e da amizade entre os povos”." (in, Público on-line)

Atado a posições nacionalistas e politicamente vesgas, a direcção do PCP, a propósito da escolha de um dissidente chinês, Liu Xiaobo, para Nobel da Paz, tomou uma posição absolutamente miserável e que a torna cúmplice com um regime que de "socialista" e/ou "comunista" só tem o nome.

A posição da direcção do PCP sobre a China, vem no seguimento de outras posições individuais de dirigentes comunistas sobre o regime totalitário e anti-socialista da Coreia do Norte.

A direcção do PCP parece que continua a avaliar a situação internacional, tendo por referência as posições dos EUA. Ou seja, o que o EUA apoiar é, para o PCP, suspeito e, desde logo, merece a sua oposição. É uma posição que decorre da sua visão patrioteira e estalinista sobre a construção do socialismo num só país, uma espécie de construção de "aldeias do Astérix", onde poderem surgir ...

A situação na China, não se resume óbviamente, à escolha de determinada pessoa para Nobel da Paz. Na China assiste-se ao acordar dos trabalhadores que se têm movimentado, um pouco por todo o lado, contra salários de miséria, contra jornadas de trabalho inumanas e escravizantes, contra uma vida sem quaisquer direitos. Desde um ponto de vista socialista, esta é a referência para a avaliação do que se passa na China. E, com base nisso, a China não é mais do que um país com um regime totalitário à procura de entrar para o clube dos grandes países capitalistas.

O Partido "Comunista" Chinês e a sua correia-de-transmissão sindical, comportam-se como entidades que só se preocupam em controlar os trabalhadores e os cidadãos, tornando-os uma espécie de massa amorfa a quem só é permitido reagir a impulsos nacionalistas e de adaptação ao mais miserável modo de vida capitalista e neo-liberal.

O socialismo precisa de liberdade como o corpo humano precisa de oxigénio, mas isto os estalinistas e neo-estalinistas dos nossos dias, a nível nacional e internacional, teimam em não perceber !

sábado, outubro 09, 2010

AFEGANISTÃO: 9 ANOS DE GUERRA ... UM MINUTO JÁ SERIA DEMAIS! (*)

Já dura há 9 anos a guerra que o Pentágono e a Nato programaram para o
Afeganistão, ainda antes do 11 de Setembro de 2001.

São 9 anos de destruição. Anos em que a área abrangida não tem parado de
se alargar, do Afeganistão para o Paquistão e, mais recentemente, com
réplicas no Quirguizistão e no Tadjiquistão.

São 9 anos com deslocações em massa de populações pobres, de vítimas
colaterais dos bombardeamentos da NATO, com aviões tripulados e outros
“inteligentes” dirigidos a partir de consolas instaladas nos EUA.

São 9 anos de engrandecimento do negócio do ópio, a favor dos senhores da
guerra e do alastramento da toxicodependência a 800000 afegãos.

São 9 anos de esforços de controlo pelos EUA das vias de transporte de
petróleo e gás e que se revelam como um fracasso militar e estratégico.

São 9 anos de gastos brutais com a guerra, com os contratos para a
produção de armamentos e com empresas de serviços militares. Gastos tanto
mais condenáveis quando se oneram os povos com desemprego, cortes
salariais, degradação dos cuidados de saúde.

Portugal participa nessa guerra e, a despeito do empobrecimento colectivo
a que se assiste, o governo desencadeou uma verdadeira orgia de compras de
armamento (submarinos, carros de combate e anti-motim, aviões); sem olhar
ao deficit público ou ao crescimento da dívida.

Retirada imediata de tropas estrangeiras do Afeganistão!


Extinção da NATO!


Cancelamento por Portugal de todas as compras de equipamentos militares!

(*) PLATAFORMA ANTI-GUERRA ANTI-NATO

http://antinatoportugal.wordpress.com/

quarta-feira, outubro 06, 2010

GREVE GERAL: TODAS E TODOS SOMOS IMPRESCINDÍVEIS !

As direcções da CGTP e da UGT vão estar reunidas (ou já estiveram?) para ver se chegam a acordo quanto à sua convergência na organização da Greve Geral marcada para 24 de Novembro.

A possibilidade de unidade de todas e todos os trabalhadores, seja qual for o seu sindicato, a sua simpatia política, a sua nacionalidade, ... , é mobilizadora e deveria ser um objectivo para o qual se deveria, desde já, estar a trabalhar. O êxito de uma Greve Geral depende dessa possibilidade de convergência social e laboral.

Uma reunião entre as direcções da CGTP e da UGT, para "negociarem" uma convergência, parece ser já, muito pouco mobilizador ... os trabalhadores não entendem muito bem, como é que, perante tanto desemprego, tanta precariedade, tanto atentado às prestações sociais, tanta austeridade, ainda é preciso as direcções da CGTP e da UGT calcularem, negociarem, decidirem se podem ou não fazer a Greve Geral em conjunto.

