tribuna socialista

terça-feira, junho 30, 2009

ALTERNATIVA DE ESQUERDA: ALGUMAS REFLEXÕES ...

Ser "" voto de protesto, ser ou não governo, o que é afinal a tal alternativa de esquerda?

Com o aumento da votações nos partidos à esquerda do PS, nas eleições europeias, alguns chamados opinion-makers (sempre os mesmos e sempre ligados ao centrão...) têm vindo a alertar para aquilo que eles consideram como um problema de "ingovernabilidade" se aquele aumento dos votos se mantiver nas próximas eleições legislativas.

No entanto, da parte das esquerdas, incluíndo a esquerda do PS, as soluções pós-eleitorais permanecem algo confusas aos olhos das pessoas. Nunca se sabe se estarão, as esquerdas, disponíveis para uma solução de convergência governativa que se torne alternativa a uma direita que já reafirmou que se poderá voltar a coligar e também alternativa à solução da direcção sócratica do PS que continua, algo alheada da realidade, a pedir nova maioria absoluta.

O certo é que, neste País que passou por um processo revolucionário com contornos socializantes, nunca houve uma proposta de solução governativa à esquerda. E seria bom ter presente: para os trabalhadores e para as pessoas que sofrem as consequências da crise económica capitalista, o que é mais importante, votar para se ser oposição ou votar para um governo com novas e outras políticas de sentido democrático e socialista? Afinal são as politicas governativas que acabam sempre por condicionar a vida das pessoas ...

Desde o 25 de Abril de 1974, na maior parte das eleições, o resultado apontou sempre para maiorias dos partidos formalmente de esquerda representados na Assembleia da Républica. No entanto, essas maiorias nunca tiveram correspondência ao nível dos governos e muito menos ao nível das políticas globais executadas por esses governos. O que cria sempre uma sensação de inutilidade do voto popular exercido, com consequente reflexo no engrossar dos abstencionistas nas eleições seguintes.

As esquerdas nunca tiveram o seu governo. As esquerdas só conseguiram governos PS com políticas conhecidas por serem aquelas que a direita executaria se fosse, ela mesma, governo!

As direitas já tiveram os seus governos e não adiaram a execução de políticas de direita e de ataque a conquistas politicas e sociais decorrentes da revolução de Abril.

Porque será que a direita consegue governos com políticas de direita e as esquerdas só conseguem governos do PS com políticas de direita?

É aqui que convém falar na existência de uma maioria social de esquerda que nunca conseguiu reflectir a sua existência, na concretização de um governo das esquerdas.

A maioria social de esquerda existiu, por exemplo, quando o eleitorado deu a maioria absoluta ao PS de Sócrates CONTRA o que tinham sido os governos de Barroso, Portas e Santana Lopes. No entanto, a direcção do PS não só esqueceu essa maioria social, como adoptou uma posição de virar de costas às outras esquerdas representadas no Parlamento.

Um governo que emergisse de uma maioria social de esquerda, é um governo que tem de acolher o contributo político de todos os partidos e movimentos com representatividade à esquerda. É um governo que não busca sómente estabilidade por via de uma maioria aritmética parlamentar, mas que consegue definir um programa com políticas que afirmem a alternativa de democracia e socialismo contra o capitalismo e a sua economia de mercado.

Um governo de convergência das esquerdas tem também de emergir de um processo democrático e social de participação por parte de cidadãos, de grupos sociais, de organizações dos trabalhadores, de organizações de defesa do ambiente, ou seja, supera a mera negociação entre direcções partidárias, embora esta negociação tem também inevitávelmente de ocorrer.


É um processo dificil. É, sim senhor! Mas a conseguir-se, seria, sem dúvida um passo político com reflexos importantissimos no retorno à capacidade de mobilização popular para transformações políticas, sociais, económicas e culturais com um sentido democrático e socialista!

terça-feira, junho 23, 2009

A NOVA, NOVA ESQUERDA (*)

Amanhã, 24 de Junho, é apresentado, em Lisboa, o Movimento Nova Esquerda, que se propõe agir pela "refundação da esquerda democrática e socialista".
TRIBUNA SOCIALISTA ao editar um texto da responsabilidade do porta-voz do novo movimento, Alexandre Pinto, pretende contribuir para uma discussão mais alargada e transversal sobre a reorganização/recomposição/refundação do espaço da esquerda socialista em Portugal. Uma discussão que tem vindo a percorrer a Europa na sequência da adesão das direcções dos partidos socialistas e social-democratas a perspectivas de direita e neo-liberais.

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Um grupo muito expressivo de homens e mulheres deste País decidiu criar um Novo Sujeito Político em Portugal, com o duplo objectivo de renovação e transformação da Esquerda e do Sistema Político.

Sabemos que é um caminho difícil e adverso face ao actual status quo político, mas entendemos que depois do longo caminho, que iniciámos na candidatura presidencial de Manuel Alegre e que deu aos cidadãos deste país um tão grande capital de esperança de mudança, não poderíamos deixar cair tudo aquilo que já foi feito e sobretudo não poderíamos deixar de aceitar o enorme desafio que nos foi colocado de podermos de uma forma positiva e activa contribuir para mudar o País conduzindo-o, de novo, ao desenvolvimento e a uma maior prosperidade.

Trinta e cinco anos de governos do Bloco Central dos Interesses levaram-nos para a cauda da Europa. Somos hoje os mais pobres e os mais desiguais a distribuir a riqueza que todos produzimos. A Esquerda em Portugal não pode continuar a desculpar-se e a ignorar tamanha catástrofe social.

Também, nas últimas Eleições Europeias, para além das análises tradicionais de quem perde e de quem ganha, ficou por demais evidente que os cidadãos, em larga percentagem, não foram votar em 64% dos casos e votaram branco ou nulo cerca de 6%. Isto significa que 70% das pessoas estão fora do sistema. Esta não é uma leitura simplista, é antes uma leitura fria dos números, que não sendo nova, face a anteriores actos eleitorais, tem vindo a agravar-se na sociedade portuguesa. Podemos mesmo dizer que é um problema estrutural da sociedade portuguesa e que urge uma reflexão muito profunda e a tomada de medidas que permitam contrariar esta tendência de agravamento de eleição para eleição. Com este novo projecto político, queremos também dar um contributo decisivo para se iniciar essa mudança, assim, defenderemos a possibilidade de Listas de Cidadãos Independentes poderem ser sufragadas em Eleições Legislativas, competindo, desta forma, de igual para igual com os partidos.

Na próxima semana, dia 24 de Junho, vamos apresentar publicamente em Lisboa, no Museu da República e Resistência, esta Nova Esquerda. Um novo movimento social e político, reformador na sociedade portuguesa, que fará a sua Convenção Fundadora já no próximo dia 4 de Julho na Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra e que será um ponto de encontro de gerações que acreditam num novo projecto para Portugal, que nos possa ajudar a sair desta rota de derrota e de desilusão continua que temos assistido ao longo dos últimos anos.

Porque defendemos a Liberdade como Motor da História, porque defendemos o reforço da Democracia Participativa e da participação directa dos cidadãos, porque defendemos a Ética Republicana no exercício de cargos públicos, porque defendemos o Papel Central e reformador do Estado e dos Serviços Públicos, porque defendemos uma Economia de Rosto Humano que sirva as pessoas e não os Grupos Económicos de Interesse e porque queremos um País jovem e virado para o futuro, achamos que temos a obrigação e a ambição de começar a Mudar Portugal.

(*) Alexandre Pinto, é economista e é o porta-voz do Movimento Nova Esquerda

domingo, junho 21, 2009

AS "ELITES" CONTRA OS INVESTIMENTOS PÚBLICOS ...

Ex-ministros, economistas, opinion-makers, consultores económicos, ..., ou seja, as tais "elites" ligadas ao "centrão" que nunca aproveitaram as oportunidades para mostrarem como se combate a(s) crise(s), avançaram agora, na vespera de eleições legislativas, com um Manifesto com o qual apelam ao corte em investimentos públicos, como, por exemplo, o TGV.

Curiosamente, estas "elites" distinguem-se muito pouco doutras "elites" que também já apresentaram manifestos e realizaram encontros com impacto mediático, como o chamado "Compromisso Portugal", e até pouco se distinguem dos apelos da presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite. Aparentemente, os impulsionadores do Manifesto agora divulgado, não desempenham (neste momento!) cargos políticos nem parecem directamente comprometidos com os partidos do dito "centrão" ... mas, foram eles os responsáveis por muitos dos investimentos públicos que agora dizem contestar e, até, já receberam o que tinham a receber pelos referidos estudos! Agora resolvem socorrer-se do seu estatuto mediáticamente atribuído de "elites" para tentarem influenciar a opinião e a vontade das pessoas ... é claro, que isto só demonstra que de "independentes" só têm o nome!

