tribuna socialista

terça-feira, novembro 22, 2011

terça-feira, novembro 01, 2011

domingo, outubro 16, 2011

15 DE OUTUBRO - PORTO

http://15out-porto.blogspot.com/2011/10/15o-porto-registo-fotografico.html

O 15 DE OUTUBRO E O EDITORIAL DO PÚBLICO DE HOJE ...

Como todo o mundo deve saber, a imprensa nacional e internacional, aquela que aparece diáriamente nas bancas, nas rádios e nas televisões, é pertença de grandes grupos económicos e financeiros. Muita gente que lá trabalha está com vínculos profissionais precários e com o medo sistemático de um despedimento se as opiniões expressas não forem consideradas as mais "convenientes".



Os Editoriais num qualquer desses orgãos de comunicação social expressam posições que não atentam contra a "verdade" de quem exerce a titularidade da propriedade desses orgãos. O Editorial do Público de hoje (Domingo, 16 de Outubro) é disso um excelente exemplo, já que analisa as manifestações de ontem, i.e. o 15 de Outubro nacional e internacional. Básicamente este Editorial resume-se a duas conclusões que devem merecer a concordância de Belmiro de Azevedo e do seu grupo Sonae:
  • no plano nacional, as manifestações de ontem ficaram "muito aquém" das de 12 de Março. No plano internacional, "tirando Espanha, não houve enormes manifestações noutras partes do mundo". Ou seja, o Editoral, para descanso do dono do Público, menoriza o impacto das manifestações de ontem, quanto à variável "quantidade" ...
  • em conclusão, surge o mais importante para satisfação dos donos do Público, quando é escrito: "Mas é preciso não perder de vista que tudo isso tem que ser feito preservando as liberdades esseciais, que nas democracias se expressam, entre outras coisas, pelo voto. As "assembleias populares" de centenhas ou milhares não podem substituir, a não ser por entorse democrático, as assembleias dos representantes livremente eleitos pelos cidadãos. Só assim os tais "cidadãos europeus preocupados" e os "indignados" do mundo poderão mudar o que deve ser mudado."



As manifestações de 12 de Março deste ano, foram social e politicamente muito importantes. Aconteceram num momento que marca o fim de um ciclo de governação do PS de Sócrates. Por este motivo, foram também demasiadamente tão abrangentes quanto indefenidas. Uma das consequências dessas manifestações foi a queda, por via eleitoral, do governo de José Sócrates e a penalização do PS.

Depois das eleições legislativas de Junho último e na assimilação de medidas impostas pela troika (FMI/BCE/Comissão Europeia) e agravadas pelo actual governo PSD/CDS (com hesitações cumplices da nova direcção do PS), não seria previsível que as manifestações de ontem, 15 de Outubro, trouxessem às ruas nacionais, os mesmos 300.000 indignados.

No entanto, no conjunto das manifestações nacionais de ontem, mais de 150.000 pessoas mostraram nas ruas a sua indignação e afinaram a contestação a políticas concretas de austeridade e à sua origem, com a clara oposição à ingerência do FMI/BCE/Comissão Europeia. Também alinharam nacionalmente com a oposição internacional ao capitalismo especulativo dos ditos mercados financeiros e das agências de rating e também à agiotagem da banca.



O 15 de Outubro, nacional e internacional, é claramente o ínicio de um novo ciclo de protagonismo para os movimentos sociais. E um dos vectores mais fortes deste novo ciclo, é (ou será!) a sua coordenação internacional, para já, traduzida em muita espontaneidade.

Seria "perigoso" para o Público e para o seu dono, que o seu Editorial concluísse que o capitalismo está agora, ao contrário do 12 de Março nacional, a ser crescentemente contestado nos planos nacional e internacional. É crescente, e isso é extremamente positivo, a contestação a políticas que os governos apresentam como "inevitáveis", e, que as pessoas contra-argumentam com a existência de outras soluções para uma crise que, definitivamente, a maioria social descarta qualquer responsabilidade na sua origem.

O movimento internacional do 15 de Outubro engasga claramente um capitalismo que já vem revelando muitas dificuldades para respirar ... é mais um dado objectivo!



Como o Público, muitos "comentadores" pagos por quem controla a imprensa nacional e internacional, não se cansam de mostrar a "inevitabilidade" das actuais políticas de austeridade, pedindo sempre mais, rematando sempre com a "inexistência" de alternativas por parte dos indignados, a não ser quando estes recorrem a "soluções anacrónicas e perigosas". Ou seja, tudo o que possa contradizer a lógica do hiper-parlamentarismo afunilado e da economia da especulação, é apontado e repetido, tipo "lavagem ao cérebro", como sendo "anacrónico" e "perigoso".

O lado político do actual capitalismo é caracrterizado, internacionalmente, por uma espécie de orgias de alternâncias políticas, onde se revezam os mesmos lados de uma mesma moeda. No plano nacional, a sucessão de ora PS ora PSD/CDS, é conhecida, sentida e começa a merecer a devida contestação social e popular. Chegou-se a um ponto, em que ninguém sufraga as políticas que, na prática, se seguirão ao acto eleitoral. Sistemáticamente os governos eleitos invocam razões excepcionais para não cumprirem programas eleitorais sufragados, sem que os eleitores, as pessoas, possam fazer o que quer que seja ... a não ser, manifestar-se!

Neste sentido, a actual democracia liberal é um logro, uma farsa por distorcer tanto e não cumprir a vontade popular, e, afunilar ao máximo o acesso das pessoas à decisão política, a qualquer nível da sociedade.

Na actual fase do capitalismo, à farsa política da democracia liberal, junta-se também o medo, a chantagem imposta pelos grupos económicos, muitas vezes, sem cara, ao dia-a-dia dos trabalhadores. Liberalizam, como nunca, a segurança do direito ao trabalho, tornando cada trabalhador alguém que é visto como descartável, em nome dos lucros que o patrão decide ter ...

É na sequência deste estado de coisas, que a proliferação de exemplos concretos de democracia directa e assembleária é também um dado novo e importantíssimo na actual fase da contestação social ao capitalismo global. Os movimentos sociais, dessa maneira, acrescentam alternativa politica à democracia liberal hiper-afunilada, com a multiplicação de experiências de Assembleias Populares que sabem auto-organizar-se em Comissões Temáticas para responderem, com as pessoas, com propostas concretas aos seus problemas conjunturais e até estruturais.

