tribuna socialista

sábado, janeiro 31, 2009

ALAMBIQUE: publicação anarquista do Centro de Cultura Anarquista Gonçalves Correia

in EDITORIAL de ALAMBIQUE nr.2


Alambique, s.m. [do ár. ‘anbiq]

–1. Aparelho próprio para realizar destilações

–2. Fig. Aquilo que serve para apurar ou aprimorarPassou muito mais tempo do que contávamos a sair com um segundo Alambique.

Preferíamos de outro modo, mas talvez valha a pena entender a ausência em causa. Isto porque ainda que o tenhamos dito desde o inicio, o resultado que tem nas mãos, resulta de algo entendido como um Projecto em torno do que apelidámos de Centro de Cultura Anarquista (CCA) Gonçalves Correia.

Julgamos porém que nos fizemos ultrapassar por esta designação, ou melhor pelos anseios que a mesma expunha. Ainda que cientes de lidarmos com algo meramente em construção, acabamos por resultar em pouco mais do que uma aglomeração, propulsionada pela existência de actividades programadas num determinado espaço, e não exactamente numa afinidade. Não pretendemos menorizar o que foi sendo feito, e muito menos a presença de um local em Aljustrel (e sobretudo o que este proporciona), mas na verdade por muito mais que tod@s o desejássemos, este espaço nunca se concretizou ele mesmo, e por si, num Centro de Cultura Anarquista.

Daí que nos pese por vezes ver semelhante ênfase (essencialmente visto de fora e não de dentro), esquecendo aquilo que esteve sempre na base: um projecto. E como em tantas e outras repetidas situações erradamente pondo o espaço à frente do projecto. Não é nenhum drama, ver que as coisas acabam não sendo aquilo que tanto se fala (ou se espera), pelo que não esperem encontrarem-nos sempre no mesmo sítio do costume.

Como Gonçalves Correia gostamos de vaguear…Porque se ainda aqui estamos, é porque algo, uma dinâmica, mais importante subsiste. Um punhado de indivíduos que se encontra naquilo que outros chamaram de “projectualidade individual anarquista” na qual “para agirmos sobre a vida, ao invés de ela ser algo que nos acontece, precisamos de saber o que desejamos e como tentar alcançá-lo, precisamos de saber quem nos impede de o fazer e quem são os nossos potenciais cúmplices nesta aventura colectiva pela liberdade individual”.

Cada um de nós age e toma a iniciativa no desenvolvimento do seu projecto, em possibilidades que se multiplicam quando nos cruzamos.

E apesar, ou por vias, da simplicidade desta equação, que tant@s já evidenciaram no eterno conflito do Individuo e do Estado, é hoje mais do que nunca desconcertante para a autoridade a palavra anarquistas.

Entre este Alambique e o anterior, nunca a evidência nos foi tão directamente apresentada quando fomos convidados pela GNR de Aljustrel a “explicar” o que íamos fazer no Festival CCA Gonçalves Correia que aconteceu em Julho passado, sugerindo-se também eles incrédulos com um alerta lá de cima de alguns “leitores” atentos da blogesfera libertária.

As inquietações destes democratas eram afinal as mesmas de sempre (há quem ainda pense que cabiam ao passado): do que íamos f-a-l-a-r …não eram os concertos, eram os debates e os workshops que os preocupavam. Atentos às palavras, e receosos, receosos como sempre. Alimentando o medo, como o combustível das nossas vidas.E do que falámos? Exactamente aquilo que agora podes ler neste número. Nem pôr nem tirar. Leiam. Apenas uma matéria veio de novo, com tamanha força, que jamais deixará as coisas na mesma: Grécia. O mesmo mundo mediterrânico, acossado pelo progresso: destruindo olivais seculares, hipotecando a paisagem ao turista, e tal como nesta outra ponta da Europa, dominado pela repressão e pelo capitalismo. E a luta anti autoritária que aí nunca deixou de existir, de um dia para o outro, estava incontrolável.Já houve quem dissesse: “não há qualquer dúvida de que uma nova fasquia foi colocada no que se pode esperar nos países Ocidentais durante a vindoura era de depressão económica e de declínio ambiental. Os governos europeus irão sem dúvida reforçar as suas políticas de vigilância e repressão em antecipação às crescentes agitações civis. Mas isso pode não ser suficiente para manter as populações subjugadas à medida que crise atrás de crise ponha em causa a existente combinação do poder e dos privilégios.”

Alentejo, Janeiro 2009

quinta-feira, janeiro 29, 2009

GREVE GERAL EM FRANÇA: hoje 29 de Janeiro de 2009!


Democratie & Socialisme é uma revista
de uma corrente de esquerda
do PSF.
Por toda a França, hoje há GREVE GERAL!


Pela defesa dos serviços públicos, contra o desemprego, por medidas urgentes que defendam o emprego, os salários e que protejam quem não tem culpa por esta crise.


É uma greve que consegue reunir todo (CFDT, CGT, FO, FSU, UNS, CFE/CGC, US Solidaires) o movimento sindical, que reune apoios dos trabalhadores do sector público e do sector privado. É uma resposta impressionante dos trabalhadores franceses às medidas de Sarkozy que acabam por só proteger quem tem responsabilidades na origem e na persistência desta crise.


A greve geral em França é um exemplo a todos os trabalhadores europeus, desempregados, precários, a prazo, todos, para que se organizem, numa mobilização exemplar a nível europeu, na busca por soluções para a crise fora dos limites do sistema que provocou esta crise!

quarta-feira, janeiro 28, 2009

APÓS ANÁLISES, MAIS ANÁLISES, MAIS ANÁLISES ...



O cenário poderia ainda ser pior e continuariamos ainda a ver muitas cabeças pensantes e com responsabilidades nesta crise, a persistirem em análises que começam, duram e acabam, em como encontrar "razões" em algo que terá corrido mal ou em alguns empresários com menos escrupulos ... o mais importante, para essas cabeças, é não por em causa o sistema que, apesar de tudo, possibilitou-lhes num importante período de tempo, ganhos astronómicos.

Haverá também quem continuará a culpabilizar os salários pela "asfixia" das empresas ... esquecendo-se quem o faz, que esqueceu de esconder o automóvel de gama alta que ficou à porta da empresa!

A crise que temos é uma crise do sistema capitalista na sua fase globalizada e neo-liberal. Não é uma crise deste ou daquele empresário, desta ou daquela empresa ou de trabalhadores considerados malandros. É a crise de um sistema que apostou na desregulamentação, na escravização da mão-de-obra através de esquemas de precarização, contratos a prazo e exportação de mão-de-obra quase escravizada, que usou e abusou da especulação financeira, que tornou o comércio internacional uma selva densíssima, usando como armas para a sua dominação organizações como o FMI, o Banco Mundial, a OMC e um conjunto de Estados nacionais, com os EUA à cabeça, numa carruagem de que faz parte a China!

Este sistema capitalista está num estado que não é reformável ... todos os arranjos que se possam fazer, sómente adiarão o estouro final. Um estouro que não se dará em uma qualquer data préviamente marcada para o histórico "fim do capitalismo", mas que acontecerá, aos poucos mas depressa, pelo lado da tragédia social e humana!

Os tempos já não podem servir para analisar o que já está farto de ser analisado! São precisas soluções que tenham a coragem de propor um novo radicalmente diferente do que está a falir! E na busca dessas soluções, é vital, fundamental, decisivo, o contributo de todas e de todos os que são vítimas da actual crise. É preciso dar-lhes a palavra, o protagonismo ... sendo que, para isso, é também preciso reconhecer que as representações políticas tradicionais e baseadas no sistema liberal falharam em toda a linha ...

