tribuna socialista

domingo, novembro 29, 2009

HILARIANTE: HUGO CHAVEZ APELA À CONSTITUIÇÃO DA 5ª (!) INTERNACIONAL ...


Não se sabe se dará jeito à venda de petróleo, mas Hugo Chavez apelou à constituição de uma "5ª Internacional"...

Hugo Chavez para além do tradicional aliado cubano, tem também outros muito "originais" que devem ter saltado de contentes, com o anúncio da formação da "" ... lembramo-nos do amigo iraniano, do amigo norte-coreano, do amigo russo ... todos eles exemplos do que é a construção do "socialismo" ...

Chavez, sempre muito imaginativo nas "soluções" que encontra para defender (!) os mais desprotegidos, agora que começa a experimentar os primeiros deslizes internos na "sua" Venezuela, volta-se para os "mais desprotegidos" no plano internacional, onde tem passado o tempo a confundir dirigentes estatais (como o iraniano) com as massas trabalhadoras ...

Imparável este Chavez no seu processo de esquizofrenia política ...

quinta-feira, novembro 26, 2009

REFORMA AOS 40 ANOS DE TRABALHO: será que não há mesmo um "bloco central" ?

Depois de já se terem juntado quanto à avaliação dos professores, agora, o PS e o PSD, preparam-se para chumbarem o direito à reforma aos 40 anos de trabalho, que Bloco de Esquerda e o PCP defenderão na Assembleia da Republica.

Perante a posição de apelo a que se faça justiça a quem trabalhou 40 anos, os partidos do "bloco central" acenam novamente com um cenário de "ruptura" da Segurança Social "já para o próximo Orçamento do Estado" se o proposto pelo BE e pelo PCP viesse a ser aprovado.

Perante um cenário de reformas miseráveis, o PS e o PSD fazem uso de argumentos baseados em contas que só eles percebem, quanto à sustentabilidade da Segurança Social pública, evitando tomar medidas que introduzam mais justiça na economia.

O único caminho para a sustentabilidade da Segurança Social pública, não é o aumento da idade de reforma. Isto enquanto persiste um cenário real, por todos conhecido e sentido, de reformas milionárias em paralelo com reformas miseráveis. As segundas , as miseráveis, quase sempre para quem trabalhou uma vida inteira!

É curioso que, por exemplo, a peça do Diário de Notícias sobre este tema, tenha o seu desenvolvimento na secção de "Bolsa"! A culpa não é óbviamente do diário. O que acontece é que a própria direcção do PS, em parceria com os partidos do arco neo-liberal (PSD e CDS), têm tratado da sustentabilidade da Segurança Social olhando para os movimentos especulativos da bolsa.

A sustentabilidade de uma Segurança Social pública tem muito a ver com o exercício do direito a um emprego digno. Direito que tem, progressivamente e como resultado da crise financeira neo-liberal, a ser cada vez menos um direito. O desemprego, a precariedade, os despedimentos, também "justificados" como caminho para a "sustentabilidade financeira" das empresas, são também flagelos sociais com consequências desastrosas para uma Segurança Social pública e para todos.

A sustentabilidade da Segurança Social pública precisa de outras políticas governamentais, de outra vontade política, precisaria de um governo que sentisse o que quer a maioria social de esquerda que este País tem!

quarta-feira, novembro 25, 2009

25 DE NOVEMBRO DE 1975: LIBERALISMO vs SECTARISMO ... E O SOCIALISMO ?

Em 25 de Novembro de 1975 dizem os partidos do arco neo-liberal (direcção do PS incluída) , que a "democracia venceu".

Do lado das esquerdas, essa data marca o triunfo de uma concepção de "democracia" onde o representativismo torna-se incompatível com uma concepção mais participativa e directa.

O 25 de Novembro de 1975 revelou que um processo revolucionário não se pode manter, ad-eternum, num impasse, sem qualquer sentido político definido, com as massas populares e trabalhadoras ao sabor de mil e uma formas de
sectarismos, populismos e esquerdismos. Quando isso acontece, quase sempre, a contra-revolução acaba por triunfar!

O 25 de Novembro de 1975 é uma data que deveria merecer debate à esquerda. Até porque é um debate que é sempre actual: que socialismo se pretende para o século XXI?