É certo que qualquer sindicato, qualquer Central Sindical, têm hoje, perante o pensamernto único neo-liberal existente, muitos obstáculos a vencer. A sua acção não é fácil! Mas essa dificuldade, por parte dos sindicatos, parece ser sempre agravada por culpa das suas direcções, as quais, nos momentos decisivos, ficam sempre muito dependentes das suas ligações partidárias e do que as suas direcções partidárias determinam.

Não há problema nenhum que as direcções sindicais possam ter determinadas simpatias partidárias. O problema é que os partidos a que pertencem, parecem preocupar-se muito mais com o jogo parlamentar e esquecem-se do papel decisivo, determinante, estratégico que deveria ter a participação activa no processo de luta de classes, em todas as lutas sociais.

Uma Greve Geral não é só um momento de reinvindicação pontual. É um momento estratégico de exigência política, a partir do movimento social. Em 24 de Novembro, quando se exigirem outras políticas, o fim das actuais politicas de austeridade, estaremos, todas e todos os que participarem nessa Greve Geral, a lutar por uma alternativa política, social e económica ao governo que temos e uma outra Europa, na qual, a participação democrática e universal dos seus cidadãos seja uma realidade!

Trabalhadores de todo e qualquer sector de actividade, CGTP e UGT, sindicatos não filiados em qualquer central, comissões de trabalhadores, associações populares, partidos políticos que queiram aderir, ... , todas e todos somos IMPRESCINDIVEIS !

quinta-feira, setembro 30, 2010

A ORDEM REINA EM BARCELONA (*)


 
"¡El orden reina en Varsovia!", "¡El orden reina en París!", "¡El orden reina en Berlín!", esto es lo que proclaman los guardianes del "orden" cada medio siglo de un centro a otro de la lucha histórico-mundial. Y esos eufóricos "vencedores" no se percatan de que un "orden" que periódicamente ha de ser mantenido con esas carnicerías sangrientas marcha ineluctablemente hacia su fin. (…) Aún en medio de la lucha, en medio del clamor de victoria de la contrarrevolución, han de hacer los proletarios revolucionarios el balance de lo acontecido, han de medir los acontecimientos y sus resultados según la gran medida de la historia. La revolución no tiene tiempo que perder, la revolución sigue avanzando hacia sus grandes metas aún por encima de las tumbas abiertas, por encima de las "victorias" y de las "derrotas". La primera tarea de los combatientes por el socialismo internacional es seguir con lucidez sus líneas de fuerza, sus caminos. (Rosa Luxemburgo, "El orden reina en Berlín", escrito el día anterior a su muerte)

Los silbidos y piquetes informativos que daban inicio a la huelga general, empezaron su actividad a las once horas del día 28 en puntos estratégicos de Barcelona, tales como SEAT, MercaBarna o Gràcia. Incluso momentáneamente, los estudiantes que ocuparon la Facultad de Física, lograron cortar la Diagonal, arteria principal de Barcelona.

Decenas de miles de trabajadores, han salido hoy a la calle en protesta contra los recortes sociales, y en oposición a la contrarreforma laboral. Desde primera hora de la mañana, las masas se han concentrado en Plaza Cataluña, concretamente en el edificio convertido en símbolo de la huelga, el antiguo Banco Español de Crédito, okupado desde el pasado sábado, y reconvertido en un local autogestionado para organizar movilizaciones y asambleas preparatorias para afrontar la jornada de huelga.

Los comités de barrio, tras movilizarse en sus respectivos vecindarios, han bajado hasta el punto de reunión que se concretó para empezar el piquete unitario alternativo a los sindicatos institucionales. Unas 5.000 personas, cifra que superó ampliamente a la concentración matinal hecha por UGT y CCOO, se reunieron en el corazón de la capital catalana. Ahí se citaron diferentes colectivos sociales y todo tipo de organizaciones de clase, que fueron acompañadas por los minoritarios pero combativos CGT y CNT, entre otros.

La rabia y tensión acumuladas podían respirarse en el ambiente. Toda clase de individuos, sin distinción alguna de género, origen o etnia, formaban un solo cuerpo. A medida que la gente se acumulaba y se organizaba para manifestarse pacíficamente, tal y como se acordó en la asamblea general del pasado día 27, paralelamente lo hacían las fuerzas policiales. El aparato represor del estado ha mostrado un gran interés en la huelga, concretamente en su fracaso absoluto, a través de una elevadísima represión con altas dosis de violencia.

