tribuna socialista

quinta-feira, abril 22, 2010

A PROPÓSITO DO MANIFESTO PARA UMA NOVA POLÍTICA ENERGÉTICA (*)

(*) Retirado do blogue AMBIO - blogue de reflexão sobre ambiente e sociedade , de Henrique Pereira Neto

O Manifesto que é criticado, pode ser lido aqui.

1) Não faz sentido reduzir a política energética a uma discussão sobre produção de electricidade, não só porque a electricidade representa uma fracção relativamente pequena do consumo energético, como mesmo no campo da electricidade há um enorme espaço de racionalização do seu uso que não passa pela discussão sobre as formas de produção;

2) É muito desagradável a sensação de meias verdades contidas nos documentos, neste caso, é justo dizê-lo, mas do lado dos subscritores do manifesto que do lado da APREN;

3) A mais grave dessas meias verdades é a que envolve a discussão sobre o défice tarifário: não é verdade que o défice tarifário resulte da política de renováveis, embora seja verdade que a sua dimensão resulta, em parte, da diferença do preço de custo de produção e do preço de mercado. Ora essa decisão é uma opção política totalmente errada dos Governos fortemente influenciada pela ideia de que a energia tem de ser barata. Do ponto de vista ambiental é preciso ser claro e dizer que a energia deve ter o preço que resultar da sua produção e que os preços elevados de energia reduzem o desperdício, sendo por isso favoráveis do ponto de vista ambiental. O facto de isso ter implicações económicas (não necessariamente e sempre negativas), e sociais deve ser ponderado no conjunto dos valores sociais em presença e não deve levar à ideia de que o preço baixo se deve sobrepôr a todas as outras considerações;

4) Alguns dos pressupostos do manifesto são confrangedoramente frágeis tecnicamente (como a história não demonstrada e com peso real não avaliado da coincidência entre chuva e vento, por exemplo). Mais grave que isso, alguns são deliberadamente torcidos. Por exemplo, no site do manifesto estão os três estudos sobre a perda de empregos decorrentes das renováveis, sem que ao mesmo tempo os subscritores do manifesto tenham a hombridade de lhes juntar as críticas metodológicas feitas. A resposta a uma pergunta sobre esta matéria (há críticas metodológicas mas não há alteração das conclusões) é manifestamente de quem não leu os documentos ou está de má-fé, já que as críticas metodológicas invalidam por completo os estudos citados, desde a sua base. As críticas podem estar erradas, é razoável contestá-las, o que não é razoável é manter as conclusões sem contestar críticas que pura e simplesmente invalidam a totalidade do estudo;

5) O facto dos subscritores do manifesto omitirem que os três estudos têm a mesma origem de financiamento, que é um fundo com agenda política, mereceria esclarecimento: ou não é verdade que assim seja e estamos perante três estudos totalmente autónomos (o que não é crível dadas as suas similitudes metodológicas, incluindo inovações não suportadas por nenhuma verificação empírica) ou é mesmo de má-fé que estamos a falar;

6) Seria normal que a APREN fosse mais explícita nalgumas das suas afirmações, nomeadamente quanto à formação do preço, o que não acontece, usando aliás a mesma lógica de parcialidade dos estudos citados no relatório que encomendou à Deloitte, como uma previsão de criação de emprego verdadeiramente delirante;

7) Do mesmo modo é completamente inaceitável que se fale de poupança na redução de consumos de petróleo sem que se refira o custo das alternativas. Poupança resulta do saldo da redução de consumos mais aumento de custo de produção alternativa e não é razoável usar apenas a coluna do haver, sem usar a coluna do dever. A APREN e o Governo contribuem para a mistificação e obscurecimento da discussão ao insistir nesta meia verdade;

8) A poupança energética (de electricidade e dos outros consumos de energia, que são aliás a maioria), a eficiência energética, a água quente solar e outras soluções parciais correm o risco de ficarem completamente submersas nesta discussão entre modelos de produção de electricidade, com forte prejuízo para a definição (e afectação de recursos) para uma verdadeira política energética.


(imagem: central de biomassa, em Mortágua)

EVO MORALES DIZ QUE GAYS E CARECAS SÃO FRUTO DE TRANSGÉNICOS (*)

Em alguma esquerda faz muita falta um grande abanão nas mentalidades e nos preconceitos ...

As afirmações de Evo Morales foram feitas durante a Conferência Mundial dos Povos sobre as Alterações Climatéricas.

Razão teve o presidente do movimento LGBT, António Poveda, que classificou as afirmações presidenciais de "Barbaridade, aberração e homofobia".



(*) titulo da notícia retirada da edição de hoje do "i"

quinta-feira, abril 15, 2010

PRESIDENCIAIS: muitos "fans", pouco debate!

A ABSTRACÇÃO DOMINA ...

























Já não há paciência para tantas declarações de "supra-partidarismo" por parte dos candidatos presidenciais!

O importante não é essa condição, mas a objectividade e a clareza dos principios e dos programas que propõem para Belém.

Ser "supra-partidário" não quer dizer nada ... afinal qualquer que seja o Presidente eleito,... ele vai ter de se relacionar com os partidos existentes.

O que conta é a dependência da afirmação de uma candidatura presidencial a este ou aqueles partidos!

Um Presidente da República não governa, mas pode e deve INFLUENCIAR!

Por isso é que esta eleição é importante. Por isso é que não basta apelar a "Portugal". Todos apelam!

Não basta também declarar que, uma vez eleito, será Presidente "de todos os portugueses". Todos o declaram!

Por isto é que é importante saber que MUDANÇA pode um Presidente influenciar! Que MUDANÇA é que tem VONTADE de influenciar!

Por isto é que é importante saber se um candidato a Presidente está disposto a contemporizar com a actual crise económica e social. Se está disposto a apoiar e promulgar todas as políticas que não resolvem coisissima nenhuma. Se está disposto a falar pelos que passam a vida a sofrer os efeitos da crise capitalista, para que assim possa mesmo ser "de todos os Portugueses".
NÃO SE TRATA DE MUDAR UM PRESIDENTE ... TRATA-SE DE MUDAR UM PAÍS!

MUITOS "FANS", POUCO OU NENHUM DEBATE ...

Existem, formalmente à esquerda, dois candidatos, para já: Manuel Alegre e Fernando Nobre.

Já afirmei que apoio Fernando Nobre. O que não me impede de exprimir criticas ao que não concordo na candidatura de Nobre. Numa eleição presidencial o meu apoio a um candidato não é incondicional. É sempre critico, atento e exigente. É assim que também exerço a minha cidadania.

Fernando Nobre, Manuel Alegre, Cavaco Silva, o candidato do PCP (quando aparecer!), qualquer outro mais, todos dirão que são "suprapartidários", "Por Portugal", "serão Presidente de todos os portugueses", blá, blá, blá ...

E com isso logo aparecerão "exércitos de fans", ao bom estilo hooligan, prontos a atirarem-se para o precipicio se o "seu" candidato fizer o mesmo!...

Isto não resolve nada, não contribui para nada. Ou antes, só alimenta o que de pior tem a actual democracia parlamentar: pouca abertura ao contraditório, pouca abertura ao esclarecimento, pouco debate, pouca abertura a formas de participação directa!...

Para que isto não aconteça, não chega o "testemunho de vida" do candidato. E no caso do Dr. Fernando Nobre é visível que o seu testemunho de vida, sendo imenso, sendo referencial, sendo inquestionável, não chega para que a sua candidatura não esteja invadida por pessoas que nada têm a ver com esse seu testemunho de vida.

Porque é que os candidatos se têm de afirmar (!) pelo lado da abstracção e não se definem como socialistas (não tem nada de partidário), de esquerda, anti-capitalistas ? Nenhum destes termos significa subordinação ao partido A ou B, mas claramente define e localiza o que um candidato é e o que quer de facto!

Os candidatos não o fazem , porque eles também estão subordinados à cultura da partidarite parlamentarizada ...

João Pedro Freire

terça-feira, abril 13, 2010

PSD: privatize-se, privatize-se, privatize-se!

A nova liderança do PSD anunciou o seu novo programa "alternativo" aos partidos "irmãos" do chamado "arco governamental neo-liberal", como se sabe, o CDS e o PS. O programa é sintético e nada repetitivo!


PRIVATIZE-SE !

tudo e o que mais se lembrarem ...

segunda-feira, abril 12, 2010

"Há uma divisória no país de fragilização e ataque às políticas públicas” (*)

RETIRADO DE (*) ESQUERDA.NET:

No final das jornadas autárquicas do Bloco em Lisboa, Francisco Louçã apelou à revolta contra o PEC e ao plano de privatizações previsto para os vários serviços públicos.

Durante dois dias, os autarcas eleitos pelo Bloco de Esquerda, de todo o país, debateram as prioridades das políticas locais, os seus modelos de organização e suas lutas essenciais. Da regionalização, à defesa da água pública, passando pela intervenção cultural e social, muitas foram as propostas apresentadas e as linhas de intervenção lançadas.

Alberto Matos, da Comissão Autárquica Nacional, salientou a importância de evidenciar a matriz ideológica das iniciativas do Bloco, na defesa dos serviços públicos, na promoção de políticas de combate aos efeitos da crise e do desemprego, no desenvolvimento de projectos participativos. “Marcar a diferença também no poder local” foi o mote lançado.

Francisco Louçã encerrou os trabalhos do fórum que reuniu pela primeira vez os representantes locais do Bloco eleitos em Outubro de 2009, apelando à revolta contra o Plano de Estabilidade e Crescimento (PEC) e ao plano de privatizações previsto para os vários serviços públicos. "Porque hoje somos chamados a defender os Correios e a lutar contra o desemprego, amanha será a Segurança Social e o Serviço Nacional de Saúde", declarou.