Em 1975, a revolução portuguesa esteve polarizada entre uma social-democracia que funcionou como guarda-chuva que albergava reacionários e reformistas convictos, e, correntes à esquerda onde abundava muito lenino-estalinismo, estalinismo e maiosmo, tudo muito "vanguadista" e, como tal, ultra-sectário.

Em muitos momentos, faltou, de facto, um pólo democrático e socialista, claramente anti-capitalista, que desse algum sentido politico ao movimento social, sem o colocar num qualquer colete de forças imposto por uma qualquer "vanguarda".

Em 2009, o mais importante é conseguir debater serenamente tudo o que aconteceu, sem tabus e sem preconceitos. É urgente que o socialismo para o século XXI não volte a incorporar modelos que falharam profundamente !

terça-feira, novembro 24, 2009

Malalai Joya: TODAS AS TROPAS ESTRANGEIRAS DEVEM RETIRAR DO AFEGANISTÃO!

Depois de a ter visto e ouvido no Porto, numa Sessão promovida pelo Bloco de Esquerda, não resisto a publicar mais esta peça retirada do youtube.

Malalai é, de facto, um exemplo de uma mulher de luta e representa um permanente apelo a que a solidariedade internacional com o povo afegão não abrande! A Paz no Afeganistão passa pela retirada das tropas estrangeiras, pela derrota dos senhores da guerra e de todos os funadamentalismos!

ESQUERDA NOVA: corrente do Bloco de Esquerda organiza e promove debate a nível nacional!


A Esquerda Nova - Corrente de Opinião no Bloco de Esquerda vai iniciar uma série de SESSÕES DE DEBATE subordinadas ao tema "BLOCO: QUE FAZER?".
As Sessões são abertas e a primeira é já nesta Sexta-Feira , 27 de Novembro, em Viseu, na Sede local do Bloco de Esquerda.
É importante debater e a ESQUERDA NOVA já tinha dado um bom exemplo com a última edição do seu boletim aperiódico com textos de diversas opiniões de dentro do Bloco de Esquerda. A diferença e o pluralismo são importantissimos para que o espaço da esquerda socialista ganhe mais força social e política, para ter uma palavra decisiva e de qualidade na definição de uma alternativa socialista de poder.
Se forem de Viseu ou estiverem por lá, apareçam !

segunda-feira, novembro 23, 2009







APRE !


(cliqua e consulta o sítio de cada movimento)

Quatro movimentos CONTRA A PRECARIEDADE juntaram-se para o lançamento da petição




ANTES DA DÍVIDA TEMOS DIREITOS !





Assina a petição! Contamos contigo!

domingo, novembro 22, 2009






Canpanha Internacional 2009 - Cimeira de Copenhaga sobre o clima.

sexta-feira, novembro 20, 2009

FINANCIARIZAÇÃO DA VIDA DE TODOS OS DIAS! - 2ª parte ...

























Um camarada e amigo, o Manuel Monteiro, pegou na posta anterior e resolveu adaptá-la com os seus contributos e ideias. Ficou assim e ficou bem, já que dá para pensar, debater e agir.



João Pedro Freire


Hoje em dia, a exagerada preocupação com a nossa inclusão social faz-nos crer, que a mesma passa pela obrigatoriedade de se possuir/consumir determinados bens. Quem não tem esses bens ou comportamentos de consumo, é olhado como um "excluído". Na generalidade, somos avaliados por aquilo que possuímos/exibimos e não pelos nossos princípios/comportamentos.

Para fazer face a esta necessidade de consumo, muitas vezes incomportável para o rendimento auferido pela generalidade da população, recorre-se ao crédito bancário. Assim a "necessidade" que sentimos de consumir, para nos sentirmos "integrados" na sociedade, leva-nos a recorrer ao crédito bancário, o qual também é uma forma de consumo (pois os bancos estão a vender a possibilidade de consumir hoje, com o rendimento que eventualmente havemos de receber no futuro - aplicando ao empréstmo a sua margem, i.e. os juros).

Mais uma vez, somos avaliados em função do que consumimos, neste caso, o crédito bancário. Os bancos, através das suas imensas bases de dados de risco (de crédito), passam também por ser uma espécie de "termómetro" aceite para se aferir sobre a "idoineidade" e a "respeitabilidade" de cada um.