Los antidisturbios han bloqueado la ruta que en un principio se iba a seguir mediante un cordón con agentes armados y furgonetas, con lo cual se ha intentado buscar un recorrido alternativo, y no buscar la confrontación directa. De camino, la manifestación se ha cruzado con la institucional de UGT y CCOO, a la cual se ha increpado durante varios minutos antes de seguir la marcha. Acto seguido, al reemprenderla, se han vuelto a divisar antidisturbios formando otro cordón policial con tal de detener la manifestación. En ese momento, la impotencia de no poder ir libremente por la ciudad ha desatado la rabia del pueblo. Una movilización que se acordó como pacífica y de carácter informativo, se ha convertido en disturbios y desobediencia civil. Los mossos, por su parte, respondieron a tales acciones con la violencia y agresividad que les caracteriza. Más de medio millar de agentes antidisturbios, sin contar la policía secreta, hizo acto de presencia, junto con furgonetas policiales que buscaron a cada rato separar a los manifestantes, mientras éstos formaban combativas e improvisadas barricadas con todo tipo de mobiliario urbano, entre los cuales destaca un coche de policía, que ha sido fotografiado desde mil ángulos distintos por la prensa, con tal de hacernos creer que se quemó más de uno. La resistencia contra la policía fue dura, aunque los agentes actuaron con fuerte contundencia. Después de variar la ruta prevista un par de veces, se decidió volver al Banco de Crédito para seguir, después de comer, con las movilizaciones.

La autogestión, unos cuantos años después de 1936, pero en el mismo sitio, volvió a mostrarse en todo su esplendor. Se repartieron bocadillos a los manifestantes de forma gratuita, y se acordó volver a intentar otra manifestación. Antes de dar tiempo a organizar la cantidad de personas que se concentraban en Plaza Cataluña, más de 6.000, los mossos volvieron a hacer acto de presencia, desalojando de forma violenta y sin orden judicial, el edificio okupado. Más de 200 antidisturbios separaron en cuatro bloques a los huelguistas, que, durante más de una hora, contemplaron impotentes el estado policial en su máximo esplendor, privando a la gente de circular libremente por la calle, y con detenciones arbitrarias incluidas.

Aún así, al pasar el tiempo, la gran mayoría de los que protestaban, un número cada vez mayor, acabó yendo rumbo a donde estaba concretada la manifestación de la tarde. La fuerza del pueblo ha vuelto a concentrarse en un solo punto, y se han producido graves disturbios que han cortado unas cinco calles, que se han convertido en un campo de batalla improvisado entre huelguistas y policías. Un clima de guerra civil entre capital y trabajo se podía sentir en Barcelona, se pudo palpar en la rabia de su gente. La policía, armada con bolas de goma y porras, reprimía al pueblo en huelga. Esos incidentes desencadenaron otra lucha entre trabajadores y mercenarios, los cuales formaron una cadena policial ante la Bolsa de Barcelona, y El Corte Inglés. Ya se sabe que los perros suelen defender las pertenencias de su amo.

En esos disturbios, un elevado número de periodistas estuvo presente, y pudo grabar y presenciar de primera mano las prácticas represivas y autoritarias de los mossos d'esquadra, pero se contentó filmando acciones aisladas de quema de contenedores y papeleras, conscientes de su tendenciosa manipulación informativa. Esas protestas cesaron temporalmente al verse interferidas por la gran manifestación que recorrió el centro de Barcelona y aplegó a más de 400.000 personas, aunque se reanudaron parcialmente en las calles paralelas a Passeig de Gràcia, donde se levantaron barricadas y hubo lucha callejera entre huelguistas y policía, con una presencia muy destacable de la CNT.

La maquinaria de la prensa del capital ya está haciendo su trabajo. Los manifestantes ya no son gente de todo tipo de asociaciones y colectivos, son antisistema. Los manifestantes ya no son más de 5.000, son pocos centenares. Los manifestantes ya no sufren la represión de los mossos, sino que incitan a la violencia. Al capital le queda poco de vida, está agonizando. La huelga es solamente el primer paso para darle muerte.

"¡El orden reina en Berlín! ¡Estúpidos e insensatos verdugos! No os dais cuenta de que vuestro orden está levantado sobre arena. La revolución se erguirá mañana con su victoria y el terror asomará en vuestros rostros al oírle anunciar con todas sus trompetas: ¡Yo fui, yo soy, yo seré!" (Rosa Luxemburgo, “El orden reina en Berlín”)

(*) DCI-OML

quarta-feira, setembro 29, 2010

Expectativa - Miguel Portas - Manif Europeia 2010/09/29

HOJE É DIA DE LUTA EM TODA A EUROPA, CONTRA AS MEDIDAS DE AUSTERIDADE DOS RESPONSÁVEIS PELA ACTUAL CRISE!

29 DE SETEMBRO DE 2010 ... hoje é um dia histórico para o movimento dos trabalhadores europeus! Por toda a Europa, decorre uma Jornada de Luta contra as medidas de austeridade impostas por quem é responsável pela actual crise económica e financeira. Independentemente do seu balanço final, esta Jornada de Luta assume uma grande importância social e política, já que pretende ser uma resposta convergente de todos os trabalhadores europeus, seja qual for a sua nacionalidade, a políticas impostas pela Comissão Europeia de orientação neo-liberal e veículadas, nos planos nacionais, pelos respectivos governos.