Em tempos de crise económica com consequências sociais, a imprensa está repleta de análises, de profecias, de prognósticos avançados pelos que têm sérias responsabilidades no ínicio e agravamento desta crise ... a capacidade do dinheiro, da finança, continua a ditar/impor influência sobre os resultados de uma democracia crescentemente formal e classista.

Interessante e, às tantas, decisivo, seria que aparacesse um Manifesto contra a crise impulsionado pela experiência dos trabalhadores que continuam a lutar pela preservação dos seus postos de trabalho, que continuam a lutar ou já lutaram contra as deslocalizações, que lutam por apoios sociais ... um Manifesto contra a crise impulsionado pelos que, não tendo capacidade financeira para influenciar a imprensa e a democracia (!), têm, no entanto, uma opinião e uma vontade firmado, reafirmado e consolidada com as suas lutas do dia-a-dia!

quinta-feira, junho 18, 2009

AUTOEUROPA: QUANTO VALE A VONTADE DOS TRABALHADORES?

A crise é hoje evocada pelas empresas para justificarem autenticos atentados aos direitos mais elementares dos trabalhadores.

Quanto maiores são as empresas, os cortes nos direitos laborais servem para justificar, pelas respectivas administrações, medidas que visam salvar as referidas empresas, não própriamente de prejuízos mas de quebras nos lucros ... E esta é uma tendência que se tem vindo a tornar consistente e constante!

A AutoEuropa tem o estatuto de maior empresa exportadora portuguesa. Daí que goze de medidas de tratamento excepcional por parte do governo. A perspectiva de defesa dos postos de trabalho tem merecido também, por parte da respectiva Comissão de Trabalhadores, de acções tendentes a conquistar os trabalhadores para pacotes de medidas que mereçam também a concordância da Administração da empresa ligada à VW.

No entanto, parece que a unanimidade que tem sido conseguida na AutoEuropa, por parte de trabalhadores e adminsitradores, tem significado uma crescente cedência por parte dos trabalhadores, os quais, de cedência em cedência, acabam sempre periódicamente por ficar entre a espada e a parede quanto à garantia da manutenção dos seus postos de trabalho e quanto a direitos elementares como o pagamento de horas extras.

É neste quadro que deve ser entendida a recusa dos trabalhadores em aceitarem mais um Pré-Acordo Laboral ... por voto secreto, como que os trabalhadores disseram BASTA! Já chega de ceder, ceder e ceder, sempre do mesmo lado e sempre para se ficar entre a espada e a parede!

Os trabalhadores da AutoEuropa e a sua Comissão de Trabalhadores não podem ser acusados de "irresponsabilidade" ou de qualquer outra coisa ... já cederam o suficiente! Será que a Administração, que representa os interesses da VW, também já cedeu o mesmo ou está, como sempre, à espreita de oportunidade para deslocalizar a unidade da AutoEuropa para um qualquer outro país com mão-de-obra mais dócil?

É também sintomático o unanimismo nacional por parte do governo, por parte da líder da oposição, por parte do presidente da Agência Portuguesa para o Investimento, Basílio Horta ... a crise funciona sempre como pretexto para crucificar os trabalhadores, lançando-se sempre acções de chantagem sobre a continuidade e a preservação dos seus postos de trabalho, quando os níveis de rentabilidade de uma empresa não satisfazem os chamados "accionistas"!

É claro que esta é uma tendência que tem de ser invertida ... vai sendo tempo dos trabalhadores não serem tomados como meras peças de uma engrenagem ... neo-liberal!

sábado, junho 13, 2009

Irão ~ Solidariedade com os protestos dos jovens ~ Apelo à Greve Geral!

Os resultados das eleições iranianas com a reeleição do actual Presidente, representam uma enorme fraude, depois de um acto eleitoral com uma participação de fazer inveja às democracias europeias!

Os jovens iranianos têm liderado as manifestações populares contra a fraude e contra a repressão que quer tornar a fraude como um acto legitimo.

Estas acções populares são o meio politica e socialmente mais eficaz para combater o domínio de um poder feudal, autocrático, repressivo e totalitário!

quinta-feira, junho 11, 2009

10 DE JUNHO: CAVACO SILVA FALA TAMBÉM CONTRA ELE MESMO!

Não é pelo facto de Cavaco Silva ser o actual Presidente da Republica que deixa de ter sérias e muitas responsabilidades no estado a que chegou a democracia portuguesa!

Cavaco Silva pronunciou um discurso ontem, 10 de Junho, Dia de Portugal, a que Cavaco também já (re)chamou de "da Raça", que foi saudado por uma espécie de unanimismo nacional que nada resolve, nada soluciona, antes só contribui para uma democracia crescentemente formal e só acessível a quem tem contas bancárias recheadas ...

Cavaco Silva antes de ser Presidente da Republica, já foi primeiro-ministro. Não nos esqueçamos! E tanto quanto a memória lembra e os registos de imprensa salientam, representa um governo onde diálogo, participação democrática, direito de oposição e de indignação, foram, quase sempre, apelidados de "forças de bloqueio"!

Cavaco Silva, não obstante a legitimidade que tem como Presidente da Républica, não é própriamente um exemplo de democrata, nem de impulsionador daquilo que defendeu no seu discurso de ontem! ...

Cavaco Silva é, ele também, uma das expressões do dito "bloco central" que algumas das ditas "elites" defendem ...

Para a abstenção que aconteceu nas recentes eleições europeias, Cavaco Silva também deu, recentemente, o seu enorme contributo: quando pronunciou afirmações de nem aquece nem arrefece, a propósito da permanencia de Dias Loureiro no Conselho de Estado! Basta este episódio para mostrar o "contributo" do Sr.Presidente para uma democracia com mais participação popular e cidadã!

Um projecto de democracia a todos os níveis da sociedade e das empresas (públicas e privadas), um espaço de liberdades efectivas sem complexos e sem discriminações, é algo que passa ao lado de Cavaco Silva e, perante o qual, o próprio Cavaco Silva deve ser identificado como um obstáculo a combater política e ideológicamente!

segunda-feira, junho 08, 2009

CAVACO SILVA : que fé em Durão Barroso! ...

Cavaco Silva diz que não comenta os resultados eleitorais das europeias, mas as suas declarações de apoio a Durão Barroso, são esclarecedoras ...

O actual Presidente português continua a ser um adepto do PPE, a direita europeia, e é evidente que rejubilou com o seu reforço eleitoral ... daí o seu apoio entusiasta ao português Durão Barroso para continuar a presidir ao "Bureau" político do neo-liberalismo europeu, a dita Comissão Europeia.

Cavaco até falou do excelente trabalho (!!!) de Barroso à frente da Comissão Europeia, só que ... esqueceu-se de relembrar a tal cimeira dos Açores que decretou a guerra do Iraque ...

É claro que não se pode esperar muito mais de Cavaco Silva !

DURÃO BARROSO: A REELEIÇÃO DO NEO-LIBERAL ...

O mestre-de-cerimónias da dita cimeira das Lages que decretou a guerra do Iraque, o líder da Europa do neo-liberalismo, o ex-primeiro-ministro português que fugiu (!) ao voto popular no seu país, ... , Durão Barroso deve estar feliz e contente por ter assegurado a sua reeleição como Presidente da Comissão Europeia ...

Mas, para além da reedição da maioria de direita europeia, a "família" política de Barroso, há também líderes considerados "socialistas" (!!!), como Sócrates, Zapatero e Gordon Brown que apoiam a reeleição do neo-liberal que fala português. Isto, depois desses "socialistas" terem sido derrotados nos seus próprios países pela direita que, afinal, também apoia o mesmo Durão Barroso! O que vale o "socialismo" destes neo-liberais que nem nos seus próprios países convencem ninguém sobre as suas políticas !?!?...

Veremos quantos deputados do PS eleitos para o Parlamento Europeu estarão com Durão Barroso ...

EUROPEIAS: À ESQUERDA, A ESPERANÇA CHAMA-SE BLOCO DE ESQUERDA!