Os movimentos sociais deverão ter, em pleno século XXI, a mesma iniciativa política que o movimento operário teve no século XIX, avançando com novas formas de organização e intervenção para a mudança radical da sociedade num sentido socialista, libertário e profundamente democrático!

31 DE JANEIRO: CRISE ECONÓMICA, MUDAR CONSCIÊNCIAS

Texto retirado de TERTÚLIA LIBERDADE, ao qual TRIBUNA SOCIALISTA associa também o seu apelo à participação. Na busca de uma saída para a presente crise, é também urgente encontrar uma resposta socialista e libertária!

Face à actual crise económica do capital, que os diversos poderes pretendem fazer recair sobre nós e cujos efeitos os comentadores das mais diferentes cores e paladares fazem recair sobre as populações, apenas se diferenciando por mais ou menos intervenção estatal para promover a defesa do sistema capitalista, a Tertúlia Liberdade e a Alternativa Libertária decidiram unir esforços e apelar a uma posição e intervenção bem diferentes.

Na sequência do encontro que promovemos em Dezembro passado no Museu da República e Resistência vamos organizar uma sessão no próximo sábado 31 de Janeiro, na Associação Abril/Casa do Brasil.

Desta vez iremos apresentar propostas práticas à apreciação dos presentes, para podermos encontrar caminhos de saída para o atoleiro em que o iníquo sistema do domínio e da exploração nos mergulhou.

Agimos sem desajustadas e falsas pretensões vanguardistas ou hegemónicas, nem interferências partidárias ou de outra ordem. Queremos contribuir para uma saída comum de uma crise de que não somos responsáveis e nos recusamos a pagar. Defendemos a auto-organização das populações e acreditamos na conhecida máxima "a emancipação dos trabalhadores terá de ser obra dos próprios trabalhadores", por isso te convidamos a participar neste encontro.

Vem ter connosco sábado 31 de Janeiro entre as 15 e as 18 H à sede da Associação Abril/Casa do Brasil na Rua S. Pedro de Alcântara, 63-1º Dtº em frente ao elevador da Glória.

Lá esperamos por ti, pelo teu contributo e dos teus amigos.

terça-feira, janeiro 27, 2009

ROSA LUXEMBURGO NO FORUM SOCIAL MUNDIAL 2009

Ø Lançamento do livro Socialismo ou Barbárie – Rosa Luxemburgo no Brasil, organizado por Isabel Loureiro e publicado pelo IRLS.

DEBATEDORES:
Isabel Loureiro (Instituto Rosa Luxemburg Stiftung/Brasil)
Michel Löwy (Centre National de la Recherche Scientifique/França)
Gilmar Mauro (MST/Brasil)
Paulo Arantes - (USP/Brasil)
Paul Singer –(Secretaria Nacional de Economia Solidária do Ministério do Trabalho e Emprego/Brasil)

ORGANIZAÇÃO: Instituto Rosa Luxemburg Stiftung
Ver também outras actividades no link.

A PROPÓSITO DO FORUM SOCIAL MUNDIAL ... COMEÇA HOJE ATÉ 01 DE FEVEREIRO!

Um movimento de movimento, um colectivo de colectivos, uma imensa convergência de muitas minorias, de muitas diferenças por outra globalização!

Começa hoje em Belém (Pará), no Brasil, e, vai até 1 de Fevereiro!

O Forum Social Mundial é também a afirmação de que outro Mundo é possível!

Mas faz muita falta que a afirmação por outro Mundo, possa começar a ter uma expressão de alternativa global ao capitalismo na sua fase global e neo-liberal!

Por aqui também gritamos que OUTRO MUNDO É POSSÍVEL, mas acrescentamos COM O SOCIALISMO!

JUDEUS CONTRA O SIONISMO !

Uma carta da Rede Judia Anti-sionista Internacional.

"Somos uma rede internacional de judeus incondicionalmente comprometidos com as lutas de emancipação humana, nas quais a libertação dos habitantes da Palestina e da sua terra é una parte primordial. O nosso compromisso é pelo desmantelamento do apartheid israelita, em relação aos refugiados palestinianos e pelo fim da colonização israelita da Palestina histórica. "

O texto está em castelhano, mas sugerimos uma leitura ...

segunda-feira, janeiro 26, 2009

NÃO CALEM O JN! Manifesto pelo último grande jornal da cidade do Porto


Há um só jornal de dimensão nacional sedeado fora de Lisboa, o “Jornal de Notícias”, resistente último à razia que o tempo e as opções de gestão fizeram na Imprensa da cidade do Porto. Todavia, nunca a precariedade dessa sobrevivência foi tão notória como hoje, sendo tempo de todas as forças vivas da sociedade reclamarem contra o definhamento da identidade de uma instituição centenária que sempre as representou, passo primeiro para a efectiva e irreversível extinção.

Desde sempre duramente penalizado pela integração em grupos de Comunicação Social, pois sempre foi impedido de viver à medida das audiências e dos resultados, o “Jornal de Notícias” tende a ser profundamente descaracterizado pela remodelação que o Grupo Controlinveste encetou, ao lançar um processo de despedimento colectivo que afectou, para já, 122 pessoas em quatro dos títulos de que é proprietário.

São cada vez mais nítidos os indícios de que o referido grupo económico está a usar a crise para levar a cabo uma reestruturação, longamente pensada, que, através da criação de sinergias, destruirá a identidade dos dois jornais centenários de que é proprietário: o JN e o “Diário de Notícias”. Se o processo não for travado, os dois jornais, mesmo que mantenham cabeçalhos diferenciados, serão apenas suportes de conteúdos sem alma. A ideia não é nova e, com a concentração dos media e com alterações legislativas feitas à medida, está em pleno curso. É agora prática corrente a figura do “enviado notícias”, jornalista de um dos dois títulos em serviço no estrangeiro, que vê a sua reportagem (ipsis verbis) publicada em ambos, ainda ontem concorrentes, mesmo que integrados no mesmo grupo. Foi agora criada, à custa do despedimento de fotojornalistas, uma agência fotográfica cujos membros integrantes trabalharão, indiscriminadamente, para os jornais “Diário de Notícias”, “24Horas” e “O Jogo” (o JN entrará logo depois nesse esquema, a primeira grande machadada nas matrizes identitárias das publicações).

O resto virá a seguir. Os jornais do Grupo Controlinveste passarão a ser, não importa se sob uma ou várias marcas, veículos de um pensamento unificado. Pensando apenas em optimização de recursos, descaracterizam-se redacções e nada impedirá, como acabou de suceder no JN com a informação internacional, que secções sejam extintas, uma vez que, nesta visão redutora, um só jornalista chegará para alimentar quantos jornais e páginas da Internet for necessário. A prática que se adivinha está já em curso na informação desportiva, em que JN e “O Jogo” partilham trabalho jornalístico.

Com a solidificação deste assustador processo, será o JN o mais penalizado e, com ele, a cidade do Porto, todo o Norte do país, vastas extensões da região Centro e, por conseguinte, a própria qualidade da democracia portuguesa. Toda esta estratégia está a ser desenhada à distância, integrando-se nela a recuperação, há menos de um ano, do cargo de director-geral de publicações, entregue ao director do “Diário de Notícias”. Não importa a qualidade boa ou má dos propósitos, apenas que a estratégia do JN vem sendo traçada por pessoas que desconhecem por completo a história, o papel social, o estilo, os leitores ou os agentes sociais que ao longo de décadas tiveram neste jornal a sua voz.