O Coordenador da Comissão Política do Bloco afirmou que os autarcas bloquistas devem ser os primeiros a lançar os processos de luta nos “locais onde o lucro fala mais do que o interesse das pessoas”. Da manutenção pública dos ramais da ferrovia à conservação dos postos dos CTT nas localidades, “este PEC pode ser vencido”, frisou Louçã.

Além disso, referindo-se ao trabalho autárquico levado acabo pelos eleitos bloquistas, Francisco Louçã realçou que o Bloco quer afirmar-se como uma força próxima das pessoas e daqueles que estão "excluídos dos grandes níveis de decisão" ao nível das autarquias. "Há hoje uma divisória no país de fragilização e ataque às políticas públicas. É esta divisória que faz o centro da intervenção do Bloco de Esquerda", afirmou.

Na sua intervenção Louçã criticou ainda o PEC "especialmente no que respeita ao congelamento dos salários", no "ataque às políticas sociais" e em relação às privatizações.

Louça criticou ainda o PSD porque "segue a mesma estratégia de bloco central do PS" e explicou: "Como é que disputa o PSD ao PS um lugar político? Adoptando ele próprio uma estratégia de bloco central. Todas as ideias más do PS na governação, o PSD repete como ideias péssimas", disse.

Assim, referindo-se a algumas das medidas avançadas pelo novo líder social democrata, Pedro Passos Coelho, Louçã deixou o comentário: "Quero ver se ele vai repetir a ideia de deixar entrar um funcionário por cada cinco que saem da função pública ou a privatização da Caixa Geral de Depósitos", acrescentando que "entre Passos Coelho e José Sócrates a diferença já não está em nenhuma política".

domingo, abril 11, 2010

FERNANDO NOBRE: O CANDIDATO E A ESTRUTURA DE CAMPANHA ... ALGUMAS DÚVIDAS!

Não tenho nenhuma dúvida quanto à bondade dos propósitos do Dr. Fernando Nobre. Mas tenho todas as dúvidas do Mundo quanto aos propósitos de algumas das figuras públicas que apoiam Fernando Nobre. E, o que parece, aparentemente mais estranho, é considerar-me ao lado de Fernando Nobre e estar contra essas tais figuras públicas que até são “acarinhadas” publicamente pelo candidato.

Não, não é estranho … e não é estranho porque apelos à “iniciativa cidadã” transportados ABSTRACTAMENTE durante muito tempo geram fenómenos de aproveitamento populista, até peronista, que escapam à percepção imediata do candidato presidencial.

Não é possível, na minha opinião, ser-se pela justiça social, pela justiça na economia, ser-se contra as políticas que geram privatização de lucros e socialização de prejuízos, … , e estar de bem com personalidades que sempre estiveram do lado daqueles que, por politicas, comportamentos e actos de gestão contribuíram decisivamente para situações que dizemos contestar … sendo assim, a bondade de um candidato corre o risco de se diluir no pântano de uma estrutura de campanha a qual, sintomáticamente, prefere viver precocemente momentos de permanente euforia, talvez para não ter de discutir, permanentemente, assuntos, ideias e matérias que fariam necessariamente a diferença … para separar o trigo do joio!

Por isto, não posso ser tolerante com algo que me faz prever situações muito negativas num futuro próximo! A tolerância é muito diferente de silêncio, de virar a cara para o lado…

As figuras públicas a que me refiro, são o que de mais intolerante existe nos locais onde diariamente trabalham, gerem ou administram … eles acabam por ser parte do problema e nunca parte da solução, numa perspectiva de uma candidatura de solidariedade, de justiça social e de iniciativa cidadã!

Essas figuras serão por mim denunciadas, em todos os fóruns em que participo! Aliás uma atitude e um procedimento de decorrem da minha actividade cívica ao longo dos anos.

Sou socialista, sou republicano, sou anti-capitalista, sou militante do Bloco de Esquerda, nunca o neguei! Mas não obstante isso, sempre soube assumir uma posição de convergência no plano social e cidadão em muitos momentos! Por exemplo, em anteriores eleições presidenciais, nunca apoiei o mesmo candidato que a direcção do partido em que militava, apoiava. E sempre soube construir “pontes de diálogo” com muita gente de outras proveniências política e ideológicas …

João Pedro Freire

sexta-feira, abril 09, 2010

Petição contra o treino de caças F-22 americanos na Base das Lajes!

PORQUE SOMOS UM PAÍS EM PAZ E DE PAZ !
NÃO SOMOS UM AQUARTELAMENTO NEM UMA BASE MILITAR !

FESTA PRECÁRIA MAYDAY PORTO 2010 !




Sábado, 10 de Abril de 2010 às 22:00
Fim: Domingo, 11 de Abril de 2010 às 2:00
Local: Fábrica da Rua da Alegria
Rua: Rua da Alegria, nº341
Cidade/Localidade: Porto, Portugal

FESTA PRECÁRIA MAYDAY PORTO 2010

o MayDay está aí chegar!!!

teatro, música, filmes, e muita animação

com a participação de:

Erva Daninha
DJ Ruba Linho
DJ's Golpe de Estado (RUC)
entre outros...

APARECE E TRAZ UM AMIG@ TAMBÉM!

entrada solidária: 2 euros

quarta-feira, abril 07, 2010

A Socialização da Sociedade (*)

"Na economia socialista tudo isso precisa ser diferente! O empresário privado desaparece. A produção não tem mais como objetivo enriquecer o indivíduo, mas fornecer à coletividade, meios de satisfazer todas as necessidades. Consequentemente, as fábricas, empresas, explorações agrícolas precisam adaptar-se segundo pontos de vista totalmente novos:

Primeiro: se a produção deve ter por objetivo assegurar a todos uma vida digna, fornecer à todos alimentação abundante, vestuário e outros meios culturais de existência, então a produtividade do trabalho precisa ser muito maior que hoje. Os campos precisam fornecer colheitas maiores, nas fábricas precisa ser utilizada a mais alta técnica; quando às minas de carvão e minério, apenas as mais rentáveis precisam ser exploradas etc. Segue-se daí que a socialização se estenderá, antes de mais nada, às grandes empresas industriais e agrícolas. Não precisamos nem queremos tirar a pequena propriedade ao pequeno agricultor e ao pequeno trabalhador que, com seu próprio trabalho, vive penosamente do seu pedacinho de terra ou da sua oficina. Com o tempo, todos eles virão até nós voluntariamente e compreenderão as vantagens do socialismo sobre a propriedade privada.

Segundo: para que na sociedade todos possam usufruir do bem-estar, todos precisam trabalhar. Apenas quem executa trabalho útil para a coletividade, quer trabalho manual, quer intelectual, pode exigir da sociedade meios para a satisfação de suas necessidades. Uma vida ociosa, como hoje levam na maioria das vezes os ricos exploradores, acaba. A obrigação de trabalhar para todos os que são capazes, exceto naturalmente as crianças pequenas, os velhos e os doentes é, na economia socialista, uma coisa evidente. Quando aos incapazes de trabalhar, a coletividade precisa simplesmente tomar conta dele – não como hoje, com esmolas miseráveis, mas por meio de alimentação abundante, educação pública para as crianças, boas assistência médica pública para os doentes etc.

Terceiro: a partir do mesmo ponto de vista, isto é, do bem-estar da coletividade, é preciso que os meios de produção, assim como as forças de trabalho sejam inteligentemente administradas e economizadas. O desperdício, que ocorre hoje a cada passo, precisa acabar.

Assim, naturalmente, é preciso suprimir a indústria de guerra e de munição no seu conjunto, pois a sociedade socialista não precisa de armas assassinas. Em vez disso, é preciso que os valiosos materiais e a força de trabalho aí empregados sejam utilizados para produzir coisas úteis. As indústrias de luxo, que hoje produzem todo tipo de futilidades para os ociosos, assim como a criadagem pessoal, precisam igualmente desaparecer. Toda a força de trabalho posta nisso encontrará ocupação mais útil e mais digna.

Se desta maneira criarmos um povo de trabalhadores, em que todos trabalhem para todos, para o bem-estar e o beneficio coletivos, então, quarto: o próprio trabalho precisa adquirir uma configuração inteiramente diferente. Hoje em dia, o trabalho, tanto na indústria, quanto na agricultura ou no escritório é, na maioria das vezes, uma tortura e um fardo para o proletário. As pessoas vão para o trabalho porque é preciso, caso contrário não conseguirão meios de subsistência. Na sociedade socialista, onde todos trabalham em conjunto para o seu bem próprio bem-estar, é preciso ter a maior consideração pela saúde e pelo prazer de trabalhar. Tempo de trabalho reduzido, que não ultrapasse a capacidade normal, locais de trabalho saudáveis, todos os meios para o descanso e o trabalho precisam ser introduzidos, para que cada um faça a sua parte com maior prazer.

Porem para todas as grandes reformas é necessário o material humano correspondente. Hoje atrás do trabalhador, esta o capitalista com seu chicote _ em pessoa, ou através de seu contra-mestre ou capataz. A fome arrasta o proletário para trabalhar na fábrica, na grande propriedade ou no escritório. O empresário cuida então para que o tempo não seja desperdiçado, para que o material não seja estragado, para que seja fornecido trabalho bom e competente.