Uma rede de Assembleias Populares pode claramente, e, até seria desejável, assumir-se como uma alternativa de auto-governo aos governos que executam com políticas à margem da vontade e do sentir das pessoas concretas.

As Assembleias Populares são, por isso, experiências concretas de governo que, objectivamente, metem medo aos grandes grupos económicos e financeiros e aos seus politicos de mão.

O movimento, nacional e internacional, do 15 de Outubro, pode vir a ser , nesta matéria, um enorme desafio de alternativa ao modelo capitalista, nas suas facetas politica, económica, social e cultural!

João Pedro Freire

sexta-feira, outubro 14, 2011

Posição de alguns coletivos libertários quanto á manifestação de 15 de outubro

NOTA: Tribuna Socialista não subscreve a totalidade desta posição de alguns colectivos libertários, mas considera esta posição um documento muito clarificador face aos objectivos das manifestações de 15 de Outubro.


É urgente opormo-nos nas ruas às investidas

de governos, troikas e FMIs e organizarmo-nos contra

tudo o que ameaça tornar-nos miseráveis e escravos…


E… deveremos iludir-nos com programas que só visam “dourar a pílula” para que continuemos a tragar mais do mesmo?…Naturalmente que estaremos nas ruas ombro a ombro com os demais trabalhadores e povo, mas não para apenas “mudar as moscas”!... Estaremos sim por : Dignidade! Liberdade! Resistência social! Autogestão geral! E fim da exploração capitalista (privada ou de Estado).


Porque afinal… o que quer o “movimento 15 de outubro”? (segundo o seu “manifesto”)


«Retirem o memorando. Vão embora. Não ao governo do FMI e da troika!»

Só???... É possível rejeitar o FMI e a troika sem acabar com “cargos públicos” [como os] dos responsáveis, desde os do Banco de Portugal ao Banco Central Europeu, e da Comissão Europeia ao procurador geral da República? Não são estes quem lhes prepara o terreno? E os governos?...TODOS sempre se governam!… Não será que só com o auto-governo popular, nomeadamente através de um sistema de assembleias populares soberanas, funcionando em democracia direta, se poderá pôr de facto em causa tanto a troika e o FMI como todos os ladrões, “públicos” ou privados?...



«Redistribuição radical das riquezas e mudança da política fiscal, para fazer pagar mais a quem mais tem»

E quem “redistribui”?... Quem “parte e reparte e fica com a melhor parte”?... E que “riqueza”?...Aquela conseguida à custa da exploração vergonhosa dxs assalariadxs (tanto “nacionais” como “estrangeiros”) e da destruição do planeta? Então não se trata de “redistribuir” mas sim de devolver!… Ou não será que o que precisamos é de acabar com a roubalheira legal do capital e com o sistema assalariado, em vez de esperar que os muito ricos, receosos que lhes saltemos ao pescoço,“repartam” umas migalhas do que exploram, por quaisquer grupos de privilegiadxs… que passarão com isso a ser os seus novos aliados e cães de guarda nessa exploração!?..


«Controlo popular democrático sobre a economia e a produção»

Como? Através de novos representantes, privilegiados que ocuparão o lugar dos antigos?... Ou não se acredita que são aquelas e aqueles que tudo produzem e que garantem todos os serviços quem tem a capacidade de gerir aquilo que fazem? Nomeadamente através das assembleias, em autogestão, não alimentando mais gestores, patrões e pseudo-técnicos – os “economistas” (esses“peritos” na arte de explorar as pessoas e o planeta)…

Trabalhadoras/es e povo, que são quem tudo faz, organizados de forma assembleária, sem chefões nem chulos, são capazes não só de autogerir a sua produção como de decidir o que merece ser produzido, rejeitando produzir o que só serve para dar lucro a uns quantos (e para nos tornar escravos do consumo e utilização do que destrói a terra, a saúde e a vida…).



«Trabalho com direitos, zero precários na função pública (em Portugal o maior contratador de precários é o Estado),fiscalização efectiva do cumprimento das leis laborais e o aumento do salário mínimo»

Mas quem melhor que os próprios trabalhadores, organizados em assembleias e sindicatos de classe (que o sejam de facto, sem burocracias e sem cargos pagos…) poderá “fiscalizar” a aplicação ou não dos “direitos laborais”? Quem melhor do que elas e eles poderá lutar por aumentos de salários e melhores condições laborais – mesmo no quadro do capitalismo existente? Os “representantes”? Os“especialistas” da chulice ? Os “deputados”? ... E os precários que não são da “função pública!”?
 

Acaso deverão ter menos “direitos” que os outros?... Quando todo o trabalho assalariado é cada vez mais todo ele precário!... E quem estabelece os tais “direitos”?... Quem nunca teve que fazer o seu trabalho?!...
 

«Mais democracia»

Qual? Desta?...Com“representantes”privilegiados falando em nome do povo? E com cargos estatais?...Mas poderá haver “democracia real“ sem auto-governo popular ? Ou será que escolher de tempos em tempos quem nos irá dominar é democracia? O representativismo e o parasitismo de “representantes”é democracia? Ou não será que só o é a democracia direta das assembleias ?..
 

«Eleição directa de todos os representantes em cargos públicos, políticos e económicos»

Para iludir e mascarar que eles continuarão a dominar, a explorar, a roubar e ainda por cima responsabilizando-nos por isso? Isso não equivale a escolher o carrasco como sucedia nos campos de concentração nazis e estalinistas?... Assim se continua a fazer acreditar e a alimentar ilusões sobre o real papel do Estado e do Parlamento!...E a não ver que a “democracia” deles só funciona para quem lá está e que o Estado “não somos nós todos” mas sim a máquina antissocial ao serviço dos banqueiros, gestores, governos e políticos profissionais …



Não é com tais “propostas” que nos mobilizaremos para as ruas!

Não é por “mais do mesmo” que queremos lutar ao lado dos demais trabalhadores e do povo esmagado pela “austeridade” (que nunca é austeridade para governantes, ricalhaços, gestores, grandes patrões e seus “afilhados”…). Nada deverá voltar a ser como foi na “mega-manifestação” de “12 de março” passado, em que ajudámos a fazer cair uns“cães grandes” para irem para o poleiro outros…E quando enchemos as ruas um dia… mas no dia seguinte verificámos que tudo continuava na mesma...Porque nada de especial havia mudado! Isso são só válvulas de escape para nos distraírem e que só interessam a quem come da mesma gamela do Estado e do Capital… Protestar sim, resistir também… mas não para servir quem quer também ir pr’ó poleiro!...


