tribuna socialista

sexta-feira, agosto 26, 2005

MÁRIO SOARES: uma candidatura das esquerdas?

Parece que Mário Soares vai anunciar a sua candidatura no final de Agosto, mas antes da chamada “rentré” dos partidos, incluindo a do PS.

Quer, deste modo, afirmar-se “independente” e “acima” dos partidos.

A direcção do PS tem tentado passar a ideia de que Soares é o “melhor candidato” para “convergir as esquerdas” nas Presidenciais.

Mas, as seguintes questões, são legítimas:

  • O aparecimento de Soares como candidato teve por detrás, algum movimento popular e cidadão? Ou foi antes uma decisão que envolveu exclusivamente a direcção do PS e o próprio Soares?

  • Houve algum debate interno no Partido Socialista sobre qual o melhor candidato na opinião dos socialistas? Ou bastou, tão-só, uma declaração do secretário-geral do PS e depois, tipo reacção em cadeia, declarações de apoio das direcções de algumas Federações Distritais?

  • Antes de Sócrates decretar (!) o apoio do (!) PS a Soares, quantas tinham sido as vezes que Mário Soares manifestou a sua indisponibilidade para ser candidato?

  • Se Soares é um “candidato das esquerdas”, porque razão prepara a sua candidatura (tal como o previsível candidato da direita, Cavaco Silva) em segredo, fora da participação popular e cidadã e à margem dos outros partidos e movimentos das esquerdas?

Um candidato das esquerdas não tem de ser um “operário sindicalista” … mas tem de emergir do movimento popular, tem de estar em contacto com ele, tem de saber criar espaços de diálogo, pontes, com e entre os partidos e grupos das esquerdas … tem de se afirmar como uma candidatura que apela à participação popular e cidadã em ruptura com as práticas e as políticas do liberalismo.

Mário Soares não tem sido nada disto!

2 comentários:

Saramago disse...

hum, parece que vão haver muito poucos votos nas presidenciais, tendo em conta a concorrência.

José David Gregório disse...

Apnas não entendo essas aspas no operário sindicalista.
O operariado é - veja-se os dados do INe - a classe mais numerosa em Portugal. O sindicalismo é ainda o maior movimento social de resistência ao neoliberalismo em Portugal.
Porque não, então, um candidato que seja de uma parte, que tome partido, que dê contributo para o reorganizar da cosnciência do poder potencial que tem esta classe social?