Não obstante as abstenções - que pesam, obstaculizam, indefinem ... - os resultados de ontem para o Parlamento Europeu exibem alguns factos muito positivos:

O governo Sócrates foi, de facto, censurado nas urnas, depois de já o ter sido nas ruas, com os professores e com as mil e uma manifestações contra o desemprego, contra o fecho de fábricas e empresas, contra a precariedade, contra tudo o que tolhe a vida das pessoas ...

Há um voto de AFIRMAÇÃO e não só de protesto que vai ganhando corpo .... no BLOCO DE ESQUERDA, como espaço da esquerda socialista, como espaço de proposta, como espaço de mulheres e de homens, jovens e menos jovens, que têm a coragem de dizer que sabem protestar, organizar o protesto, mas sabem também organizar a afirmação para novas propostas, novos consensos, novas políticas, num sentido de esquerda, de democracia e de socialismo!

As esquerdas - o BE, a CDU e as esquerdas do PS - continuam - continuamos! - a ser a MAIORIA SOCIAL que pode dar conteúdo POLÍTICO a uma alternativa de esquerda ao actual governo e ao PSD que não é alternativa para coisíssima nenhuma!

Vêm aí mais dois combates: as legislativas e as autarquicas! ... A luta num sentido de afirmação de uma alternativa à esquerda prossegue!

Na Europa, a maioria de direita vai prosseguir com a (re)eleição do neo-liberal Durão Barroso ... mas ficará o contributo do Bloco de Esquerda para que a direita ficasse em minoria. Importante será que, no futuro que começa hoje, a esquerda socialista saiba e consiga encontrar uma organização de dimensão europeia que consiga desenvolver uma luta mais objectiva, mais dinâmica e mais internacional/europeia por uma alternativa democrática e socialista!

sábado, junho 06, 2009

A HORA DA ESQUERDA: MUDAR A EUROPA; MUDAR PORTUGAL!


A ESQUERDA NOVA é uma corrente do Bloco de Esquerda.
A propósito das eleições europeias lançou mais um número do seu boletim de "periodicidade irregular", OBJECTIVO SOCIALISMO.
São 14 páginas de reflexão à esquerda sobre a Europa, tentando desenhar caminhos para mudar a Europa e mudar Portugal.
É um bom contributo desta corrente do Bloco de Esquerda para o esclarecimento sobre a construção europeia numa perspectiva de esquerda.
As eleições europeias são já amanhã, mas a construção de uma Europa democrática, social e construída por todas e todos os que vivem e trabalham no espaço europeu, é uma luta que vai continuar!
Fica o convite: passem os olhos pelo boletim da Esquerda Nova! ... VALE A PENA!

domingo, maio 31, 2009

SÓCRATES: DEMAGOGIA E FALTA DE ARGUMENTOS A PROPÓSITO DOS PROFESSORES!

José Sócrates resolveu novamente insultar os professores que se manifestaram, ontem em Lisboa, contra as políticas para a Educação.

Desta vez, o problema para Sócrates foi o "aproveitamento político" que terá sido feito por candidatos ao Parlamento europeu. O dito aproveitamento foi a presença de alguns candidatos que resolveram manifestar apoio aos professores que se manifestavam ...

Qual é o problema de Sócrates? O principal problema é teimar em ignorar que tem uma classe inteira contra as suas políticas. O outro problema é inventar insultos à falta de argumentos!

Agora juntou mais outra invenção: já tinha dito que 120.000 professores teriam sido instrumentalizados pela "esquerda radical", agora foram "só" 50.000/60.000 que terão sido simultâneamente instrumentalizados por várias candidaturas ao parlamento europeu ...

José Sócrates, o secretário-geral do PS, será que se esquece do que fazem os socialistas agrupadas na "Tendência Sindical Socialista" que age na CGTP e na UGT?

José Sócrates esquece-se também que enviou, já em pré-campanha europeia, uma delegação do seu partido encabeçada por Vital Moreira, à acção da CGTP no primeiro de Maio?

José Sócrates à falta de argumentos junta também uma dose considerável de demagogia ... para nós, são razões para lhe retirar a maioria absoluta e mostrar o cartão amarelo nas Europeias!...

quarta-feira, maio 27, 2009

CRISE: Concessão de crédito está a desacelerar e incumprimento a aumentar

O título é copiado das últimas da Visão. E motiva alguma reflexão.

É sabido que a realidade portuguesa (afinal, parte da realidade europeia ... não somos também Europa?) assenta muito em salários portugueses e preços europeus.

Todos, incluindo os bancos, falam em crise. Mas, parece, que a crise é só para quem tem de trabalhar ... para estes, há o desemprego, existem salários escassos, há despesas diárias e periódicas que nunca mais acabam, e, não obstante as notícias sobre a queda das taxas de juro, há também juros que não acompanham a tal queda das taxas e bancos que dificultam crédito ao consumo e à habitação.

E dificultam porquê? Pelo óbvio que (quase!) todos sabem, conhecem e sentem: os tais salários que não dão para pagar um custo de vida europeu!

A economia precisa de JUSTIÇA! É que precisa MESMO!

A crise para se vencer, precisa da confiança das pessoas! A crise não se vence porque os indices económicos deixaram de baixar e passaram a subir ...

As pessoas, as que precisam de salários europeus, as que precisam do crédito, as que precisam dos empregos, .... , precisam de sentir que podem intervir decisivamente nas coisas da vida do dia-a-dia! Justiça é também não deixar só para os endinheirados e detentores do poder financeiro, a capacidade de intervir e de decidir!

NOVELA "BPN" : a grande finança consegue fintar a democracia!

Horas que pareciam sem fim, com intervalos cheios de ofertas de chá, a prestação do ex-presidente do BPN, Oliveira e Costa, ontem no Parlamento, foi mais um episódio da já longa novela "BPN".

Mais um triste episódio onde aconteceu o que já tinha acontecido noutros da mesma novela: a grande finança sabe como fintar a democracia e a democracia como que reage sempre com mesuras e tremuras ...

Oliveira e Costa contou ou recontou a sua versão, como quis, escudando-se, para não dizer mais, na sua condição de "arguido" e/ou no "segredo de justiça".

Enquanto isto se passa com as figuras que dominavam a gestão do BPN, o Banco de Portugal também filtra a informação que entende facultar à Assembleia da República.

Estes episódios exibem muito bem o modo como esta democracia se organiza: não há transparência, há áreas onde a democracia fica à porta e a organização e acção da Justiça molda-se muito à falta de transparência e ao facto da democracia também não chegar a muitas áreas da própria Justiça ...

terça-feira, maio 26, 2009

ESQUERDA.NET | série Fantasbloco: TRATADO À NOSSA PORTA

Excelente, esta inciativa do Bloco de Esquerda!

Procurem mais em Esquerda.Net e/ou no YouTube.

HÁ BOMBAS NUCLEARES "BOAS" E BOMBAS NUCLEARES "MÁS"?

O regime autoritário e totalitário da Coreia Norte resolveu (re)afirmar a sua existência com a realização de testes nucleares.

Prontamente os EUA, agora de Barack Obama, reagiram negativamente e apelaram a uma acção internacional concertada contra a ameaça que os testes nucleares nortecoreanos representam para o Planeta.

Para quem luta por um Planeta desnuclearizado e desarmado, custa muito perceber a lógica de que uns terão armamento nuclear "bom" (os EUA e os países seus aliados) e outros armamento nuclear "mau" ... São "lógicas" que reeditam equilibrios de terror e guerras frias! E o mais grave é que acabam sempre por favorecer as corridas armamentistas ... corridas que se fazem, muitas vezes, pela calada, no silêncio, à margem da informação e das pessoas, e, quando se dá por ela, já é tarde ...

A propósito:

a) China mostra nova tecnologia

b) Hiroshima interrompe Relógio da Paz após teste nuclear

VITAL MOREIRA EXPLICA O QUE É VOTAR NA MESMA COISA ...

Vital Moreira continua a surpreender: é candidato pelo PS, faz valer o seu estatuto de "independente", mas às vezes esquece-se das posições oficiais do partido de Sócrates ...

Vital considera que votar PSD ou votar CDS nas europeias "é a mesma coisa" porque ambos pertencem à mesma "família politica europeia", o PPE.

Então o que pensar no voto PS se tivermos em conta que PS, PSD e CDS defendem a continuação de Durão Barroso à frente da chamada "comissão europeia" ... será que votar em cada um desses três partidos não é também a mesma coisa? Ou seja, os principais partidos que, em Portugal, sustentam e defendem o actual modelo (neo-liberal e construído à margem da participação democrática) de Europa?

domingo, maio 24, 2009

Manuela Moura Guedes ouviu o que já devia ter ouvido HÁ MUITO!