Na economia socialista é suprimido o empresário com seu chicote. Aqui os trabalhadores são homens livres e iguais, que trabalham para seu próprio bem-estar e benefício. Isso significa trabalhar zelosamente por conta própria, por si mesmo, não desperdiçar a riqueza social, fornecer o trabalho mais honesto e pontual. Cada empresa socialista precisa, naturalmente, de um dirigente técnico que entenda exatamente do assunto, que estabeleça o que é mais necessário para que tudo funcione, para que seja atingida a divisão do trabalho mais correta e o mais alto rendimento. Ora, isso significa seguir essas ordens de boa vontade, na íntegra, manter a disciplina e a ordem, sem provocar atritos nem confusões."

(*) in, 1918-12 A Socialização da Sociedade, Rosa Luxemburgo

250 MILITANTES BLOQUISTAS QUEREM UMA CONVENÇÃO EXTRAORDINÁRIA!

As eleições presidenciais serão em Janeiro de 2011. É certo que ainda falta tempo, mas estão, desde já, a provocar debate à esquerda. Mais concretamente no espaço da esquerda socialista. Neste espaço político, o Bloco de Esquerda é a força de referência. O Bloco tornou-se, logo em Dezembro de 2009, a primeira força política a manifestar vontade de apoiar um candidato que ainda não o era, Manuel Alegre, através de uma entrevista do seu coordenador, Francisco Louçã, a um canal de televisão. Daí até à confirmação dessa vontade como posição oficial do partido foi um instante.

O debate, entretanto, surge não por iniciativa da direcção política bloquista, mas antes pela acção de grupos de militantes que questionaram a posição de Louçã e depois da Mesa Nacional. O debate sobre a questão presidencial estava apagado desde a última Convenção Nacional. E nessa Convenção, o que foi aprovado não se referia a nenhum nome, mas apontava caminhos alternativos: ou uma candidatura que fizesse convergir as esquerdas ou então um candidato oriundo do próprio Bloco.

Primeiro um documento com mais de 60 assinaturas e agora uma petição que já vai perto das 250 assinaturas, a iniciativa de militantes bloquistas, discordantes do modo como a direcção bloquista lidou com esta questão, levou a direcção política e o próprio Francisco Louçã a convocar reuniões nas principais estruturas do Bloco a nível nacional, no sentido de explicar, após decisão tomada, o apoio a Manuel Alegre.

Ao dia de hoje, o que existe quanto a candidaturas localizadas formalmente à esquerda?

Há duas candidaturas, a de Manuel Alegre e a de Fernando Nobre, e, o Bloco é o único partido que já tomou posição perante uma delas. Ou seja, de acordo com o aprovado na última Convenção Nacional bloquista, as coisas até estão a pender mais para o lançamento de uma candidatura de alguém oriundo da área do BE: nem Manuel Alegre, nem Fernando Nobre, conseguem fazer convergir nas suas candidaturas a maioria das esquerdas!

A ser assim, porque razão a direcção política do Bloco preferiu tomar uma decisão tão cedo? E se a quisesse tomar, a partir da sua interpretação da deliberação da última Convenção Nacional, porque não envolver préviamente todos os militantes através de um grande debate nacional?

É claro que uma direcção política tem o direito de definir políticamente a acção do partido que dirige. Foi para isso que foi eleita! Mas não pode, nem deve, tomar decisões que provoquem divisões sérias e graves, porque partem de interpretações e não de dados objectivos. Isso também deveria ser o papel de uma direcção política: utilizar a democracia interna como motor de unidade, como forma de enquadrar divergências sem provocar rupturas graves!

A direcção política do Bloco contribui, neste momento, através da persistência numa teimosia política, para a discussão do que deve ser o exercício da democracia no seio de uma organização política da esquerda socialista.

O Bloco de Esquerda, quanto aos seus Estatutos, é, de facto, o partido mais democrático existente em Portugal. Por exemplo, nenhum vai tão longe no direito de tendência organizada. Mas questões políticas importantes, como as presidenciais, demonstram que ainda há muito a debater sobre o conceito de democracia interna. E esse debate tem de trazer à luz do dia, a capacidade para se questionar, sem complexos nem fantasmas, se por democracia interna se entende o "centralismo democrático" leninista, mesmo que em versão soft, ou então se opta decididamente pelo desenvolvimento do conceito de partido-movimento assente numa estrutura horizontal, democrática e federativa das correntes que convergem na esquerda socialista.

Neste momento, no Bloco existem formalmente duas tendências organizadas: a Esquerda Nova e a Luta Socialista. Não existem mais correntes organizadas! A actual maioria do Bloco, constituida pela convergência do PSR, UDP e Politica XXI, entretanto transformados em "Associações", não é tendência organizada, nem é a convergência de tendências organizadas. Até parece que a maioria se serve dos Estatutos para motivar o aparecimento de tendências para serem devidamente controladas à posteriori ... Sobre esta realidade, não há própriamente grande transparência por parte da maioria conjuntural.

Sobre esta questão sugere-se a leitura deste texto inserido no boletim da Rede Luxemburguista Internacional, sobre o partido homólogo do Bloco, em França, o "Novo Partido Anticapitalista".

250 militantes do Bloco de Esquerda já assinaram o pedido de convocação de uma Convenção Nacional Extraordinária. No entanto, estatutáriamente, são necessários 10% dos militantes bloquistas. E, desde logo, aqui coloca-se uma questão: como é que uma direcção política pode ignorar um movimento que está a aumentar de dia para dia? Como pode ignorar que há um número considerável de militantes que quer discutir uma questão concreta, as presidenciais?

Sabe-se que a direcção política do Bloco, tem procurado dificultar a acção desses militantes que querem a Convenção Extrarodinária. Não será esse um comportamento anti-democrático e até anti-estatutário?

Os militantes bloquistas estão unidos quanto à acção que desenvolvem nomeadamente contra o governo Sócrates e as suas politicas. É uma unidade que só pode sair prejudicada se continuar a persistir a teimosia de não se discutir as presidenciais em Convenção Nacional. Porque uma unidade séria e forte vive também da capacidade de saber discutir as divergências que vão surgindo.

Uma Convenção Extraordinária discutirá as Presidenciais, não discutirá nem a linha política do Bloco, nem a eleição de novos orgãos dirigentes. À Convenção Extraordinária serão apresentadas todas as propostas sobre o assunto "Presidenciais". E até pode acontecer que seja ractificada a posição da Comissão Política. Então, a posição de apoiar Alegre sairá mais reforçada e os militantes bloquistas até se sentirão mais identificados com ela.

João Pedro Freire
militante do B.E.

terça-feira, abril 06, 2010

It's always Jalalabad : é nome de blogue ...

"Por aqui passou toda a vida, por aqui vai passar todo o resto. Da vida, da morte, da guerra e do amor."

O Paulo F Silva tem novamente a sua marca na blogosfera. Estou muito contente por, no mesmo dia, estar a divulgar a iniciativa bloguista de dois Amigos e Camaradas. Foi a Isabel Faria e agora o Paulo F Silva. A blogosfera fica com mais espaço criado por aqueles que seguem o sentir das lutas todas e ainda arranjam mais espaço para os afectos deles e os outros que também partilham!


It's always Jalalabad até é dificil de ler, mas dá para fixar! ... Fixem-no e sigam-no!

HUELGA DE MASAS: Boletim da REDE LUXEMBURGUISTA INTERNACIONAL

Huelga de Masas (Greve de Massas) N° 2
30 de Março de 2010


Apresentação do segundo número de Huelga de Masas de Dezembro de 2009 (em castelhano):

Boletín N° 2 en PDF

¿Qué es la Red Luxemburguista Internacional? ¿Por qué esta organización ahora ?

Sobre la cuestión de la organización revolucionaria : el caso del NPA en Francia

Crecen las luchas de los trabajadores en Francia: Dos millones en las calles, las universidades en huelga

¡Es la hora de las ocupaciones! ¡Por la socialización de las finanzas!

Como espigas bajo la lluvia: se multiplican las asambleas de parados en España

Suplemento de HDM 2

Abuso sexual a crianças na Igreja: Benedicto não vai a julgamento (*)

En 1992, Sinead O’Connor era la cantante más admirada del mundo. Ese año rompió una foto de Juan Pablo II en la televisión de EEUU, de inmediato su impactante video recorrió el planeta y fue falsamente mostrada como una insolente atea; horas más tarde sus discos fueron quemados. Pocos sabían que ella había sido abusada durante su niñez por sacerdotes de su natal Irlanda, país donde hasta 2007, el 98% de las escuelas eran controladas por la Iglesia Católica.

Al igual que Sinead, millones de niños han sufrido abuso sexual por “representantes de la fe cristiana”, ello se desprende de fuentes como el diario Boston Globe, (04-12-1992), que reveló que la Iglesia había pagado unos 300 millones de dólares, entre 1985 y 1992, en acuerdos con víctimas de curas pedófilos. Asimismo en 2002, el informe “John Jay”, avalado por la propia Conferencia de Obispos de EEUU y el Colegio de Justicia Criminal que lleva su nombre, informó que sólo en ese país, entre 4.000 y 5.000 sacerdotes fueron señalados por abuso contra 14.000 niños y adolescentes durante cuatro décadas. El documento reflejó acusaciones formales contra 4.392 sacerdotes, lo que representaba un 4% del clero nacional.

Este 2010, ante el escándalo mundial donde Benedicto XVI es acusado por las víctimas de ser el responsable último del encubrimiento de los abusos sexuales de sacerdotes a niños; Giuseppe dalla Torre (Jefe del Tribunal del Vaticano) ante el periódico italiano “Corriere della Sera”, ha declarado que Benedicto no irá a testificar en ningún juicio porque goza de inmunidad ante los tribunales del mundo, en su carácter de Jefe de Estado. El Sumo Pontífice se ha circunscrito a lamentar la situación mediante una carta pública.