Cada vez mais, o JN deixará de ser a montra dos problemas e dos anseios de vastas zonas do país (o fecho e o emagrecimento de filiais são paradigmáticos). Com isso, haverá um crescente isolamento de regiões que o centralismo tem colocado cada vez mais na periferia. Com isso, o debate sobre a regionalização será restrito e controlado pelo espírito centralista. Com isso, questões como o peso do Porto e do Norte no Noroeste Peninsular serão menorizadas. Problemas como o da gestão do Aeroporto Francisco Sá Carneiro serão menos discutidos. A progressão da rede de metro do Porto será menos reclamada. O poder local será ainda mais invisível. O empreendedorismo será asfixiado. A vida cultural será ainda mais silenciada. O país exterior à capital será cada vez mais paisagem.

Em sede própria, estão os trabalhadores afectados pelos despedimentos (não apenas jornalistas), muitos deles em situações dramáticas, a lutar pelos direitos que lhes assistem. Aqui, é o jornal que luta pela própria existência. Dentro dos deveres que lhes são impostos, os representantes eleitos pelos jornalistas do “Jornal de Notícias” erguem a voz pela história que lhes cumpre honrar, pedindo que se lhes juntem as vozes de quantos virem na preservação desta identidade uma causa justa.

A cidade do Porto e o Norte assistiram, calados, ao desmantelamento de ícones como “O Primeiro de Janeiro” e “O Comércio do Porto”. Quando reclamaram, era tarde. No caso do JN vão ainda tempo de exigir responsabilidade e sensatez. Quando perceber que o fim de tudo foi assim evitado, também o Grupo Controlinveste agradecerá, e é por isso que reclamamos a recuperação urgente do verdadeiro JN. Nacional mas do Porto.

Porto, 23 de Janeiro de 2009


Petição on-line (clique em cima)

sexta-feira, janeiro 23, 2009

terça-feira, janeiro 20, 2009

ESPERANÇA ... DE QUAL É QUE FALAM?

A eleição de Barack Obama é, sem dúvida, um dado novo e muito interessante na sociedade norte-americana. A sua eleição superou, no plano social, os limites do Partido Democrata, um dos dois partidos do sistema!

A eleição de Obama representou, de facto, o nascer de uma enorme espectativa, mesmo esperança, depois de anos de uma Administração desastrosa para os norte-americanos e para todo o Planeta.

Mas é preciso algum cuidado quando se fala em esperança ... é que não é espectável que a "esperança" de que se fala, possa ser a mesma quando ouvimos governantes, quando ouvimos trabalhadores, quando ouvimos banqueiros, quando ouvimos sem-abrigo ...

Essa "esperança" será posta à prova quando a Administração de Obama tiver que apresentar medidas contra a crise financeira/económica/social, quando tiver de cumprir com o fecho de Guantanamo, quando tiver de retirar do Iraque, enfim, quando tiver de concretizar as suas promessas de levar para a sala oval da Casa Branca os anseios e as vontades dos americanos.

Perante todos esses desafios, certamente que será possível descobrir o verdadeiro significado da "esperança" ... será possível avaliar em como a concretização da "esperança" só será possível se houver coragem para se ir para além dos limites do actual sistema.

segunda-feira, janeiro 19, 2009

PROFESSORES: UM EXEMPLO DA CAPACIDADE DE "DIÁLOGO" (!?) DE SOCRATES COM TRABALHADORES!


JOSÉ SÓCRATES VOLTOU ÀS PROMESSAS ...

José Sócrates falou ontem como nos habituou a todos, desde que é primeiro-ministro e secretário-geral do PS: o que disse não é para levar a sério!...

Sócrates falou simultâneamente como actual primeiro-ministro que gostava de continuar a ser, e, como secretário-geral de um Partido que quer justificar a marca (!) "socialista" com um acordo com a sua chamada "ala esquerda".

As promessas que fez, fazem-nos lembrar as que já tinha feito e nunca cumpriu ao longo desta legislatura: o referendo sobre a Europa, a revisão do Código Laboral num sentido mais social e pró-trabalhadores, ... Ou seja, mais umas quantas promessas que serão isso mesmo, promessas!

Pelo meio, lá vai falando (com a maior lata deste mundo!) contra o neo-liberalismo ... mas depois compreendemos melhor a que neo-liberalismo se opõe. Refere-se, no abstracto, a um neo-liberalismo baseado no mercado e na especulação - lá ficamos nós a lembrarmo-nos das privatizações da responsabilidade do governo Sócrates - e receita contra esse neo-liberalismo mais regulação pelo Estado do mesmo neo-liberalismo! Não nos esqueçamos que este Estado que temos é uma espécie de braço político do neo-liberalismo, que tem por missão desregular e liberalizar e nunca regular (como se chegasse regular ou estatizar...)

Sócrates e os seus amigos do governo e da direcção do PS pertencem, pelas políticas que executam e pela prática política que se lhes conhece, à grande família dos guardiões do actual neo-liberalismo globalizado. E é por isto que será curioso ver, em breve, como se comportará Manuel Alegre ...

domingo, janeiro 18, 2009

GAZA: a propósito de uma manifestação em Berlim ...











Este é um relato pessoal a propósito de uma manifestação realizada em 17 deste mês (ontem) contra a invasão israelita em Gaza.
Estava em Berlim e quis aproveitar a oportunidade para manifestar também a minha solidariedade com os massacrados palestinianos.
Tenho defendido que o problema que existe desde a criação do Estado de Israel, não é hoje resoluvel na base de posições de força militar, mas também não o é apelando-se a nacionalismos ou fundamentalismos de toda a espécie, venham eles de onde vierem.
Na manifestação em Berlim, estariam cerca de 5.000 pessoas, sendo uma grande maioria imigrantes provenientes da Palestina e de países daquela área geográfica.
As palavras de ordem não eram todas as mesmas: os manifestantes imigrantes pronunciavam palavras de ordem claramente nacionalistas e religiosas; os manifestantes provenientes de grupos e partidos das esquerdas alemãs adoptavam posições mais políticas!
Um episódio (que ilustro com uma fotografia) elucidativo das consequências das posições nacionalistas e religiosas, foi uma discussão a que assisti entre um dos dirigentes dos imigrantes e um israelita. A discussão só aconteceu por ser um israelita a querer demonstrar a sua solidariedade com o massacrado povo de Gaza. Não descortinei um único momento em que esta discussão tivesse sido aproveitada (nomeadamente pelo dirigente imigrante) para apelar à unidade dos trabalhadores palestinanos e israelitas contra o autismo dos respectivos governos e contra as políticas nacionalistas e fundamentalistas!
A única posição que vi contra os fundamentalismos, contra os nacionalismos, contra o capitalismo apelando ao socialismo na Palestina e em Israel foi de um pequeno grupo alemão, que desconheço, (ver foto) intitulado "Revolutionare Perspektive Berlin". Sintomático do estado em que se encontram alguns sectores das esquerdas ...
A par de tudo isto, lá estavam os polícias equipados (!) até aos dentes e muito eficientes (!) a filmarem todos os passos da manifestação ....
O Médio Oriente precisa urgentemente de uma perspectiva libertária, socialista e claramente anti-nacionalista e anti-fundamentalista!
João Pedro Freire

EM JANEIRO: EM ANOS E LOCAIS DIFERENTES, MEMÓRIA PARA O FUTURO DA LUTA PELO SOCIALISMO!