Lutaremos sim, ao lado dos trabalhadores e do povo…

Contra os “shows” parlamentares, por mais assembleias populares!

Não à “representação”, paga e sem revogação, é chulice e opressão!

Quando a corrupção já fede e infeta, democracia direta!

Quando a burocracia emperra e infeta – ação direta!

– Estado e patrões, a mamar? Ação direta popular!

Direitos sociais e laborais – nenhum passo atrás!

– Trabalho em más condições - que o façam os patrões!

Trabalho assalariado é ser escravo e ser mandado!

– Quem gere não trabalha explora outros e é canalha!

Ocupação e trabalho autogerido – solução pró despedido!

– Acidente laboral - terrorismo patronal!

Contra a exploração, greve geral, com ocupação!

– Contra os despedimentos - Ocupação! Autogestão!

Contra os despejos, e cortes de luz,solidariedade! ação direta popular!

Aumentos dos preços, dos serviços públicos – boicote! boicote! e greve de consumos!

A má paga, mau trabalho! A maus tratos punho e malho!

– Para quê TER, se me negam poder SER?

A quem rouba um pão e come, tu chamas ladrão... Mas não esmurras o cão-grande, do Estado e o teu patrão, que nunca tiveram fome!

– Precário/a ou não, se só vives dum salário, subsídio ou pensão, és proletário/a !

Saúde e educação não são mercadorias! Cortar só se for, nas vossas mordomias!

Mundo do trabalho, mais grilheta que agasalho!

– O trabalho não liberta – e só a grilheta aperta!

Contra o Estado e o Capital, Revolução social!

– "Crescimento nacional" só interessa ao capital!

Contra o medo e o conformismo – resistência e anarquismo!

Spartacus em frente, querem-nos escravos, sejamos gente !

O povo unido não precisa de partido!

– O povo organizado não necessita de Estado!

Unidos e organizados nós damos-lhes a “crise”! Pró povo se organizar – assembleia popular!

Concentração“M15Out.”,15:00h.Pr.daBatalha,Porto 
Assembleia Popular (16h00?) –Denuncia as explorações e abusos!...Propõe e participa nas possíveis soluções! …A tua voz–e não a dos políticos profissionais e partidos– é importante!
Comunicado de:
Assoc.”Casa da Horta”, Assoc.”Saco de Gatos”, “Coletivo Hipátia”, Ediç.“Pimenta Negra”, SOV Porto/AIT-SP (Assoc.Internac.Trabalhadoras/es – Secç. Portug.)

quarta-feira, outubro 12, 2011

15 DE OUTUBRO: NO PORTO, ÀS 15 horas, NA PRAÇA DA BATALHA!

A DEMOCRACIA SOMOS NÓS!
A DEMOCRACIA É NOSSA, NÃO É DO BANCOS, NEM DAS AGÊNCIAS DE RATING, NEM DA COMISSÃO EUROPEIA, NEM DO FMI!!!

15 DE OUTUBRO OCUPA A RUA E A PRAÇA MAIS PRÓXIMA DE TI!


quarta-feira, outubro 05, 2011

15 DE OUTUBRO 2011: MANIFESTO

Em adesão ao protesto internacional convocado pelos movimentos 'indignados' e 'democracia real ya', em Espanha, ocorrerá, no Porto, uma manifestação sob o tema 'a democracia sai à rua', no dia 15 de Outubro de 2011. As razões que nos levam para a rua são muitas e diferentes, de pessoa para pessoa, de país para país - não querendo fechar o protesto a outras exigências de liberdade e de democracia, mas para que se saiba porque saimos para a rua, tentámos, entre os que estão a ajudar na organização e na divulgação do 15 de outubro, encontrar as reivindicações que nos são comuns - entre nós e relativamente aos outros gritos das outras praças, nas ruas de todo o mundo:

Dos EUA a Bruxelas, da Grécia à Bolívia, da Espanha à Tunísia, a crise do capitalismo acentua-se. Os causadores da crise impõem as receitas para a sua superação: transferir fundos públicos para entidades financeiras privadas e, enquanto isso, fazer-nos pagar a factura através de planos de pretenso resgate. Na UE, os ataques dos mercados financeiros sobre as dívidas soberanas chantageiam governos cobardes e sequestram parlamentos, que adoptam medidas injustas, de costas voltadas para os seus povos. As instituições europeias, longe de tomar decisões políticas firmes frente aos ataques dos mercados financeiros, alinham com eles.

Desde o começo desta crise assistimos à tentativa de conversão de dívida privada em dívida pública, num exemplo de nacionalização dos prejuízos, após terem sido privatizados os lucros. Os altos juros impostos ao financiamento dos nossos países não derivam de nenhuma dúvida sobre a nossa solvência, mas sim das manobras especulativas que as grandes corporações financeiras, em conivência com as agências de rating, realizam para se enriquecerem. Os cortes económicos vêm acompanhados de restrições às liberdades democráticas - entre elas, as medidas de controlo sobre a livre circulação dos europeus na UE e a expulsão das populações migrantes. Apenas os capitais especulativos têm as fronteiras abertas. Estamos submetidos a uma mentira colectiva.

A dívida privada é bem maior que a dívida pública e a crise deve-se a um processo de desindustrialização e de políticas irresponsáveis dos sucessivos governos e não a um povo que "vive acima das suas possibilidades" – o povo, esse, vê diariamente os seus direitos e património agredidos. Pelo contrário, o sector privado financeiro - maior beneficiário da especulação - em vez de lhe aplicarem medidas de austeridade, vê o seu regime de excepção erigido. As políticas de ajuste estrutural que se estão a implementar não nos vão tirar da crise – vão aprofundá-la. Arrastam-nos a uma situação limite que implica resgates aos bancos credores, resgates esses que são na realidade sequestros da nossa liberdade e dos nossos direitos, das nossas economias familiares e do nosso património público e comum. É preciso indignarmo-nos e revoltarmo-nos ante semelhantes abusos de poder.

Em Portugal, foi imposto como única saída o memorando da troika – têm-nos dito que os cortes, a austeridade e os novos impostos à população são sacrifícios necessários para fazer o país sair da crise e para fazer diminuir a dívida. Estão a mentir! A cada dia tomam novas medidas, cortam ou congelam salários, o desemprego dispara, as pessoas emigram. E a dívida não pára de aumentar, porque os novos empréstimos destinam-se a pagar os enormes juros aos credores – o déficit dos países do sul europeu torna-se o lucro dos bancos dos países ricos do norte. Destroem a nossa economia para vender a terra e os bens públicos a preço de saldo.