La pedofilia además de ser pecado, es un grave delito que debe ser castigado. En solidaridad con las víctimas, nos incluimos entre las personas de buena voluntad que esperan de la Santa Sede una conducta responsable frente a la justicia, pues hasta ahora reina la impunidad.

(*) retirado de Kaosnelared.net - Autor: Jesus Manuel Silva Rivas

Estações e Caminhos: um blogue para acompanhar!

"Porque foram muitos anos. Porque somos animaizinhos de hábitos. Porque, há dias, tive o previlégio de ver um dum amigo, muito bonito, novinho em folha, e fiquei com o bichito a roer. Porque o FB tem o defeito de me obrigar a escrever pouco e eu preciso de 5000 caracteres para dizer que hoje faz Sol. Porque me apeteceu....
Vai ter coisas daqui...aqui coisas de lá...e outras que me derem na bolha.
E ainda está em arrumações
. "

É assim que a Isabel Faria explica, no Facebook, o retorno à escrita na blogosfera. A Isabel Faria propõe caminhos com paragens em estações, numa viagem que é dela mas, felizmente, partilhada por muito mais gente ... com ela vamos todos à descoberta, sempre à esquerda!

Da impaciência de mudar o Mundo à serenidade de o construir ... este é o pulsar do coração da Isabel!

ESTAÇÕES E CAMINHOS também está acessível através do TRIBUNA SOCIALISTA!

quarta-feira, março 31, 2010

APOIO A FERNANDO NOBRE: qual o significado que dou? (*)

A minha decisão de apoiar Fernando Nobre é um acto de liberdade, de consciência e de vontade na criação de um movimento social que contribua para mais qualidade para a nossa democracia.

O meu apoio também não se reduz ao facto de ser português. Portugueses afinal são todos os que vivem e trabalham em Portugal, independentemente da sua cor e da sua nacionalidade de origem. O meu apoio a Fernando Nobre decorre também da minha militância na esquerda socialista e de querer para o meu País mudanças que apontem num sentido de mais democracia, de mais Justiça Social, de mais liberdades, de mais Justiça na Economia!

Considero que Fernando Nobre no seu apelo à iniciativa social e cidadã pode abrir caminho para essas mudanças. Porque um Presidente da Republica também é um sujeito activo que pode influenciar uma nova geração de políticas de mudanças social, política, económica e cultural. Esta candidatura tem de se construir com esforço na angariação de assinaturas , mas também, com o sentido de que é preciso, desde já, saber influenciar com ideias, propostas e programas que mobilizem!

O percurso de vida e de homem de Fernando Nobre ilustra a força da sua candidatura. Mas não é um programa! Esse programa começou a ser construído com a sua declaração de candidatura. Mas, daí para a frente, tem de ser completado com a capacidade crítica e de saber influenciar politica e socialmente de cada um dos seus voluntários.

Não ajuda ninguém e muito menos Fernando Nobre, um clima de euforia e de abstracionismo que é visível em alguns apelos e declarações. Saber discutir ideias e propostas, mobiliza mas também fortalece a candidatura, na medida em que clarifica escolhas e apoios!
Há questões que não podem passar sem discussão:

  • a democracia que queremos não se esgota no parlamento! Queremos mais democracia directa, mais democracia participativa, queremos uma cidadania activa, livre, critica e consciente. Esta democracia mais forte, mais activa, mais viva precisa de uma República baseada na intervenção e na vontade popular e cidadã. Um Presidente pode influenciar!

  • somos uma nação de Paz que quer a Paz e que contribuiu para a Paz com o fim da guerra colonial. A Paz constrói-se com Paz e não com sistemáticas correrias aos armamentos nem com subjugação a lógicas de blocos politico-militares, quaisquer que eles sejam. Um Presidente sensível à iniciativa cidadã não pode estar de acordo com o envio de militares portugueses para cenários que só conhecem a guerra e onde a presença de tropas estrangeiras sempre tem significado guerra e nunca Paz. Também aqui um Presidente pode influenciar!

  • uma melhor distribuição do rendimento nacional não pode ser compatível com uma organização económica que fomenta a desigualdade, não consegue estancar o desemprego, é cumplice com o surgimento de mais miséria económica e social. Um Presidente também pode e deve influenciar!
Há uma maioria que está farta de uma democracia afunilada, que está farta de políticas económicas assentes numa lógica de socialização dos prejuízos e de privatização dos lucros, que está farta de facilidades para poucos e de dificuldades para muitos, que está farta de só deveres para muitos e de só direitos para uns quantos!

Fernando Nobre quer, e bem, ser um Presidente que não estará de braços cruzados. Isso quer dizer que terá a necessária coragem para, em nome da maioria, avançar com rupturas urgentes! O combate às consequências desta crise não passa por consensos abstractos e imobilizadores, mas pela capacidade de saber influenciar rupturas que apontem para uma nova geração de políticas sociais e económicas!

Apoio Fernando Nobre, convencido que a minha liberdade de critica ajuda e fortalece. Apoio Fernando Nobre porque estou convencido que como militante da esquerda socialista posso ajudar ainda mais quem quer ser Presidente eleito por um movimento social de iniciativa cidadã.
Apoio Fernando Nobre para qualificar a nossa República, a nossa democracia e voltar a lembrar que os marcos revolucionários do meu País, como o 25 de Abril de 1974 e o 5 de Outubro de 1910, sempre tiveram uma componente decisiva de iniciativa popular e cidadã.


(*) João Pedro Freire

segunda-feira, março 29, 2010

ESQUERDA.NET | O clima está farto de nós?

Aguardam-se por mais excelentes iniciativas como esta ...

HÁ UMA ESQUERDA, HÁ UMA DIREITA, HÁ LUTA DE CLASSES!

A critica que por aqui se tem feito ao excessivo parlamentarismo da vida política, não pode nem deve ser confundido como uma critica abstracta aos partidos políticos e, muito menos, algo que passe por uma constatação de uma pertensa diluição dos conceitos de esquerda e de direita.

Há uma esquerda (com toda a sua pluralidade), há uma direita (também com toda a sua pluralidade), e, estes conceitos têm a ver com o posicionamento político de cada organização, corrente e individuos no processo de luta de classes. Porque há uma luta de classes!

Por mais "modernaço" (!) que se possa ser e que possa ser o quadro que se pinta, a luta de classes continua a ser determinada pelo posicionamento quanto às relações de produção. Há uma imensa massa de assalariados (e hoje ainda maior do que noutros tempos devido ao processo de proletarização das chamadas "classes médias") com interesses muito diferentes daqueles que controlam os meios de produção. E essas diferenças são o motor para se conseguirem mudanças sociais e políticas decisivas.

Quando se fala de "nação" não se é de direita, só porque é a direita que habitualmente é nacionalista. Da mesma forma que não se é de esquerda só porque se dizem duas frases simpáticas com preocupações sociais.

À esquerda e à direita, há programas e propostas globais que abordam todos esses conceitos. Pretender iludir estas questões não contribui para nenhum esclarecimento e só pode servir para alimentar discursos populistas.

Vem esta reflexão a propósito de algumas considerações de Fernando Nobre sobre "direita" e "esquerda". Considerações que considero pouco precisas e muito pouco contributivas para qualquer clarificação política e social.

O apelo da candidatura de Fernando Nobre à iniciativa cidadã não pode ser uma espécie de albergue espanhol para tudo e para todos. A iniciativa cidadã pressupõe democracia directa e participativa, para além da democracia representativa. Pressupõe partidos e o reconhecimento de grupos independentes de cidadãos. Mas esses partidos e grupos de cidadãos nunca estarão à margem do processo de luta de classes, por mais "independentes" que se designem e afirmem.

A critica legitima a um excesso de partidocracia que existe na sociedade portuguesa e em todas as sociedades de democracia liberal, tem de ser rigorosa e não pode ceder ao populismo fácil. A partidocracia é uma consequência de uma hiper-parlamentarização da vida política, a qual corta a possibilidade de participação por parte, não só de grupos de cidadãos independentes, mas também de organizações dos trabalhadores (ex.: comissões de trabalhadores) que vão perdendo poder de intervenção e de decisão. O liberalismo económico, assente num determinado modelo de empresas, criou também o seu homólogo social e político!

O apelo à iniciativa cidadã não está acima dos processos sociais, não está à margem da luta de classes, não pode ser o abrir de um imenso guarda-chuva para abrigar um qualquer albergue espanhol ...

quinta-feira, março 25, 2010

A POSIÇÃO DE UM MILITANTE DO BLOCO DE ESQUERDA SOBRE AS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS

No Bloco de Esquerda decorre o debate possível sobre as eleições presidenciais. Um debate que surgiu por iniciativa de militantes que discordam do modo como a direcção política bloquista apoiou a candidatura presidencial de Manuel Alegre. Para a direcção política do Bloco, a decisão sobre as presidencias está dada como tomada, para os militantes que criticam essa decisão, é necessário levar o apoio a Manuel Alegre ao debate numa Convenção Nacional Extraordinária.

O editor deste blogue é militante do Bloco de Esquerda e também defende a convocação de uma Convenção Nacional Extraordinária.

O texto que agora se publica é da responsabilidade do editor do
Tribuna Socialista, João Pedro Freire, e, foi préviamente divulgado junto de alguns orgãos estatutários do Bloco, no qual está enquadrado enquanto militante.