Por estes dias de Janeiro - 15 de Janeiro de 1919 e 18 de Janeiro de 1934 - em anos e locais diferentes, dois acontecimentos trágicos marcaram actos de repressão a que os Estados recorrem para por fim à capacidade de auto-organização, de auto-iniciativa e de mobilização operária e popular.

O assassinato de Rosa Luxemburgo com a conivência do governo social-democrata da altura , em pleno momento de levantamento popular em Berlim, foi um duro golpe para o movimento socialista internacional e para a própria Revolução socialista mundial. Ficou a obra de Rosa Luxemburgo que deve ser lida como o resultado de alguém de vivendo intensamente as lutas operárias e populares do seu tempo soube concluir que a libertação e a conquista da autonomia dos trabalhadores tem de ser o resultado da sua própria luta e da sua própria iniciativa!

Escreveu Bertolt Brecht:

Epitáfio de Rosa Luxemburgo
Aqui jaz
Rosa Luxemburgo,
judia da Polônia,
vanguarda dos operários alemães,
morta por ordem dos opressores.
Oprimidos,
enterrai vossas desavenças!


Em 1934, em Portugal, na Marinha Grande, o levantamento dos operários vidreiros é o culminar de um período de lutas operárias por melhores condições de trabalho e de vida, mas também contra as medidas que visavam destruir sindicatos livres, agrupados maioritáriamente em torno da CGT (Confederação Geral do Trabalho, de orientação anarco-sindicalista). Tal como na Alemanha, com a morte de Rosa Luxemburgo e a derrota dos Espartaquistas, também a derrota do levantamento operário da Marinha Grande, constituiu um golpe trágico para o movimento operário e sindical em Portugal.

Dois acontecimentos, em momentos e locais diferentes, que devem ser estudados e lembrados como motivação para que, na era da globalização neo-liberal, o socialismo possa surgir como o resultado das lutas sociais e operárias, livre e conscientemente inter-ligadas, para que uma nova realidade mundial seja possível!

sexta-feira, janeiro 16, 2009

A NOVA ESQUERDA (*)

O texto que agora damos a conhecer é da responsabilidade de Alexandre Pinto e foi publicado primeiramente no Jornal do Centro.

O Alexandre Pinto é um militante do espaço da esquerda socialista, embora, neste momento, sem partido. Consideramos o seu texto como mais um bom contributo para a discussão sobre a reformulação/reestruturação/reorganização do espaço da esquerda socialista.



(*) Texto de Alexandre Pinto

Defendo a criação de um novo sujeito político em Portugal, chamem-lhe partido na designação ortodoxa, emergindo do espaço sociológico criado a partir das candidaturas pioneiras e emancipadoras de Manuel Alegre à Presidência da República e de Helena Roseta às Eleições Autárquicas Intercalares de Lisboa. Um Movimento Político dos Cidadãos organizado em rede, sem burocracias nem hierarquias rígidas e dogmáticas capaz de ser uma resposta política inovadora às novas exigências do século XXI e que não replique modelos ultrapassados dos outros partidos filhos da Revolução Industrial.

A crise e as suas exigências sociais exigem de nós respostas políticas enérgicas e inovadoras com capacidade de mobilizar aspirações e anseios dos cidadãos, profundamente desiludidos com o enorme fracasso das respostas dadas pelos partidos tradicionais ao longo dos últimos anos. A crise social exige de nós uma Nova Agenda Política com prioridades muito claras e de mudança.
Depois de três quadros comunitários de apoio, milhões e milhões de euros de ajudas alguma coisa de muito grave falhou. Portugal é hoje um dos países mais pobres da Europa. Mais de 18 por cento da população Portuguesa vive abaixo do limiar de Pobreza, com menos de 380 euros mensais. Este é um problema estrutural que ao longo da última década se tem arrastado, sem que se consigam implementar políticas com capacidade de alterar a situação. Ao mesmo tempo Portugal é o país que no contexto Europeu sofre de uma maior desigualdade na distribuição do rendimento e da riqueza – a parcela auferida pela faixa de 20 por cento da população com rendimentos mais elevados é 6.5 vezes superior à auferida pelos 20 por cento da população com rendimentos mais baixos, enquanto a média comunitária é de 4.6 e nos países Nórdicos não vai além dos 3,5. No último Relatório do Eurostat sobre a situação social coesão e igualdade de oportunidades, publicado em 2008, Portugal continua a ser o país com mais desigualdades no contexto da União Europeia. Quase um milhão de pessoas vive com menos de dez euros por dia e duzentos e trinta mil com menos de cinco euros.


Deve ser esta a prioridade política da Nova Esquerda. Mais de vinte anos passaram desde a entrada de Portugal na União Europeia. Depois de todo este tempo a Pobreza tem-se mantido estável em torno dos vinte por cento da população portuguesa: um em cada cinco portugueses é pobre. Temos que mudar este estado de coisas. Não nos devemos resignar e encolher os ombros aos inúmeros apelos manifestados por tantos cidadãos que hoje se sentem desiludidos com a política em Portugal. É este o momento para avançar, deixemos de protelar adiamentos, porque a grave crise social e económica que estamos a viver agrava ainda mais a sua exigência. Se não o fizermos estaremos a ser cúmplices de um silêncio de medo sofrimento e desespero de milhares de cidadãos neste País. Não há desculpas à esquerda!

JORNAL do CENTRO ed. 357, 16 de Janeiro de 2009

quarta-feira, janeiro 14, 2009

AUTO EUROPA: SERÁ QUE OS PRECÁRIOS NÃO SÃO TRABALHADORES?

Lendo as notícias sobre o despedimento de 254 trabalhadores precários na Auto Europa, fica-se com a impressão que sendo precários os trabalhadores "dispensados", então não existirão despedimentos ...

O mesmo cinismo que já tinha estado presente na intervenção de "anúncio" de crise do governador do Banco de Portugal - quando referiu que 60% dos trabalhadores não veriam os seus postos de trabalho ameaçados ... - está agora também presente nas declarações dos responsáveis patronais da Auto Europa.

Desde um ponto de vista socialista, não há precários, contratados a prazo e efectivos ... todos são trabalhadores! Qualquer que seja o estatuto que o patronato imponha para cada trabalhador, o certo é que todos servem para produzir riqueza e todos trabalham lado a lado. Esta ideia de alguns serem "descartáveis" é a imagem de marca daquilo a que se chama neo-liberalismo.

Aguarda-se por uma posição da Comissão de Trabalhadores!

RELIGIÕES = FUNDAMENTALISMO ?