Esta FINANCIARIZAÇÃO (atenção, não sei se esta palavra existe!) da vida de todos os dias de cada um, é, em si mesmo e nos efeitos que tem, uma espécie de novo totalitarismo dos nossos dias. Acrescento ainda que esta FINANCIARIZAÇÃO é uma peça fundamental desse novo totalitarismo, composto pelas seguintes etapas:

  • As empresas nos entido de realizar o seu objectivo (vender para obter lucro), bombardeiam os consumidores/trabalhadores com publicidade.

  • Os consumidores/trabalhadores, iludidos na necessidade de possuir bens/serviços de que muitas vezes não precisam, adquirem os mesmos, com recurso ao crédito bancário.

  • Os consumidores/trabalhadores na sua generalidade (já bastante endividados), por medo de perder o seu posto de trabalho (o que impossibilitava o pagamento das suas dívidas) não se atrevem a reclamar juntos dos seus empregadores (as empresas em setido lato, que os incentivaram a consumir) por melhores condições de trabalho/salariais ou não se atrevem a bater com a porta à procura de melhor.

Assim se completa o ciclo totalitário que se vive na actualidade. Ao observar este ciclo, vem à cabeça aquela imagem dos trabalhadores de uma fazenda qualquer (isolada no meio do nada), obrigados a gastar a migalha de rendimento que lhes é pago na loja da própria fazenda (propriedade do fazendeiro), para comprar bens essenciais a preços exagerados. A filosofia é a mesma, só que agora, o fazendeiro (neste caso o banco) adianta o dinheiro quando o trabalhador quer comsumir mais.

Como nos libertar deste ciclo?

Existem alguns caminhos possíveis.


  1. Embora inconveniente para a maioria dos interesses instalados, uma medida possível seria a sensibilização para um consumo mais cuidado.

  2. Tentativa de alterar os valores sociais atribuídos ao acto de consumir e/ou possuir. Ensinar a valorizar as pessoas pelas suas qualidades.

O caminho mais simples e eficaz, foi o escolhido por muitos americanos, os NINJA.

3. A presente crise económica/financeira mundial foi desencadeada pelos NINJA. NINJA é uma classificação dada pelos bancos americanos a uma faixa da população americana (a quem esses bancos na sua ânsia de obter lucro) concederam crédito para adquirirem casa própria. Os NINJA ao repararem que nunca teriam hipótese de pagar os seus empréstimos, não se ralaram com mais nada e sem qualquer sentido de culpa (ou vergonha), entregaram as suas casas às instituições de crédito. Assim, com esta acção, deu-se o quase colapso do sistema financeiro mundial (não fosse o apoio dado pelos governos). Afinal, o simples cidadão (quando unido em grandes números) ainda consegue lutar e derrubar o novo totalitarismo em que vivemos. Para aqueles que acreditam na mudança, este simples exemplo é um tremendo sinal de esperança no futuro e um grande incentivo para continuar a lutar.

Já agora para animar, o significado de NINJA aqui utilizado é: NO INCOME, NO JOBS, NO ASSETS.

Assim, estes cidadãos ao virarem as costas aos conceitos estabelecidos pelos bancos, quase derrubaram todo o sistema financeiro.

Sim, é possível viver sem uma conta bancária e sem os bancos. É possível viver em liberdade!

Manuel Monteiro

FINANCIARIZAÇÃO DA VIDA DE TODOS OS DIAS!

Hoje em dia, a inclusão social passa pela obrigatoriedade de se possuir uma
conta aberta num banco. Quem não tem conta é olhado como um "excluido".
Os bancos, através das suas imensas bases de dados de risco (de crédito), passam também por ser uma espécie de "termómetro" aceite para se aferir sobre a "idoneidade" e a "respeitabilidade" de cada um.
Esta FINANCIARIZAÇÃO (atenção, não sei se esta palavra existe! ) da vida de todos os dias de cada um, é, em sim mesmo e nos efeitos que tem, uma espécie de novo totalitarismo dos nossos dias.
Ninguém é obrigado a ter uma conta num banco. Como ninguém mede a sua respeitabilidade e seriedade por indicadores que sómente medem o risco de crédito financeiro, como são as bases de dados bancárias. Mas tudo parece passar por aí!
Parece que, para se ultrapassar estas "obrigatoriedades" financeiras, até existe uma espécie de "serviços bancários minimos" ... mas estes "minimos" confirmam uma mesma tendência de FINANCIARIZAÇÃO da vida de todos os dias. A questão passa por saber: como se pode viver sem uma conta bancária? como se garante a idoneidade de cada um sem a necessidade de se recorrer a um conceito bancário? será que a cidadania só o é com uma conta num banco e um "bom" conceito financeiro?