A Jornada de hoje, decorre num momento em que os responsáveis pela crise pretendem aparecer como os únicos com capacidade para apresentar soluções para essa crise, apontando as iniciativas das esquerdas, dos trabalhadores e das suas organizações como "irresponsáveis" e que só agem "pela negativa". Nos planos nacionais, como em Portugal, com a direcção do PS, com o PSD e o CDS, os partidos alinhados com as soluções neo-liberais, têm também transmitido, com a ajuda da imprensa (controlada pelos grandes grupos económicos e financeiros), a mesma ideia, procurando criar uma estratégia de tensão junto da chamada opinião pública.

A Comissão Europeia, os governos nacionais europeus e os partidos que os suportam, têm alimentado uma mentira imensa junto de toda a opinião pública. Desde logo, porque quando falam em despesa pública "incontrolada" e, para a controlarem, recorrem a uma série de medidas e de políticas de cortes sociais, de privatizações a torto e a direito, de desregulamentação de toda a economia, tentam fazer esquecer que essas medidas nunca resultaram e já foram aplicadas, sem êxito, num  passado muito recente. Por outro lado, sempre que falam em "despesa pública incontrolada", não dizem que é o actual modelo económico, baseado em concorrência irracionais e, elas sim, incontroladas, que traz, em si, a razão para tanto descontrolo, irracionalidade e crise.

Os trabalhadores e os cidadãos em geral, têm todo o direito de reagirem aos ataques que visam os seus direitos sociais, arduamente conquistados, e, a sua qualidade de vida. Perante medidas injustas, é legitimo esperar que a primeira reacção popular e social, seja de "Não!" e de "Basta!".

Aqueles que só pretendem perpetuar o actual estado de coisas, é que alimentam a panaceia de que as Jornadas, como a de hoje, deveriam ser mais afirmativas e menos negativistas. O primeiro passo para uma alternativa, é a capacidade de se conseguir criar uma consciência social colectiva de rejeição de um modelo que não funciona e que gera crises atrás de crises.

O actual modelo politico e social do capitalismo, tem comportado também a criação de uma série de situações que são também  anti-democráticas. Por exemplo, a generalização dos contratos de trabalho individuais, a generalização de situações de precariedade e de contratos a prazo, visou também a destruição de uma consciência colectiva entre os trabalhadores. Foi uma forma, ao longo de anos, de enfraquecer os sindicatos e de criar, dentro de cada local de trabalho, climas perigosamente concorrenciais entre os trabalhadores, atados a esquemas de avaliação que acabam sempre por ser mecanismos de chantagem junto de cada trabalhador individualmente considerado.

Repetimos: por estas razões, Jornadas com dimensão europeia, como a de hoje, são extremamente positivas porque podem contribuir para se reconquistar uma consciência colectiva e, agora, de dimensão europeia junto dos trabalhadores e dos cidadãos europeus, em geral.

As medidas de austeridade, os cortes nas prestações sociais, a redução dos salários, a privatização de sectores fundamentais da economia, a manutenção de um modelo financeiro que implodiu, ... , são soluções que visam a preservação de um sistema - o capitalista ou economia de mercado - que trás em si, a principal razão endémica da tanta crise: uma concorrência irracional, uma incapacidade estrutural de planificar o que quer que seja!

Mesmo quando os defensores e executores do actual sistema, tentam avançar com simulacros de estatizações, tudo acaba por falhar porque limitam-se a transportar para o nível do Estado, o mesmo tipo de funcionamento de uma empresa. E nas empresas, segundo o modelo capitalista neo-liberal, a gestão esquece a participação dos trabalhadores e alimenta-se com base em práticas nada transparentes. Por isto, a economia de mercado é incapaz de criar e, muito menos, de desenvolver qualquer serviço público!

Os trabalhadores sabem, pela sua experiência, que é possível uma alternativa. Sabem também que esta crise para ser vencida precisa de um sistema de planificação democrática com a sua participação. Parem os governos e a Comissão Europeia de falar em "controlar", quando a única coisa que querem é abrir o caminho para a intervenção da tropa de choque do capitalismo internacional - FMI, por exemplo - para a preservação do actual sistema de crise e de irracionalidade. Parem também os iluminados ex-governantes de pedir cortes e mais cortes, quando toda a gente sabe que, no seu curriculum, não consta que alguma vez, quando eram governantes (nacionais e/ou europeus) tenham tido qualquer êxito nas medidas que aplicaram ... Chega de hipocrisia, de mentira e de caras-de-pau!

Uma outra Europa, construida com a participação democrática dos seus cidadãos, com uma Comissão Europeia eleita universal e democráticamente, certamente comportar-se-ia de um modo muito diferente daquela que é presidida por Durão Barroso.