Não são os salários e as pensões os responsáveis pelo crescer da dívida. Os responsáveis são as transferências de capital público para o sector financeiro, a especulação bolsista e as grandes corporações e empresas que não pagam impostos. Precisamos de incentivos à criação de emprego e da subida do salário mínimo (em Portugal o salário mínimo são 485€, e desde 2006 duplicou o número de trabalhadores que ganham apenas o salário mínimo) para sairmos do ciclo recessivo.

Por isso, nós dizemos:
- retirem o memorando. vão embora. não queremos o governo do FMI e da troika!
- nacionalização da banca – com os planos de resgate, o estado tem pago à banca para especular
- abram as contas da dívida – queremos saber para onde foi o dinheiro
- não ao pagamento da dívida ilegítima. esta dívida não é nossa – não devemos nada, não vendemos nada, não vamos pagar nada!
- queremos ver redistribuídas radicalmente as riquezas e a política fiscal mudada, para fazer pagar mais a quem mais tem: aos banqueiros, ao capital e aos que não pagam impostos.
- queremos o controlo popular democrático sobre a economia e a produção.
- não queremos a privatização da água, nem os aumentos nos preços dos transportes públicos, nem o aumento do IVA na electricidade e no gás.
- queremos trabalho com direitos, zero precários na função pública (em Portugal o maior contratador de precários é o estado), a fiscalização efectiva do cumprimento das leis laborais e o aumento do salário mínimo.
- queremos ver assegurados gratuitamente e com qualidade os direitos fundamentais: saúde, educação, justiça.
- queremos o fim dos ajustes directos na administração pública e transparência nos concursos para admissão de pessoal, bem como nas obras e aquisições do estado.
- queremos mais democracia:
              - queremos a eleição directa de todos os representantes cargos públicos, políticos e económicos: dos responsáveis pelo Banco de Portugal ao Banco Central Europeu, da Comissão Europeia ao Procurador Geral da República
              - queremos mais transparência no processo democrático: que os partidos apresentem a eleições, não somente os programas mas também as equipas governativas propostas à votação.
              - queremos mandatos revogáveis nos cargos públicos - os representantes são eleitos para cumprirem um programa, pelo que queremos que seja criada uma forma democrática para revogação de mandato em caso de incumprimento do mesmo programa;
Partilha esta informação, participa na divulgação do protesto. (http://15out-porto.blogspot.com/ - material de divulgação, discussão aberta dos vários manifestos do protesto internacional e espaço para registares as tuas próprias propostas e reivindicações). Vem para a rua fazer ouvir a tua voz. Dia 15, às 15h, na Batalha, no Porto.

segunda-feira, outubro 03, 2011

EUROPA: A FAVOR DOS ESTADOS UNIDOS SOCIALISTAS DA EUROPA ...

ESTA FOI UMA RESPOSTA A UM AMIGO NO FACEBOOK. FICA AQUI COMO UM PEQUENO CONTRIBUTO PARA O DEBATE SOBRE A EUROPA ...

Não ponho em causa a nossa ligação à União Europeia.
Relativamente à Europa, há muitos anos que defendo uma Europa federal, mais democrática e mais social.



Desde, pelo menos o texto constitucional produzido por uma Comissão presidida por Giscard D'Estaing, que defendo que quem vive e trabalha no espaço europeu deveria eleger uma Assembleia Europeia Constituinte que elaborasse uma Constituição democrática europeia e que, a partir daí, criasse as condições para a eleição de um governo democrático europeu.
Tudo muito mais claro e democrático que a confusão que tem reinado com a imposição dos governos dos países mais poderosos - Alemanha e França - sobre os mais fracos da periferia.
Por outro lado, não aceito (na minha pequenez ...) que as actuais dívidas, compromissos e erros monetaristas na emissão do Euro tenham que representar mais políticas restritivas para os europeus mais desfavorecidos, independentemente da nacionalidade.



Por último (para já! ... ) relembro que a ideia de uma Europa unida e em Paz, foi defendida pelos socialistas de esquerda no pós-2ª guerra mundial, quando lançaram o MOVIMENTO PELOS ESTADOS UNIDOS SOCIALISTAS DA EUROPA ... desse movimento fazia parte, por exemplo, George Orwell que pertencia ao ILP (Independent Labour Party) ...

domingo, outubro 02, 2011

Tomem nota, para 15 de Outubro!

A democracia precisa de ser revigorada com a nossa capacidade colectiva!


sábado, outubro 01, 2011

01 de Outubro, no Porto: É POSSÍVEL VENCER AS POLÍTICAS DA TROIKA E O SEU GOVERNO!




Hoje, no Porto, na manifestação organizada pela CGTP sentiu-se vontade colectiva para se resistir às políticas da troika e do seu governo PSD/CDS. Dos Clérigos e da Rua 31 de Janeiro confluiram para a Praça da Liberdade milhares de trabalhadores com uma vontade que dá esperança para outras políticas que afirmem democracia, liberdade, sentido socialista e corte anti-capitalista!
Mostrámos que estamos, em Portugal, com todos os trabalhadores europeus contra as politicas anti-sociais e recessivas da troika Comissão Europeia + FMI + Banco Central Europeu e a sua filial nacional governo PSD/CDS ! Muitos socialistas presentes deram o sentido necessário para a sua direcção: RASGUEM O MEMORANDO DA TROIKA!

01 DE OUTUBRO 2011: TODAS E TODOS PELA DIGNIDADE! NÃO MAIS AUSTERIDADE! NÃO ÀS TROIKAS!

A GRÉCIA SOMOS TODOS OS EUROPEUS ... BASTA DE DESTRUIÇÃO DA TROIKA!

É verdadeiramente entusiasmante, porque apela a esperança, apela à mobilização, apela a um vigoroso "SOMOS NÓS, POVO, QUE SABEMOS COMO SAIR DA CRISE QUE OUTROS PROVOCARAM!" ... a luta dos gregos, que também é nossa, merece ser inaltecida!


http://www.ionline.pt/mundo/grecia-manifestantes-impedem-reuniao-entre-troika-ministro-dos-transportes
E acrescento: os povos da União Europeia precisam de um GRANDE SOBRESSALTO DEMOCRÁTICO E SOCIAL para que as consciências se mobilizem pela acção colectiva contra o cinismo dos governos e das troikas!