O cardeal patriarca de Lisboa é tido como um homem "tolerante" ... no entanto, ontem proferiu declarações que só podem ser compreendidas porque é o chefe da Igreja com hegemonia em Portugal.
Nos tempos que correm, é oportuno comentar as afirmações do cardeal porque é importante que se levantem vozes contra os fundamentalismos religiosos, de qualquer tipo ou latitude. E esta foi uma oportunidade para todos constatarmos que os fundamentalistas não estão só do lado dos muçulmanos, mas também do "lado de cá" ...
Há verdades pequenas mas de grande dimensão que convém lembrar: ninguém se casa por causa da religião, seja ela qual for! Há uma dimensão que não deve escolher razões, religiões, politicas, cor, sexo, ... e que é o Amor!
Provavelmente é uma matéria que o cardeal só conhece da retórica e do pulpito, mas não na prática, na vida.
Além do mais, convém sempre constatar que geralmente, as religiões ressuscitam em tempos de crise e em contextos de sub-desenvolvimento cultural, onde se tornam, de facto, autentico ópio para o povo! É este o contexto em que vivemos. E é neste contexto que os altos dirigentes das Igrejas apelam à resignação dos fiéis, à espera que o paraíso dos ceús chegue ...

terça-feira, janeiro 13, 2009

AÍ ESTÁ O SIGILO A PROTEGER GESTÕES POUCO CLARAS ...


Não teria sido esta mais uma oportunidade para se questionar o tal "sigilo" bancário ?

Com todas as acusações que pendem sobre o ex-governante, ex-presidente de um banco, o banqueiro ainda finta a Assembleia da Republica em nome da sua "condição" (!!!) de arguido?

Uma grande diferença entre uma medida de "estatização/nacionalização" (que aconteceu para o BPN) e a SOCIALIZAÇÃO teria sido o tratamento que se daria ao "sigilo" bancário - que seria banido! - e a intervenção organizada dos trabalhadores do sector bancário no controlo directo das direcções e gestões das chamadas Instituições de Crédito.
É claro que ESTE Estado que temos, fortemente habitado (!) e controlado por liberais (de muitas cores!) que o dizem combater, mas que, na prática agarram-se a ele como lapas, nunca teria capacidade para produzir qualquer medida socializante ...

segunda-feira, janeiro 12, 2009

O LUXEMBURGUISMO COMO EQUILIBRIO INSTÁVEL

Este texto é a primeira parte do resultado de um debate que tem envolvido internacionalmente militantes que se reinvidicam (reinvidicamos) do que chamamos LUXEMBURGUISMO. É um debate que prosseguirá e que abordará outros temas e outras questões. Um debate aberto a todos os luxemburguistas e a todos os interessados.


Trata-se, para já, de um debate produto do modo como se tem vindo a organizar a Rede Luxemburguista Internacional. Uma rede constituída internacionalmente por activistas e militantes provenientes de diversas experiências organizativas concretas.


Pretendemos que as alternativas que chamamos de luxemburguistas possam ter mais visibilidade. Ainda mais num momento em que a Humanidade atravessa uma imensa crise global. Perante o capitalismo e também perante outras "alternativas" que já mostraram estar completamente erradas, embora continuem a receber o apoio de muitos trabalhadores. E isto acontece também porque as alternativas luxemburguistas (e até outras, também importantes) continuam absolutamente desconhecidas ou minoritárias.


É claro que se nos consideramos luxemburguistas, isso tem a ver com o facto de entendermos que as posições de Rosa Luxemburgo são as mais adequadas entre todas as que têm surgido históricamente no movimento operário.


Adequadas para quê? Para que os trabalhadores consigam o objectivo que fixaram desde que se tornaram uma classe submetida à exploração capitalista: a sua emancipação!

Tem havido poucas expressões organizados do luxemburguismo embora tem sido apreciável, na história recente, a ligação de movimentações de massas a posturas de Rosa Luxemburgo e dos luxemburguistas.

Será que as massas trabalhadoras conheciam as teses dos luxemburguistas? Não. As posições de Rosa Luxemburgo e dos seus seguidores foram tomadas tendo por referência as aspirações e os métodos de luta dos trabalhadores e não o contrário.

Não concordamos com as posições que sustentam que "se deve olhar em frente" sem compreender primeiro a própria história do movimento operário. O passado, como é evidente, não serve para eternizar polémicas e recriminações. Mas é imprescindível para se poder formular uma crítica do que tem sido a praxis (e a teoria) da luta contra a exploração e poder, nos nossos dias, definir formas verdadeiramente consequentes para se conseguir o objectivo revolucionário: a transformação radical da sociedade!

O luxemburguismo procura manter sempre o que foi a sua base de análise, o Materialismo Histórico. E, em concreto, a sua compreensão extraordinária de algo tão complexo como é o processo histórico. Mas também tem de manter a relação entre essa análise (a teoria) e a praxis político-social. Ou seja, tem de ser capaz, em cada momento, de ter presente os múltiplos mecanismos de mudança social e forma como todos se encaixam num processo real que não admite imposições idealistas ou unidireccionais que se revelaram absurdas. Isto implica partir sempre da análise da realidade concreta, não forçá-la em função dos nossos desejos, sejam eles quais forem. Sobretudo não cair em posições simplistas que reduzem a complexidade a um autêntico espantalho. É a essa permanente tentativa que podemos falar na manutenção de um "equilíbrio instável".

Equilíbrio entre o reconhecimento do carácter espontâneo das lutas, das greves de massas e a necessidade e relevância de se organizar. O que significa:
Reconhecer a impossibilidade de decidir, a priori , quando e onde se produzirão os enfrentamentos chaves contra a exploração. Ou negar que se produzirão.
Reconhecer que são as condições materiais, o mundo da produção material, que condicionarão as consciências para a luta e não a teoria "abstracta" aprendida no seio auto-complacente das organizações partidárias. Ou a dimensão destas, a sua suposta força.
E ao mesmo tempo reconhecer que é relevante que existam activistas, militantes, sempre e quando se comportem como proletários que lutam. Líderes já os temos tido em número suficiente.

Daí que hoje em dia, como luxemburguistas, tenhamos que reconhecer que não sabemos onde ocorrerão os processos revolucionários. Mas, onde quer que estivermos, ajudá-los-emos! Teremos também presente que, em cada momento, existem e existirão "partidos", tantos quanto as propostas de solução que se dêem para os problemas. No entanto, o único sujeito capaz da transformação social radical é a massa proletária no seu conjunto e complexidade. Sendo nós senão uma parte dessa massa proletária!
Equilíbrio entre o reconhecimento do objectivo do processo histórico e as possibilidades da intervenção para a sua transformação (o subjectivo). É isto que formula a famosa consigna Socialismo ou Barbárie. Barbárie não é a barbárie capitalista, mas um sistema social distinto e posterior ao derrube do capitalismo, cujo fim histórico inevitável motivado pela sua própria evolução e contradições Rosa Luxemburgo pode compreender. Isso é o essencial da sua obra "económica", especialmente A Acumulação do Capital. Esse é o "objectivo", o que se deduz da própria dinâmica interna do capitalismo. O luxemburguismo também tem claro que o "subjectivo" existe e é crucial. Não podemos perder de vista que a História é feita pelos seres humanos. A luta de classes é o motor da história. Este ponto, esta dialéctica entre as condições objectivas e as possibilidades de acção, tem de nos fazer recusar qualquer mecanicismo (em que muitas tendências caiem, considerando que as coisas surgem “ sozinhas ") e também qualquer voluntarismo, qualquer consideração de que por simples convencimento teórico ou moral as coisas mudarão. Entre outras coisas, porque só perante a necessidade marcada pela evolução das condições materiais se pode desenvolver esse convencimento de forma massiva. Somente então a consciência de classe poderá ser geral. E a única alternativa possível à Barbárie, o Socialismo, poderá ser posta em prática.