A sua divulgação neste espaço, que não é do Bloco, nem de qualquer outra organização ou corrente políticas, tem por objectivo, contribuir para um debate que deve ir além das fronteiras de qualquer partido das esquerdas. O debate justifica-se para que a mobilização para a derrota da candidatura presidencial de direita, qualquer que ela seja, Cavaco Silva ou outro, seja crescente!

O autor do texto divulga o seu apoio à candidatura presidencial de Fernando Nobre. Um apoio que não esquece e se subordina a condições socialistas, republicanas e libertárias!

Todos os contributos (favoráveis, desfavoráveis, ...) serão benvindos!


POR UMA CONVENÇÃO EXTRAODINÁRIA DO BLOCO DE ESQUERDA:
EU TENHO UMA PROPOSTA CONCRETA A APRESENTAR!

O camarada Francisco Louçã não esteve bem quando, em Dezembro do ano passado, afirmou à TVI que o “melhor candidato” para uma convergência das esquerdas para as Presidenciais, era Manuel Alegre. Francisco Louçã é o coordenador da Comissão Política, é a “cara” do Bloco, e, uma declaração como aquela que fez, tem um efeito condicionador junto dos militantes e das estruturas bloquistas.


Até ao momento da declaração televisiva de Louçã, não tinha existido qualquer debate sobre este assunto no interior do Bloco. Como não houve, entre essas declarações e a decisão da Mesa Nacional que ratificou as declarações de Louçã.


O debate no interior do Bloco surge somente depois da decisão da Mesa Nacional e muito como consequência de um clima de contestação a essa decisão que foi surgindo um pouco por todo o espaço nacional onde existam militantes bloquistas. A partir daqui, a direcção política do BE sentiu-se obrigada a vir às estruturas distritais e concelhias “explicar” uma decisão que nunca tinha sido anteriormente debatida.


Todo este processo exibe a necessidade do lançamento de um debate conclusivo no interior do Bloco de Esquerda. Um debate ao qual tenham acesso todos os militantes, individualmente considerados. É visível, por exemplo, nos fóruns electrónicos, o nível de descontentamento de muitos militantes e a fome de debate sobre uma matéria que, à falta desse debate, pode provocar graves divisões e tensões no partido-movimento.


É por isto que é urgente encetar um processo de convocação de uma Convenção Nacional Extraordinária. Uma Convenção Nacional é, por excelência, o órgão máximo de representação de todos os militantes. Perante uma decisão do órgão máximo entre Convenções, a Mesa Nacional, que parece contestada por todo o lado, tem forçosamente de ser em sede de Convenção Nacional que se podem tirar conclusões vinculativas por e para todos os militantes.


Na fase da convocação de uma Convenção Nacional, não faz sentido apresentar propostas concretas de apoio a este ou aquele candidato presidencial. É tempo de se reunir o número necessário de militantes para, de acordo com os Estatutos, a Convenção Nacional ser exigível.
Uma vez convocada a Convenção Nacional Extraordinária, fará todo o sentido que surjam propostas, alternativas entre si, apelando a esta e aquela posição do Bloco face às Presidenciais. Sendo certo que, uma das posições que terá de ser discutida e submetida a votação, é a da direcção política de apoio a Manuel Alegre.


Pela minha parte respeitarei a decisão que a Convenção Nacional Extraordinária vier a tomar. Se sentir que essa decisão vai contra a minha posição individual, não perturbarei nunca, pela minha acção pessoal, aquela que é a posição colectiva do Bloco de Esquerda.


Pela minha parte, considero o apoio a Manuel Alegre uma decisão politicamente pouco de acordo com a decisão da última Convenção Nacional e, além do mais, muito pouco diferenciadora, desde um ponto de vista político e social, da acção do Bloco face ao governo do PS de José Sócrates. Manuel Alegre tem perante as próximas presidenciais, um posicionamento que tenderá a assumir-se como o candidato oficial do seu partido. Por exemplo, o actual posicionamento crítico de Alegre em relação ao PEC e ao OGE, tenderá a diluir-se e a desaparecer logo que a direcção do PS o confirme como o candidato oficial do partido do governo. A atitude de Alegre face ao seu partido é visível numa entrevista que deu em Janeiro último ao Expresso, na qual é notória a sua preocupação em recolher o apoio de José Sócrates.


Será dramático ver juntos numa mesma campanha presidencial a direcção do PS e a direcção do Bloco . Se não ao mesmo tempo em campanha, de certeza, então, numa “Comissão Política” e/ou numa “Comissão de Honra” do candidato …


Pela minha parte, contesto a decisão do apoio a Manuel Alegre, mas não fico sem proposta concreta sobre esta matéria. Proposta que submeterei à Convenção Nacional Extraordinária, se vier a ser convocada.


Pela perspectiva que defino, considero que, à esquerda, o pluralismo será a tónica com o aparecimento de várias candidaturas:


• Manuel Alegre
• Fernando Nobre
• Candidato do PCP
• Candidato do PCTP/MRPP
• Outro candidato


Das candidaturas perspectivadas, parece-me que aquela que estará em melhores condições de provocar convergências sociais vencedoras face ao candidato da direita (Cavaco Silva ou outro) é a de Fernando Nobre.


Não considero que Fernando Nobre seja uma “solução soarista”, um “simpatizante monárquico” ou alguém que esteja “contra os partidos”. Isso são suposições e especulações lançadas por quem resolve entrar pelo caminho do “parece que é” como base para a sua acção…


Fernando Nobre ocupa muito do espaço que Manuel Alegre ocupou na última eleição presidencial. Manuel Alegre ocupa agora o espaço que Soares ocupou …


Fernando Nobre dirige-se, e bem, ao apelo a uma cidadania activa e consciente. Apela a uma presidência com opinião e sem estar de “braços cruzados”. Este eixo da sua candidatura é testemunhado pelo seu trajecto humanitário e de permanente contacto com os carenciados, em situações de extremo sofrimento, apoiado sempre por redes de voluntários.


Fernando Nobre não está refém do apoio de nenhum partido. Também já o disse que não é contra os partidos, os quais são uma das bases para a própria democracia. Embora não a única e exclusiva base. Há uma democracia participativa e directa que é preciso desenvolver, e, não são menores em relação à democracia representativa.


As suas posições sobre a distribuição da riqueza, sobre o OGE e o PEC estão espelhadas na sua critica a políticas económicas que assentam numa perspectiva de “privatização dos lucros e socialização dos prejuízos”.


Fernando Nobre terá a sua candidatura assente numa rede de voluntários, fora da acção dos partidos, embora muitos voluntários sejam militantes de partidos. Uma rede deste tipo é uma rede próxima do sentir dos movimentos sociais!


Estou convencido que os militantes do Bloco de Esquerda poderiam dar um excelente contributo a uma candidatura como a de Fernando Nobre e, certamente, estariam também a recolocar o nosso partido-movimento junto da acção dos movimentos sociais e das lutas sociais. Este é também um caminho para a construção de uma esquerda grande a partir da reorganização do espaço da esquerda socialista!


João Pedro Freire

terça-feira, março 23, 2010

O CLIMA FARTO DE NÓS ? ... debate internacional promovido pelo Bloco de Esquerda

"O que se passa com o planeta? Porque assistimos cada vez mais a catástrofes naturais?
O aquecimento global provoca Invernos mais frios?
Estas são algumas perguntas mais comuns que as pessoas colocam quando se fala de Alterações Climáticas."
O Bloco de Esquerda e o European Left realizam nos dias 26 e 27 deste mês de Março, um debate internacional para o qual convidaram cientistas portugueses e um dos principais responsáveis das Nações Unidas para as comentarem.
O debate realiza-se na Livraria Ler Devagar + LX Factory, em Lisboa, a partir das 17 horas de sexta-feira, 26 de Março.
"O aquecimento global obriga-nos a "mudar de vida"? É mais que provável. A questão é "mudar como e para onde". Que sociedade queremos construir e colmo reinventar o trabalho e o consumo à luz de uma perspectiva ecológica"
A ciência pode ajudar. Vários cientistas portugueses apresentam os seus projectos de investigação. Os movimentos sociais também.
Porque chegámos a este ponto? Os líderes mundiais não estão a enfrentar com coragem as medidas necessárias para ultrapassar a crise ecológica. Em Copenhaga falharam redondamente. A acção cidadã é, por isso, indispensável. Junta-te ao diálogo com os movimentos ambientalistas, sociais e alterglobais, porque somos nós que temos que fazer a diferença. Contamos contigo!"
(retirado do programa)
Sexta-Feira, 27 de Março
17h - 18h30 - A História das Akterações Climáticas
19h - 20h30 - Ecologia e Sociedade
22h - 24h - Visualização do comentário "Pare, Escute, Olhe"
Sábado, 27 de Março
10h30 - 13h00 - Projectos de Investigação - Apresentação de projectos de investigação em curso sobre energias renováveis e redes de distribuição
15h - 16h30 - Movimentos pela Justiça Climática - Mesa redonda sobre a agenda de acção em 2010
17h - 19h - Encerramento: com Marisa Matias, eurodeputada do BE; Soren Egge Rasmussen, Aliança Verde Vermelha da Dinamarca; Lothar Bisky, Presidente da European Left e do GUEINGL; Francisco Louçã, coordenador do Bloco de Esquerda

segunda-feira, março 22, 2010

PRIMAVERA ... benvinda!

À Primavera ...

ESQUERDAS UNIDAS VENCERAM SARKHOZY ... EM FRANÇA!