Depois da Jornada Europeia de Luta contra a Austeridade, seria muito importante que as esquerdas anti-capitalistas, democráticas e socialistas, pudessem trabalhar numa alternativa politica, económica e social com dimensão europeia. É nesse sentido e para isso que só pode servir uma Jornada europeia, como a que se realiza hoje!

sábado, setembro 25, 2010

O "BLOCO CENTRAL" ... PORQUE BRUXELAS ASSIM DETERMINA!

Parece que o Orçamento Geral do Estado (OGE) só pode ser discutido pelo PS e pelo PSD, com o CDS à espreita. Diáriamente, na imprensa, através desses cromos chamados "opinion-makers", através de debates televisivos entre economistas e técnicos, quase todos alinhados pelas soluções enquadradas na "economia de mercado", cria-se essa "realidade" para a chamada "opinião pública" onde os partidos capazes de "produzir" um OGE, são os do "bloco central" ou "arco da governação", e os restantes só estão "vocacionados" para protestar e pouco mais.

Esta é a "realidade" imposta por Bruxelas, mas não é a realidade. Esta é também a realidade da outra peça que completa o "bloco central" interno, o Presidente Cavaco Silva. Assume-se como uma espécie de figura arbitral do tal "bloco central" ...

De tanto se repetir uma mentira, até parece que não é mentira, mas verdade! É o que se passa com toda a novela à volta do próximo OGE. O OGE que o centrão quer, com a nuance PS ou com a nuance PSD, é afinal aquilo que Bruxelas tem imposto a todos os países da União Europeia. E a mentira reside precisamente na repetição de que o OGE tem de ser "assim", na repetição de que só o PS e o PSD podem produzi-li e aprová-lo, na repetição de que "não existem" soluções fora do figurino que Bruxelas impõe! Logo rematam que, se assim não for, vem aí novamente o FMI ...

A Europa não tem de ser como tem sido, o modelo económico não tem de ser a escolha entre o liberalismo e a reedição de um qualquer totalitarismo, o modelo político também não é a escolha entre a dita "democracia liberal" e um falso cenário de "ingovernabilidade" ... isto é o que nos passam a vida a impingir!

Os ideologos desta Europa e das diversas variantes internas de "bloco central" são muito lestos a cortar nas prestações sociais, a privatizar, a despedir, ... , mas esquecem rápidamente os milhões e milhões que o modelo liberal desperdiçou com a crise financeira que provocou e, a nível interno, com os milhões que atirou ao mar com a compra de um submarino desnecessário e ridiculo, mas também com o buraco criado financeiramente com o BPN e o BPP.

Com o actual modelo liberal - político e económico - a palavra só pertence às empresas e aos chamados "políticos responsáveis" e "opinion-makers" do sistema. As eleições periódicas acabam por ser um pormenor no tempo!...

O exercício da democracia, a vivência das liberdades, a construção de um sistema de Justiça Social, de Justiça ambientar, de Justiça Fiscal diz respeito a todas e a todos que o actual sistema só olha quando abre o circo das campanhas eleitorais. Se não nos mobilizarmos, apesar das "verdades" dominantes, apesar de todas as chantagens, estaremos sempre condenados a ter de comer o que nos impõem!

A Jornada Europeia de 29 de Setembro contra as medidas de austeridade, contra os cortes sociais, é uma oportunidade para, todas e todos, dizermos que A DEMOCRACIA SOMOS NÓS, NÃO É O QUE BRUXELAS IMPÕE!

sexta-feira, setembro 24, 2010

Reunião de activistas das esquerdas: a ideia e o comentário!

No "Combate Social", o António Pinho lançou a proposta, a ideia. Todos os comentários sobre esta proposta de iniciativa são benvindos.

Amigos e camaradas,


A situação política em Portugal é um nojo. Os direitos vão-se reduzindo e a esmagadora maioria da população empobrece a olhos vistos. E ninguém poderá dizer onde vai parar esse processo; alternam-se as medidas nocivas com os anúncios ameaçadores.


A direita no poder, mesmo quando usa o nome de partido socialista, campeia por aí, à desfilada, telecomandada por Bruxelas e pelos “mercados”, ousando, cada vez com maior descaramento, aplicar medidas selváticas, fascizantes e genocidas.


A esquerda institucional não sai da sua rotina de discursos mais ou menos bem conseguidos, que ninguém ouve; de desfiles sempre iguais, todos os três meses, pelas avenidas; não tem um projecto credível de promover uma paragem no processo empobrecedor e, menos ainda, de o fazer recuar.


Perante a evidente ineficácia da esquerda portuguesa em geral, todos temos responsabilidade. E não consola nada saber que no resto da Europa a situação é semelhante.


Perante essa ineficácia, há que pensar, pesquisar, discutir e traçar novos objectivos, novos processos, que mobilizem, que coloquem as decisões das lutas na base e, nessas tarefas, cabe toda a esquerda, pertencente ou não a partidos.


Em Julho último, a propósito das eleições presidenciais, realizaram-se duas reuniões de militantes e activistas, para discutir o estado da esquerda portuguesa. E foi consensualizado que se iria continuar.