Equilíbrio entre o que comummente se denominam "reforma" e "revolução". Não houve para os antigos luxemburguistas (começando pela própria Rosa Luxemburgo) nem deve existir para nós, uma separação "radical" entre ambos mecanismos. Porquê? Porque a realidade do processo histórico demonstra-nos que não são "momentos" distintos. Pelo contrário: a tensão entre as possibilidades de mudança imediato, da melhoria possível e a necessidade de superar radicalmente os marcos sociais, está sempre presente. É mediante a comprovação empírica da impossibilidade de se melhorar nos marcos estabelecidos pela sociedade capitalista que se dá o salto para a luta revolucionária. Nessa luta concretizam-se as melhorias concretas, passo a passo, não como se uma sorte de deus criasse o novo mundo com golpes e pancada.
De nada serve que separemos nos laboratórios da teoria as lutas em "reformistas" e "revolucionárias". Ou em "defensivas" e "ofensivas". Porque a experiência mostra-nos que as lutas podem alterar a sua "caracterização". Fizeram-no frequentemente no passado. Algo de concreto pode acabar por reclamá-lo por todo. A luta pela estrita sobrevivência pode transformar-se na luta pela emancipação total. E vice-versa.

Por isso é preciso participar, como membros da classe e como membros organizados da classe, nas lutas que se desenvolvem nos nossos meios. Apoiando, com todas as críticas que sejam necessárias, outras lutas. Não temos outro caminho a seguir. Se soubéssemos de antemão qual a luta que levava à revolução mundial, qual o cavalo ganhador em que se deveria apostar, tudo seria muito simples. Se fosse possível adivinhar-lo, será que não se teria adivinhado já?

Será no terreno prático, nas lutas, onde as nossas análises e as nossas propostas ganharão sentido. Será nessas lutas onde defenderemos como aspirações irrenunciáveis a igualdade e a liberdade, a democracia radical, a autogestão, a socialização e a necessidade da revolução mundial.

PARTIDO-MOVIMENTO: organização horizontal em vez de vertical!

A generalidade dos partidos parlamentares possuem uma organização interna que espelha, de uma forma mais ou menos acentuada, o modelo político parlamentar neo-liberal. Ou seja, uma organização vertical, construída de cima para baixo, onde os aderentes têm uma capacidade muito reduzida de intervenção e, muito menos ainda, de decisão.

São organizações construídas e mantidas para a perpetuação dos chamados "líderes", os quais acabam por constituir uma espécie de modelo a ser seguido e repetido por todos. Se fosse possível e alguns dos "líderes" pudessem, certamente que os aderentes seriam convertidos numa espécie de "clones" do líder ...

Este modelo de partido é comum simultaneamente ao modelo liberal mas também aos modelos leninista e estalinista. É um modelo que acaba por não ser motivador de e/ou para qualquer projecto que necessite de mobilização popular. Sendo que o próprio conceito de mobilização popular deveria ser o resultado dialético do processo de aquisição de uma consciência colectiva que nunca ignorasse ou subjugasse a consciência individual.

Quando falamos em "partido-movimento" referimo-nos a um modelo no qual a organização permite, em pé de igualdade, aderentes individuais, mas também colectivos (que podem ser grupos, associações, etc). Existe, desde logo aqui, um imenso desafio e que é a capacidade de convergência consubstanciada na aceitação livre de uma plataforma estatutária.

No geral, os actuais partidos parlamentares aceitam, no plano formal, o chamado "direito de tendência". Aliás, reduzem a liberdade interna dos seus aderentes ao formalismo do tal direito de tendência. E o formalismo encarrega-se de bloquear, na prática, qualquer exercício efectivo do direito de tendência. Todos os "argumentos" das maiorias internas de cada partido, "servem" para vincar o formalismo desse "direito"...

O direito de tendência para o ser verdadeiramente, deveria ser não só político, mas também, organizativo. E com regras muito simples e não bloqueadoras. O objectivo é favorecer um permanente debate e vontade de participação de todos. Só assim, é que se conseguirá também convergências mais claras e objectivas!

Outro aspecto do modelo vertical e parlamentarizado dos partidos , é a existência de Congressos/Convenções/Conferências realizados periódicamente para a "definição" do programa e objectivos para um próximo período. Estas realizações podem servir para notícias de telejornais e consagração do "líder", mas não servem para mais nada!

Uma organização horizontal não precisa de congressos/convenções. A participação individual e colectiva dos seus aderentes é conseguida pela dinâmica social de intervenção nos problemas concretos e é daí que se efectuam permanentemente convergências para a intervenção mais política!

Num ano de todas as eleições, seria importante desenvolver uma reflexão como esta que propomos!

sábado, janeiro 10, 2009

UM PARTIDO-MOVIMENTO QUE SURJA DOS MOVIMENTOS SOCIAIS?

E porque não?

O movimento operário e sindical já organizou os seus próprios partidos. Sempre na busca de uma solução política que permita mudanças radicais!

As consequências do neo-liberalismo, no plano social, tem originado a criação de muitos movimentos e grupos de auto-iniciativa social. A crescente parlamentarização da vida política tem significado afunilamento da participação popular e cidadã a qualquer nível da sociedade. A consequência mais imediata tem sido a auto-resposta popular para responder a questões concretas.

No entanto, os grupos e movimentos sociais têm duração efémera e sem qualquer capacidade de responder e provocar mudanças no plano político.

Verifica-se também uma crescente tendência para os partidos com expressão parlamentar copiarem, na sua organização, o que há de pior no parlamentarismo: são organizações onde os militantes acabam por não ter total e directa capacidade de expressão e de decisão. São organizações verticais, dirigidas de cima para baixo e quando vistas de baixo, parecem um funil ...

A questão fica: e se os muitos grupos e movimentos sociais interligassem e coordenassem as suas muitas e diversas acções numa organização que tivesse a ousadia de intervir políticamente para dizer que é preciso mudar radicalmente! Uma organização política não autoritária, profundamente libertária, horizontal e federativa e com coragem para produzir uma alternativa ao neo-liberalismo e a todas as formas de totalitarismo!

SOLIDARIEDADE A TODO O MOMENTO E PARA SEMPRE! (Pete Seeger)

A propósito dos trabalhadores desempregados, a propósito dos precários, a propósito dos marginalizados por cor, sexo, género, a propósito das vitimas das guerras (como a de Gaza), a propósito dos que sofrem as consequências de todos os totalitarismos, como é o neo-liberalismo da globalização, ... e porque a melhor forma de fazer valer um sistema de solidariedade é continuarmos a lutar por um socialismo libertário, democrático e corajosamente revolucionário!

REVOLTA SOCIAL GREGA 2008!

Convém recordar ... a mensagem que passou na imprensa foi de que tinham acontecido manifestações de revolta e de pesar pela morte de um jovem grego pela polícia. Quando as manifestações perpetuaram-se no tempo, a imprensa começou a falar em manifestações de anarquistas ... Mas as manifestações continuaram e ... então já se começou a falar de REVOLUÇÃO SOCIAL! O que fica é só isto: a revolta contida e individual que o neo-liberalismo tem estado a provocar nas pessoas, está muito perto de tomar uma forma COLECTIVA e SOCIAL!

quarta-feira, janeiro 07, 2009

EM GUERRA POR QUE T (t)erra (*)


(*) Por Fernando Nobre, recebido por mail

Há momentos em que a nossa consciência nos impede, perante acontecimentos trágicos, de ficarmos silenciosos porque ao não reagirmos estamos a ser cúmplices dos mesmos por concordância, omissão ou cobardia.

O que está a acontecer entre Gaza e Israel é um desses momentos.