"Mas a esquerda, a saborear a sua primeira grande vitória em vários anos, exige que o Governo vá mais longe. “Os franceses rejeitaram a política do Presidente. Ouvi-los significa mudar profundamente de política”, declarou Aubry, que prometeu gerir “com responsabilidade” a confiança dos eleitores.

A líder socialista viu sancionada a sua estratégia de aliança à esquerda e, depois de ter reorganizado o partido, ganha terreno na corrida interna à candidatura presidencial. Pela frente, deverá ter Ségolène Royal, derrotada por Sarkozy em 2008, mas que se reafirmou ontem como um valor para os socialistas, ao reconquistar a presidência da região de Poitou-Charentes, com 61 por cento dos votos
." (in, Público on-line)

É sempre bom ouvir notícias sobre a derrota das políticas neo-liberais e dos partidos que as vão impondo! É também de saudar que essa derrota corresponda à vitória de uma convergência entre vários partidos de esquerda. As esquerdas só têm a ganhar se souberem dialogar e souberem convergir política e socialmente.

Mas valem alguns comentários:

  • o principal partido da esquerda francesa, o Partido Socialista, convergiu com outras forças de esquerda, porque o governo é de direita e, como tal, está na oposição ... como seria se estivesse no governo?

  • a convergência das esquerdas, será que corresponde a alguma convergência política, de propostas concretas e acções concretas, ou não passa de um arranjo eleitoral sem mais consequências? por exemplo, não estará o PSF só a pensar nas próximas eleições presidenciais?

  • por cá, alguns militantes do PS de Sócrates têm saudado esta vitória das esquerdas em França ... mas quais são as semelhanças entre o PS francês e o PS português? quanto ao debate interno em ambos os partidos? quanto à disponibilidade para convergirem com outras forças de esquerda? quanto à existência formal de correntes/tendências organizadas? verdadeiramente alguma semelhança só existe se se poder comparar a acção de ambos os partidos quando estão no governo ... mas, na oposição, continuam a ser muito diferentes.

As esquerdas que convergiram foram o Partido Socialista, o Partido Comunista, o Partido de Esquerda (cisão do PSF) e parte dos ecologistas. Esta convergência, por politicamente pobre e pouco eficaz que o seja, correspondeu à actual vontade popular de oposição às políticas e ao governo de Sarkhozy. Um pouco por todo o lado onde a prática da chamada alternância dita a sucessão de políticas semelhantes praticadas por partidos diferentes, estas convergências têm muito mais a ver com a vontade conjuntural dos partidos dessa alternancia (como o PSF) do que própriamente com a urgência de se definirem políticas verdadeiramente alternativas , de mudança política e social.

Estas vitórias, quanto mais não seja, deverião ser um bom motivo para uma boa reflexão por todas as esquerdas ... as tradicionais, as novas, as mais-ou-menos,...

Os principais resultados, no plano nacional:

União da esquerda: 54,3% ; UMP (partido de Sarkhozy): 36,1% ; FN (extrema-direita): 8,7%

(fonte: Le Monde)

sábado, março 20, 2010

PAGAN: contribuir para uma consciência anti-guerra e anti-NATO!

Hoje participei na primeira Assembleia Pública da PAGAN no Porto. Não tenho participado, por opção, nas reuniões semanais desta plataforma, mas o que vi revela trabalho e persistência por parte de todos os PAGANistas que estão MESMO empenhados em contribuir para uma consciência anti-guerra e anti-NATO na sociedade portuguesa.

A plataforma PAGAN é constítuida por pessoas com uma grande pluralidade de opiniões e de experiências. Mas sabem aproveitar essa pluralidade para construirem caminhos convergentes em prol de um bem comum que é a busca da Paz!

A PAGAN quer falar com as pessoas, mostrar que a PAZ consegue-se sem lógicas assentes em blocos politico-militares, sem corridas armamentistas, com solidariedade internacional, com diálogo universal !

Desde o fim da 2ª guerra mundial, nos anos querenta do século passado, um Mundo assente em bloco político-militares (NATO, Pacto de Varsóvia, pacto dos países asiáticos ...) não deu um único dia de Paz ao nosso Planeta. Entre guerras maiores ou menores, nacionais, regionais ou locais, a Paz só tem feito parte da propaganda dos Estados, mas nunca da realidade do dia-a-dia deste nosso Planeta!
A expressão dessa atitude anti-guerra da PAGAN é dada por um abaixo-assinado que exige a saída das tropas portuguesas do Afeganistão ... Portugal não está em guerra com ninguém e ninguém tem autoridade para por Portugal em guerra com quem quer que seja!
Quando nos forçam a estar em guerra, por mais longe que essa guerra aconteça, teremos, inevitavelmente consequências na nossa terra ... por exemplo, quem paga essa guerra? quem paga as armas que alimentam essa guerra? quantas vidas serão necessárias serem perdidas para se chegar à conclusão que a guerra é o caminho para a guerra enunca para a Paz?

Visitem http://antinatoportugal.wordpress.com/

João Pedro Freire

quinta-feira, março 18, 2010

Sem ti, Inês ... o testemunho de uma Mãe!

Hoje vou estar com a minha Amiga Ana Granja na apresentação do excelente livro que escreveu por causa, por e pela sua Filha Inês!

A Ana, no livro "Sem ti, Inês", que hoje apresenta na Quinta da Bonjóia, partilha com todos este imenso poema de Chico Buarque:

"Oh, pedaço de mim

Oh, metade afastada de mim

Leva o teu olhar

Que a saudade... é o pior tormento

É pior do que o esquecimento

É pior do que se entrevar (...)".

A Ana é uma excelente Mãe, uma excelente Mulher, uma excelente Amiga ...

Quando o vazio branco destas noites
Se gastar, quando a névoa deste instante
Sem forma, sem imagem, sem caminhos,
Se dissolver, cumprindo o seu tormento,
A terra emergirá pura do mar
De lágrimas sem fim me invento.


Sophia de Melo Breyner, citada por Ana Granja, no seu livro "Sem ti, Inês".

João Pedro Freire

quarta-feira, março 17, 2010

PAGAN - ASSEMBLEIA PÚBLICA NO PORTO - 20 de Março, Sábado.

A propósito da Cimeira da NATO em Lisboa, em Novembro

A PAGAN – Plataforma Anti-Guerra, Anti-Nato realiza uma Assembleia Pública no Porto, no próximo sábado, dia 20. Objectivo: alargar o espectro de um movimento de pessoas empenhadas em lutar contra a NATO, em denunciar junto da opinião pública a política agressiva da Organização do Tratado do Atlântico Norte, desmistificando-lhe a coroa de exército da paz.

Portugal, país fundador da NATO, acolhe pela primeira vez uma cimeira da Aliança Atlântica, da qual sairá o seu novo conceito estratégico. Foi a pensar na contestação à cimeira anunciada para Novembro, em Lisboa, e com o objectivo de manifestar pública e pacificamente o desagrado com as políticas belicistas da NATO, que a PAGAN foi criada em Setembro passado, em Lisboa.

Entretanto, a PAGAN estendeu-se a norte (notícia, a propósito, em http://pt.indymedia.org/conteudo/newswire/696). Chegou agora o momento de se apresentar publicamente em assembleia, sábado, dia 20 de Março, das 15h às 19h, no Círculo Católico de Operários do Porto (Rua Duque de Loulé, 202).

PROGRAMA
15h00 Superpower, de Barbara Anne-Steegmuller [119']
Documentário que faz perguntas difíceis e percorre os bastidores do aparelho de segurança nacional norte-americano e das suas acções militares. EUA, 2008.
16h00 O que é a NATO – apresentação
16h15 Apresentação da petição para retirar do Afeganistão as tropas portuguesas da NATO
16h30 intervalo (petição disponível para assinaturas)
17h00 O que é a PAGAN – apresentação
17h15 Abertura da assembleia: apresentação das metodologias da PAGAN e dos grupos de trabalho; discussão
19h00 Fim dos trabalhos

Contamos com a tua presença e colaboração na divulgação.

PAGAN – Plataforma Anti Guerra, Anti-Nato
antinatoportugal.wordpress.com
antinatoportugal@gmail.com
paganorte@gmail.com


Flyer sobre a assembleia pública em:
https://docs.google.com/leaf?id=0Bzpx9cy5Tpe2Yzg2ODA3ODUtMGJkZC00ZjRhLTk0ODEtMjE3MWZjMjk3MjFm&hl=en
https://docs.google.com/leaf?id=0Bzpx9cy5Tpe2ZDY2YWQ5NDMtOGVjYi00YjYwLTllNzAtODk3NDI5YzMyNDll&hl=en

terça-feira, março 16, 2010

PARTIDOS À IMAGEM E SEMELHANÇA DO PARLAMENTARISMO LIBERAL ...

























A vida dos e nos partidos à esquerda, deveria ser transparente, democrática e discutida sádiamente por todas e todos que querem uma alternativa socialista de poder.

Isto porque, pelo menos na teoria (!), as esquerdas estão comprometidas com as lutas e os movimentos sociais em busca por uma alternativa política. Não estão, ou melhor, não deveriam condicionar a sua acção às chamadas agendas do parlamentarismo, por mais favorável que a composição parlamentar fosse para as esquerdas.



É dificil, é mesmo dificil, pretender-se que um socialista (dos que ainda o são, dentro do PS), um bloquista, um comunista e um anarquista aceitem discutir entre si, as perspectivas quanto à tal alternativa política. Antes que isso acontecesse, já cada um desses activistas estaria alerta à defesa das "fronteiras" para que o seu "espaço partidário" não fosse "violado" ... a consciência de classe, a percepção de que a luta política da esquerda está, teria de estar, enquadrada no processo de luta de classes, há muito que parece ter passado à História ... mesmo à esquerda, o que todos acabam por desenvolver é luta partidária com vista a um "bom score" nas próximas eleições!