Queres entrar nessa discussão? Se estiveres disponível, diz.


Propomos sábado, 30 de Outubro, em local a designar.

A posição do TRIBUNA SOCIALISTA é esta:

Caro António Pinho,
É sempre de saudar o apelo à criação de espaços que discutam alternativas às alternativas que nunca resultam.
Como sempre e mesmo como militante do Bloco de Esquerda, estou disponível para uma discussão que tenha a ousadia/ambição de conseguir uma conclusão.
O espaço das esquerdas - as novas, as velhas, as acomodadas, as irrequietas, ... , todas! - precisa de saber criar pontes de diálogo, em vez de cada qual só se preocupar com a sua aldeia.
Este apelo a uma nova reunião de "activistas de esquerda", deveria (é uma sugestão!) surgir sob a forma de Manifesto, subscrito, numa primeira fase, por quem se quiser assumir como "organizador" dessa iniciativa. O "antónios", os "joões", os "maneis", as "miquelinas" , ... , activistas com cara deveriam dar expressão a esse Manifesto dirigido a todas e todos os que passam a vida a apanhar na cabeça com as pseudo-soluções neo-liberais e já não têm pachorra para "alternativas" que só são no nome.
Porque é possível desenhar e trilhar outros caminhos diferentes, muito diferentes, daqueles que temos vivido, muitas vezes impostos para além da expressão eleitoral. E deveriamos ter a ousadia de afirmar que o que pretendemos, não é só contestar, mas organizar uma alternativa de poder!
Fica a minha sugestão para o António Pinho e para todas e todos que estiverem interessados numa iniciativa deste tipo.
Abraços.

quinta-feira, setembro 23, 2010

BASTA DE NACIONALISMOS BACOCOS E ABSTRACTOS!...

Manuel Alegre criticou quem "coloca a ideologia e os interesses acima do interessa nacional" .

Pois eu coloco a ideologia e os interesses que essa ideologia representa, acima do interesse nacional. Chega de nacionalismos bacocos e abstractos, numa era em que as ideologias dominantes têm uma dimensão internacional.

Será que quando Sócrates apoiou Durão Barroso para Presidente da Comissão Europeia, o fez para "defender o interesse nacional" já que Barroso também é português ? Será que os banqueiros do BPN e do BPP agiram em nome do "interesse nacional" ? Será que o interesses envolvidos nas jogatanas da Bolsa nacional, têm alguma coisa a ver com o "interesse nacional" ? Será que os trabalhadores que se manifestam contra as deslocalizações das empresas, contra os baixos salários, contra a precariedade, contra o desemprego, ... , não estarão a defender o "interesse nacional" ?

Eu acredito que a democracia e as liberdades, partes integrantes de uma alternativa socialista suplantam as fronteiras nacionais assim como o interesse social nesta alternativa. O português que trabalha por conta doutrem não tem os mesmos interesses do português que o explora. Mas o português que trabalha por conta doutrem tem os mesmos interesses do espanhol, do alemão, do francês, do grego, do italiano, do sueco, do inglês ... que estão nas mesmas condições de assalariados.

Por causa disto é que acontecerá em 29 de Setembro, uma JORNADA EUROPEIA DE LUTA CONTRA A AUSTERIDADE E OS ATAQUES AOS DIREITOS SOCIAIS.

FRENTE À BARBARIE EM QUE NOS AFUNDA O CAPITALISMO: À GREVE EM 29 DE SETEMBRO (*)


(*) Um exemplo que chega do Estado Espanhol sobre a preparação da Greve Geral que terá lugar em 29 do corrente, dia da Jornada Europeia de luta contra a austeridade.
O texto, em castelhano, é da responsabilidade da Democracia Comunista Internacional, Organização Marxista Luxemburguista.
cartaz da CNT

Esta nueva crisis del capitalismo ha hecho que treinta millones de personas más pierdan su puesto de trabajo. Y ya son más de doscientos millones de parados en todo el mundo, sin contar los millones que ni siquiera tienen derecho a que se les considere oficialmente desempleados. La precariedad y la pobreza se instalan incluso en los países más desarrollados, y entre los más de 1000 millones de pobres que existen hay que incluir a uno de cada siete norteamericanos. Una realidad impensable para la mayoría hace tan sólo una década, cuando los mismos que ahora nos dicen que esto es así y que tenemos que aguantarnos nos engañaban hablándonos de progreso y desarrollo infinitos. Pero no, el capitalismo está en crisis, una crisis total que dinamita su propia esencia, pues “para existir el capital tiene que crecer, es decir, adquirir un nuevo valor”. Y ya no puede. El capitalismo está en recesión, no sabe cómo seguir adquiriendo nuevo capital, no sabe de dónde acumular mayor riqueza y valor. Sólo tiene una salida: hundir aún más en la pobreza a millones de trabajadores, robándoles más de su salario, y privatizar lo poco que queda, en algunos países, de propiedad pública para hacer negocio con las necesidades básicas de la población: el agua, la sanidad, la educación, los transportes, etc.