domingo, novembro 15, 2009

quarta-feira, novembro 11, 2009

POR UMA BANCA SOCIALIZADA E DEMOCRÁTICA: um excelente trabalho para reflexão!

Não é todos os dias que surgem análises sobre o sistema financeiro, numa perspectiva que aponta para uma socialização democrática.
Em POR UNA BANCA SOCIALIZADA y DEMOCRATICA, Robert Pollin, parte para uma análise com essa perspectiva.
É possível ou não, organizar e perspectivar um sistema financeiro diferente do actual ?

Aconselha-se uma leitura atenta (o texto está em castelhano) , sendo benvindos todos os contributos criticos !

segunda-feira, novembro 09, 2009

UM DOSSIER, SOBRE A QUEDA DO MURO, A VISITAR!

Vale a pena visitar o ESQUERDA.NET sobre os 20 anos da queda do Muro de Berlim.

Na apresentação do dossier preparado, consta o seguinte:

"Há vinte anos, o mundo assistia à queda do Muro de Berlim e à explosão de alegria de um povo em busca da liberdade. Veja neste dossier os factos e as cronologias, vídeos e fotogalerias de Berlim e dos grafittis no Muro; as histórias de repressão e espionagem; a opinião e as memórias de António Avelãs, Natércia Coimbra, Mário Tomé e Francisco Louçã; o relato de dez meses que abalaram o Leste, por Carlos Santos Pereira; e saiba onde estão os outros muros que falta derrubar."

A VISITAR QUE VALE MESMO A PENA!

Earth Song - Michael Jackson : tudo é importante para uma consciência ambiental ACTIVA!

Não gosto do intérprete mas o tema e o filme valem a pena.
Até porque nos EUA nunca foi editado
O Detalhe: "Earth Song" nunca foi lançada como single nos Estados Unidos, historicamente o maior poluidor do planeta. Por isso a maioria de nós nunca teve acesso ao clip.
Filmado na Africa, Amazonia, Croácia e New York.
Emocionante!
(Este foi o texto do mail que foi recebido!)

O MURO DE BERLIM: RELATOS ...


" Torsten conhecia, claro, pessoas de Leste - tinha lá familia. Mas lembra quando contactou pela primeira vez com ossis (alemães de Leste) da sua idade. "Houve um jogo de voleibol entre pessoas de Oeste e de Leste. Eles eram da nossa idade, mas nós eramos todos estudantes, e eles já estavam todos a trabalhar. Nós estávamos à procura do nosso grande amor, e eles já estavam casados, já tinham filhos. Tínhamos todos a mesma idade, mas vidas completamente diferentes." Algo que se pode explicar porque na Alemanha de Leste havia grandes apoios a jovens casais especialmente com filhos: recebiam casa, tinham infantário, etc. "
(in, Pública, 08.11.09)

Adeus, Lenine - Um filme a (re)ver a propósito dos 20 anos da queda do Muro

Um filme cheio de humanidade e sensibilidade que deve ser visto e/ou revisto. Também tem a ver com a queda do Muro de Berlim!

MURO DE BERLIM: 20 ANOS DEPOIS ...

Há mais de 20 anos, os boletins da oposição socialista aos regimes estalinistas do Leste Europeu, conhecidos por SAMIZDAT, incluiam diversas análises que concluiam que a alternativa ao que existia a Leste não poderia ser o capitalismo.

Os oposicionistas ao regimes burocráticos e totalitários do Leste, não eram, todos eles, apologistas do sistema capitalista. Muitos, em número muito significativo, definiam-se como socialistas, alguns como comunistas. Para o dito "socialismo" do Leste, pediam democracia, pediam liberdade, pediam direito ao pluralismo e à liberdade de imprensa. Pediam também que a planificação económica deixasse de ser decidida pela nomenclatura e voltasse ao poder democrático dos trabalhadores.