O Jornal das Sextas da TVI dirigido pela Manuela Moura Guedes é uma peça semanal de manipulação de factos, de abandalhamento de interpretações, de julgamentos sumários, ..., uma espécie de "reality show" travestido em espaço jornalistico.

Nesta Sexta-Feira que passou, o Bastonário da Ordem dos Advogados disse, em directo, o que já devia ter sido dito HÁ MUITO!

quinta-feira, maio 21, 2009

JOÃO BÉNARD DA COSTA: vai-nos fazer muita falta!

Para o cinema em Portugal, a morte de João Benard da Costa é uma perda imensa.

Cineclubista, cronista em vários jornais, grande impulsionador e organizador da Cinemateca Nacional , João Benard da Costa deixa, felizmente um legado e uma memória, que fazem dele uma referência que a morte não apagará.

quarta-feira, maio 20, 2009

FEIRA DO LIVRO ANARQUISTA: 22, 23 e 24 de MAIO, em Lisboa!

TRIBUNA SOCIALISTA é um espaço socialista libertário.

Referenciamo-nos ao marxismo de Marx, de Rosa Luxemburgo, do POUM de Andreu Ninn ... mas consideramos que é urgente que, na era da globalização capitalista, a alternativa socialista consiga fazer a síntese dos contributos marxistas e anarquistas, como forma, nomeadamente, de se evitar/combater as caricaturas reformistas, liberais e totalitárias que têm sobrevivido históricamente!

Felizmente as correntes libertárias anarquistas continuam vivas e activas em Portugal!

Neil Young - Like A Hurricane

São músicas como esta que tornam a MEMÓRIA um instrumento poderoso ...

Uma pausa!

sábado, maio 16, 2009

QUEREMOS SER GOVERNO MAS NUNCA COM JOSÉ SÓCRATES

O título desta posta é título de primeira página da edição de hoje do diário "I". E é um título muito importante e que marca um ponto de viragem.

Os chamados "fazedores de opinião" têm propalado a ideia de que a "esquerda radical", como o Bloco de Esquerda, só existe para "agrupar" descontentes e votos descontentes ...

A notícia do "I" remete para uma entrevista com Miguel Portas, primeiro candidato do BE ao Parlamento Europeu, que será inserida naquele diário na 2ª Feira. Nessa entrevista Miguel Portas dirá "Estamos a preparar o Bloco para ser governo. Vamos apresentar-nos com um programa de govermo e chegará o dia em que seremos governo". Mas a qualidade e o sentido políticos desse governo é também clarificado: "Recusamos pertencer a qualquer governo com esta liderança socialista".

São declarações, compromissos e intenções que marcam claramente uma afirmação perante a chamada opinião pública. A tal "esquerda radical" assume-se como esquerda de alternativa, como esquerda socialista e está preparada para apresentar propostas concretas de governo e não só de oposição, de protesto!

Neste sítio, sempre temos defendido que para os trabalhadores, empregados e desempregados, precários e efectivos, públicos e privados, que só servem para produzir e nunca são chamados a intervir na gestão das coisas e das propriedades, é muito importante poderem contar com uma alternativa política e social que tenha a coragem de ser governo. Em tempo de crise, é muito mais importante ter coragem para se ser governo de mudança e de alternativa do que sómente oposição ...

O Bloco de Esquerda quando afirma que se está a preparar para ser governo, está a lançar um repto mobilizador perante toda a sociedade. E mais mobilizador ainda quando define que ser governo é criar novos caminhos, novas políticas, abrir portas para respostas e soluções socialistas, muito, mas muito, diferentes do neo-liberalismo de Sócrates ou de modelos meramente estatizantes (diferente da defesa da coisa pública!) que já mostraram que não levam a nada.

É, de facto, possível uma alternativa à esquerda, com sentido de democracia e de socialismo, assente num trabalho de formiga para a mobilização de uma maioria social de esquerda!

sexta-feira, maio 15, 2009

MANUEL ALEGRE: CRITICAS SEM CONSEQUÊNCIAS!

Manuel Alegre não é um Largo Caballero nem um Oskar Lafontaine. Manuel Alegre é sómente um sintoma - importante! - de uma critica socialista de esquerda à direcção sócratica e às políticas neo-liberais do actual governo.

Não obstante existir um movimento alegrista, o MIC, não obstante existir uma corrente alegrista organizada no interior do PS, a OPS!, o certo é que essas duas realidades não foram iniciativa do próprio Manuel Alegre, mas iniciativa de alguns dos seus apoiantes mais impacientes. Como agora, antes da reunião de hoje, outros três alegristas do MIC, publicaram um documento onde se defendia a criação de um novo partido à esquerda ...

Mas tome-se nota do seguinte: Alegre pode apadrinhar, pode apoiar, mas ... não se lhe conhece iniciativa! Parece que a sua iniciativa só surge depois de alguns dos seus apoiantes a tomarem ...

Largo Caballero nos tempos do PSOE durante a Revolução Espanhola dos anos 30 do século passado soube acompanhar esses tempos de radicalização e de afirmação politico-ideológica. Oskar Lafontaine saiu do SPD, formou o seu próprio grupo e partiu para a criação do Die Linke. Um, no século XX, e outro no século XXI, tiveram a coragem de TER INICIATIVA, mesmo que essa iniciativa surja no meio de muitas contradições.

Manuel Alegre parece que não tem iniciativa. Critica, é certo; protesta, é certo; gesticula, também; ... mas depois, como que fica paralisado ... Sócrates já agradeceu!

É pena que se dê mais atenção a Alegre e quase nenhuma atenção a outros militantes do PS, os quais, com muito menos alarido, continuam a afirmar a sua vontade de continuarem a ser "esquerda socialista", organizando-se internamente no PS com um sentido mais objectivo que um mero "OPS" ....

terça-feira, maio 12, 2009

CAVACO SILVA APRENDEU ALGUMA COISA COM A CRISE?












Um conselho dado por Cavaco Silva ao governo turco ... um conselho que só relembra que Cavaco Silva também faz parte do grupo de governantes e ex-governantes que, por todo o Planeta, particularmente no chamado primeiro Mundo, andaram anos e anos a semear toxicidades com a chamada "economia de mercado", isto é, o capitalismo, isto é o neo-liberalismo ...

Mas esses governantes e ex-governantes não aprenderam nada, nem com os seus próprios erros, e, resolveram agora entrar pela via do mais completo cinismo. É que o resultado de anos e anos de "economia de mercado" é tudo menos soma de liberdade com progresso económico. O que temos visto é menos liberdade e caos económico ...

No ataque à presente crise, a linha divisória entre os que a atacam mesmo e os que se ficam pela retórica e pelo palavreado é precisamente a posição face à dita "economia de mercado": quem é a favor, não vai resolver coisíssima nenhuma; quem é contra terá também de explicar muito bem que tem alternativa e que essa alternativa passa pela ligação/mistura entre democracia, planificação, liberdade e justiça ... aqui chamamos a essa alternativa SOCIALISMO!

quarta-feira, maio 06, 2009

PETE SEEGER FEZ 90 ANOS !

Combatente, voz de muitos protestos feitos música de muitos, Pete Seeger é um marco vivo da cultura norte-americana popular, social, democrática, irreverente que sabe de que lado deve estar ... SEMPRE!

segunda-feira, maio 04, 2009

OS RACIOCINIOS ABSTRACTOS DE QUEM JÁ FOI DE ESQUERDA ....

Dito ou não dito (a defesa do dito "bloco central"), Jorge Sampaio trouxe para o debate um assunto muito importante: a questão da "estabilidade" !

À direita e à (em alguma) esquerda, a "estabilidade" dos governos eleitos para cumprir legislaturas, é, quase sempre, apresentada de uma forma abstracta e muitissimo pouco mobilizadora. Quem a defende, deveria reflectir sobre os exemplos concretos das consequências que as "estabilidades" têm ao nível da qualidade da democracia.

Para Jorge Sampaio e outros, a "estabilidade" joga-se nas construções aritméticas parlamentares que geram "maiorias absolutas". Ao longo das suas intervenções, Sampaio nunca fala sobre o sentido das políticas produzidas pelas maiorias absolutas e sobre as suas consequências na vida concreta das pessoas. Para Sampaio, a "estabilidade política" parece ser muito mais importante que tudo o resto ... E o resto é a justiça social, a democracia a todos os níveis, o acesso à justiça, o acesso à saúde, o acesso à educação ... ! Será que a tal "estabilidade política" alguma vez gerou algumas dessas coisas (!) ????