Um sobressalto democrático e social vai muito para além do conformismo dos ciclos eleitorais de uma democracia afunilada e só para uns quantos ...

sexta-feira, agosto 26, 2011

O MEU CONTRIBUTO PARA O DEBATE COM BOAVENTURA SOUSA SANTOS ...

http://clix.visao.pt/carta-as-esquerdas=f618946

A "Carta às esquerdas" de Boaventura Sousa Santos é, na minha opinião, uma excelente contribuição para um debate com conclusões entre as esquerdas.



Sim, também sou de opinião que "A defesa da democracia de alta intensidade é a grande bandeira das esquerdas" ... é urgente é precisar o que é uma "democracia de alta intensidade". A experiência da minha própria militância e activismo social, tem-me levado a acreditar que a intensidade da democracia só atingirá o seu ponto alto quando a democracia fluir em formas assembleárias e de expressão directa. O representativismo tem vindo a significar um funil cada vez mais restritivo e ultra-selectivo no exercício da democracia.

Eu que sempre militei em partidos políticos à esquerda, como ainda o faço no Bloco de Esquerda, interrogo-me muito sériamente se os partidos políticos conseguem, nos dias da actual crise capitalista, ter capacidade de resposta e capacidade de mobilização social em nome de uma alternativa de mudança radical da actual sociedade.



Os partidos políticos como expressão de um representativismo e de um taticismo castradores, parecem-me ser crescentemente instrumentos de bloqueio para qualquer mudança social e política.

Considero, embora não tenha certezas, que a espontaneidade social poderá gerar novas expressões de organização com uma maior capacidade de mobilização e geradora de alternativas de poder.



As esquerdas ... é a elas que também me dirijo. Mas há esquerdas comprometidas com monstruosidades totalitárias e outras que, há muito, nada conseguem ver para além do capitalismo, com quem é, na minha opinião, perda de tempo qualquer tentativa de diálogo.

O diálogo entre esquerdas que, no século XXI, conseguem olhar para a História sem tabus, sem complexos e com capacidade critica e autocritica, deve ser feito, deve acontecer no plano da luta social, no seio dos novos movimentos sociais.



O capitalismo não serve, não é reformável, não é regulável! As esquerdas deveriam preparar para o capitalismo o mesmo fim que tiveram os regimes totalitários imprópriamente auto-designados de "socialistas"!

O que me preocupa, nas lutas em que participo e no meu dia-a-dia, é a falta de capacidade de resposta que as esquerdas exibem no momento de se apresentarem alternativas ...

Repito: essa capacidade de resposta tem estado muito mais próxima dos novos movimentos sociais, tipo acampadas, que têm ocupado e povoado muitas ruas e praças internacionalmente!



Escreve Boaventura Sousa Santos na sua "Carta às esquerdas": "O Estado é um animal estranho, meio anjo meio monstro, mas, sem ele, muitos outros monstros andariam à solta, insaciáveis à cata de anjos indefesos. Melhor Estado, sempre; menos Estado, nunca." Parece-me uma ideia muito abstracta ... na minha opinião, o Estado no século XXI, é sobretudo um enorme aparelho burocrático de dominação e de controlo sobre a sociedade, os movimentos e as pessoas. Esse aparelho burocrático reproduz formas de dominação muito semelhantes em Portugal, na China, nos EUA, na Venezuela, na Alemanha, em Cuba, no Brasil ... e o mais dramático é que por todo o lado, ninguém parece conseguir introduzir-lhe democracia e transparência!

"Melhor Estado" é claro que sim, numa perspectiva de generalização e coordenação de serviços públicos ... mas também acrescento que para ser melhor, o Estado deveria delegar-se (!) nas suas competências numa rede de iniciativa autogestionária ... aí sim, teríamos a democracia em toda a sua intensidade!



Mais do que nunca, coloca-se nos nossos dias esta dicotomia: SOCIALISMO OU BARBÁRIE!

João Pedro Freire

quinta-feira, julho 14, 2011

QUEM QUER SER LOBO VESTE-LHE A PELE, CONTRA O CARNEIRISMO CAPITALISTA!

Mais um excelente criação do grupo novas economias, integrante das Assembleias Populares do Porto.


Estejam atentos e não se esqueçam de estar atentos e bem contra a financeirização da sociedade e das nossas vidas.
O actual governo está a dar passos gigantescos para o reforço da financeirização e para a total desvalorização do factor Trabalho ...

sexta-feira, julho 08, 2011

Es.COL.A: o movimento à volta da Fontinha (Porto) é um exemplo de auto-iniciativa! Elogio do ser OKUPA ...

Nestes dias em que o representativismo demonstra/mostra que não representa NADA e nada acrescenta à iniciativa de todos, o movimento Es.COL.A da Fontinha, no Porto, é um exemplo, uma referência, de auto-iniciativa, de persistência e de auto-capacidade para a realização de acções em prol do bem comum.

O movimento Es.COL.A não passou a ser um movimento de cidadãos, sómente quando a Câmara Municipal do Porto resolveu restituir o espaço da Escola à comunidade da Fontinha.

A auto-iniciativa cidadã e popular sempre esteve presente, porque esse é um dos vectores da acção do movimento OKUPA .. Ser OKUPA não é ser "terrorista" como muitas mentes dominantes pintam ... Ser OKUPA é estar atento ao desperdício, é ser solidário com a comunidade, é ter horror à especulação, é não desistir de mudar, transformar sempre com a vontade de cada um(a) e de todos(as) ... acaba por ser um patamar acima do militantismo e uma afirmação plena do estar ao serviço da comunidade e do bem comum.

O movimento Es.COL.A suplanta a comunidade da Fontinha. Deveria adquirir o ambito do espaço chamado Portugal e calcorrear espaços transnacionais ... até porque adicionaria iniciativa, exemplo e referência a muitos outros movimentos OKUPAs por este planeta fora!

O movimento Es.COL.A é também um excelente exemplo da prática de uma democracia assemblária levada às últimas consequências! E funciona ... e produz resultados ... e todos falam e exprimem vontade que não é só opinião!

A tal democracia representativa que os liberais dominantes nos impõem como o supra-sumos da democracia, perante a democracia assemblaria, mais não é que algo anedótico e uma valente intrujice!

O movimento Es.COL.A é um elogio do ser OKUPA ... e eu também elogio a coragem e a determinação do ser OKUPA!