O que existia a Leste, mostrava que o socialismo não pode existir como se fosse uma fortaleza fechada do resto do Planeta. O socialismo precisa de influenciar, precisa de confrontar em liberdade e em democracia!

O que existia a Leste também convinha às democracias liberais do Ocidente. Identificar o Leste com o "papão comunista" dava muito jeito a quem precisa também desse "argumento" para perpetuar um sistema que oferece desemprego em liberdade, exploração em liberdade, miséria em liberdade, e, um conceito de liberdade que acaba sempre por beneficiar os que mais possuem em detrimento dos que precisam de trabalhar, muitas vezes, para sobreviver!

O socialismo precisa de liberdade e de democracia como o corpo humano precisa de oxigénio. Tal como é sempre vital que a liberdade seja sempre a liberdade de pensar e agir de maneira diferente!

20 anos depois da queda do Muro, os que viveram a imposição do Muro a Leste e a Oeste, sabem, sentem, que a conquista da liberdade não chegou, só por si! Talvez faça todo o sentido lembrar slogans, cheios de sentido, que clamavam por "nem socialismo sem liberdade, nem liberdade sem socialismo".

Só por si, a liberdade não dá justiça, embora seja vital para se poder lutar por mais justiça social e mais justiça na economia!

20 anos depois da queda de um Muro injusto, totalitário, repressivo, inumano, vivemos, em liberdade, uma terrível crise económica e financeira com consequências desastrosas no plano social, mas também, no exercício das próprias liberdades democráticas. Os episódios sucedem-se quanto a exemplos que evidenciam que o capitalismo aprendeu muito com as práticas totalitárias dos antigos regimes de Leste!

20 anos depois da queda do Muro em Berlim é urgente defendermos a liberdade, defendermos a democracia para podermos prosseguir com uma luta internacional pelo socialismo, enquanto sociedade de justiça social, de liberdades, de democracia, de participação livre e generalizada!

segunda-feira, novembro 02, 2009

UM ANO DEPOIS DO INICIO DO CASO BPN: TUDO NA MESMA E ASSIM SERÁ ...

Faz hoje um ano que começou, pelo menos à luz do dia, o caso BPN. Embora já em 2000 alguma imprensa tivesse dado conta das suspeitas relativamente às contas do BPN ...

O caso BPN exibe bem as diferenças entre os sistemas assentes no exercício das supervisões/regulações bancárias e os sistemas assentes no controlo democrático e transparente por parte dos trabalhadores dos sectores económico-financeiros envolvidos. Propositadamente incluímos as "nacionalizações" nas supervisões. Porquê? Porque as "nacionalizações", quase sempre, convertem-se em estatizações que aplicam ao que é nacionalizado, a qualidade de quem nacionaliza e/ou supervisiona. Por exemplo: o que é que aconteceu com a "nacionalização" do BPN? Quais as garantias de transparencia e de luta contra a corrupção que pode dar um aparelho de Estado, todo ele, dominado pela influência de lobbies, de jogos de interesse, de inexistência de controlo democrático?

O caso BPN foi a expressão nacional da crise que invadiu o sistema financeiro capitalista internacional. No entanto, passado um ano e depois de uma quase mão cheia de casos levados à justiça (!), o que é que mudou ? Ou melhor, será que alguma coisa poderia ter mudado, quando os protagonistas da "justiça" acabam por ser os mesmos a quem era aplicada a "justiça"? E outra questão também é pertinente: que "justiça" é esta que existe à margem das democracias, que não é controlada por ninguém e que vai sobrevivendo numa total opacidade ?

O caso BPN exibe e bem a qualidade da nossa democracia: o que sucederia se os cidadãos pudessem participar democrática e espontaneamente em todos os níveis da sociedade? O que sucederia se os trabalhadores em cada empresa (pública, privada e social) tivessem acesso e voto na matéria, quanto à gestão e aos actos de gestão? É aqui que está a verdadeira questão e não em "nacionalizações" que significam dar de novo à raposa, armas para voltar a guardar o galinheiro de onde tinha sido expulsa ....