Jorge Sampaio, sempre no abstracto, coloca o dedo num ponto importante: a necessidade de se construirem maiorias que, na sua definição, cortem transversalmente o espectro político! Mas Sampaio, desde o seu consulado presidencial, fala mais como "senador" e quase nunca como homem que vem da esquerda e das causas de justiça social!

O grande tema para debate, neste País e por razões muito óbvias, este ano, é a possibilidade de se construir uma maioria social que dê origem a uma maioria política de sentido democrático, de sentido de reforço das liberdades e de sentido socialista. Todos estes sentidos entendidos como complementos de uma alternativa ao neo-liberalismo, o actual estádio do capitalismo ou "economia de mercado", que vem afectando de uma forma transversal todo o tecido social português e europeu, aumentando o número de grupos sociais com tendência para formas de proletarização.

Jorge Sampaio quando raciocina parece que só tem presente as "variáveis" (!!) parlamentares e os políticos que habitam essas "variáveis" ... esquece-se sempre dos que fazem os dia-a-dias mas que só são chamados a pronunciarem-se de "x" em "x" anos ...

sábado, maio 02, 2009

PRIMEIROS DE MAIO À MARGEM DOS TRABALHADORES ...

Não há muito a dizer sobre o estado a que chegaram as comemorações do 1º de Maio, o dia do Trabalhador. As centrais sindicais parece que, no momento de cada comemoração do Dia do Trabalhador, esquecem o dia-a-dia das lutas onde a unidade de classe acontece, e, seguem pelo caminho do medir forças, do tipo luta eleitoral partidária.

Nenhuma Central Sindical, nenhuma corrente sindical, está hoje isenta de culpas no beco em que têm vindo a meter TODO o movimento sindical.

O sectarismo, a perseguição a minorias, a crescente hierarquização das estruturas sindicais, contribuem para que o movimento sindical tenha cada vez mais dificuldades de implantação e afirmação entre todos os trabalhadores.

Os 1ºs de Maio de 2009, em Portugal, foram dominados pelo ano em que decorrem: um ano em que o circo eleitoral vai decorrer em três carrosseis! E, infelizmente, os dirigentes sindicais parece que se deixam contaminar muito fácilmente pelo circo eleitoral ...

Entre partidos parlamentares e dirigentes sindicais afectos a esses partidos, existe uma relação que é completamente estranha a qualquer acção de unidade dos trabalhadores. Mesmo em tempo de crise! ...

Porque é assim é que aconteceu o caso com Vital Moreira na manifestação promovida pela CGTP. E é um caso que só tem a ver com o seguinte: premeditadamente o PS resolveu criar um facto mediático para promover o seu cabeça-de-lista às Europeias, mandando-o para a manifestação da CGTP. O que é que a direcção do PS pretendia quando coloca um ex-dirigente do PCP, agora cabeça-de-lista do PS, com um discurso coladissímo às actuais políticas governamentais, no centro de uma manifestação onde o sectarismo é algo que não falta?

As reacções oficiais do PS, do PCP e da CGTP são o exemplo vivo do lugar da prioridade em que a luta pela unidade dos trabalhadores para combater a crise, surge na "agenda" dessas organizações ...

sábado, abril 25, 2009

25 DE ABRIL COMO SOLUÇÃO PARA A CRISE DO NEO-LIBERALISMO! (*)

Há 35 anos, em 1974 também se falava em crise. Numa crise considerada do petróleo, mas que, tal como a actual, tinha a ver com o próprio sistema capitalista internacional. A inflação, a estagnação, as ameaças de desemprego, …, aí estavam todos os ingredientes de uma crise financeira para se transformar numa profunda crise social …

Seis anos antes de 1974, o lado ocidental de um sistema considerado próspero saído da 2ª guerra mundial (a França, a Alemanha, os Estados Unidos da América, …) , tinha também dado sinais de que a crise pode também aparecer por onde menos se pode esperar. Pode aparecer do lado da profunda insatisfação por um dia-a-dia transformado em autentica prisão ditada por tradições, modos de vida, leis bafientas, por tudo um pouco que pode tornar a liberdade, as liberdades, como algo somente formal, como algo que não se respira, não se sente e nem força anímica nos dá, a todos e a cada um, para tentarmos mudar. E mudar para algo que mude mesmo!

Há 35 anos, por cá, a crise económica e financeira dita do petróleo, também se sentiu. Mas foi enfrentada com um outro ânimo, com uma outra vontade. Cada um e todos, sentíamos que, aquela liberdade e aquela democracia, dava para assumirmos a nossa força colectiva e, nessa força, encontravamo-nos também individualmente.

Enquanto as elites de então, não encontravam o fim da crise, até porque também nunca, como agora, tinham percebido o seu inicio, eu, tu, nós, nós todos pegávamos na nossa imaginação e na nossa capacidade para começarmos a mudar um País.

Demonstrámos que liberdades e democracia devem e podem ser motores para mudar e não só para exibir sem nada acontecer. E para mudar, tentou mudar-se mesmo, começando por mudar, mandando embora os que só fizeram asneira na economia, na finança, na política … afinal foi por nunca antes ter havido liberdades e democracia que tudo estava como estava: marasmo, analfabetismo, caciquismo, tudo muito na linha daquele que dizia que o vinho dava de comer a um milhão de portugueses!

O mesmo que por estes dias e aproveitando o feriado do 25 de Abril, vai continuar a ter direito a nome numa praça que será (re)inaugurada na sua terra natal. Um acontecimento que é um acto de revisão da História, um atentado miserável à própria democracia e um insulto a todas e todos os que lutaram antes e depois do 25 de Abril de 1974 por uma sociedade de mulheres e homens livres.

Este povo que, os políticos dominantes da altura, consideravam não preparado para a democracia, conseguiu mostrar e demonstrar a sua imensa sabedoria para pegar na suas mãos o destino que só a ele pertence e que só ele sabe construir.

Há os que hoje, 35 anos depois, perante nova crise de um mesmo sistema, teimam em reduzir o que aconteceu em 25 de Abril de 1974, a excessos. São afinal os mesmos que entretanto nunca quiseram ver e nada fizeram para que o saque, a corrupção, as gestões tipo gansgster voltassem a dominar os mesmos sectores da sociedade – como o sector financeiro – que controlavam o poder político e parece que o voltaram a controlar.

35 anos depois, podemos constatar que afinal os ditos excessos cometidos no pós-25 de Abril, eram afinal a resposta popular para se construir um País novo apesar da crise económica e financeira que também existia no Mundo desses dias.

É também usual alguns falarem em “estatização” quando se fala na Revolução de Abril. Algumas mentes que até comemoram o feriado do 25 de Abril, mas só o feriado, entenda-se, associam sempre os tais “excessos” à esquerda que só pensaria no Estado. Esta é mais uma falsidade, porque, a seguir ao 25 de Abril de 1974, o que aconteceu foram inúmeras acções que representavam auto-iniciativa social, auto-iniciativa dos trabalhadores e dos cidadãos, nas empresas, nos locais de residência … porque quem afinal acabou por recorrer ao Estado foram os que especularam no sector financeiro enquanto puderam … E enquanto especulavam foram também ocupando o Estado, tornando o Estado uma autêntica coutada de uma só classe social!
Hoje, em 25 de Abril de 2009, é urgente que o povo, a energia colectiva dos trabalhadores, dos jovens, das mulheres, de todas e todos os que sofrem os efeitos da crise neo-liberal , volte a tomar em mãos a capacidade de decidir como se combate a crise, num ambiente de retorno às liberdades e à democracia que a Revolução criou.

Quando ouvimos diariamente as notícias que anunciam fechos de empresas, que multiplicam o número de desempregados, quando tomamos conhecimento dos relatos dramáticos do que é ser precário, quando ouvimos os dramas do dia-a-dia e os comparamos com as outras notícias dos bancos e das grandes empresas onde as administrações autenticamente saquearam milhões e milhões, só podemos concluir que o 25 de Abril que hoje se relembra só pode ser comemorado por todas e todos, aquelas e aqueles, que continuam a lutar para que a democracia seja efectivamente o poder exercido e controlado pelo povo e não uma espécie de circo de vaidades onde o povo só é convidado a assistir à distância.

VIVA O 25 DE ABRIL DE 1974!