Estes movimentos fazem mais pela comunidade e pelo bem comum que milhares e milhares de discurso dos politiqueses e anos e anos de representativismo oco!

João Pedro Freire

domingo, julho 03, 2011

SOLIDARIEDADE COM TODOS OS TRABALHADORES EUROPEUS: A GRÉCIA É SÓ UM ÍNICIO ...


Promovido pelo Grupo NOVAS ECONOMIAS, integrante das Assembleias Populares do Porto, a colocação de uma faixa num pontão da VCI no Porto, foi uma forma de solidariedade com a luta dos gregos contra os planos de austeridade impostos por quem NUNCA se submeteu, a si e/ou aos planos que engendram, à democracia!

A luta dos gregos é a luta dos gregos, dos portugueses e de qualquer povo europeu ...

A solidariedade é fundamental e vital para quem continua a acreditar que  uma EUROPA que tem de ser contruida com a VONTADE POPULAR europeia e nunca contra ela!

quinta-feira, junho 16, 2011

EI... ESQUERDAS ... PRESTEM BEM ATENÇÃO! ...

Avisem as esquerdas, avisem cada um e todos que já não suportam austeridade para todos e lucros para poucos ... estejam elas onde estiveram, venham elas de onde vierem! ... são esquerdas? não é!



Pois, tomem nota: o grande desafio, nestes dias de festejos da maioria de direita, mais papista que os papas da troika "FMI/BCE/CE", é mesmo afirmar que alternativa à chamada "economia de mercado" !

A vontade dos omnipresentes mercados, não é reformável ...

A volúpia dos accionistas das empresas (prontos, as de grande e média dimensão) para manterem lucros ... apesar da crise ... não é reformável ...
O "Estado Social", seja o da actual maioria de direita, seja o das esquerdas, seja os dos indignados das acampadas ... não é negociável ... Estado Social tem de ser mesmo SOCIAL, SERVIÇO PÚBLICO, TODOS NÓS MAIS IMPORTANTES



Anotem! registem! relembrem! Essa coisa que dá pelo nome de "economia de mercado" é mais um nome para o capitalismo que nos lixa as nossas vidas, que nos usurpa o nosso eu de dignidade ...
Eu relembro isto, que me parece óbvio, porque há por aí muita gente - de esquerda, com quem até simpatizo, com quem até me encontro em muitas lutas ... - que parece que acredita que ESTE capitalismo, vestido de "economia de mercado" é "regulável" e, às tantas, "reformável" ... NÃO É ! O NOSSO DESAFIO, À ESQUERDA, NOS MOVIMENTOS SOCIAIS, CONTINUA A CHAMAR-SE SOCIALISMO ... desencamisado daquelas vestimentas horríveis que foram e cheiram a totalitarismo e a liberalismos da pior espécie ...



Ai … como a LIBERDADE tem de voltar a passar por aqui, para acontecer MUDANÇA!


sexta-feira, junho 10, 2011

BLOCO DE ESQUERDA: DAR A PALAVRA AOS BLOQUISTAS!

A esquerda nasce do protesto, mas tem de saber passar à afirmação de alternativas que mobilizem
Há pouco mais de um mês, na VII Convenção Nacional do Bloco de Esquerda, a Moção B, de que fui o primeiro subscritor, inscrevia essa constatação da realidade. Uma semana depois das eleições de 5 de Junho, essa constatação corresponde, na minha opinião, a uma das causas para a derrota das esquerdas, em especial, da esquerda socialista e anti-capitalista, representada pelo Bloco de Esquerda.

No decurso da Convenção Nacional do Bloco de Esquerda, referi em todas as minhas intervenções, pela então Moção B, que era imperioso que a direcção política do Bloco, soubesse explicar e esclarecer o que entendia por “alternativa de esquerda” e por “governo de esquerda”. Nunca o fez, aparecendo as importantes medidas que o Bloco foi apresentando, dia após dia da campanha eleitoral, como algo que as pessoas nunca compreenderam como poderiam ser aplicadas com êxito para as suas vidas.

Também na Moção B, foi referido “O Bloco de Esquerda , para essa alternativa de esquerda, deve assumir-se como mais um instrumento político. Não somos, só por nós, a alternativa. Mas somos parte imprescindível dela. Deveremos apelar a uma nova cultura de diálogo entre as diversas correntes de esquerda. Sem isso, qualquer alternativa ficará só por mais apelos a adicionar aos milhares que já se fazem, desde Abril de 1974, sem consequências práticas.”

Dissemo-lo na Convenção do Bloco e registámos que, ao longo da campanha eleitoral, o clima entre as diversas forças das esquerdas foi sempre comparável a uma espécie de paz podre … nos meandros da blogosfera e do facebook, essa paz podre foi sempre substituída por um clima de guerrilha muito activa, com constantes ataques mútuos entre os militantes do Bloco e os do PCP. Culpas? Quem esteve atento, certamente que concordará que foram mútuas e com prejuízos políticos muito sérios para a tal “alternativa de esquerda”. Por isto, somos levados a concluir que o encontro acontecido entre as direcções do BE e do PCP, foi um encontro fortuito, uma espécie de encontro para conversa à mesa de café …

Quase nunca esses ataques entre as esquerdas, essas agressões protagonizadas por membros das chamadas direcções intermédias (!), corresponderam a qualquer debate político sério sobre propostas políticas sérias. Pura diversão que terá levado muitas pessoas a interrogarem-se sobre a vontade concretas das esquerdas produzirem alternativas sérias de governo e de políticas.

Tudo isto a acontecer, enquanto à direita, PSD e CDS ensaiavam já, mais uma vez, disponibilidade para se assumirem como alternativa de governo …

Mas o mais impressionante, e, também o disse na Convenção do Bloco de Esquerda, é que, à esquerda, também se falhou na compreensão dos novos movimentos sociais. Apesar de todos encherem a boca com esses movimentos. Apesar também de, também à esquerda, muitos se terem disponibilizado, no terreno social, para o apoio a esses movimentos sociais. Mas, disse-o e afirmo-o novamente, muito desse apoio de alguns activistas de esquerda aos novos movimentos sociais, cheirou a velhas cartilhas vanguardistas e caducas de, apoiar o movimento para depois tentar atrelá-lo, encarneirá-lo, à tal “vanguarda” de que alguns ainda não se libertaram verdadeiramente.

