tribuna socialista

terça-feira, novembro 02, 2010

APROVAR UM ORÇAMENTO MAU ... NÃO HÁ OUTRA SAÍDA?

Os que sempre estiveram no governo, os que têm dominado os destinos europeus, os comentadores e opinion-makers de serviço, ... , todos estes autênticos coveiros da esperança numa nova vida, garantem, de barriga e bolsos cheios, que o Orçamento que o bloco central, PSD e PS, acordou em aprovar, é mau, mas "tem de ser aprovado" para "sossegar" os mercados, i.e. a banca e a finança internacionais.

Querem sossegar os mercados à custa do desassossego e da pilhagem de direitos sociais dos que parece só ter deveres, i.e todos nós, os trabalhadores.

Não é de mais recordar quem tem responsabilidades no começo e na gestão desta crise: o sistema financeiro, a banca internacional, as empresas de rating, todos referencidados pelo FMI!

A crise é da responsabilidade destas entidades (só controladas por elas mesmas e por mais ninguém) ! Mas é também da sua resposabilidade, a gestão que fazem da crise que provocaram: prolongam-na, como forma de perpetuarem o seu sistema predador de direitos sociais, como forma de manterem o domínio planetário!

Os predadores do sistema financeiro internacional inundam toda a imprensa mundial com cenários catastróficos, criados por eles mesmos, para intimidarem as pessoas, os trabalhadores, para quebrarem qualquer reacção colectiva de revolta, de resistência ...

Apregoam que "não há dinheiro", que "é preciso cortar" ... mas o cenário, se nos dermos ao trabalho de reflectirmos um pouco, é comparável a uma casa onde o dinheiro foi, ano após ano, roubado num ambiente frenético de consumismo e de facilitismo financeiro. Ambiente assente em mega-programas publicitários comparáveis a enormes lavagens ao cérebro dos cidadãos. Os predadores internacionais promoveram, ano após ano, durante muitos anos, a financiarização da vida de todos nós! Essa financiarização é uma prisão perpétua para os cidadãos!

O sistema financeiro interncional e todos os seus organismos de mão, como a actual Comissão Europeia, como o FMI, como o Banco Central Europeu, como o Banco Mundial, precisam desta crise e destas crises ... é que de crise em crise, o que temos vindo a assistir e a sentir, é a desqualificação da democracia, é a restrição crescente dos direitos sociais, é o aumento do discurso securitário com o lançamento de campanhas mundiais tendentes à criação de estratégias de tensão junto da chamada opinião pública ... e tudo isto acontece, enquanto o poder daqueles orgãos do sistema financeiro aumenta e se consolida!

No plano nacional, o acordo entre o PSD e o PS para a aprovação do tal OGE, é uma adaptação à realidade nacional das medidas do neo-liberalismo internacional. Apesar das diferenças no discurso eleitoral, PSD e PS complementam-se nas medidas que acordam para enfrentarem a crise do sistema económico, financeiro e político que defendem.

O OGE que PSD e PS viabilizarão, é também um claro sinal dos atropelos à democracia que o sistema neo-liberal impõe sistemáticamente. Entre os resultados eleitorais e o resultado destes acordos, não há qualquer sufrágio popular que o sustente. Os mandantes do neo-liberalismo e os governos do arco neo-liberal, pura e simplesmente, ignoram a vontade popular e só se submetem aos ditames dos chamados "mercados" ...

Um Orçamento MAU, até na opinião dos que o aprovarão, tem de ser chumbado. Chumbado nas ruas, chumbado nas empresas, chumbado por todo o lado!

Vem aí a Greve Geral de 24 de Novembro que é uma oportunidade para um grande chumbo social do OGE. Mas, para além da Greve Geral, a democracia, para o ser e acontecer, começa a precisar de um enorme sobressalto social e revolucionário!

Um sobressalto social e revolucionário é a tomada da democracia pelos cidadãos, pelos trabalhadores, pela vontade colectiva e popular! A afirmação da vontade popular não se faz só por via eleitoral. E, por maioria de razão, quando essa via foi, há muito, colonizada pelas multiplas influências ideológicas dos poderes não eleitos ...

Uma Greve Geral de um dia, com forte adesão popular, é um sobressalto revolucionário. Contribui para que se readquira consciência da força colectiva!

Mas o sobressalto que o reacordar democrático necessita, é de uma Greve Geral que dure tanto quanto seja necessário até ao fim das receitas de austeridade anti-sociais e pró-financiarização.

De uma Greve Geral com essa amplitude de vontade popular, surgirá uma alternativa social e política que apontará para outros rumos!

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