QUE REVIVAM AS COMISSÕES DE TRABALHADORES, AS COMISSÕES DE MORADORES, AS ASSSOCIAÇÕES DE ESTUDANTES E TODAS AS EXPRESSÕES PRÁTICAS E CONCRETAS DE UMA AUTÊNTICA DEMOCRACIA!

VIVAM AS LIBERDADES DEMOCRÁTICAS!

(*) JOÃO PEDRO FREIRE ; intervenção como representante do Bloco de Esquerda na Assembleia de Freguesia da Senhora da Hora, Matosinhos, em 24 de Abril de 2009)



quarta-feira, abril 22, 2009

Zeca Afonso - Vampiros

Novamente ... muito a propósito!

MAIS UM ANO DEPOIS DE ABRIL ...

Foi há 35 anos ... e o que aconteceu não foi uma "romaria", nem algo que se tenha ficado por um golpe de Estado. Alguns bem queriam que tivesse sido assim! ... Mas não foi!
E o que aconteceu foram liberdades e democracia construídas pelas mãos do povo trabalhador e dos jovens que também diziam NÃO À GUERRA colonial.
E até houve "exageros" ... houve, sim senhor! Os exageros de quem quer e tem vontade para construir algo de NOVO, e, não admite que os velhos do passado continuem a "chatear" ...
35 anos depois, o que temos de Abril de 1974?
Aos que nunca viveram os anos do processo revolucionário (agora reduzido à sigla PREC), olham para o 25 de Abril como mais um feriado ... e, ainda por cima, este ano calha a um Sábado!
Até podem começar por ser Sábado. Saibam que há 35 anos o Sábado era um dia normal de trabalho ... como se fosse 2ª Feira! E as coisas estão a regredir tanto que, em muitos locais, o Sábado e até os Domingos voltaram a ser dias de trabalho!
Apesar das leis, apesar do formalismo de muita coisa que não passa do formal ... como a democracia e as liberdades!
E é precisamente a democracia e as liberdades que precisam de ser reconquistadas pelos trabalhadores, pelos jovens e por todas e todos os que estão fartos da crise do capitalismo (porque não é outra crise que temos!) e querem e têm vontade de voltar a dizer que outra sociedade de fraternidade, de justiça social, é possível!

domingo, abril 19, 2009

EUROPEIAS: DEBATE ZERO ... DESINTERESSE TOTAL!

Todos os principais partidos apresentaram já os seus cabeças-de-lista às europeias. E, desde logo, o mais relevante é que o primeiro debate (se é que se pode chamar a isso, debate!) fica centrado em tudo, menos em propostas concretas para por a Europa a ser construída por todas e todos os que aí vivem e trabalham.

Qualquer conversa, qualquer debate, ensaiados entre e por quem tem estado ligado ao actual modelo europeu, parte sempre de frases feitas, de conceitos que só políticos entendem, e, mais negativo é que se fala de Europa como algo que estivesse longe dos espaços nacionais, onde as pessoas pensam que ainda tudo vai acontecendo.

A Europa tem de existir como espaço de cidadania, como espaço de direitos e de deveres, como espaço onde a democracia e as liberdades são o motor da construção e da participação populares.

A dimensão nacional na construção de uma Europa democrática e social, prejudica, afunila, confunde e perpetua um modelo onde o Parlamento, sendo embora um orgão eleito, acaba por ser algo que surje perante os europeus como algo que não aquece nem arrefece!

Daí que seja muito importante que a eleição democrática do Parlamento Europeu pudesse ser sentida pelos europeus como o caminho para a definição democrática uma Constituição europeia, base de uma cidadania assumida e activa, e para a eleição de um governo europeu que acabe com o reinado de uma "Comissão Europeia" que se comporta como um cartel de governos nacionais.

Neste combate, faz muita falta uma candidatura à esquerda que se assuma claramente como democrática, federal e socialista! Democrática porque todas as principais instituições devem ser eleitas por voto universal; federal porque esta é a forma de organização que permite que os Estados não se sobreponham por critérios de nacionalismo, de dimensão económica ou demográfica e a sua importancia fica subordinada à dimensão de uma decisão europeia definida democráticamente; socialista porque é urgente definir uma alternativa política, económica, social e cultural à confusão e desregulação neo-liberal.

quinta-feira, abril 16, 2009

O LOBBY PRÓ-NUCLEAR VOLTA A AVANÇAR ...

Aí está nova investida do lobby pró-nuclear ... a coberto da crise, lançam o nuclear como algo "limpo", "rentável" ... só falta dizer que é também uma "opção ecológica"!

O mais interessante constatar é que, não obstante todos os desastres nucleares, militares e civis, que o planeta já regista, o lobby pró-nuclear NUNCA considerou que essa energia envolvia enormes riscos humanos e para o Planeta. Antes dos desastres acontecerem, os riscos parece que nunca existiam ... até porque os progressos cientificos registados se tinham encarregado de prevenir e evitar novos desastres. Só que novos desastres acabaram por acontecer sempre e sempre ...

Agora o pró-nuclear, avança de mansinho, como se costuma dizer, com a encenação de debates, onde habitualmente só debatem os pró e os quase pró!

As questões energéticas precisam de ser debatidas universal e democráticamente e a gestão das energias precisa de ser socializada, isto é, o que é de todos precisa de ser controlado por todos!

quarta-feira, abril 15, 2009

778 MIL RAZÕES PLANETÁRIAS PARA ACABAR COM A CRISE!




PERGUNTEM A CADA UM DESTES TRABALHADORES DESPEDIDOS QUAL A SUA SOLUÇÃO PARA A CRISE PARA QUE FORAM ATIRADOS!
PERGUNTEM E DÊEM-LHES INICIATIVA ....

terça-feira, abril 14, 2009

EUROPA DE CORAGEM: UM BOM CARTAZ DO BLOCO DE ESQUERDA!


Bem conseguido este cartaz do Bloco de Esquerda!
Sócrates e Durão Barroso personificam aquilo que a Europa é - um espaço de confusão administrativa neo-liberal onde só os governos (e principalmente os maiores) mandam - e aquilo que impedem que a Europa possa vir a ser - um espaço construído democráticamente por todas e todos os que aí vivem e trabalham .
Só formalmente são diferentes, porque, por exemplo, em questões concretas, como as relacionadas com a Europa, até parecem gémeos ... e no plano nacional, é ver Durão Barroso a unir PS e PSD !!!
A Europa de coragem de que fala o Bloco de Esquerda, no seu cartaz, tem de ser a Europa das instituições eleitas democráticamente, a começar pelo Parlamento Europeu, que deveria ter poderes constituintes e de eleição de um governo europeu!
A Europa de coragem deveria também ser a Europa onde os trabalhadores podem exercer os seus direitos, nomeadamente de intervenção na gestão das empresas, por exemplo, com dimensão europeia, como é o caso da Quimonda.
A Europa de coragem é aquela que ataca a crise pelo lado da defesa dos trabalhadores e de uma cidadania europeia, criando, por exemplo, um salário mínino europeu.
A Europa de coragem é também a europa que, sabendo tirar lições das guerras que a destruiram, rejeita que voltem a prevalecer as lógicas dos blocos político-militares. Não só a NATO deve acabar, como a guerra no Iraque não deve ser transferida para o Afeganistão. A Europa democrática e social tem de saber definir o seu conceito de defesa pelo lado da paz, da democracia e da solidariedade internacional!
Uma Europa de coragem precisa TAMBÉM de definir um modelo de socialismo contra a actual destruição neo-liberal, contra qualquer forma de nacionalismo e de totalitarismo!

PETIÇÃO PARA A UNIDADE DAS ESQUERDAS LISBOETAS ... UMA BOA INICIATIVA!

Até é possível que a petição de cidadãos para a unidade das esquerdas à Câmara de Lisboa, não seja inocente!... Esta democracia que só tem olhos para os partidos e desconfia de iniciativas populares, cidadãs, por muito genuínas que sejam, tem imposto muitas análises aprioristas e preconceituosas. Porque, até parece, tudo tem de passar por partidos, acordos entre partidos e formação de novos partidos ...

Este conceito de democracia, que tem vigorado, é um autêntico funil. É a justificação do parlamentarismo que atrofia e restringe a participação directa dos cidadãos, como trabalhadores, como consumidores, como contribuintes. A democracia deveria dar o PODER ao povo, às pessoas, e, não só ou quase, aos representantes eleitos em Parlamentos!

Uma candidatura forte a uma Câmara Municipal, a uma Junta de Freguesia e até ao Parlamento, deveria ter a oportunidade de passar pela auto-iniciativa popular ... e os partidos? se não aceitassem, então que continuassem a organizar as candidaturas que passam a vida a organizar!