O Bloco de Esquerda foi um dos grandes derrotados em 5 de Junho. Todas e todos os militantes bloquistas foram derrotados. Eu também me considero derrotado. Mas nesta assumpção colectiva de derrota, não deve ser esquecido o papel nessa derrota que teve a direcção política bloquista. Não foi Francisco Louçã o derrotado. Foi toda a direcção política! E foi a direcção política que o é, desde a fundação do Bloco de Esquerda. De facto, formalmente a “última” só foi eleita há pouco mais de um mês. Mas esta “última” é a mesma, politicamente falando, desde a fundação do Bloco.

E esta linha de continuidade da direcção política do Bloco de Esquerda é que traz para o debate, o pedido da sua demissão ou não.

Porque esta direcção política é a mesma que já traz consigo uma série de responsabilidades políticas que tomou sem nunca ter consultado democraticamente os militantes bloquistas. E ao longo dos 12 anos de Bloco, é possível constatar que esta direcção política tem, cada vez mais, olhado para o Bloco de uma forma paternalista, como se sem ela, tudo evoluiria para o caos …

Com esta direcção política, não é exagerado afirmar que o “centralismo democrático” parece querer acordar, cada dia que passa, e, o mais caricato, parece que acorda unido a um parlamentarismo que parece ditar toda a chamada “agenda” bloquista.

É sintomático do que afirmo, o modo como o debate é encarado pela direcção política. À boa maneira “centralista”, tem surgido sempre depois de tomada a decisão pela direcção … Isto pode ser próprio de um partido “leninista-estalinista”, mas não é, de certeza, a prática de quem estatutariamente se afirma como “partido-movimento” …

Qualquer bloquista sabe o que se passou com as últimas eleições presidenciais. Como a direcção política ignorou, desvalorizou e até caluniou mais de trezentos militantes que pediam uma Convenção Nacional Extraordinária para … discutir a decisão a tomar! Como sabe também o que se passou com a Moção de censura apresentada pelo BE. Pessoalmente, estou entre os que defendeu a pertinência da apresentação dessa Moção. Discuto e ponho em causa, isso sim, o processo que culminou no anúncio da Moção de censura e na total desvalorização do órgão máximo bloquista entre Convenções, a Mesa Nacional (MN). Nesse processo, a direcção política revelou que nem nos seus apoiantes na MN confiou …

Começam a ser muitas responsabilidades negativas para uma direcção política que, Convenção após Convenção, se tem perpetuado com desprezo pelo debate democrático e até pela transparência.
Tem sido eleita com maiorias avassaladoras? Tem, sim senhor! Mas toda a gente sabe o papel que os aparelhos partidários têm na perpetuação de maiorias que, na realidade, começam a sê-lo, mas eleitas por minorias cada vez mais pronunciadas relativamente ao total de inscritos. E, no Bloco de Esquerda, começa-se a passar isso, cada vez mais!

Para além de outro pormenor (chamemos assim ..) não menos importante. A actual maioria do Bloco é algo que corresponde a uma coligação de “associações” (PSR, UDP e PXXI) que não se assumem como tendências, como os Estatutos definem. No entanto, continuam a ter uma actividade como se ainda fossem partidos, não se sabendo se o que desenvolvem – portais, revistas, sessões e congrressos – o fazem como bloquistas e com os meios do Bloco ou como algo que não tem nada a ver com o Bloco …

Por isto, também, é que é inadiável que se exija a convocação de uma nova Convenção Nacional do Bloco de Esquerda. Não para se discutir a demissão deste ou daquele, mas para se discutir as responsabilidades políticas da direcção política bloquista desde a fundação, no estado a que o Bloco chegou …

E a Convenção é o fórum adequado. Porque uma discussão para se analisar o que a comissão política definiu, é uma espécie de pescadinha de rabo na boca com conclusões já sabidas à priori. Porque uma discussão dita descentralizada pelas estruturas concelhias e distritais é conceder a quem controla o aparelho, a continuidade desse controlo.

O fortalecimento do Bloco de Esquerda, como partido-movimento de esquerda, socialista e anti-capitalista exige uma discussão aberta para todas e todos os militantes, mas também para toda a sociedade, para todos os jovens e para todos os trabalhadores. Sem tabus, sem frases feitas e arcaicas e não restrita às fronteiras partidárias …

A resposta à crise capitalista tem de ser favorável às esquerdas, desde que estas tenham a capacidade de mostrar que conseguem construir alternativas de poder credíveis, mobilizadoras e mobilizantes.
A resposta à crise capitalista é a resposta alternativa às políticas e às soluções (!) políticas impostas pelas diversas troikas – FMI/BCE/CE e PSD/CDS/PS. É uma resposta que exige muita atenção , compreensão e até adesão à dinâmica dos novos movimentos sociais, nos seus vectores sociais e de afirmação política.

O Bloco de Esquerda tem um papel importantíssimo a desempenhar. Saiba voltar a correr por fora e saiba, no seu seio, demonstrar tanta abertura como aquela que, justamente, defende para a sociedade!

João Pedro Freire
Aderente do Bloco de Esquerda
1º subscritor da Moção B à VII Convenção Nacional do Bloco de Esquerda

sexta-feira, abril 22, 2011

O inevitável é inviável: Manifesto dos 74 nascidos depois de 74

TRIBUNA SOCIALISTA subscreve na íntegra este Manifesto!

Somos cidadãos e cidadãs nascidos depois do 25 de Abril de 1974. Crescemos com a consciência de que as conquistas democráticas e os mais básicos direitos de cidadania são filhos directos desse momento histórico. Soubemos resistir ao derrotismo cínico, mesmo quando os factos pareciam querer lutar contra nós: quando o então primeiro-ministro Cavaco Silva recusava uma pensão ao capitão de Abril, Salgueiro Maia, e a concedia a torturadores da PIDE/DGS; quando um governo decidia comemorar Abril como uma «evolução», colocando o «R» no caixote de lixo da História; quando víamos figuras políticas e militares tomar a revolução do 25 de Abril como um património seu. Soubemos permanecer alinhados com a sabedoria da esperança, porque sem ela a democracia não tem alma nem futuro.


O momento crítico que o país atravessa tem vindo a ser aproveitado para promover uma erosão preocupante da herança material e simbólica construída em torno do 25 de Abril. Não o afirmamos por saudosismo bacoco ou por populismo de circunstância. Se não é de agora o ataque a algumas conquistas que fizeram de nós um país mais justo, mais livre e menos desigual, a ofensiva que se prepara – com a cobertura do Fundo Monetário Internacional e a acção diligente do «grande centro» ideológico – pode significar um retrocesso sério, inédito e porventura irreversível. Entendemos, por isso, que é altura de erguermos a nossa voz. Amanhã pode ser tarde.