Esto no es catastrofismo: es la realidad que sufrimos diariamente los trabajadores. Mientras, la contradicción inherente del capitalismo se refleja también en cifras: los beneficios empresariales siguieron creciendo en estos años, mucho más que los costes laborales. Esto significa que el poder adquisitivo de millones de trabajadores ha disminuido en los últimos años, incluso en los periodos de crecimiento económico. Otro dato evidente, y que vemos en nuestras ciudades y pueblos, es que el endeudamiento de las familias es inversamente proporcional al enriquecimiento del capital financiero, de los bancos, las constructoras y las inmobiliarias. Con la crisis, la importancia de las rentas del trabajo está disminuyendo, lógicamente, por el incremento del paro y por el deterioro de las condiciones laborales. Es decir, lo que estamos viendo todos los días: muchos trabajadores para ganarse la vida “aceptan” trabajar sin contrato, más horas o de aquí para allá, haciendo lo que se puede y lo que les dejan. (...)

TEXTO COMPLETO EM (*) DEMOCRACIA COMUNISTA INTERNACIONAL

UM POUCO DE HUMOR ... TAMBÉM É PRECISO!

terça-feira, setembro 21, 2010

SUÉCIA: AS ESQUERDAS JOGAM NO PARLAMENTO, A EXTREMA-DIREITA GANHA NAS RUAS!

Olof Palme em 1968: tempos aureos da social-democracia sueca ...
A coligação de direita voltou a ganhar na Suécia, a extrema-direita elegeu 20 deputados (5,8%) e a social-democracia (a menina querida da Internacional Socialista!) teve um dos piores resultados de sempre.

O que é que isto demonstra, numa perspectiva de esquerda?

Selecionamos este extracto de texto retirado do blogue "O grande Zoo", de Rui Namorado, membro da corrente "Esquerda Socialista" do PS:

"Nos dois anos decorridos, quer no plano nacional, quer no plano distrital, a vida do PS continuou, no essencial, a repetir aquilo que tinha vindo a ser. Os partidos integrados no Partido Socialista Europeu e na Internacional Socialista mantiveram-se perigosamente estagnados, tendo escandalosamente desaproveitado a dramaticidade e a gravidade da crise do capitalismo, que entretanto se desencadeou, como factores impulsionadores de uma renovação e intensificação do seu protagonismo. Na Europa, nenhuma outra parte da esquerda se mostrou capaz de substituir o PSE como pólo institucional, com virtualidades de alternativa à direita dominante; e não se abriu a porta a uma cooperação consistente e sistemática do PSE com as outras esquerdas, sem prejuízo de uma ou outra tímida excepção. Em Portugal, a conflitualidade entre o PS e as outras esquerdas acentuou-se."

De um modo geral, concordamos com o que é escrito pelo Rui Namorado. Ressalvamos, no entanto, um aspecto que não é secundário: o PS de Sócrates é hoje um partido distante de qualquer acção de esquerda, tanto nas políticas como nas acções que implementa. Não sendo de esquerda, grande parte dos seus militantes são imprescindíveis para uma alternativa socialista de poder. Esta contradição existente no PS português, é também o que se passa nos restantes partidos da Internacional Socialista: algo de esquerda, quando estão na oposição, claramente alinhados com o neo-liberalismo quando são governo!

Mas também é verdade que à crise da social-democracia europeia, não se vislumbra qualquer alternativa oriunda de outras esquerdas. De um modo geral, as esquerdas tradicionais europeias - social-democracia, partidos comunistas e novas esquerdas (ex-trostquistas, ex-maoístas, etc) - têm vindo a mergulhar em jogos parlamentares, esquecendo o que se passa nas ruas, nos locais de trabalho e onde as pessoas moram. Afundados nos jogos parlamentares, essas esquerdas deixaram de conseguir dialogar entre si, nunca mais falaram em alternativas de poder resultantes de convergências políticas entre si. Insultam-se, olham para o umbigo e deixam as ruas à mercê dos populismos e da demagogia reacionária e xenófoba da extrema-direita.

No plano europeu, as correntes maioritárias das esquerdas continuam a reduzir a sua acção e o seu discurso a precupações meramente nacionais, quando a actual dimensão da acção social e política deveria ser europeia. Nesta matéria, a Europa tem estado a ser construída segundo um padrão anti-democrático, de colocação da vontade popular e cidadã à distância, um modelo político muito próximo do que a direita neo-liberal tem defendido também nos espaços nacionais em que é governo. Mas do lado das esquerdas, continua a fazer falta uma acção concertada no plano europeu, não só entre os deputados no Parlamento Europeu, mas sobretudo no desenvolvimento de acções sociais e políticas com dimensão europeia.