É intolerável, é inaceitável e é execrável a chacina que o governo de Israel e as suas poderosíssimas forças armadas estão a executar em Gaza a pretexto do lançamento de roquetes por parte dos resistentes (terroristas) do movimento Hamas.(...)

- Foi o governo de Israel que, ao mergulhar no desespero e no ódio milhões de palestinianos (privados de água, luz, alimentos, trabalho, segurança, dignidade e esperança ), os pôs do lado do Hamas, movimento que ele incentivou, para não dizer criou, com o intuito de enfraquecer na altura o movimento FATAH de Yasser Arafat. Como inúmeras vezes na História, o feitiço virou-se contra o feiticeiro, como também aconteceu recentemente no Afeganistão.
- Estamos a um combate de David (os palestinianos com os seus roquetes, armas ligeiras e fundas com pedras...) contra Golias (os israelitas com os seus mísseis teleguiados, aviões, tanques e se necessário...a arma atómica!).- Estranha guerra esta em que o agressor, os palestinianos, têm 100 vezes mais baixas em mortos e feridos do que os agredidos. Nunca antes visto nos anais militares!

- Hoje Gaza, com metade a um terço da superfície do Algarve e um milhão e meio de habitantes, é uma enorme prisão. Honra seja feita aos heróis que bombardeiam com meios ultra-sofisticados uma prisão praticamente desarmada (onde estão os aviões e tanques palestinianos?) e sem fuga possível, à semelhança do que faziam os nazis com os judeus fechados no Gueto de Varsóvia!(...)

Vergonha para todos aqueles que, entre nós, se calam por cobardia ou por omissão. Acuso-os de não assistência a um povo em perigo! Não tenham medo: os espíritos livres são eternos!

É chegado o tempo dos Seres Humanos de Boa Vontade de Israel e da Palestina fazerem calar os seus falcões, se sentarem à mesa e, com equidade, encontrarem uma solução. Ela existe!

Mais tarde ou mais cedo terá que ser implementada ou vamos todos direito ao Caos: já estivemos bem mais longe do período das Trevas e do Apocalipse.

É chegado o tempo de dizer BASTA!

Este é o meu grito por Gaza e por Israel (conheço ambos): quero, exijo vê-los viver como irmãos que são.

PARA O FIM IMEDIATO DA OFENSIVA ISRAELITA EM GAZA!


Uma posição internacional exigindo o fim imediato da ofensiva israelita em Gaza. (em francês)

Posição também subscrita por TRIBUNA SOCIALISTA.

terça-feira, janeiro 06, 2009

CíNICO E MONSTRUOSO!

Repararam numa reportagem da TVI que mostrava israelitas a subirem a um miradouro (!) para, tipo turistas voyeurs, observarem as "suas" tropas a bombardearem os palestinianos em Gaza?

Enquanto do lado palestiniano a preocupação é a resistência e a sobrevivência, do lado israelita, o governo e o exército, parece que convidam as pessoas a assistirem à carnificina e ao assassínio que vão executando!

Verdadeiramente cínico e monstruoso ... mas um exemplo mais que mostra a desproporção dos meios militares e a dimensão da acção do poder israelita que parece apontar para um autêntico genocídio regional!

SÓCRATES NA SIC: RAZÕES PARA NÃO DAR A MAIORIA ABSOLUTA AO PS!

Acreditamos que José Sócrates, apesar de ser o secretário-geral do PS, não representa a opinião e o sentir de todos os aderentes e simpatizantes socialistas. Porque sempre que fala, Sócrates é mais o primeiro-ministro de um governo com políticas liberalizantes do que própriamente o secretário-geral de um partido que ainda se vai dizendo socialista (embora já com o recurso a muitos adjectivos decorativos ...).


Ontem na SIC, Sócrates foi mais do mesmo. Tirando o (tardio!) reconhecimento de que afinal vamos estar em crise, o primeiro-ministro continua a movimentar-se numa espécie de esquizofrenia, ou seja, há uma realidade que só Sócrates (e o seu governo!) vê, e não é vista nem sentida por mais ninguém!


A abordagem aos prometidos 150 mil novos postos de trabalho, a relação com os professores, a estatização de bancos, o modo como se habituou a responder fugindo às questões que lhe são colocadas, o deserto de novas soluções que não se confundam com propaganda, são motivos suficientes para não dar mais 4 anos de maioria absoluta a este PS de Sócrates.


No entanto, a solução não está nos que representam as raízes da actual crise, ou seja, a direita do tipo PSD e/ou CDS. Um retorno ao governo desses partidos, em conjunto ou em separado, só contribuiria para o agravar da actual crise que muito rápidamente pasaria de crise económico-financeira para uma profunda crise social !


Mesmo no actual quadro político-partidário (e nada se deve ou pode esgotar aí!) existem soluções que podem contribuir para o desenvolvimento de políticas anti-liberais, mais democráticas e claramente com incidência social. Mas qualquer dessas novas soluções políticas não pode abdicar ou ignorar a necessidade de mobilizar e integrar a dinâmica de uma maioria social de esquerda! Nessa maioria social naturalmente que estão incluídos todos os aderentes e simpatizantes socialistas que nunca deixaram de o ser!

domingo, janeiro 04, 2009

ISRAEL - PALESTINA: UM TESTEMUNHO NO LOCAL

2009/01/04 - Retirado de SB NEWS

Israel-Palestine: the chauvinist onslaught

From The Commune, 29-12-2008


O nosso camarada Shlomo Anker informa a partir de Telavive, Israel, sobre a escalada do conflito em Gaza e a resposta da esquerda israelita, dos movimentos de paz e das organizações árabes.

A situação em Israel e na Palestina tem tornado todos mais nacionalistas. Os partidos judeus de direita em Israel estão a ganhar mais apoio e os cidadãos árabes de Israel estão com medo crescente, todos se referenciando ao sofrimento em Gaza.


Dentro da comunidade judia, a maioria apoia o Exército e a esquerda da situação (Labour Party) é parte do governo que está implicado nos masscres de guerra. Ehud Barak, o ministro da Defesa é do Labour Party. Entre os militantes do Labour há os que estão descontentes com o governo mas nenhum deles se opõe à acção em Gaza. O Partido Social Democrata(Meretz) e o movimentto Peace Now, que são anti-ocupação, não estão no governo possuem umas bases bem de esquerda mas que permanecem silenciosas. Limitam-se a manifestarem-se contra os colonatos e a extrema-direita sem questionarem o Estado.


A única oposição na comunidade judia vem dos membros do Chadash Party (Comunista) e dos Anarchists Against the Wall (Anarquistas contra o Muro). Em Telavive teve lugar uma manifestação muito viva com 300 pessoas tendo sido presas 5.


Dentro das fronteiras de Israel, a principal oposição encontra-se nos 1.2 milhões de cidadãos árabes de Israel. Contudo, estas manifestações não adquirem um carácter de esquerda. Têm sido convocadas em protesto contra o que se passa em Gaza, mas o ânino dos manifestantes e as palavras de ordem são sobretudo de direita e extremamente nacionalistas. Na cidade de Haifa, onde o Partido Comunista é forte, manifestam-se diáriamente 300 pessoas, a maioria pronunciando palavras de ordem como “A Palestina é árabe” e outros slogans visando a "reconquista" de território. Nas vilas Israelo-palestinianas mais pequenas onde o Balad Party (Arabe Nacionalista) e o Movimento Islâmico são populares os slogans têm sido mais agressivos, incluindo “Derrotaremos os Judeus” e “Morte aos Judeus.” Slogans do tipo “Fim da Ocupação” ae ”Stop à Violência em Gaza” são ouvidos, mas em geral, são menos populares que os apelos mais "militantes".