O primeiro eixo dessa ofensiva ocorre no campo do trabalho. A regressão dos direitos laborais tem caminhado a par com uma crescente precarização que invade todos os planos da vida: o emprego e o rendimento são incertos, tal como incerto se torna o local onde se reside, a possibilidade de constituir família, o futuro profissional. Como o sabem todos aqueles e aquelas que experienciam esta situação, a precariedade não rima com liberdade. Esta só existe se estiverem garantidas perspectivas mínimas de segurança laboral, um rendimento adequado, habitação condigna e a possibilidade de se acederem a dispositivos culturais e educativos. O desemprego, os falsos recibos verdes, o uso continuado e abusivo de contratos a prazo e as empresas de trabalho temporário são hoje as faces deste tempo em que o trabalho sem direitos se tornou a norma. Recentes declarações de agentes políticos e económicos já mostraram que a redução dos direitos e a retracção salarial é a rota pretendida. Em sentido inverso, estamos dispostos a lutar por um novo pacto social que trave este regresso a vínculos laborais típicos do século XIX.


O segundo eixo dessa ofensiva centra-se no enfraquecimento e desmantelamento do Estado social. A saúde e a educação são as duas grandes fatias do bolo público que o apetite privado busca capturar. Infelizmente, algum caminho já foi trilhado, ainda que na penumbra. Sabemos que não há igualdade de oportunidades sem uma rede pública estruturada e acessível de saúde e educação. Estamos convencidos de que não há democracia sem igualdade de oportunidades. Preocupa-nos, por isso, o desinvestimento no SNS, a inexistência de uma rede de creches acessível, os problemas que enfrenta a escola pública e as desistências de frequência do ensino superior por motivos económicos. Num país com fortes bolsas de pobreza e com endémicas desigualdades, corroer direitos sociais constitucionalmente consagrados é perverter a nossa coluna vertebral democrática, e o caldo perfeito para o populismo xenófobo. Com isso, não podemos pactuar. No nosso ponto de vista, esta é a linha de fronteira que separa uma sociedade preocupada com o equilíbrio e a justiça e uma sociedade baseada numa diferença substantiva entre as elites e a restante população.



Por fim, o terceiro e mais inquietante eixo desta ofensiva anti-Abril assenta na imposição de uma ideia de inevitabilidade que transforma a política mais numa ratificação de escolhas já feitas do que numa disputa real em torno de projectos diferenciados. Este discurso ganhou terreno nos últimos tempos, acentuou-se bastante nas últimas semanas e tenderá a piorar com a transformação do país num protectorado do FMI. Um novo vocabulário instala-se, transformando em «credores» aqueles que lucram com a dívida, em «resgate financeiro» a imposição ainda mais acentuada de políticas de austeridade e em «consenso alargado» a vontade de ditar a priori as soluções governativas. Esta maquilhagem da língua ocupa de tal forma o terreno mediático que a própria capacidade de pensar e enunciar alternativas se encontra ofuscada.

Por isso dizemos: queremos contribuir para melhorar o país, mas recusamos ser parte de uma engrenagem de destruição de direitos e de erosão da esperança. Se nos roubarem Abril, dar-vos-emos Maio!



Alexandre de Sousa Carvalho – Relações Internacionais, investigador; Alexandre Isaac – antropólogo, dirigente associativo; Alfredo Campos – sociólogo, bolseiro de investigação; Ana Fernandes Ngom – animadora sociocultural; André Avelãs – artista; André Rosado Janeco – bolseiro de doutoramento; António Cambreiro – estudante; Artur Moniz Carreiro – desempregado; Bruno Cabral – realizador; Bruno Rocha – administrativo; Bruno Sena Martins – antropólogo; Carla Silva – médica, sindicalista; Catarina F. Rocha – estudante; Catarina Fernandes – animadora sociocultural, estagiária; Catarina Guerreiro – estudante; Catarina Lobo – estudante; Celina da Piedade – música; Chullage - sociólogo, músico; Cláudia Diogo – livreira; Cláudia Fernandes – desempregada; Cristina Andrade – psicóloga; Daniel Sousa – guitarrista, professor; Duarte Nuno - analista de sistemas; Ester Cortegano – tradutora; Fernando Ramalho – músico; Francisca Bagulho – produtora cultural; Francisco Costa – linguista; Gui Castro Felga – arquitecta; Helena Romão – música, musicóloga; Joana Albuquerque – estudante; Joana Ferreira – lojista; João Labrincha – Relações Internacionais, desempregado; Joana Manuel – actriz; João Pacheco – jornalista; João Ricardo Vasconcelos – politólogo, gestor de projectos; João Rodrigues – economista; José Luís Peixoto – escritor; José Neves – historiador, professor universitário; José Reis Santos – historiador; Lídia Fernandes – desempregada; Lúcia Marques – curadora, crítica de arte; Luís Bernardo – estudante de doutoramento; Maria Veloso – técnica administrativa; Mariana Avelãs – tradutora; Mariana Canotilho – assistente universitária; Mariana Vieira – estudante de doutoramento; Marta Lança – jornalista, editora; Marta Rebelo – jurista, assistente universitária; Miguel Cardina – historiador; Miguel Simplício David – engenheiro civil; Nuno Duarte – artista; Nuno Leal – estudante; Nuno Teles – economista; Paula Carvalho – aprendiz de costureira; Paula Gil – Relações Internacionais, estagiária; Pedro Miguel Santos – jornalista; Ricardo Araújo Pereira – humorista; Ricardo Lopes Lindim Ramos – engenheiro civil; Ricardo Noronha – historiador; Ricardo Sequeiros Coelho – bolseiro de investigação; Rita Correia – artesã; Rita Silva – animadora; Salomé Coelho – investigadora em Estudos Feministas, dirigente associativa; Sara Figueiredo Costa – jornalista; Sara Vidal – música; Sérgio Castro – engenheiro informático; Sérgio Pereira – militar; Tiago Augusto Baptista – médico, sindicalista; Tiago Brandão Rodrigues – bioquímico; Tiago Gillot – engenheiro agrónomo, encarregado de armazém; Tiago Ivo Cruz – programador cultural; Tiago Mota Saraiva – arquitecto; Tiago Ribeiro – sociólogo; Úrsula Martins – estudante