A luta partidária em vez da luta política enquadrada no processo de luta de classes, tem tornado os partidos de esquerda muito semelhantes, quanto ao seu funcionamento e ao relacionamento inter-militantes, aos partidos defensores da chamada democracia liberal parlamentar. O partidarismo é comparável a um qualquer clubismo, e, a partir daí, os militantes passam a ser aderentes configurados para a defesa tendencialmente acrítica dos "líderes" e das "direcções" ... uma espécie de estalinismo misturado com clubismo parlamentar!!

No último Congresso do PSD, Santana Lopes propôs e os congressistas aprovaram uma monumental "lei da rolha" para este partido. Alguns chamaram-lhe "estalinismo", mas como estamos à direita, o que aconteceu foi uma espécie de aplicação a um partido das leis securitárias que o liberalismo tem produzido, planeta fora, na sua fase de globalização ... isso, o liberalismo do século XXI é também, nomeadamente nas suas expressões políticas, uma nova forma de totalitarismo! Tudo é controlado, tudo é penalizável ...

Santana Lopes tornou mais claro o que às vezes já parece acontecer em todos os partidos, da esquerda à direita, do espectro parlamentar: no seu interior o clubismo partidário gerou medos, subordinações cegas às direcções e, como nesta sociedade, regras aparentemente democráticas, mas sem qualquer expressão prática no dia-a-dia!

Todos os actuais partidos parlamentares têm no seu historial, registos de sanções administrativas, as quais, no momento em que acontecem, são sempre "justificadas", mas que, passado algum tempo, começam logo a ser relativizadas e questionadas, até por quem as aplicou!

Nos partidos à esquerda, por exemplo, no PCP e no Bloco de Esquerda, o tal clubismo também vai ganhando peso e forma. São partidos que gostam de situar a sua acção no plano das lutas sociais (às vezes nem se percebe se luta social é o mesmo que luta de classes ...), mas que no seu seio reproduzem os tiques e as restrições politicas da democracia liberal parlamentar.

Um comunista e um bloquista, infelizmente só se toleram no plano político, apesar de, no campo social, serem aliados em muitas e muitas lutas. É muito dificil passar das acções sociais para as acções politicas mantendo uma mesma postura unitária!

No interior do Bloco de Esquerda, definido como partido-movimento, fundado pela convergência de correntes com património muito diferente, o que deveria ser um exemplo de construção de um novo tipo de organização, corre o risco de se tornar muito parecido com o que já existe.

No interior do BE, o excelente crescimento eleitoral e parlamentar, tem levado a um certo esquecimento da intervenção no processo de luta de classes, tem subordinado a acção aos objectivos eleitorais e, como consequência, tem mantido uma mesma direcção política, pressupondo que sem ela e para além dela, não haverá mais nada. Ora, a actual direcção política não é homogénea, mas representa, as três correntes fundadoras do Bloco, as quais souberam, ao longo de anos, manter um controlo apertado sobre a estrutura bloquista, sabendo, cada corrente, com que se ocupar (entre as estruturas, a acção parlamentar e o contacto com os media),para não deixar escapar o controlo de todo o BE.

As três correntes fundadoras - o PSR, a UDP e a Política XXI - até se dissolveram enquanto "partidos". Passaram a "Associações". Dizem que não são "correntes". Mas (e este mas é tramado!) continuam a ter militantes, continuam a ter orgãos escritos e na net, continuam a ter congressos/encontros. E, através deste é-mas-não-é, as três correntes conseguem manter o tal controlo sobre toda a estrutura partidária.

Qualquer nova corrente que surja, terá, como é costume numa sociedade dita "de mercado", muita dificuldade em singrar, já que o "mercado" está muito bem controlado pelos que já lá estão! Mas, atenção, continua a existir "democracia", "liberdade", etc e etc...

Este cenário, que acaba por ser uma expressão do funcionamento do parlamentarismo burguês no interior de qualquer partido, cria muitas condicionantes na acção individual dos militantes. Uma dessas condicionantes é a sensação de só conseguir fazer alguma coisa visível desde que acompanhando as acções das maiorias. Caso contrário, entre declarações formais de "respeito" por parte da maioria, avoluma-se uma sensação de receio, de inutilidade ... até ao ponto de os militantes com acções "minoritárias" serem psicológicamente empurradas para fora!

Quando o Bloco surgiu, costumava declarar que queria "correr por fora"! Provavelmente a solução para a democratização, para o combate ao tal clubismo imposto pelo parlamentarismo burguês, passa pelo voltar a "correr por fora", o que quer dizer, integrar a luta partidária numa luta politica subordinada ao processo da luta de classes!



João Pedro Freire
Nota: sou aderente do Bloco de Esquerda

segunda-feira, março 08, 2010

CLARA ZETKIN: a propósito do DIA MUNDIAL DA MULHER


Retirado de Esquerda.net a propósito do DIA MUNDIAL DA MULHER

Clara Zetkin (1857-1933), na foto com Rosa Luxemburgo.

Figura de destaque do movimento operário alemão e internacional, marcou notavelmente as lutas do movimento feminista. No SPD, Clara Zetkin, juntamente com Rosa Luxemburgo, foi uma das principais figuras da esquerda revolucionária do partido.

Clara Zetkin nasceu em Eissner Wiederau, uma aldeia camponesa na região da Saxónia, Alemanha. O seu pai, Gottfried Eissner, mestre e organista da igreja, foi um protestante devoto, enquanto a sua mãe, Josephine Vitale Eissner, veio de uma família burguesa de Leipzig e tinha formação superior.

Tendo estudado para se tornar professora, Zetkin desenvolveu ligações com o movimento das mulheres e com movimento operário na Alemanha de 1874. Em 1878, entrou para o Partido Socialista dos Trabalhadores (Sozialistische Arbeiterpartei, SAP).

Este partido foi fundado em 1875 pela fusão de duas partes anteriores: o ADAV formado por Ferdinand Lassalle e SDAP de August Bebel e Wilhelm Liebknecht. Em 1890 o seu nome foi mudado para o que se tornou a sua versão moderna - Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD).

Por causa da proibição por Bismarck, em 1878, instituída à actividade socialista na Alemanha, Zetkin partiu para Zurique em 1882, e em seguida partiu para o exílio em Paris. Durante o tempo passado em Paris, ela desempenhou um papel importante na fundação do grupo socialista da Internacional Socialista.

Na altura adoptou o nome do seu amante, o revolucionário russo Ossip Zetkin, com quem teve dois filhos, Kostja e Maxim. Ossip Zetkin morreu em 1889. Mais tarde, Zetkin foi casada com o artista Georg Friedrich Zundel, dezoito anos mais novo que ela, de 1899 a 1928.

No SPD, Clara Zetkin, juntamente com Rosa Luxemburgo, sua amiga íntima e confidente, foi uma das principais figuras da esquerda revolucionária do partido. No debate sobre o revisionismo na virada do século XX, ela, juntamente com Luxemburgo, atacou as teses reformistas de Eduard Bernstein.

Zetkin estava muito interessada na política feminista, incluindo a luta pela igualdade de oportunidades e o direito de voto das mulheres. Ela desenvolveu o movimento social-democrata de mulheres, na Alemanha; entre 1891-1917 editou o jornal de mulheres do SPD “Die Gleichheit” (Igualdade). Em 1907 Zetkin tornou-se líder do recém-fundado "Instituto da Mulher" no SPD.

Clara Zetkin lançou as bases para o primeiro "Dia Internacional da Mulher", a 8 de Março de 1911, tendo proposto a ideia no ano anterior, em Copenhaga, aquando da II Conferência Internacional de Mulheres Socialistas, no sítio que mais tarde se tornou o Ungdomshuset (uma espécie de casa cultural e ponto de encontro para grupos autónomos e de esquerda).

Durante a I Guerra Mundial, Zetkin, juntamente com Karl Liebknecht, Rosa Luxemburgo e outros políticos influentes do SPD, rejeitou a política do partido de Burgfrieden (uma trégua com o governo, prometendo abster-se da marcação de greves durante a guerra).

Entre outras actividades anti-guerra, em 1915 Zetkin organizou uma Conferência Socialista Internacional de Mulheres Anti-Guerra, em Berlim. Por causa da sua postura anti-guerra, foi presa várias vezes durante a guerra.

Em 1916, Zetkin foi uma dos co-fundadores da Liga Spartaquista e do Partido Social-Democrata Independente da Alemanha (USPD), que se separou em 1917 do seu partido mãe, o SPD, em protesto contra a sua posição pró-guerra.

Em Janeiro de 1919, depois da Revolução alemã em Novembro do ano anterior, o KPD (Partido Comunista da Alemanha) foi fundado e Zetkin também se juntou a este e representou o partido entre 1920-1933 no Reichstag.

Em 192, Clara Zetkin entrevista Lenine sobre "A Questão da Mulher".

Até 1924, Zetkin foi membro do escritório central do KPD. De 1927 a 1929, foi membro do comité central do partido, tendo também integrado o Comité Executivo da Internacional Comunista (Comintern) de 1921 a 1933. Em 1925 foi eleita presidente da organização de solidariedade alemã de esquerda, a Rote Hilfe.

Em Agosto de 1932, como presidente do Reichstag por antiguidade, Zetkin convocou todos a lutar contra o nacional-socialismo.