A iniciativa de cidadãos lisboetas das esquerdas partidárias e apartidárias, lançando uma Petição pró-unidade das esquerdas à Câmara de Lisboa é um BOM EXEMPLO. Bom exemplo para se poderem vencer os mil e um entraves que continuam a impedir que, neste País, uma unidade desse tipo possa surgir como alternativa aos mais diversos níveis e como esperança para que as auto-iniciativas ganhem peso, força e capacidade de decisão e de influência!

sábado, abril 11, 2009

O SECTOR FINANCEIRO SÓ SERVE OS SEUS ACCIONISTAS ...

Os noticiários têm exaltado as sucessivas baixas das chamadas "taxas de referência" dos bancos. As tais "euribor", no caso europeu ... porque, dizem, assim os consumidores passarão a pagar menos, por exemplo, nos serviços dos crédito à habitação.

Neste momento, até se admite, na teoria, que as tais "taxas de referência", de baixa em baixa e de tanto baixar, até podem chegar aos 0% !!!!....

Só que, a realidade dos que pagam as mensalidades dos créditos à habitação e/ou ao consumo, é muito diferente das notícias que rejubilam. Afinal, os bancos e as empresas do sector financeiro, acabam, quase sempre, por dar a volta. O que perderiam na queda das taxas de juro, compensam com o preço que acabam por impor (este é o termo, impor!) a todo o produto e serviço bancário e financeiro.

A gestão dos bancos e das empresas financeiras não se referencia ao serviço perante o seu cliente e/ou perante a revitalização da economia, mas, primeirissimamente (!), perante os interesses e as exigências dos chamados accionistas de cada banco e de cada empresa financeira. A conjuntura pode ser de imensa crise, mas, o ou os accionistas ditos de referência, continuam a impor que os seus lucros ou a chamada rentabilidade dos seus capitais se calculem como se a crise fosse algo que afecta os "outros" que não eles, os accionistas!

É este modelo de gestão, autenticamente de "rapina", que abandalha economias e o comum das pessoas, dos trabalhadores, dos consumidores!

sexta-feira, abril 10, 2009

25 DE ABRIL: AS ESQUERDAS UNIDAS PARA UMA MANIF ... E DEPOIS, TUDO NA MESMA?

Impulsionado pela Associação 25 de Abril (a associação dos militares de Abril), os diversos partidos e personalidades das esquerdas, incluindo a direcção Sócrates do PS (uma esquerda algo formal e responsável por políticas neo-liberais) e os outros PSs mais de esquerda que ainda existem no PS, assinaram um apelo à participação popular na tradicional manifestação de comemoração da Revolução de Abril.

Este APELO subscrito por mais de 600 entidades (colectivas e particulares), representando algo que é sempre paradoxalmente novidade neste País - a unidade das esquerdas - acaba por ser algo que sugere duas reacções contraditórias: por um lado é de saudar a unidade das esquerdas, mesmo que só para uma manifestação; por outro lado, volta a ser criticável que as esquerdas só se unam para actos folclóricos e, para que isso aconteça, tenham de contar com a mão dos militares de Abril.

Mais uma vez, as esquerdas unem-se num certo diagnóstico abstracto da presente crise capitalista, mas continuam a falhar clamorosamente na capacidade para produzirem uma alternativa de democracia e de socialismo que consiga mobilizar trabalhadores, jovens, todas e todos os que querem uma realidade diferente daquela que o neo-liberalismo pruduz nos planos político, social, económico e cultural.

Manifestações atrás de manifestações sem nenhuma consequência no plano da alternativa social e política, podem produzir uma sensação de incapacidade política!

Seria importante que a mobilização popular que um apelo subscrito por todas as esquerdas vai concretizar, conseguisse mudar um pouco o clima de não diálogo e sectarismo que tem dominado as relações entre as esquerdas portuguesas.

quarta-feira, abril 08, 2009

AMANHÃ NO PORTO: UM DEBATE INTERESSANTE!


EUROPEIAS SERVEM PARA CLARIFICAR O PS!

As próximas eleições europeias têm, para já, um grande mérito. Permitem clarificar quantos PSs existem dentro do PS!

Ou seja, a direcção sócratica apoia Durão Barroso para continuar na Presidência da Comissão Europeia. Sócrates e os seus amigos da direcção sócratica e do seu governo, desfazem-se em elogios ao homem que (tal como a foto relembra) acolheu o banco de mentirosos que abriu a guerra no Iraque. Desse bando, só Durão Barroso é que ainda não se foi embora ou mandado embora ... lá vai aguentando-se com apoios de ditos socialistas como Sócrates!

Mas, também no PS, militantes e dirigentes como Manuel Alegre, Paulo Pedroso ou Ana Gomes apelam a que seja retirado o apoio ao neo-liberal bushista Durão Barroso e, pelo menos, os socialistas europeus tenham capacidade para apresentarem um candidato socialista ao lugar ocupado por Durão Barroso.

Nestas questões, o ser português não pode ser argumento para manifestar apoio a quem quer que seja. O critério deve ser político, deve estar baseado no percurso de cada um e, principalmente, deve estar ligado ao que se defende para uma Europa democrática e social!
(na imagem com o seu aliado neo-fascista ... mas afinal quem o é mais??)



O primeiro-ministro italiano insulta as vítimas do sismo da cidade italiana de Aquila !
"O sismo já provocou pelo menos 250 mortos, segundo o mais recente balanço divulgado hoje pela Protecção Civil, citada pela agência Ansa.O número de feridos (cerca de mil) e de sem-abrigo (17.000) mantém-se inalterado desde o mais recente balanço fornecido pelo centro de coordenação de socorro de L'Aquila e pela Protecção Civil." (in Publico.pt)

SISMO EM ITÁLIA: CONSTRUIR A SOLIDARIEDADE PARA ENFRENTAR A TRAGÉDIA (*)

(*) o texto em castelhano é a tradução do italiano, da organização Socialismo Revoluzionario, e foi retirado do portal Socialismo Libertario.




El sismo que ha golpeado a los habitantes del L´Aquila y de su provincia ha tenido consecuencias devastadoras: muchas personas desaparecidas, cien muertos por el momento, pueblos enteros destruidos y al menos 100.000 desplazados. Nos solidarizamos y nos reconocemos en el drama que está viviendo en estas horas una comunidad entera en el Abruzzo.
Esta tragedia ha golpeado una zona particularmente expuesta a riesgos sísmicos, pero ha sido también una tragedia anunciada. La tragedia natural, en efecto, se ha amplificado desproporcionadamente, por gravísimas responsabilidades históricas, en primer lugar de la política, central y local. Edificios recientemente construidos, supuestamente respetando las llamadas normas antisísmicas, han caído; la falta de estructuras mínimas para hacer frente a la emergencia es evidente, la incuria preventiva se muestra en la ausencia de un plan a pesar de los repetidos episodios sísmicos, que no sólo históricamente sino también en los meses y días pasados, han golpeado la zona.
Protección civil ha llegado al punto de incriminar a un técnico que había previsto “una sacudida destructiva”, acusándolo de crear alarma social. Cuando se trata de hacer la guerra la máquina estatal es tremendamente eficiente. Ésta, por el contrario no funciona para nada cuando se trata de ayudar a la gente, como demuestra la lentitud y lo inadecuado de las operaciones de socorro, las carencias estructurales debidas a los recortes en la sanidad, la falta de planes preventivos y de reacción frente a la urgencia de estas horas. Son todos testimonios tremendos de la lógica de la asesinabilidad típica de la política y de los Estados.
Saben destruir, especular, sacrificar vidas humanas. No saben y no pueden curar, salvaguardar, tutelar a las personas, porque ignoran necesidades y exigencias vitales. Esto además, constriñe al personal sanitario a obrar en condiciones cada vez más difíciles. Comprender las responsabilidades históricas y actuales de los gobernantes –de todo tipo y color- que sacrifican normalmente la vida humana en razón de intereses políticos y económicos, cínicas especulaciones urbanísticas y ganancias financieras a cualquier coste, está a la par con la capacidad de no sucumbir a la tragedia y de prevenir ulteriores tragedias anunciadas, en Abruzzo como en otros lugares.
A la impotencia y al cinismo que la política alimenta se puede reaccionar afirmando sobre todo una diversa prioridad humana, para que la vida, el cuidado, la solidaridad y la vivibilidad prevalezcan. Cada día y de frente a cada una de las tragedias que golpean a la humanidad. Las autoridades estatales, las más culpables, se presentan como las únicas autorizadas para socorrer, y en estas horas apelan contra el voluntariado (que han definido como “improvisado”), es decir, literalmente están apelando contra la voluntad de la gente de ir a socorrer a sus semejantes. Ya desde las primeras horas, ha sido, como siempre, la gente común quien ha salvado a la gente común, han sido los amigos y vecinos quienes se han socorrido y sacado de las ruinas.
Mientras exigimos que las autoridades pongan inmediatamente todos los medios a disposición, sabemos que la única garantía para que todo llegue a buen fin es que ocurra según las exigencias y bajo el control de las personas afectadas por el terremoto (incluidos los muchos inmigrantes, también clandestinos, que habitan este territorio). Más aún, los recursos, las competencias, las intenciones solidarias que se reúnen en tantas realidades del voluntariado son decisivas para responder a la emergencia humana y humanitaria en curso. Construir solidaridad y expandirla comienza por recibir las exigencias de los protagonistas, de las personas golpeadas por la tragedia, que más y mejor que nadie pueden saber lo que necesitan, en lo inmediato y en el futuro. Alimentar la solidaridad es una prioridad humana que puede acomunarnos, que puede reforzar el sentido de la común humanidad, que puede afirmar la vida y motivar el empeño por cambiarla y mejorarla.