As esquerdas europeias precisam também de fazer uma aposta clara na dimensão europeia, libertando-se do colete de forças que são os espaços nacionais e as posições soberanistas-patrioteiras ...

Nos planos nacionais e europeu, o modelo de representação política falhou. A chamada "democracia liberal europeia" não motiva a participação popular e cidadã. Coloca essa participação num funil por onde só passam, em última instância, os chamados "políticos profissionais", criaturas que só se chegam a quem os elege, nos períodos de campanha eleitoral. Há um excesso de representativismo na acção política que restringe e, às vezes, inibe outras formas de exercicio da democracia. Tudo isto cria espaço para todas as formas de populismo, os quais acabam sempre no discurso de condenação de toda e qualquer forma de acção política ... Os partidos da social-democracia europeia (como o PS português) têm enormes responsabilidades no crescimento dos populismos, já que continuam a elogiar a "democracia liberal europeia", como se não houvesse democracia para além desse funil ...

No plano económico e financeiro, mesmo em plena crise, mesmo depois das explosões ocorridas no sector financeiro, a social-democracia europeia continua atada ao que chama de "economia de mercado", ou seja, o capitalismo. Ensaiam criticas ao neo-liberalismo, mas as soluções (!) que preconizam situam-se sempre dentro do quadro capitalista neo-liberal. Parece que não aprendem com as lições da crise, parece que não vêm ou não querem ver, as consequências sociais deste modelo económico e financeiro: mais desemprego, mais precariedade, ataques aos direitos sociais, banca voltada para a satisfação dos seus próprios accionistas, mas predadora em relação aos clientes que vivem do seu trabalho!

As esquerdas precisam de mais ousadia e mais coragem políticas! É urgente uma alternativa de democracia, de socialismo, de busca de um novo modelo económico e financeiro liberto! Os populismos e o avanço da extrema-direita combate-se com muito mais intervenção social, combate-se com mais democracia a todos os níveis, combate-se com uma alternativa europeia ao actual modelo anti-democratico, anti-social e neo-liberal.

No próximo dia 29 do corrente, a Jornada Europeia contra as medidas de austeridade é uma boa oportunidade para se começar a concretizar essa alternativa de dimensão europeia.

domingo, setembro 19, 2010

Cartaz anarquista apelando à mobilização europeia em 29 de Setembro ... face às prepotências continuadas dos poderes estatais, a desobediência é um dos caminhos legitimos de protesto!

O ARCO NEO-LIBERAL PORTUGUÊS NÃO GARANTE OS DIREITOS HUMANOS ....

PS, PSD e CDS recusaram condenar, na sexta-feira passada, a política de Sarkozy relativa à expulsão de França de cidadãos europeus de etnia cigana. Recusaram aprovar uma posição de defesa dos direitos humanos, apresentada pelo grupo parlamentar do Bloco de Esquerda.

Do voto do PSD e do CDS não advém grande espanto. Fica, mais uma vez, qual o conceito de direitos humanos que a direita tem: reduzem-nos sempre a algo utilitário no seu próprio interesse ... as liberdades, por exemplo, vêm sempre depois das preocupações securitárias e só são prioritárias em matéria de actos de gestão empresarial ...

Do voto do PS, há, desde logo, uma primeira reacção de surpresa. Mas essa reacção é imediatamente dissipada ... afinal, a direcção sócratica, dito por militantes do PS, tem-se encarregado de transformar o seu partido num deserto ideológico para o tornar permeavel a toda a espécie de políticas neo-liberais e de direita. A explicação do líder parlamentar do PS, Francisco Assis, para o voto ao lado da direita, é elucidativa do calculismo, da aridez democrática e socialista, em que navega a actual direcção sócratica.

Longe vão os tempos em que o PS falava em "nem socialismo sem liberdade, nem liberdade sem socialismo" ... neste momento, constata-se que o calculismo se sobrepõe à liberdade e ao socialismo, embora este já está engavetado há muitos anos ...

A votação da moção apresentada pelo B.E., dividiu a bancada do PS. Sómente o vice-presidente da bancada sócratica, Sérgio Sousa Pinto, voto ao lado do Bloco. Vários deputados do PS fizeram declarações de voto ou sairam do hemiciclo, tomadas de posição que se aproximam muito mais da cobardia política do que da defesa de principios e de consciência.

O PS de Sócrates mostrou que o recente discurso provoado de palavras de "esquerda", é só para consumo da próxima etapa parlamentar, e, ninguém que seja de esquerda e socialista pode contar com um partido destes para qualquer compromisso para a aplicação de políticas de esquerda. A posição do PS mostrou também que a direcção deste partido prefere integrar-se no arco neo-liberal português a alinhar com qualquer movimento social ou com qualquer acção política democrática e socialista.

O candidato presidencial apoiado pelo PS e pelo Bloco de Esquerda, Manuel Alegre, tem de assumir uma posição clara e urgente quanto a esta matéria.