Quando Adolf Hitler e o seu partido Nacional-Socialista Alemão chegaram ao poder, o Partido Comunista da Alemanha foi banido do Reichstag, após o incêndio do Reichstag, em 1933.

Clara Zetkin exilou-se pela última vez, desta vez na União Soviética. Aí morreu, no Archangelskoye, perto de Moscovo, em 1933, com quase 76 anos. Foi enterrada junto ao muro do Kremlin, em Moscovo.

domingo, março 07, 2010

GRITAM OS ISLANDESES: "Parem com o casino financeiro!"

A Islandia ... lembram-se! Aquela ilha, aquele pequeno país que a actual crise atirou para a bancarrota financeira? Lembram-se ?

Pois os islandeses parece que aprenderam com as brincadeiras do sector financeiro e, agora, não querem voltar a deixar esse sector repetir essas mesmas brinacadeiras ...

Lutam nas ruas e gritam: "PAREM COM O CASINO FINANCEIRO!"

Segundo a edição de hoje do Jornal de Notícias "os islandeses terão recusado a lei Icesave, que prevê indemnizar os investidores estrangeiros, designadamente holandeses e britânicos, lesados pela falência do banco Icesave, no referendo que decorreu ontem naquele país, segundo uma sondagem.

Cerca de 230 mil eleitores islandeses - dos 320 mil habitantes daquele país membro da União Europeia - foram chamados ontem às urnas para se pronunciarem sobre a lei que visa o reembolso de 3,8 milhões de euros, avançados pelo Reino Unido e pela Holanda, para indemnizar os milhares de islandeses lesados pela falência do banco "on-line" islandês."

Segundo uma sondagem, três quartos dos eleitores (74%) votarão contra o reembolso (considerado como o resultado de um acordo rubricado sob coacção e com termos abusivos), enquanto sómente 19% votarão a favor. Este possível resultado no referendo, segue-se à aprovação do reembolso pelo Parlamento!

A notícia do JN termina assim "A crise financeira mundial devastou a economia daquele país insular que, em 2007, foi dado como o mais desenvolvido do Mundo pelo Índice de Desenvolvimento Humano da ONU e com o quarto maior PIB per capita do planeta".

A luta dos islandeses dá que pensar !!!!

P E C : mais uma declaração de guerra aos trabalhadores e à democracia !

O Governo Sócrates aprovou ontem o "Programa de Estabilidade e Crescimento" (PEC). Mais um passo na linha das receitas neo-liberais protagonizadas pela Europa de Durão Barroso e, no plano nacional, correspondentes ao que preconizam os partidos do dito "arco governamental", o PS, o PSD e o CDS.
Contenção salarial, cortes no investimento público, ataques às medidas de incidência social, aumento da idade de reforma, mais privatizações, ... , são alguns dos vectores que Sócrates pretende impor no plano nacional, à semelhança do que os seus congéneres políticos fazem, por exemplo, na Grécia.

Neste sentido, a recente greve da Função Pública é um exemplo de mobilização que deveria ser estendido a outros sectores dos trabalhadores, quer do sector público, quer do sector privado.

O PEC é simultaneamente um ataque à democracia e aos trabalhadores. O governo aprova medidas com o impacto de um PEC, como se o seu partido apoiante tivesse ainda maioria absoluta na Assembleia da Republica, e, mais uma vez, pretende impor a ideia de que a resolução da actual crise tem de passar sempre pela penalização dos salários e das medidas de apoio social.
A resposta social e política aos mentores das politicas neo-liberais tem de ser firme e inequívoca por parte de todo o movimento dos trabalhadores - sindicatos, comissões de trabalhadores - e também por parte dos partidos de esquerda representados no Parlamento.

Da Grécia chegam diáriamente exemplos de resistência a políticas do mesmo tipo daquelas que, por cá, Sócrates quer impor. Esses exemplos merecem ser divulgados e explicados. Deveriam também merecer, da parte do movimento sindical europeu e dos grupos de esquerda no Parlamento Europeu, interligação, divulgação com esclarecimento. É absolutamente urgente que por toda a Europa, o movimento de resistência dos trabalhadores sirva para criar consciência e mobilização para a construção de outra Europa com outras políticas e com a participação dos trabalhadores!

sexta-feira, março 05, 2010

A PROPÓSITO DA GREVE DA FUNÇÃO PÚBLICA ...

Independentemente dos números de adesão, a Greve da Função Pública teve impacto social. E sempre que uma greve tem impacto, surgem logo alguns tipos de comentários/constatações que acabam por estar "na moda":
  • uns têm a ver com a leitura dos números de adesão. Governo e sindicatos, de tão díspares serem os números, parece que falam de realidades diferentes em planetas diferentes. Sempre foi assim, seja qual for o governo ... poder-se-ia dizer que um governo é sempre "o" governo !

  • outros comentários resolvem passear à volta do "ser" sector público ou sector privado da economia. No sector público, os trabalhadores fazem greve porque "não perdem" o posto de trabalho. No sector privado, os trabalhadores não fazem greve porque têm um vínculo profissional menos garantido ...

É claro que os governos nunca estão interessados em greves, e, a maior parte dos comentadores sobre o público e o privado também estão-se nas tintas para a maior ou menor capacidade dos trabalhadores para fazerem valer os seus direitos e reinvidicações.

Provavelmente o movimento sindical tem muito que mudar, adaptando-se, não às exigências do neo-liberalismo, não às dinâmicas ditadas pelas empresas, não a concertações que enchem noticiários mas que não resolvem nada na perspectiva dos que trabalham, mas partindo da actual realidade para conseguir encontrar uma organização mais dinâmica, mais abrangente a todos os trabalhadores (privados, públicos, precários, a prazo, desempregados, em lay-off ...) e que dite uma acção com mais resultados concretos!

A realidade que hoje temos é já muito parecida, quanto às condições concretas do dia-a-dia de cada trabalhador, aos tempos que deram origem às comemorações do 1º de Maio. Experimentem comparar o número de horas de trabalho diárias e semanais de cada trabalhador, comparem a percentagem de trabalhadores precários e a prazo versus os que não o são, comparem a percentagem de trabalhadores sindicalizados, comparem .... Esta é uma constatação importante para se denunciar o estádio social a que o capitalismo neo-liberal conduziu, em geral, todas as sociedades ...

No século XIX, quando se organizava uma luta operária não se estava à espera de saber quem era do "sector público" ou do "sector privado". Provavelmente seria toda a gente do sector privado, seria quase toda a gente precária, ... , mas as lutas começaram-se a organizar e com os resultados dessas lutas, o movimento dos trabalhadores conseguiu assegurar direitos e conquistas que têm durado até, pelo menos, aos dias do neo-liberalismo!

Possívelmente, em pleno século XXI teremos seria de voltar a rever, analisar, estudar como se organizou e triunfou o movimento dos trabalhadores - sindical, de comités/comissões nas empresas, ... - para voltarmos a fazer triunfar direitos e conquistas sociais!

quarta-feira, março 03, 2010

MAIS UM EXEMPLO DAS CONSEQUÊNCIAS DA DITA "ECONOMIA DE MERCADO" ...

"Num ano de crise como 2009, o número de trabalhadores com remunerações em atraso disparou 40%, passando de menos de nove mil para mais de 12 mil. O mesmo aconteceu ao valor da dívida, que subiu de 11,2 milhões para 15,4 milhões de euros, dos quais seis milhões já foram pagos (...) No ano passado, em média, cada trabalhador tinha a receber 1259 euros. (...)" in Jornal de Notícias, 03 de Março de 2010.

Isto é DRAMA SOCIAL ! Para isto, as respostas são, quase sempre, condicionadas ao discurso da contenção orçamental e do défice público ... no entanto, quando a crise toca o sector financeiro, o défice público e a contenção orçamental podem esperar ... e logo surgem milhões e milhões de euros/dólares para apagar o fogo ateado pelos srs. banqueiros!

Esta DUPLICIDADE de critérios é, de facto e na realidade, uma das imagens de marca dessa aberração que dá pelo nome de "economia de mercado" ...

Tem de existir, de certeza, um outro tipo de economia ...

A SOCIALIZAÇÃO DA SOCIEDADE

UMA PROPOSTA DE LEITURA, A PROPÓSITO DA BUSCA DE UMA ALTERNATIVA À CHAMADA "ECONOMIA DE MERCADO" ...

A "Socialização da Sociedade", em Rosa Luxemburgo. Um texto de Dezembro de 1918.

http://www.marxists.org/portugues/luxemburgo/1918/12/socializacao.htm

terça-feira, março 02, 2010

MADEIRA: unanimismo para consumo governamental ...

Já me pronunciei CONTRA este unanimismo falsamente solidário em relação à Madeira. E volto, agora, a repeti-lo!

Porque até parece que a tragédia na Madeira serviu para unir Sócrates e Alberto Jardim para se esquecer a Lei das Finanças Regionais e, vai daí, dar muitos mais milhões ao Governo Regional para ... reconstruir, sem discussão do que estava mal construído anteriormente, para ... como diz o "reizinho" da Madeira ... ficar tudo um brinquinho! ... Nós já sabemos o que é que ele entende por "brinquinho"!!!

Os governantes aparecem unidos, fazem-se festas, angariam-se milhões, mas ... onde, quando, como e com quem é que os madeirenses intervêm a dizer o que pensam? Onde, quando, como e com quem é que se discute o que estava mal construído, mal ordenado, mal perspectivado, e, onde é que entram os madeirenses?

Tudo está a parecer muito unanime ... mas o silêncio sobre o que se deveria estar a discutir é ENSURDECEDOR!!!!!