Florencia, 6 abril ,17.00 hs.

sábado, abril 04, 2009

NÃO À NATO: TAMBÉM TEM A VER COM A EUROPA QUE SE QUER!


Por estes dias, a propósito de uma cimeira dos países membros da NATO, em Estrasburgo, este bloco politico-militar é discutido nas ruas!
A NATO representa o lado militar da organização neo-liberal que tem dominado na Europa. Daí que a discussão da existência de uma organização como a NATO, é um tema urgente que deveria envolver todas as esquerdas europeias.
O governo Sócrates propõe-se duplicar a representação militar portuguesa no Afeganistão. Ou seja, Sócrates junta-se também a todos os dirigentes governamentais liberais que querem acentuar o caracter de gendarme mundial da NATO, sob o comando da Administração norte-americana.
Uma Europa democrática e social não precisa de uma organização como a NATO, pensada e construída durante a chamada "guerra fria". E precisa ainda menos de uma NATO, já não só circunscrita ao Atlantico Norte, mas transformada em organização de acção mundial.
Os que lutam por uma Europa democrática e social deveriam aproveitar também o tema NATO, para lançarem a discussão em torno da organização política, social e de defesa em que deve assentar essa Europa. É preciso ir mais além do que o lançamento de palavras de ordem. É preciso saber mobilizar as vontades dos europeus!
Uma Europa de Paz também sabe o que deve ser uma política de Defesa numa perspectiva defensiva e de Paz!

sexta-feira, abril 03, 2009

G20: UMA CIMEIRA HISTÓRICA OU MAIS UM BALÃO DE OXIGÉNIO PARA O CAPITALISMO GLOBALIZADO ...

Promessa de injecção de fundos no FMI e no Banco Mundial, apelos à retoma do crédito, criação de sanções para os off-shores que escondam informação (qual informação? quem a exige? qual o critério?) ... estas terão sido as principais decisões da cimeira do chamado "G20", os tais países grandes ou a caminho disso que, no seu histórico já contam com outras cimeiras, já deram para o torto, não obstante os optimismos registados no final de cada uma!

Muita promessa, muitas intenções, ..., no entanto, nenhuma medida ou até promessa para restituir a confiança dos consumidores/contribuintes. As preocupações dos governantes do "G20" continuam a estar focadas na mis-en-scene das bolsas e nada, mesmo nada, na capacidade de opinião, de participação e vontade das pessoas anónimas, de quem faz viver as economias, seja na sua condição de trabalhadores, contribuintes ou consumidores ou em simultâneo.

A reacção do Ministro português das Finanças, Teixeira dos Santos, quanto à decisão do "G20" sobre os off-shores é elucidativa do formalismo da posição tomada na cimeira. Teixeira dos Santos, que parece ser contra políticas proteccionistas, tomou uma posição proteccionista e pouco a favor do fim dos paraísos fiscais, quando pediu que os off-shores, como a Madeira, que fossem colaborantes na prestação de informação (!?), pudessem gozar de alguma tolerância ... É uma posição que ilustra muito bem a pouca profundidade das medidas prometidas pelo "G20"!

Um número significativo de caras que estiveram nesta cimeira do "G20" já vieram de outras cimeiras com finais "optimistas" e essas mesmas caras já são conhecidas nos seus países de origem pela implementação de medidas que, parecendo ser formalmente contra a crise, não se traduzem em nenhuns resultados concretos!

Esta crise não precisa de "messias" ou de "eleitos em estado de graça" como Barack Obama. Esta crise, para ser vencida, precisaria das pessoas, dos trabalhadores, dos consumidores, com capacidade de intervenção, de decisão, de mudança! Está visto que, para isso, estes dirigentes não estão nada interessados ...

O que é que se pode esperar de um FMI e de um Banco Mundial, mesmo com mais dinheiro? será que isso mudaria o seu modo de funcionamento e de acção, desde sempre, contestadíssimos socialmente em inúmeros países e com resultados práticos e concretos muito duvidosos?

Será que maior e mais fiscalização dos off-shores significa FIM dos paraísos fiscais em TODO o Planeta?

Será que a retoma do crédito se faz com apelos OU antes com a alteração radical dos principios reinantes da gestão dos Bancos em todo o Mundo?

quarta-feira, abril 01, 2009
















Obama e Hu Jintao falarão de direitos humanos "logo que possível"
Dá para ver qual continua a ser a prioridade para a defesa dos direitos humanos ! ... primeiro as questões económicas, depois os interesses comerciais, depois ... , e então, por último, os direitos humanos ...

01 DE ABRIL: É CONSIDERADO O DIA DAS MENTIRAS ...


O dia de hoje é considerado o "dia das mentiras" ...
Hoje já não se brinca muito com as "mentiras", até porque existem muitas que já foram instituidas como "verdades" !
O dia-a-dia deste modelo de sociedade passa com muita mentira tornada verdade e, às vezes, levada ao pedestal das instituições existentes ...
Os "mentirosos", que existem aos montes, têm habitualmente tratamentos diferentes ... habitualmente a mentira é considerada mais mentira à medida que se caminha para níveis sociais considerados mais baixos e, menos mentira, quando se faz o percurso inverso! Num caso, a mentira pode ser punida, nos outros casos, a punição é mais dificil ...
O que vale é que vivemos em democracia, com liberdades, onde todos têm igualdade de acesso à educação, à saúde e a uma vida condigna ... será isto uma verdade ou uma mentira?

CORRUPÇÃO: VICIOS PRIVADOS, PÚBLICAS VIRTUDES ...

Quando se fala em corrupção, toda a gente parece ser contra. No entanto, quando se entra no concreto da definição da luta contra a corrupção, então parece que o que vigora é uma espécie de "vicios privados, públicas virtudes" ...

Como bem chamou à atenção o "exilado" socialista João Cravinho, é muito estranho que só o Bloco de Esquerda tenha protestado pela nomeação para Presidente de uma empresa inter-municipal, na Câmara de Braga (dirigida pelo PS), do recentemente condenado de corrupção (com uma multa simbólica ...) Domingos Névoa ...

A corrupção acaba por ser uma doença que parece endémica de sociedades baseadas na opacidade e na excessiva hierarquização do público e do privado. Aliás, nestas sociedades, o público e o privado acabam por ter poucas diferenças, já que os dirigentes de um lado e do outro, são, quase sempre, ferverosos adeptos deste modelo de sociedade ...

A luta contra a corrupção é esclarecedora de quem, de facto, está interessado e desenvolve estratégias, e, de quem só fala e acaba por ter duas caras ...

Entre o actual governo e a oposição simpatizante da chamada "economia de mercado", as diferenças em matéria de luta contra a corrupção são muito ténues e quase impercetiveis.

Porque a luta contra a corrupção passa também pelo desenvolvimento e aprofundamento de formas de democracia directa, por medidas que desenvolvam a transparência do público e também do privado (vejam os casos BPN e BPP), pelo questionar do modelo económico que condiciona o modelo de sociedade e o político ...

BLOCO DE ESQUERDA LANÇOU PETIÇÃO PARA A DESTITUIÇÃO DE DOMINGOS NÉVOA DA PRESIDENCIA DA BRAVAL