No geral, o tom no país é nacionalista e as vozes mais liberais quase que morreram, com as pessoas a tomarem posição em função da sua etnia e a mostrarem desconfiança e medo pelos outros. Lutas raciais entre jovens judeus e árabes (todos trabalhadores) estalaram há alguns meses a norte da cidade de Akklo. As previsões apontam para que uma terceira Intifada conduza a mais tensão racial colocando a solidariedade de classe completamente morta enquanto ganha corpo a possibilidade de uma guerra racial.

sábado, janeiro 03, 2009

A UNIÃO EUROPEIA CEGA E CÍNICA ...

União Europeia considera ataque terrestre de Israel “defensivo”

A isto chama-se "jogo diplomático" ... quase sempre não leva a nada, mas exibe sempre os conluíos, os compromissos mais ou menos secretos entre Estados, governos e lobbies! A União Europeia enquanto organização (não muito definida!) de Estados e governos não consegue exprimir, nas posições que toma, uma vontade popular europeia ... limita-se ao resultado de negociatas entre os seus governos (lá está, mais um reflexo de uma organização que é indefenível e que de democrática só ostenta o formal ...)

Considerar o ataque terrestre israelita como "defensivo" é o cúmulo da cegueira e do cinismo!

ISRAEL JÁ INVADIU A FAIXA DE GAZA ...

Artilharia pesada, marinha, comandos, milhares de milicianos ... estes são os "argumentos" do poder israelita para responder aos roquetes artesanais do poder do Hamas ...

É claro que o poder israelita, nomeadamente os seus sectores mais nacionalistas e reacionários, visa também, de uma vez, condicionar os próprios israelitas na campanha eleitoral que decorre em Israel e desrespeitar a vontade popular palestiniana!

Centenas de mortos e milhares de feridos, destruição e mais destruição, estas são as consequências da agressão sionista.

A responsabilidade pertence por inteiro ao Estado de Israel, mas isso não significa que a sociedade israelita possa também ser responsabilizada! Há fortes movimentos israelitas favoráveis à Paz, há objectores de consciência que se recusam alistar no exército, há trabalhadores israelitas, palestinianos e árabes que trabalham diáriamente e lado a lado!

O grito de BASTA! , de SOMOS TODOS PALESTINIANOS! ouve-se por todo o lado, ouve-se, também, em Israel e na Palestina!

Apelamos à participação nas concentrações de 5 e 8 deste mês, em Lisboa!

sexta-feira, janeiro 02, 2009

MANIFESTAÇÕES EM TELAVIVE (ISRAEL) CONTRA OS ATAQUES ISARELITAS EM GAZA

de The Alternative Information Center . 28 Dezembro de 2008
in, SB News

Duas centenas de activistas israelitas manifestaram-se na noite de 27 de Dezembro contra os ataques israelitas da véspera, em Gaza, os quais provocaram, pelo menos, a morte e 270 palestinianos e ferido mais de 700.

(restante texto em inglês)

The demonstration, initiated and organized by the Israeli Coalition against the Siege on Gaza, included a march of activists through central Tel Aviv, from the Cinemateque square to the Ministry of Defence.

Demonstrators called for an immediate end to Israeli military attacks and the siege on Gaza, and criticized the center-left wing political party Meretz for supporting Israel’s attacks on Gaza.Israeli police officers were particularly harsh with demonstrators, five of whom were detained and subsequently released.

AIC Programme Director Sergio Yahni, one of the main organiser’s of the demonstration in Tel Aviv, noted that “last night’s demonstration was substantially larger than the first demonstration we organized against Israel’s 2006 war on Lebanon. People were truly horrified by Israel’s military attack on Gaza yesterday, and went out to the streets to show this.

”The Israeli Coalition against the Siege will be holding another demonstration this evening in Tel Aviv, and will be meeting tomorrow to strategically plan future actions.Demonstrations against Israel’s assault on Gaza also occurred in Jerusalem. Demonstrators gathered in the Mount of Olives, Qalandiya, A-Ram, in Issawiya, on the main street in East Jerusalem —and in the Shuafat Refugee Camp. The demonstrators blocked roads, called out against the Israeli occupation and attacks on Gaza, and confronted Israeli soldiers who arrived to break up the demonstrations. Israeli soldiers stationed at a checkpoint in the Shuafat Refugee Camp ran away from the demonstrators.

At least 3 Palestinians were injured by soldiers during the demonstrations.

CAVACO SILVA: DISCURSO PRESIDENCIAL MORALISTA E OCO!

Começa a tornar-se um hábito português: os presidentes da républica que já foram primeiro-ministros esquecem-se muito rápidamente do que fizeram como responsáveis por governos!

Quando Presidentes da Républica pronunciam discursos onde pretendem denunciar situações que, quando primeiro-ministros, contribuiram com políticas concretas para que essas situações acabassem por surgir ...

Por isto, os discursos dos Presidentes da Republica acabam por se resumir a peças onde o moralismo e o formalismo são os vectores doiminantes!

Cavaco Silva no seu discurso de Ano Novo não foi excepção. Surgiu muito preocupado com os pequenos comerciantes e os agricultores, mas todos nos lembramos do tempo do cavaquistão ... Lembrou as dificuldades económicas por que passam muitas familias, mas certamente que todos nos lembramos também do fosso que se começou a cavar entre ricos e pobres nos tempos do cavaquistão ...

Cavaco Silva não propos nada de concreto, nem o poderia fazer porque é também uma parte do chamado centrão. O tal centrão que domina o Parlamento que é o responsável há anos e anos pelo mesmo tipo de políticas que têm contribuido para o agravamento das desigualdades sociais, que têm contribuido para a opacidade total da gestão das grandes empresas públicas e privadas, particularmente no sector financeiro, e, que têm permitido que tudo isso aconteça num contexto de restrição crescente da capacidade de participação directa das pessoas na política, na economia e na sociedade em geral.

Com Cavaco Silva, tal como com os seus antecessores, assisti-se em cada discurso de ano novo ao espectáculo de quase todos os partidos parlamentares estarem de acordo com o que o Presidente diz: na oposição descobrem nas mesmas palavras presidenciais criticas ao governo onde o governo acha que são palavras de incentivo à acção governativa! O centrão transforma a democracia numa espécie de teatro sempre com os mesmos actores! ...

O Presidente da Républica mostrou-se preocupado com 2009 que pode ser um ano de "explosões sociais" ... Certamente que lembrava-se do que recentemente aconteceu na Grécia. No entanto, se viessemos a assistir a qualquer explosão social em 2009 isso até poderia ser recebido como uma lufada de ar fresco! Algo que iria, de certeza, abalar o cinzentismo de uma democracia crescentemente formal, burguesa e asfixiante, reduzida, cada vez mais, aos jogos parlamentares de maiorias que se alternam à margem das vontades populares. E tudo o que signifique aumento da capacidade de mobilização colectiva e popular que substitua o actual clima de desespero e revolta individualizada, é benvindo!

Está na altura das pessoas que são trabalhadores e cidadãos decidirem fazer pela sua iniciativa, mobilização e vontade o que as chamadas "elites" e a dita "classe política" desfaz e ilude!